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3. VERİLERİN TOPLANMASI VE ÖN İŞLEM SÜRECİ

3.1. Veri Kaynakları ve Veri Tipleri

3.1.1. Kullanım Verisi

Em princípio, o atributo apostólico remete ao grupo dos doze, escolhidos pelo Senhor (cf. Mc 3,13-19). Aponta para uma autoridade derivada de Jesus Cristo, como afirma o evangelho de João: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20,21c). Ligada a Jesus Cristo, ela se torna realizável na vida dos doze por graça do Espírito Santo, que os recordará e ensinará o que lhes dissera o Senhor (cf. Jo 14,26).

Por detrás destes textos e seu significado está a tradição rabínica chamada shaliah, que tem como princípio fundamental a equivalência entre o enviado e aquele que envia. Isto pode ser corroborado quando Jesus, segundo o evangelho de João, diz que “quem recebe aquele que eu enviar, a mim recebe e quem me recebe, recebe aquele que me enviou” (Jo 13,20).

Segundo Kasper, a apostolicidade pode ser entendida como expressão da “autoconsciência fundamental para a Igreja de ser a Igreja de Jesus Cristo, na qual o próprio Jesus Cristo pode ser ouvido pela boca dos apóstolos”.360É, porquanto, uma nota que implica

na Tradição e na missionariedade da Igreja em referência constante a Jesus Cristo, fundador e fundamento da Igreja.

Em tempos de uma sociedade que se liquefaz361 com tanta imprudência levada pelos

modismos e novidades desenraizadas da história e da cultura dos povos, esta nota Ecclesiae tem sua proposição válida contemporaneamente. Ela abre perspectivas para o diálogo com o mundo contemporâneo, propondo a estabilidade de critérios que permitam a colaboração mútua. Ela carrega consigo uma chamada a considerar a validade do que fora formulado ao longo da história em prol da dignidade não apenas do ser humano, mas de toda criação.

Ela é também profética num contexto onde, como diz o Papa Francisco, “para se apoiar um estilo de vida que exclui os outros ou mesmo entusiasmar-se com este ideal egoísta, desenvolveu-se uma globalização da indiferença” (Evangelii Gaudium 54). Globalização

360 KASPER, W. A Igreja Católica: essência, realidade e missão, p. 240.

361 Líquidas são as relações e as sociedades em que “as condições sob as quais agem seus membros mudam num

tempo mais curto do que aquele necessário para a consolidação, em hábitos e rotinas, das formas de agir”. BAUMAN, Z. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos, p. 7.

capaz de incapacitar ouvidos, emudecer as vozes, cerrar os olhos aos que padecem e acorrentar mãos e pés no consumo, que briga por um lugar ao sol na lógica da exclusão.

Partindo destas considerações, é possível visualizar as implicações que decorrem quando aplicamos esta nota Ecclesiae na vida cristã. Em termos gerais, faz emergir a identidade missionária de todo batizado, que não é senão o prolongamento e atualização da missão do Redentor. Podem os cristãos, movidos por esta clareza, contribuírem com a sociedade em que são chamados a se engajarem? É na carta aos Romanos que se encontra respaldo positivo a esta questão. Nela escreve Paulo:

Que o vosso bem não se torne alvo de injúrias, porquanto o Reino de Deus não consiste em comida e bebida, mas é justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Quem desta maneira serve a Cristo torna-se agradável a Deus e é aprovado pelos homens. Procuremos, portanto, o que favorece a paz e a mútua edificação (Rm 14,16-19).

O Reinado de Deus é uma realidade comprometedora, que, no agir e no anúncio de Jesus, segundo Richard Horsley, “inclui claramente a substância social, econômica e política das relações humanas assim como Deus as quer”.362Considerando a continuidade entre Jesus

e seus seguidores, pelo timbre da apostolicidade, vale ressaltar que a

pregação de Jesus, em geral, e seu anúncio do Reino de Deus em particular raramente chamam a atenção somente para Deus, mas concentram-se na implicação da presença do Reino em prol da vida das pessoas e na maneira pela qual as pessoas devem reagir.363

Não se trata, de uma apostolicidade fechada sobre si mesma e em seus costumes, recaindo em um tradicionalismo, ou farisaísmo, ou mesmo num neopelagianismo, que esconde uma recusa a Deus e à ética. Trata-se, outrossim, de uma apostolicidade consciente a ser vivida como missionariedade que testemunha o Reinado de Deus. A apostolicidade na vida cristã assegura seu compromisso de cidadania motivado pelos valores cristãos, que não são senão valores verdadeiramente humanos.

362 HORSLEY, R. Jesus e a espiral da violência: resistência popular na Palestina Romana, p. 151. 363 HORSLEY, R. Jesus e a espiral da violência: resistência popular na Palestina Romana, p. 151.

Há de se considerar que, não poucas vezes, o testemunho cristão como vida apostólica se depara com a negação da transcendência, que gerou “uma crescente deformação ética, um enfraquecimento do sentido do pecado pessoal e social e um aumento progressivo do relativismo” (Evangelii Gaudium 64). Tal relativismo que faz a objetividade ética parecer, muitas vezes, em contrariedade com os direitos individuais, imprime o caráter martirial no cristão, que precisa resistir à mundaneidade de quem busca, “em vez da glória do Senhor, a glória humana e o bem-estar pessoal” (Evangelii Gaudium 93).

Por fim, olhando para as quatro notas, pode-se dizer que, quando compreendidas como notae christianorum, elas se tornam caminho de cura para as doenças elencadas pelo Papa Francisco364, a saber:

 sentir-se imortal, imune ou mesmo indispensável;  martismo (que vem de Marta);

 empedernimento mental e espiritual;  planificação excessiva e funcionalismo;  má coordenação;

 ‘Alzheimer’ espiritual;  rivalidade e vanglória;  esquizofrenia existencial;

 bisbilhotices, murmurações e críticas;  divinizar os líderes;

 indiferença para com os outros;  cara fúnebre;

 acumular;

 círculos fechados;

 lucro mundano e exibicionismos.

As notas aqui dispostas e sua relevância na vida cristã a partir de Cristo, que as realizou manifestando o mistério e a vocação humana (cf. Gaudium et Spes 22), indicam que, por meio delas, o cristão recebe as “primícias do Espírito” (Rm 8,23) para que possa viver o mandamento do amor (cf. Gaudium et Spes 22) como sinal de humanização. Nele, como

manifestação da vocação e do mistério humano, contempla-se que “o futuro final determina profundamente o tempo presente”.365

Assim, o amor cristão pelo mundo de um modo acertado, pode ser compreendido a partir do ser e agir de Cristo, o “Santo de Deus” (Lc 4,34), que, por seu apostolado, conduz a criação à perfeita unidade universal. Destarte, no Filho eterno, que manifesta em si as notae Ecclesiae como notae christianorum, há, como diz Gesché, “uma lógica de Deus consistindo em ser primeiro, para ele e nele, o que será e fará em nós e para nós”.366Por tal lógica, chega-

se ao fundamento de uma vida humana autenticamente livre, cujo núcleo é simultaneamente finito e infinito, graça e tarefa, ativo e receptivo.

Benzer Belgeler