• Sonuç bulunamadı

Kullanma İle Ayırt Edicilik Kazanan İşaretler

D. KARIŞTIRMA TEHLİKESİNİN MUHATABI OLAN TOPLUMSAL ÇEVRE

III. KARIŞTIRILMA TEHLİKESİNİN TESPİTİNDEKİ KRİTERLER

2. Kullanma İle Ayırt Edicilik Kazanan İşaretler

No interior estelar, encontram-se f´otons de v´arias frequˆencias, viajando em todas as dire¸c˜oes atrav´es do material da estrela. Estes f´otons constituem o campo de radia¸c˜ao em um dado ponto e instante. A medida que a radia¸c˜ao flui ao longo da estrela, os f´otons do campo de radia¸c˜ao ir˜ao, fatalmente, interagir com o material estelar, ora sendo absorvidos por algum ´atomo, ora sendo espalhados para uma outra dire¸c˜ao. Pode ocorrer tamb´em que f´otons sejam adicionados ao campo de radia¸c˜ao atrav´es de emiss˜ao.

A energia flui atrav´es da estrela, do interior para a atmosfera, e esse fluxo pode ocorrer por meio de trˆes mecanismos: transferˆencia radiativa, transporte convectivo e condu¸c˜ao. A eficiˆencia desses processos ´e determinada, principalmente, pela quantidade de energia a ser carregada pelas part´ıculas do meio, pelo n´umero de part´ıculas existentes e por suas velocidades. Al´em disso, a opacidade do material ao movimento das part´ıculas que carregam a energia, tamb´em afeta a eficiˆencia. No caso de radia¸c˜ao, a opacidade ´e caracterizada pela se¸c˜ao de choque e pela densidade.

Na atmosfera estelar, contudo, a energia ´e transportada, principalmente, atrav´es de radia¸c˜ao. Para entender os processos que afetam a luz radiada para o espa¸co, usamos uma equa¸c˜ao de transferˆencia radiativa, que descreve o transporte de energia ao longo das estrelas. Encontrar uma solu¸c˜ao para esta equa¸c˜ao constitui um dos grandes problemas em atmosferas estelares, pois nestas regi˜oes o livre caminho m´edio das part´ıculas ´e grande e a aproxima¸c˜ao de difus˜ao n˜ao ´e v´alida. A natureza da equa¸c˜ao de transferˆencia depende da geometria e do meio atrav´es do qual a energia flui. A natureza do meio f´ısico exerce influˆencia sobre detalhes da fun¸c˜ao fonte, que ´e a contribui¸c˜ao local dada ao campo de radia¸c˜ao. Em determinados casos, a fun¸c˜ao fonte pode depender do pr´oprio campo de radia¸c˜ao. Ent˜ao, a forma da solu¸c˜ao deve ser diferente para diferentes condi¸c˜oes que possam existir.

Uma aproxima¸c˜ao que foi bastante usada no s´eculo passado para resolver uma equa¸c˜ao de transferˆencia, foi a “atmosfera cinza”. Embora esta seja uma situa¸c˜ao idealizada, esse tratamento tem a vantagem de se poder obter uma solu¸c˜ao completa para o campo de radia¸c˜ao sem recorrer aos detalhes f´ısicos da atmosfera. Nesse modelo, a opacidade ´e independente da frequˆencia, de modo que a equa¸c˜ao de transferˆencia pode ser tratada da mesma forma, qualquer que seja o valor da frequˆencia.

Como esse modelo ´e uma aproxima¸c˜ao de atmosfera cinza ´e uma representa¸c˜ao inexata do que ocorre numa atmosfera estelar, principalmente em estrelas de baixa temperatura efetiva, sua aplicabilidade ´e limitada. Dentre as transi¸c˜oes atˆomicas que ocorrem nas atmosferas, algumas dependem fortemente da frequˆencia, outras apresentam uma fraca dependˆencia na frequˆencia em uma grande regi˜ao do espectro. Se estas regi˜oes espectrais correspondem `aquelas que cont´em a maior parte do fluxo radiativo, a atmosfera ser´a muito parecida com uma atmosfera cinza. Um exemplo cl´assico de fonte de opacidade cinza ´e o espalhamento de el´etrons. O espalhamento Thomson por el´etrons livres ´e, por defini¸c˜ao, independente da frequˆencia e, para estrelas cuja temperatura superficial ´e maior que 25 000 K, esta ´e a fonte dominante de opacidade ao longo do intervalo de comprimentos de onda que abrange o fluxo m´aximo de energia.

Por´em, na maioria dos casos, o modelo de atmosferas n˜ao-cinza n˜ao se aplica e devemos considerar a dependˆencia com a frequˆencia de todos os processos f´ısicos importantes neste cen´ario. Para reproduzir corretamente dados observacionais de estrelas mais frias, tais como an˜as marrons e estrelas de baixa massa, e compreender melhor a estrutura e evolu¸c˜ao

das mesmas, al´em do uso de modelos de atmosferas n˜ao-cinza, s˜ao necess´arias outras considera¸c˜oes, tais como ETNL (Equil´ıbrio Termodinˆamico N˜ao Local), e utiliza¸c˜ao de tabelas de opacidade mais completas (Kurucz 1992, 1993).

Em um c´odigo de evolu¸c˜ao estelar, parˆametros f´ısicos atmosf´ericos servem de condi¸c˜oes de contorno externa para os c´alculos do interior. No c´odigo ATON2.3 estes parˆametros s˜ao calculados com um modelo de atmosfera cinza. Uma das melhorias apresentadas neste trabalho, ´e a implementa¸c˜ao do c´alculo destes parˆametros usando um modelo mais realista de atmosfera n˜ao-cinza. Utilizamos os modelos de atmosfera n˜ao-cinza desenvolvidos por dois grupos distintos:

1. Grupo Nextgen (NextGen - Allard & Hauschildt 1997 e PMS - Allard et al. 2000). O primeiro abrange os intervalos 3,5<log g<6,0 e 4000 K <Teff<10 000 K, enquanto o

segundo abrange os intervalos 2,0<log g<3,5 e 2000 K<Teff<6800 K. Atrav´es de uma

jun¸c˜ao das duas tabelas no intervalo comum de temperaturas, obtivemos uma tabela retangular nos intervalos 2,0<log g<6,0 e 2000 K<Teff<6800 K para metalicidade 0,0

e profundidades ´oticas τ = 1, 3, 10 e 100.

2. Grupo de Kupka (ATLAS9 - Heiter et al. 2002). Neste caso a convec¸c˜ao ´e tratada ou com a formula¸c˜ao MLT (Mixing Length Theory) ou com a formula¸c˜ao FST (Full Spectrum of Turbulence) para os mesmo valores de metalicidade e profundidade ´otica que o Nextgen por´em no intervalo de temperatura de 4000 K<Teff<10 000 K e

no intervalo de gravidade de 2,0<log g<5,0.

Com esta nova vers˜ao do c´odigo, foi poss´ıvel calcular v´arias trilhas evolutivas de es- trelas de baixa massa partindo da pr´e-sequˆencia principal. Esse conjunto de trilhas foi utilizado para estudar algumas propriedades f´ısicas e rotacionais das estrelas jovens da Nebulosa de Orion (ou Orion Nebula Cluster - ONC) que tˆem per´ıodo de rota¸c˜ao, tem- peratura efetiva e luminosidade determinados. A compara¸c˜ao entre os resultados te´oricos e os dados experimentais nos permitiram extrair algumas informa¸c˜oes relativas a essa classe de objetos, principalmente no que diz respeito `a distribui¸c˜ao de momentum an- gular inicial. A interpreta¸c˜ao dos dados depende das considera¸c˜oes iniciais feitas nos modelos, sendo a eficiˆencia da convec¸c˜ao um dos principais fatores, seguida das condi¸c˜oes de contorno utilizadas. Geramos trˆes conjuntos de modelos com diferentes valores de α, parˆametro que determina a eficiˆencia do transporte convectivo na aproxima¸c˜ao da teo- ria do comprimento de mistura. Analisamos as propriedades rotacionais das estrelas da Nebulosa de Orion com esses trˆes conjuntos de modelos e investigamos as diferen¸cas obti- das. As estimativas de massa n˜ao variam muito com a escolha de α, sendo que intervalo de massas t´ıpico ´e 0,2-0,4 M⊙. A determina¸c˜ao de idades, por sua vez, ´e mais influen-

ciada pela eficiˆencia da convec¸c˜ao. A an´alise das propriedades rotacionais das estrelas de ONC come¸cam pela observa¸c˜ao de uma bimodalidade da distribui¸c˜ao geral dos per´ıodos com um pico em per´ıodos curtos e um segundo pico em per´ıodos mais longos (Fig. 5.8). Nossa an´alise confirma que as propriedades rotacionais dessas estrelas est˜ao estreitamente relacionadas com a massa. Verificamos a presen¸ca de uma dicotomia nas propriedades rotacionais dos objetos em ONC. Para estrelas com massa abaixo de um certo valor, definido como massa de transi¸c˜ao (Mtr), a distribui¸c˜ao de per´ıodos possui um ´unico pico

em torno de 2 dias, enquanto para estrelas cujas massas s˜ao maiores que Mtr a distribui¸c˜ao

apresenta tamb´em um pico secund´ario em torno de 8 dias (ver Fig. 5.9 que mostra a di- cotomia na distribui¸c˜ao de per´ıodos para os trˆes conjuntos de modelos). Supondo que um mecanismo de “disk-locking” ´e o respons´avel pelo segundo pico na distribui¸c˜ao geral,

podemos dar trˆes interpreta¸c˜oes ao fenˆomeno: 1) estrelas com M<Mtr perderam o disco

mais jovens, 2) seu “locking-period” ´e menor, ou 3) o per´ıodo no qual elas permanecem ligadas ao disco ´e o mesmo, independentemente da massa, mas estrelas com massa >Mtr

evoluem mais r´apido e passam a maior parte de suas fases pr´e-sequˆencia principal lig- adas aos seus discos. A massa de transi¸c˜ao depende fortemente das considera¸c˜oes f´ısicas feitas nos modelos. Para os modelos com atmosferas cinza Mtr∼0,25M⊙. Para modelos

com alta eficiˆencia convectiva Mtr∼0,35M⊙ e para aqueles com baixa eficiˆencia convectiva

Mtr∼0,5M⊙ (estes valores est˜ao listados na Tabela 5.2). Partindo da hip´otese de que as

estrelas perdem o disco quando os seus per´ıodos de rota¸c˜ao s˜ao 8 dias, definimos trˆes classes de estrelas em ONC: 1) estrelas que evoluiram praticamente sem disco; 2) estrelas que ainda est˜ao circundadas pelos seus discos e 3) estrelas que rodam moderadamente. A evolu¸c˜ao das estrelas que, segundo nosso crit´erio, evoluiram sem disco, ´e consistente com a aproxima¸c˜ao de evolu¸c˜ao com momentum angular constante. Uma compara¸c˜ao entre o per´ıodo de rota¸c˜ao previsto pelos modelos e os valores observados sugere que o momen- tum angular inicial seja pelo menos trˆes vezes o valor estimado por Kawaler (1987) para estrelas no intervalo 0,2M⊙≤M≤0,4M⊙. Encontramos indica¸c˜oes de que a convec¸c˜ao na

pr´e-sequˆencia principal pode ser afetada por outros parˆametros. Embora simula¸c˜oes 2D prevˆem convec¸c˜ao eficiente (HCE) nesta fase evolutiva, encontramos dois resultados em favor da convec¸c˜ao pouco eficiente (LCE): a exaust˜ao de l´ıtio prevista por modelos HCE ´e muito alta e n˜ao est´a de acordo com os valores observados em aglomerados abertos jovens; 2) a distribui¸c˜ao de idades produzida por modelos HCE para dois grupos de objetos (de massas maiores e menores que Mtr) ´e muito diferente.

N˜ao encontramos nenhuma correla¸c˜ao entre as emiss˜oes de raios-X e os per´ıodos das estrelas em ONC, sugerindo que estas estrelas ainda est˜ao no regime de super-satura¸c˜ao da rela¸c˜ao entre rota¸c˜ao e luminosidade em raios-X. A id´eia de que a dicotomia na distribui¸c˜ao de per´ıodos possa ser explicada por diferentes morfologias dos campos magn´eticos este- lares, sugerida por Barnes (2003), aparentemente n˜ao deve ser aplicada `as estrelas ONC, uma vez que quase todos os objetos s˜ao completamente convectivos, de acordo com nossa an´alise evolutiva e, no entanto, possuem per´ıodos diversos. Contudo, tal hip´otese n˜ao deve ser totalmente descartada, pois h´a mecanismos como, por exemplo, a presen¸ca de cam- pos magn´eticos, que podem modificar os crit´erios de estabilidade, inibindo a convec¸c˜ao, e assim favorecer o aparecimento de um caro¸co radiativo precocemente.