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G) SURRE GÖNDERİLMESİNDEKİ AMAÇLAR:

4) Kur’an-ı Kerim’den Bazı Surelerin Okunması:

Pensar na relação entre oralidade e escrita me remete à compreensão da idéia de alfabetização e letramento, pois entendo que ser alfabetizado ou letrado amplia possibilidades de ser-no-mundo-com-o-outro por encaminhar modos diferentes de compreensão de mundo, solo de percepção da pre-sença.

Conforme coloca Bicudo (1999), pesquisadora envolvida com estudos na área da Filosofia da Educação, a alfabetização refere-se a

[...] ajuda dada à pessoa para compreender a leitura que ela faz de si e do mundo, para receber a possível leitura que os outros fazem e, também, para ajudá-la a compreender a pluralidade de leituras socialmente existente e aceitas ou postas sob suspeitas e excluídas. (...) abrange também a percepção, a explicitação do sentido de modo articulado na fala e nas linguagens oral e escrita. (BICUDO, 1999a, p. 29)

A autora, cuja teorização se sustenta na fenomenologia, aponta como objetivos principais da alfabetização a compreensão de si e do mundo e a percepção da diversidade de leituras existentes, o que abrange o domínio da linguagem oral e escrita de forma articulada. Poderemos acrescentar que o domínio de tais linguagens faria sentido se também contribuísse para a leitura das linguagens pictórica, sonora, imagética e todas mais.

Para Freire (1986), a alfabetização se instaura como um processo de busca, de criação, em que os alfabetizados são desafiados a perceber a significação profunda da linguagem e da palavra. Perceber a significação da linguagem e da palavra, conforme estou compreendendo, quer dizer ir além da capacidade de ler e escrever, estando atento para o discurso implícito no que está sendo dito; inclui utilizar-se da escrita para manifestar-se de forma articulada na luta por seus interesses e para expressar sentimentos, compartilhar vivências.

Para Paulo Freire (1986), a alfabetização é um

[...] ato político e ato de conhecimento, comprometida com o processo de aprendizagem da escrita e da leitura da palavra, simultaneamente com a ‘leitura’ e a ‘reescrita’ da realidade, e a pós- alfabetização, enquanto continuidade aprofundada do mesmo ato de conhecimento iniciado na alfabetização. (FREIRE, 1986, p. 48)

Tais concepções de alfabetização estão em consonância com o conceito de alfabetismo, conforme apresentado por Soares: “[...] estado ou a condição que assume aquele que aprende a ler e a escrever" (SOARES, 2003, p. 29). Este termo, após 1995, foi substituído, por alguns teóricos por letramento. Para a autora, tais vocábulos tornaram-se necessários porque, nesse contexto, não basta apenas saber ler e escrever. Os indivíduos devem também saber fazer uso dessas habilidades, incorporando-a a seu viver, transformando o seu estado ou condição.

Soares explicita a compreensão de que, ao falar de estado ou condição que assume aquele que aprende a ler, fala-se de um conjunto de comportamentos tanto numa dimensão individual quando social. Na primeira, refere-se à posse individual de habilidades de leitura e escrita; na segunda, ao fenômeno cultural, concernente a um conjunto de demandas sociais de uso da língua escrita. A meu ver, tal compreensão permite que alguns autores citados por Soares (1988) falem de níveis de letramento, considerando que pode ser letrado alguém que não domina as habilidades de leitura e escrita, ou seja, ele pode possuir um comportamento social de leitura, mas não uma condição individual de saber ler o que está escrito.

A autora ressalta o impacto social do domínio da escrita, quando define letramento relacionando-o com a alfabetização.

O Alfabetizar-se, deixar de ser analfabeto, tornar-se alfabetizado, adquirir a “tecnologia” do ler e escrever e envolver-se nas práticas sociais de leitura e de escrita-tem conseqüências sobre o indivíduo e altera seu estado ou condição em aspectos sociais psíquicos, culturais, políticos, cognitivos, lingüísticos e até mesmo econômicos; do ponto de vista social, a introdução da escrita em um grupo até então ágrafo tem sobre esse grupo efeitos de natureza social, cultural, política, econômica, lingüística. O “estado, ou a” condição que o indivíduo ou o grupo social passam a ter, sob o impacto dessas mudanças, é que é designado por letramento. (SOARES, 1998, p. 18)

Tal concepção reforça minha compreensão de que o conhecimento da escrita e a incorporação de sua prática de forma consciente nas atividades diárias de uma pessoa muda o seu modo de viver no dia-a-dia. A isso se refere a expressão estado ou condição que assume aquele que aprende a ler e a escrever e se envolve em prática de leitura e escrita. Soares esclarece, no entanto, que se

envolver em práticas de leitura e de escrita é mais que saber escrever um bilhete, uma lista de supermercado ou ler um manual.

Ter se apropriado da escrita é diferente de ter aprendido a ler e a escrever: aprender a ler e escrever significa adquirir uma tecnologia, a de codificar em língua escrita e de decodificar a língua escrita; apropriar-se da escrita é o tornar a escrita “Própria”, ou seja, é assumi-la como sua “propriedade”. (SOARES, 1998, p. 39)

A partir de tais estudos, compreendo o letramento como um estado em que o domínio da leitura e da escrita em língua materna e em outras linguagens constitui um instrumento para a compreensão de si mesmo e do mundo e, além disso, amplia possibilidades de ser, contribui com o modo da pessoa ser assegurando-lhe idéias próprias e capacidade de expressá-las. Ser letrado, nesse sentido, significaria ser capaz de realizar leituras de textos diversos, com diferentes linguagens, e de perceber tais leituras como um modo de compreender o mundo no qual se é sendo-com-o-outro.

Entendo ainda que as alunas participantes desta investigação, quando apresentam sua concepção de alfabetização e suas expectativas com relação ao domínio da leitura e da escrita, estão buscando tais capacidades. Elas querem mais que dominar as letras, querem dominá-las para poder ler, querem ler para modificar sua condição de existência.

As mudanças, entretanto, não vêm como conseqüência direta da aprendizagem da leitura e da escrita. Elas estão relacionadas com o modo como cada um vive o seu tempo (BICUDO, 2003): em atividade, em espera, em esperança, no desejo, em ato ético, em prece. Ou seja, não é o domínio da leitura e da escrita e seu uso para atender às demandas sociais que mudam a condição do sujeito. É sobre isso que nos alerta Frago (1993), quando fala dos riscos da alfabetização. Ela pode tanto libertar quanto conformar o indivíduo para atender à demanda de uma sociedade exploradora, consumidora, fútil. E aí, nesta conformação, sabendo escrever bilhetes, telegramas, ler livros e revistas, ler manuais e quaisquer que sejam as demandas de leitura, ainda assim poderão continuar vivendo no todos nós... ninguém, colocado por Heidegger (2000). Se o letramento faz referência a mudanças de condição ou estado, estas só podem ocorrer se a pessoa, pelo domínio das habilidades de ler e escrever, puder se

existir, antecipando o futuro e se vendo em mudança ao se projetar. É o que nos faz compreender a aluna G ao expressar sua concepção de alfabetização:

- Tem muitos que fala assim: "Ah eu num vou mais arrumar emprego, num vou mais trabalhar, já sou aposentada... Pra que aprender a ler?". Eu mesma pensava assim [...] Eu vou no supermercado e vejo a grama, eu olho tudo. (G sit 162/163)

- Muita gente acha que sabendo assinar o nome tá bom. Eu chamei uma vizinha pra vir pra cá mesmo ela falou: "Ah, eu já sei assinar meu nome..." (G sit163)

A compreensão dos conceitos de alfabetização e letramento é importante para que possamos aprofundar os questionamentos sobre o tema específico do letramento em Matemática que será tratado na próxima categoria.

2 Conhecimento e Linguagem Matemática nas Séries Iniciais da

Benzer Belgeler