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Foram escolhidos dois trechos de perfis sísmicos obtidos dentro do canal e na borda oeste, considerados mais representativos das feições observadas no estudo sísmico (Figura 4.1, 4.2 e 4.3). Nesses perfis foram observadas basicamente as mesmas feições identificadas por Schwazer et al. (2005) na região da foz do rio Açu.

O canal existente na foz do Rio Apodi-Mossoró pode ser relacionada com um vale de um rio escavado, agora afogado, e preenchido com depósitos sedimentares pleistocênicos e holocênicos, semelhante ao que Schwazer et al (2005) encontraram para a foz do rio Açu.

No perfil 02, na borda oeste do canal, e no perfil 03, longitudinal no interior do canal, podem ser identificados cinco feições sísmicas mais marcante: (i) um forte refletor (Figura 4.2a), presente em todos os perfis; (ii) conjunto de refletores com padrão obliquo (sismofácies obliquas; Figura 4.2b), (iii) conjunto de refletores paralelos (sismofácies paralelas; Figura 4.2c) e (iv) feições elevadas denominadas de estruturas em mesa (Figura 4.2d), a exemplo de Schwazer et al (2005) na região do rio Açu.

Figura 4.2- Porções do perfil sísmico 03, mostrando em detalhe as principais feições encontradas e descritas

neste trabalho: (a) refletor forte, presente em todos os perfis, (b) refletores apresentando um padrão obliquo; (c) refletores paralelos sub-horizontais e (d) estruturas em mesa. Para localização, ver figura 4.4 (perfil 03).

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sismofácies paralelas.

A sismofácies obliqua (Figura 4.4) representa a deposição de sedimentos preenchendo de forma progradacional os vales incisos. Há um aumento na ocorrência desta sismofácies à medida que se distancia da costa. O baixo contraste da impedância acústica impede a diferenciação exata entre terminações de refletores em toplap e downlap, no entanto, os refletores indicam um mergulho no sentido N-NE.

A sismofácies paralela está presente principalmente no interior do canal, preenchendo os vales incisos (Figura 4.3 e 4.4). As espessuras desses pacotes variam de 10 a 30 ms. As menores espessuras correspondem às camadas existentes abaixo do horizonte I, e as maiores correspondem às camadas acima deste horizonte, preenchendo os vales incisos e as estruturas em mesa. Nos vales incisos, apesar do baixo contraste da impedância acústica, as terminações dessas camadas aparentam ser em onlap.

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As estruturas em mesa, denominação dada a geometria particular (Figura 4.3 e 4.4) são delimitadas acima por um forte refletor, presente em perfis no interior do canal e na borda e apresentam um comprimento de cerca de 200m, sendo recoberta por sedimentos (Figura 4.4). Os sedimentos existentes em ambos os lados da estrutura em mesa, apresentam uma inclinação com gradiente de cerca de 0,08° (Figura 4.3).

4.3 - DISCUSSÃO

Schwazer et al (2005) desenvolveram estudos sísmicos de reflexão de alta resolução na plataforma setentrional do Rio Grande do Norte, na região adjacente ao Rio Açu. Esses autores fizeram uma análise sismoestratigráfica para esta região da plataforma continental brasileira, discutindo o significado de cada feição identificada e definindo sete unidades sismoestratigráficas:

As camadas paralelas presentes acima do horizonte I foram denominadas de Unidade I. As sismofácies oblíquas reconhecidas na figura 4.4, chamadas por Schwarzer et al. (2005) de estruturas sigmoidais foram classificadas como Unidade II. A Unidade III de Schwazer et al (2005) corresponde as finas camadas de baixa percepção abaixo do horizonte I. A Unidade IV representa as estruturas de vale inciso, presentes na maioria dos perfis aqui estudados. A Unidade V é representada pelas estruturas caóticas. A Unidade VI representa a estrutura em mesa. E a Unidade VII representa vales incisos encontrados abaixo da Unidade V.

Seguindo esta mesma classificação foram identificadas neste trabalho as unidades I, II, IV e VI (Figura 4.4).

A origem dessas feições sísmicas encontradas na foz do Rio Apodi-Mossóro podem ser relacionadas aos estágios de regressão e transgressão durante o Pleistoceno e o Recente. Durante o Neopleistoceno, cerca de 20.000 A.P., período em que no máximo glacial, o nível do mar desceu 107 m abaixo do presente (Peltier, 1998), atingindo a borda da plataforma, e proporcionando a incisão de vales e canais na mesma. Nesse processo regressivo e transgressivo, houve o entalhamento e preenchimento do canal submerso do rio Apodi- Mossoró.

Durante a instalação deste canal, houve a migração do seu leito, formando a série de vales incisos aqui encontrados. Esses vales recortaram sedimentos marinhos durante o rebaixamento do nível do mar, e foram preenchidos durante a subida do nível do mar com

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Este horizonte representa uma descontinuidade que separa os sedimentos do Pleistoceno e Holoceno Inferior dos sedimentos do Holoceno Superior, funcionando como um limite Pleistoceno/Holoceno.

As sismofácies obliquas são observadas na Unidade II, na transição entre o horizonte I e as camadas paralelas horizontais e sub-horizontais. De acordo com Mitchum et al, (1977) a configuração similar dos refletores sísmicos é indicativo de uma elevação do nível do mar combinado com um alto suprimento sedimentar, que permite a formação de topset agregado simultaneamente com a progradação em foreset. Para a área em estudo, acredita-se que essas sismofácies foram formadas durante a elevação do nível do mar acompanhado pela progradação da linha de costa. As estruturas encontradas não permitem a distinção entre esses cenários, se as sismofácies oblíquas estão organizadas com acamamento topset. Entretanto, o ligeiro aumento na profundidade da Unidade II pode ser evidência da formação desta unidade durante um intervalo de queda do nível de mar ou de estagnação, ou ainda de um aumento periódico na fonte de sedimento com sugerido por Schwarzer et al. (2005) para a foz do Rio Açu.

A estrutura em mesa, que representa a Unidade VI, indica a existência de uma atividade tectônica recente, interpretada como um soerguimento ocorrido provavelmente durante o Pleistoceno, devido a simetria dos sedimentos da Unidade I, tanto a oeste quanto a leste da estrutura. Esses sedimentos não são interrompidos nos flancos e suas espessuras diminuem em direção ao topo. A Unidade VI é soterrado pela Unidade I. O soerguimento provavelmente deve ter ocorrido durante o Pleistoceno ou o Holoceno Inferior.

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A plataforma continental adjacente a foz do rio Apodi-Mossoró está situada em uma região tectonicamente ativa, com estruturação herdada do embasamento pré-Cambriano e bacias geradas na abertura do Atlântico Equatorial, que influenciaram em toda a estruturação da mesma. Essa área possui características peculiares, influenciada pela tectônica, sedimentação e a dinâmica local em tempos pretéritos e atuais, sua evolução se deu semelhante as demais porções da plataforma setentrional do Rio Grande do Norte.

O uso de imagens de satélites processadas digitalmente com composição de banda 123 mostrou-se bastante satisfatória para a identificação de estruturas geomorfológicas de mega-escala presentes no substrato oceânico.

Através de um modelo batimétrico preciso, pode-se identificar algumas feições marcantes dessa porção da plataforma, como por exemplo, na porção mais próxima a costa (até aproximadamente 6m de profundidade), as linhas batimétricas encontram-se com um

trend principal paralelo a linha de costa (de direção E-W), representando a passagem do

continente para o oceano, característico de margem passiva. Após esse patamar, tem-se uma zona mais plana, interrompida pela presença do canal submerso do rio Apodi-Mossoró. Este por sua vez, está presente na área como a feição geomorfológica mais marcante, com forma da letra “J”, possui duas direções principais (NW-SE e NE-SW), fortemente controlada por fatores estruturais. A porção norte da área apresenta-se ligeiramente elevada e com um declividade muito baixa, em relação a porção leste. Isso pode ser justificado pela existência do alto estrutural de Icapuí, localizado a oeste, fora da área de estudo. A sul do canal há a presença de um braço do canal na direção NE-SW que funciona como a ligação do canal com o continente.

Integrando-se as imagens de satélites processadas com o modelo batimétrico pode- se qualificar e quantificar as principais feições geomorfológicas da área como, por exemplo, o canal submerso; dunas submersas; recifes e o fundo plano.

O canal possui duas feições importantes pela diferença de direções. A porção do canal de direção NW-SE apresenta menores profundidades, uma maior largura, flancos mais suaves e um fundo mais plano. Enquanto a porção de direção NE-SW apresenta profundidades maiores, chegando a atingir cerca de 30 m, uma menor largura, flanco mais abrupto e um maior entalhamento na plataforma. Essas diferenças podem ser justificadas por fatores tectônicos: tanto pelas falhas estruturais presentes nessa porção da área, que com um

formação das dunas por ação da dinâmica oceânica no período de subida do mar, que poderia ter capacidade de transportar e depositar uma grande quantidade de sedimentos, e assim formar essas estruturas. A diferença de tonalidade nos perfis sonográficos mostra os vales (possivelmente formado por carbonático) e as cristas (formado por rochas siliciclásticas) das dunas, com comprimento de onda de cerca de 1 km.

Os recifes também foram esculpidos durante o período de descida e subida do nível do mar, podendo representar antigas linhas de costa.

O fundo plano possivelmente desenvolveu-se devido à predominância de sedimentos bioclásticos e/ou a ausência de energia suficiente (regime hidrodinâmico) para a formação de outras estruturas. Essa ausência de energia pode está relacionada a presença do alto estrutural, que barra as correntes de deriva litorânea, fazendo com que essas desloquem-se para noroeste. Os dados hidrodinâmicos mostraram uma direção principal ESE-WNW, com velocidades de mais de 30 cm/s, possivelmente causada por uma componente residual da força de Coriolis, proporcionando uma pequena remobilização dos sedimentos gerando cristas de direção NE-SW. Essas correntes não são responsáveis pela formação das dunas submersas encontradas na área, mas justificam a provável migração e remobilização atual dos sedimentos. O conhecimento dessas características de velocidade e direção das correntes de maré, juntamente com estudos mais específicos dos ventos atuantes na região é importante para a previsão de migração de plumas contaminantes num possível derramamento de óleo na região.

A evolução paleogeográfica desta área durante o Pleistoceno/Holoceno, está relacionada ao último máximo glacial, no Pleistoceno, em que a plataforma continental foi exposta, permitindo que sedimentos da Formação Barreiras/Tibau fossem esculpidas pelo paleo rio Apodi-Mossoró, formando vales incisos que foram soterrados e preenchidos com estruturas sigmoidais seguindo a migração do rio. O canal principal foi preenchido e parcialmente soterrado durante a subida do nível do mar (no Holoceno) resultando na

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neotectônica no Pleistoceno Inferior/Holoceno Superior, sugerindo um soerguimento desta porção da margem.

Os dados aqui obtidos certamente avançam no conhecimento sobre a geologia e geomorfologia desta porção da margem continental brasileira. Este tipo de estudo é essencial, tendo em vista o alto valor econômico na região nos setores petrolíferos, salineiros e turísticos. Em função destes dados aqui apresentados deixamos as seguintes recomendações:

¾ Estudo mais detalhado de ventos e ondas para um melhor entendimento da dinâmica local e dos fatores que influenciam esta dinâmica;

¾ Coleta de amostras superficiais de sedimento para a calibração das feições encontradas no perfil sonográfico;

¾ Análise Morfo-estrutural de detalhe para avaliar as reais influencias tectônicas na geomorfologia da área;

¾ Análise mais detalhada da sismoestratigrafia da região para um melhor entendimento da origem das dunas submersas e da evolução paleogeográfica mais antiga da região.

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principais: NW-SE e NE-SW, que são controladas pelas principais estruturas da Bacia Potiguar. Paralela a linha de costa, tem-se a formação de bancos longitudinais, situados na plataforma interna, originados pelo sistema de circulação das correntes de deriva locais. Já os recifes representam registro de antigas linhas de costa. O fundo plano desenvolveu-se devido à ausência de energia de trasnporte suficiente para formar outras estruturas. Um modelo regional serviu de base para a vizualização das feicões, e com um posterior processamentos dos dados batimétricos e a confecção de uma MDT de semi-detalhe e uma análise morfo- estrutural de detalhes, será possível uma desc rição mais detalhada da morfologia da área e das estruturas que a influenciam.

Palavras-chave: [Geomorfologia, Cânion Submarino]

Abstract The integrated use of satellites images and bathymetric profiles provided the identifications of the morphologies bottom in mega-scales. The north continental plataform from “Rio Grande do Norte” states is cut by the main rivers valleys, as the Apodi river. This canyon meets in the extreme west of the state and was excavated during the fall of the sea level in the Quaternary. This channel has two main directions: NW-SE and NE-SW, which are controlled for the Potiguar Basin structures. The formation of longitudinal banks happens for the rework of the internal platform, for the local system of circulation, and the reefs represent registers of old shorelines. The bottom plan is developed due to absence of enough