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Kullanım ve Atıf Arasındaki İlişkilerle İlgili Çalışmalar

2. BÖLÜM: LİTERATÜR DEĞERLENDİRMESİ

2.2. BİBLİYOMETRİK GÖSTERGELER VE KULLANIM ARASINDAKİ

2.2.1. Kullanım ve Atıf Arasındaki İlişkilerle İlgili Çalışmalar

[...] e como a guerra dos Bárbaros é desordenada, e as suas invasões repentinas, ao mesmo tempo em diversas partes, sendo estas distantes, e impossível que um só sujeito possa acudir a todas, é preciso que em cada uma governe separadamente o Cabo a que tocar resistir-lhe, ou commetel- o”. (D.H.B.N, V.10, p. 337)

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Este texto, extraído de um documento datado de 04 de dezembro de 1688, mostra a estratégia da Coroa em relação à formação de pontos militares no que concerne à Guerra dos Bárbaros. Ou seja, quanto mais houvesse pontos, melhor seria para combater a resistência. Nesse sentido, é possível que tivesse existido um número maior de arraiais em cada capitania, além daqueles principais já tratados. Em relação à Capitania da Paraíba, há várias referências a espaços denominados arraiais, como assim apontou Sarmento (2007), ao se referir aos seguintes: Arraial do Pau-Ferrado, Arraial da Formiga, Arraial Seco, Arraial da Canoa e Arraial Queimado. A documentação apresentada em Tavares (1982) é a que expõe o maior número dessas referências. Não havendo outras fontes documentais a pesquisar, não foi possível identificar datas de fundação ou a quem pertenciam estes arraiais.

Porém, ao se verificar o Mapa Topográfico da Paraíba (SUDENE, 1974), no recorte correspondente ao Sertão de Piranhas e Piancó, nos aspectos do relevo, hidrografia e distritos rurais e urbanos, percebeu-se a permanência de muitos dos nomes citados na documentação de sesmarias encontradas em Tavares (1982), relativa aos arraiais ao longo do século XVIII. Esta seção vai expor o cruzamento dessas informações com vista a identificar as possíveis localizações destes arraiais, podendo, a partir daí, tecer algumas considerações sobre eles.

Entre os arraiais citados, o único que aparece em documentação, além das referidas por Tavares (1982), é o Arraial de Pau-Ferrado. Em uma carta para o Governador Geral do Brasil, Teodósio de Oliveira Ledo descreve uma entrada que fez ao Sertão de Piranhas, chegando em Paz ao “arrayal do pau ferrado” (AHU_ACL_CU_015, Cx. 18, D. 1794, 1699). Seixas (1975), em seu mapa de delimitação do Sertão de Piranhas e Piancó, também o menciona, localizando-o ao sul do Arraial de Piranhas. Sarmento (2007) segue a mesma linha de raciocínio. A partir da análise da documentação de sesmaria publicada por Tavares (1982), foram identificadas as seguintes referências:

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Tabela 8 - Documentos referentes ao Arraial do Pau-Ferrado

Data Solicitante(s) Localização Confinada entre:

1762

Caetano Barreiros Pereira

Fazenda chamada Páo- Ferrado; localizada no Rio Piancó, extremando com

Riacho da Onça e riacho do Maia.

Nascente: Terras de José Dias e João de Melho;

Poente: Boqueirão do Curema;

Norte: Lagoa do Coronel José Gomes de Sá; Sul: Serra do Araújo (Serra Campo Grande)

1768

Alferes Antônio Gonçalves Reis Lisboa

Terras entre o Rio Piancó e Piranhas, onde havia um lugar chamado Riacho do Inferno, principiando, em um taboleiro Craveiros

Terras do Logradouro Pau-ferrado, a que se acham léguas do Coronel José Gomes de Sá, com terras dos sítios de São Braz e Arraial da Canoa

1788 Antonio da Silva Lacerda

Sobras de terras na fazenda

Pao Ferrado e Boqueirão, na ribeira do Piancó

Nascente:sítio do arraial, Poente: Boqueirão,

Sul: Serra do Araújo (Serra Campo Grande) Fonte:Tavares (1982), pela ordem cronológica, respectivamente, p. 306, p.336, p.436.

Os pontos citados foram identificados na cartografia da SUDENE (1974). Assim, a localização provável do Arraial Pau-Ferrado apresenta-se conforme Figura 23.

Figura 23 - Localização do Arraial de Pau-Ferrado no Mapa Topográfico da Paraíba da

SUDENE

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Verifica-se a permanência em torno do local chamado Pau-Ferrado, dos seguintes nomes: Canoas, provavelmente o Arraial da Canoa, São Braz, Riacho da Onça e Boqueirão do Curema. Esta localização condiz com a de Seixas (1975) e de Sarmento (2007). Assim, se houve um arraial chamado Pau-Ferrado, possivelmente esta era a sua situação.

Partindo para o Arraial da Canoa, as cartas de sesmaria apresentam as seguintes referências:

Tabela 9 - Documentos referentes ao Arraial da Canoa

Data Solicitante(s) Localização Confinada entre:

1759 João de Melo

Leite Sítio Arrayal da Canôa

Sul: Serra de Campo Grande (Serra do Araújo) buscando Alagoa Vermelha.

Poente: Terras do Pao-Ferro Norte: Rio Piancó

Nascente: Riacho Cachoeira.

1761 Alferes José

Dias da Cruz Sítio Arrayal da Canôa

Poente: Serra do Guiqui Nascente: Sítio João de Mello Norte: Sítio de São Braz

Sul: Sítio Pao Ferrado na malhada da Cajazeiras, e Poço dos Cavallos

1784

Capitão Francisco José de Sá

Sobras dos Sítios Braz, Arraial da Canôa e do Sítio Melado

Barra do rio cachoeirinha, pelo riacho da Cajazeira acima, até contestar com a Serra do Campo Grande

Fonte: Tavares (1982), pela ordem cronológica, respectivamente, p. 272, 294, 404.

Nota-se que vários referenciais ao Arraial do Pau-ferrado são repetidos no Arraial da Canoa, como o Sítio Braz, a Serra do Araújo (Serra Campo Grande). Cruzando as informações na Cartografia da Sudene(1974), ainda podem ser identificados outros pontos, como o riacho da Cajazeira, conforme Figura 24.

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Figura 24 - Localização do Arraial da Canoa no Mapa Topográfico da Paraíba da SUDENE

Fonte: Sudene (1974); Tavares (1982).

Bem próximo aos dois arraiais mostrados, parece ter sido localizado o Arraial da Formiga, conforme indica um documento de 1768, que solicita terras entre os rios Piranhas e Piancó. Por sua representação, será destacado um trecho:

Alferes Antônio Gonçalves Reis Lisboa, solicita terras entre o Rio Piancó e Piranhas, onde havia um lugar chamado Riacho do Inferno, principiando em um taboleiro Craveiros. Na parte do Rio Piranhas, confronta com terras dos Sítios Arraial da Formiga, S. Lourenço, outras das Marrecas e Timbaúba. (TAVARES, 1982, p. 336)

A referência que se repete, nos documentos e na cartografia em relação ao Arraial da Formiga, é Sítio São Lourenço, indicado na Figura 25. Assim, ele estaria localizado na ribeira de Piranhas, bem próximo aos demais arraiais. Um documento de sesmaria pode ser significativo para contribuir com essa afirmação, pois, ao solicitar terras em Piranhas, apresenta que elas estão confinadas entre os Arraiaes e Bom Sucesso (TAVARES, 1982, p. 247). Pela localização, pode ser que estejam se referindo aos arraiais de Pau ferrado, Canoa e Formiga.

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Figura 25 - Localização do Arraial da Formiga no Mapa Topográfico da Paraíba da SUDENE

Fonte: SUDENE (1974); Tavares (1982).

Machado (1977) diz que o Arraial da Formiga pertenceu ao paulista Domingos Jorge Velho, mas não indica a fonte de tal informação, impossibilitando tecer maiores comentários a esse respeito.

Quanto ao Arraial Seco, na cartografia da SUDENE (1974), não foi identificada nenhuma referência a um local chamado com esta denominação. Porém, todas as cartas de sesmarias de Tavares (1982), que a ele se refere, trás o nome do Sítio Brotas, e, este sim, foi encontrado na Cartografia, conforme mostram a Tabela 10 e a Figura 26.

Tabela 10 - Documentos referentes ao Arraial Seco

Data Solicitante(s) Localização Confinada entre: 1759 Pedro Alvares

de Araujo

Data de terra o sítio Arrayal Secco

Nascente – Sítio das Brotas; Poente – Sítio dos Cavalletes; Sul – Serras da Furada; Norte – terras do Aguiar.

1762 Ângelo de Lucena Barros

Terras devolutas no Sertão de Piancó, em lugar chamado Sanguengue no Riacho do Arapuá

Nascente: Faz. Santo Antoninho e fazenda dos Brotas; Poente: Serras do Boqueirão;Norte: Fazenda do ajudante Manoel Alexandre; Sul – Terras da Fazenda ArrayalSecco.

1776 Cosmosta Pereira

Solicita sesmaria das sobras do Sítio das Brotas, onde tem seu logradouro chamado Pilões

Nasc. com a serra da Borburema, Poente com o alto chamado Boa Vista, Sul com o Arrayal Secco,Norte: Terras do Santo AntOnio Fonte:Tavares (1982), pela ordem cronológica, respectivamente, p. 273, 306, 367.

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Figura 26 - Localização do Arraial Seco no Mapa Topográfico da Paraíba da SUDENE

Fonte: SUDENE (1974); Tavares (1982).

Conforme a Figura 26, o Sítio Brotas confina com diversos locais descritos na documentação sobre o Arraial Seco, como Arapoá, Serra do Boqueirão, logradouro chamado Piões. Portanto, é provável que o referido arraial estivesse nas suas proximidades, ou seja, às margens do Rio Piancó, ao sul da atual cidade de Piancó, antigo povoado de Santo Antônio.

O último arraial referido, pelas seguintes cartas de sesmarias, é o Arraial Queimado:

Tabela 11 - Documentos referentes ao Arraial Queimado

Data Solicitante(s) Localização Confinada entre:

1771 Antônio da Silva Ferreira

Sobras de terras e sítios no Riacho do Paulista

Poente: Riacho do paulista acima e lugar chamado Malhada do Buraco. Outras ref.: Terras do Antônio Alves e tenente Antonio da Siva, Sítio da Caipora, Várzea Grande, Riacho do Paulista e Arraial Queimado

1778 José Felix Machado Terras de sobra no sítio do Paulista

Nascente:Serra João Ferreira, Sul: Arrayal Queimad, Norte: Curralinho de cima.

1791 Domingos Fernandes Carneiro e Antônio Rebello da Costa Data de terras.

Nascente: Arrayal Queimado.

Norte e noroeste: Riachão e Caiporas do Capitão João Ribeiro da Costa Monteiro

Outras referências: Serra do Sacodo Gonçalo(Serra Mato Grosso ou do Moleque) e Jatobá.

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Figura 27 - Localização do Arraial Queimado no Mapa Topográfico da Paraíba da SUDENE

Fonte: SUDENE (1974); Tavares (1982).

Na Figura 27, é identificada a proximidade do Arraial Queimado com os seguintes pontos: Riacho do Paulista, Curralinho, Serra do Moleque e Serra de João Ferreira. Assim, também indicado por Sarmento (2007), este estaria ao norte do Arraial de Piranhas, às margens do Rio Piranhas, podendo-se levantar a hipótese de que teria sido o arraial do paulista Domingos Jorge Velho, pela sua proximidade com o riacho que leva o nome de Riacho do Paulista.

Todas as informações foram reunidas na Figura 28, cuja observação evidencia que a localização dos arraiais pode conduzir à conclusão de que os rios Piranhas e Piancó eram aqueles que mais representavam interesses em ser “controlados”, pois, se estes arraiais existiram, localizaram-se nestas duas ribeiras, com vista à proteção militar da área. Porém, infelizmente, não há documentação, nem referências suficientes para indicar outros aspectos desses espaços, como quando e quem foi responsável pela fundação. Embora a documentação apresentada seja um indício de que existiram de fato os arraiais, todos ou alguns deles, podem ter sido somente nomes dados a determinadas fazendas de gado. Por isso, esta seção, não conduz a uma resposta, mas a um questionamento: seriam os arraiais indicados um complexo defensivo ligado às estratégias de militares durante a “Guerra dos Bárbaros”?

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Figura 28 - Arraiais durante a Guerra dos Bárbaros

Fonte: sobreposições de bases em CAD da divisão administrativa dos Estados e da hidrografia do Brasil (IBGE, 2010). Ainda foram utilizadas: MAPA DO ESTADO DA PARAYBA (1923); MARCGRAF.

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