• Sonuç bulunamadı

1.3 Kriz Süreci ve Sonuçları

1.3.2 Krizin Sonuçları

1.3.2.1 Krizin Olumsuz Sonuçları

As grandes cidades mundiais acabam arcando com as conseqüências do crescimento demográfico quando este não se faz acompanhar do crescimento econômico. Mas não é apenas o tamanho das cidades que se deve levar em conta. Uma diferença precisa ficar muito bem estabelecida entre as cidades que possuem uma economia capaz de gerir o território regional ou nacional e até mesmo de se inserir em um grupo específico de cidades cuja hegemonia direciona os fluxos mundiais, e aquelas cuja importância está centrada apenas na concentração demográfica, como resultado de uma distribuição irregular de pessoas no espaço. As primeiras são o que se pode chamar de cidades mundiais e as outras são as megacidades. Para as megacidades o critério quantitativo é suficiente, sendo assim consideradas as áreas urbanas com população superior a 10 milhões de habitantes. No que diz respeito às cidades mundiais, este é um critério insatisfatório, haja vista que sua importâ ncia não está exatamente no tamanho, senão que justamente na

16 SILVA, Rachel Coutinho Marques da. A importância da ação urbanística e da legislação urbana para as cidades do Rio de janeiro e São Paulo no contexto das cidades mundiais. IN: IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Rio – São Paulo: cidades mundiais. (Relatório de projeto). Rio de janeiro: s/e,1999.

capacidade que possuem em oferecer serviços modernos, graças a concentração de empresas de importância mundial.

Um estudo do Globalization and World Cities Study Group and Network (GaWC), da Universidade de Loughborough na Inglaterra, adota critérios bastante objetivos na caracterização das cidades mundiais a fim de estabelecer um rol de cidades onde seja possível observar a concentração de oferta destes serviços modernos.

We consider the global capacity of cities in terms of selected services they provide. Using key advanced producer services, we consider firms which have a global competence and enumerate their presence in cities across the world. Global capacity is then defined empirically in terms of aggregate scores and interpreted theoretically as concentrations of expertise and knowledge.17

O estudo citado identifica, na variada gama de estudos sobre as cidades no último século, duas divisões bastante evidentes: estudos nos quais a tradição demográfica define o interesse pelo tamanho das cidades e aqueles estudos da tradição funcional onde as cidades são tratadas como partes de um sistema maior. Os autores declinam sua posição como inserida neste último grupo, onde as cidades são interpretadas como elementos essenciais no processo de globalização contemporâneo. Disserta ndo sobre a evolução dos estudos identificam mudanças que vão aproximando os pesquisadores de uma definição das cidades mais importantes. Mostram que a primeira fase destes estudos se preocupou com a posição e as preferências locacionais de uma lista de corporações multinacionais, considerando que isto definiria uma hierarquia urbana em função da capacidade das cidades com relação ao poder e à influência na política, nos negócios, nas comunicações, finanças, educação, cultura e tecnologia. De acordo com os autores a segunda fase diz respeito aos estudos que se preocuparam com a tomada de decisão e com a força das corporações multinacionais no contexto da nova divisão internacional do trabalho pós anos 70. Depois, seguem-se os estudos que

17 “Consideramos a capacidade global das cidades em termos dos serviços selecionados que elas provêem. Usando a chave avançada do produtor de serviços, consideramos as empresas que têm uma competência global e enumeramos a presença delas em cidades pelo mundo. A capacidade global está então empiricamente definida em termos da contagem total e interpretada teoricamente como concentrações de perícias e conhecimento.”. BEAVERSTOCK, J. V. SMITH, R. G. and TAYLOR, P. J. “A Roster of World Cities.” In: Cities 16 (6), 1999, p. 446.

relacionaram as cidades em uma hierarquia urbana de acordo com sua propensão à internacionalização, concentração e intensidade de produzir serviços na economia mundial. Por fim os autores apontam os estudos que identificam as cidades mais importantes de acordo com a sua posição como centro financeiro internacional. Ao elaborarem uma lista das cidades mundiais os autores estão considerando estas cidades como o lugar da produção pós-industrial, onde as inovações em serviços coorporativos e financeiros têm sido essenciais na reestruturação da economia mundial, ou ao que reconhecemos como globalização.18

Especificamente quanto ao estudo citado, se observa que a metodologia utilizada para a definição da lista e da posição das cidades mundiais, segundo a proposta em questão, envolve três estágios: primeiro, são encontradas as abrangências das firmas de serviços em termos geográficos e de sua presença nas cidades. Segundo, selecionando as cidades onde as firmas atuam estabelece-se os centros globais de serviços em cada setor selecionado. Terceiro, reunindo os centros de serviços com as cidades identificam-se diferentes graus de uma completa provisão de serviços corporativos, de acordo com a oferta de serviços em cada setor e em cada cidade. Os próprios autores reconhecem limites para a proposição ao enfatizarem:

I First, we have to consider the limitations of our data both in terms of range of service sectors covered, and numbers of firms dealt with in each sector. Different services and different firms would have undoubtedly have produced different results. Second, we have defined general principles of classification but the specific methods used in each sector are inevitable subjective; the data could be ordered in other ways. Our position on these matters is that the evidence of gross similarities within and across service sectors does suggest that our inventory is reasonably robust: differences are likely to be minor and on the margins. Nonetheless we avoid the temptation to ‘over- interpret’ our findings: all our data is reduced to just three levels of service provision - prime, major and minor.19

18BEAVERSTOCK, J. V. SMITH, R. G. and TAYLOR, P. J. “A Roster of World Cities.”, p. 446.

19 “Primeiro, temos que considerar as limitações de nossos dados em termos de gama de setores de serviços cobertos, e do número de empresas que negociam em cada setor. serviços diferentes e empresas diferentes teriam produzido resultados diferentes sem dúvida. Segundo, definimos princípios gerais de classificação, mas os métodos específicos usados em cada setor são inevitavelmente subjetivos; os dados poderiam ter sido ordenados de outros modos. Entendemos que a evidência de semelhanças totais dentro e por setores de serviço sugere que nosso inventário é razoavelmente sólido: é provável que as diferenças sejam secundárias e nas margens. No entanto, evitamos a tentação de interpretar as descobertas: todos os dados são reduzidos a três níveis de

Assim os autores analisam a localização e a presença de cinco das seis maiores firmas de serviços de contabilidade no mundo. As firmas se distribuem por 150 cidades, sendo que em 72 delas estão presentes apenas uma das empresas, critério que diminui sua importância e as descarta desta listagem. Das restantes 78 cidades, 13 tem a presença significativa das cinco firmas e são colocadas no grupo nomeado de “centros globais mais importantes em serviços de contabilidade”. Da mesma lista com 78 cidades são selecionadas outras 38 cidades, que possuem 3 ou 4 das firmas analisadas, sendo classificadas como “centros globais principais em serviço de contabilidade”. As restantes 27 cidades, com duas firmas foram classificadas como “centros globais secundários em serviços de contabilidade”. A mesma metodologia e critérios semelhantes foram utilizados para a classificação das cidades relativamente aos serviços de propaganda, sendo utilizada a lista das 50 maiores empresas desta área. Com relação aos serviços de banco foi feito o mesmo, a partir dos 10 maiores bancos integrantes da lista dos 25 maiores do mundo. Do ponto de vista dos serviços de advocacia foram considerados os 25 maiores escritórios dos Estados Unidos da América e os 10 maiores do Reino Unido.

A partir destes quatro setores foram listadas 122 cidades. A soma de pontos de cada cidade foi obtida pela pontuação atribuída relativamente ao grupo do qual a cidade participa em cada setor. Assim, foi atribuído o escore de 3 pontos para as cidades integrantes do grupo “centros globais mais importantes”, 2 pontos para as do grupo “centros globais principais” e 1 ponto para as do grupo “centros globais secundários”, em cada setor.

De acordo com a pontuação recebida para cada cidade foi feita uma classificação que seguiu um critério lógico. As cidades com 10 pontos ou mais foram classificadas em um grupo chamado de “cidades mundiais Alfa”, de 7 a 9 pontos as cidades integram o grupo das “cidades mundiais Beta”, e de 4 a 6 pontos o das “cidades mundiais Gama”. Estes grupos, compostos por 55 cidades são os grupos das cidades mundiais, que concentram em seus territórios o maior número das firmas consideradas nos setores selecionados. Embora seja passível de críticas o critério utilizado para a seleção dos setores ou mesmo das firmas analisadas, a

provisão de serviço: superior, principal e secundário. “ BEAVERSTOCK, J. V. SMITH, R. G. and TAYLOR, P. J. “A Ibidem, p. 450.

classificação evidencia uma listagem baseada em critérios funcionais que estão extremamente ligados aos serviços demandados pelos novos setores da economia capitalista globalizada. Torna possível, pelo menos, o estabelecimento de comparações entre as cidades, bem como a definição de uma hierarquia com base nos indicadores selecionados. Assim, o rol elaborado atesta a primazia destas cidades sobre as demais, uma vez que a concentração destes serviços influencia, de certa forma, em uma hierarquização da oferta e do consumo destes serviços, determinando, deste modo, diferentes graus de importância para cada centro.

A classificação pode ser melhor analisada no Quadro 2 apresentado adiante. Também aparecem na listagem as cidades que possuem menor pontuação (3 pontos, 2 pontos e 1 ponto), mas que de qualquer modo apresentam uma tendência de virem a se constituir cidades globais no futuro, completam a lista das 122 cidades onde atuam as empresas dos setores selecionados, de acordo com os critérios adotados.

Quadro 2 – Rol das cidades mundiais

Cidades Mundiais Alfa (Centros Globais Mais Importantes) Pontos Cidades

12 Londres, Paris, Nova Iorque e Tóquio.

10 Chicago, Frankfurt, Hong Kong, Los Angeles, Milão e Singapura.

Cidades Mundiais Beta (Centros Globais Principais) Pontos Cidades

9 São Francisco, Sydney, Toronto e Zurique.

8 Bruxelas, Madri, Cidade do México e São Paulo. 21 7 Moscou e Seul.

Cidades Mundiais Gama (Centros Globais Secundários) Pontos Cidades

6 Amsterdã, Boston, Caracas, Dalas, Dusseldorf, Genebra, Houston, Jacarta, Johannesburgo, Melbourne, Osaka, Praga, Santiago, Taipei e Washington.

5 Bangkok, Beijing, Montreal, Roma, Estocolmo e Warsaw.

4 Atlanta, Barcelona, Berlim, Buenos Aires, Budapeste, Copenhagem, Hamburgo, Istambul, Kuala Lumpur, Manila, Mineápolis, Munique e Xangai.

Cidades com fortes evidências de formação de cidade mundial

Pontos Cidades

3 Atenas, Auckland, Dublin, Helsink, Luxemburgo, Lyon, Mumbai, Nova Deli, Filadélfia, Rio de Janeiro, Tel Aviv e Viena.

Cidades com algumas evidências de formação de cidade mundial Pontos Cidades

2 Abu Dhabi, Almaty, Birmingham, Bogotá, Bratislava, Brisbane, Bucareste, Cairo, Cleveland, Colônia, Detroit, Dubai, Ho Chi Ming, Kiev, Lima, Lisboa, Manchester, Montevidéu, Oslo, Roterdã, Riad, Seatle, Stutgart, Hague e Vancouver.

Cidades com poucas evidências de formação de cidade mundial Pontos Cidades

1 Adelaide, Antuérpia, Arhus, Baltimore, Bangalore, Bolonha, Brasília, Calgary, Cape Town, Colombo, Columbus, Dresdem, Edimburgo, Gênova, Glasgow, Gotemburgo, Guangzhou, Hanói, Kansas, Leeds, Lile, Marselha, Richmond, São Petersburgo, Tashkent, Teerã, Tijuana, Turim, Utrecht e Welington.

20 De acordo com “The GaWC Inventory of World Cities”. In: BEAVERSTOCK, J. V. SMITH, R. G. and TAYLOR, P. J., op. cit., p. 457.

21 Com base nos dados contidos nos demais quadros apresentados no artigo e na metodologia utilizada, a pontuação de São Paulo é a seguinte: Contabilidade, 1ponto; Propaganda, 2 pontos; Bancos, 2 pontos; e Advocacia, 2 pontos. Portanto a soma é de 7 pontos e não 8 como consta no trabalho citado. Observe-se que, no entanto, esta alteração não muda, substancialmente, a posição da cidade, que permanece no grupo das Cidades Mundiais Beta (Centros Globais Principais).

A Figura 1 apresenta a localização das cidades mundiais em seus níveis mais importantes: Alfa, Beta e Gama.

Diversos estudos sob a coordenação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) consideram São Paulo e Rio de Janeiro como integrantes de uma mesma “Região Urbana Global” (RUG), concentrando um número bem mais amplo de população, serviços e atividades ligados aos setores modernos da economia, o que faz com que seja aumentada a participação desta região sobre o território nacional e aumente sua inserção no rol das cidades mundiais.

Para Albuquerque (1999) a implantação de uma “Região Urbana Global (RUG) Rio - São Paulo” exige uma nova institucionalidade, ou seja, um novo paradigma de organização das relações de poder, uma mudança no processo de tomada de decisões político-estratégicas e um novo modo de gestão do desenvolvimento. É necessário que se instale na região esta nova institucionalidade para que ela possa se tornar viável enquanto realidade sócio-espacial. O Autor aponta para o perfil da “RUG Rio - São Paulo” como sendo composta por 155 municípios, em uma área de 47,4 mil Km2 com uma população de aproximadamente 34,1 milhões de habitantes.22

22 ALBUQUERQUE, Roberto Cavalcante. Região Urbana Global Rio – São Paulo: Condições de viabilidade,

INSERIR AQUI FIGURA 1

PASTA 04 ARQUIVOS COREL p.58

ARQUIVO 01

Figura 1 – Rol das cidades mundiais

Rezende & Accorsi (1999) chamam a atenção para o fato de que ao lado das vantagens que oferecem as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro para a formação de uma “RUG”, apresentam externalidades negativas que precisam ser rapidamente reduzidas para que possam assumir posição de maior relevo na rede de cidades mundiais.”23

No entendimento de Gusmão (1999) para que a “RUG Rio São Paulo” possa desempenhar eficazmente a sua transformação em cidade mundial do cone sul será necessário conjugar dois fatores: da cooperação entre os dois “blocos”, ainda que centrada na competitividade e complementariedade de suas economia; e, da implementação de Políticas Públicas capazes de defender e fortalecer as vantagens competitivas, superando as limitações em estrutura, legislação e financiamento.24

De qualquer modo, o “inventário GaWC” citado não causa surpresa, uma vez que a listagem confirma, em sua maior parte, o que outros estudos apresentam.25

Segue a mesma linha apontada por FRIEDMANN (1989), quando, levando em conta os requisitos de uma cidade mundial, elaborou uma hierarquia do Sistema de Cidades Mundiais. Segundo o autor as cidades de primeira ordem seriam Londres, Paris, Rotterdan, Frankfurt, Zurique, Nova York, Chicago, Los Angeles, Tóquio, São Paulo e Singapura. O Rio de Janeiro aparece entre as cidades de segunda ordem, como Buenos Aires, Caracas, Cidade do México, Hong -Kong, Bangkok, Bruxelas, Madri, Viena, Milão, São Francisco, Miami, Houston, Sidney e Toronto.

23 REZENDE, Fernando & ACCORSI, Affonso. Uma política para as cidades mundiais brasileiras. (Relatório Rio – São Paulo, cidades mundiais) Rio de Janeiro: IPEA, 1999. (mimeo)

24 GUSMÃO, Paulo P. de. Região Urbana Global Rio – São Paulo: Condicionantes ambientais de competitividade. (Relatório Rio – São Paulo, cidades mundiais) Rio de Janeiro: IPEA, 1999. (mimeo). V. também ANDRADE, Thompson A. & SERRA, Rodrigo Valente. A cidade global São Paulo – Rio de Janeiro: uma análise de suas infra-

estruturas. (Relatório Rio – São Paulo, cidades mundiais) Rio de Janeiro: IPEA, 1999. (mimeo) e, SILVA, Rachel

Coutinho Marques da. A importância da ação urbanística e da legislação urbana para cidades do Rio de Janeiro e

São Paulo no contexto das cidades mundiais. (Relatório Rio – São Paulo, cidades mundiais) Rio de Janeiro: IPEA,

1999. (mimeo).

25 Acerca do tema que trata das cidades mundiais é produtivo considerar os seguintes trabalhos, dentre outros: SASSEN, Saskia. As cidades na economia mundial. São Paulo: Nobel, 1998. SASSEN, Saskia. The global city.

New York, London, Tokio. Princeton: University Press, 1991. BORJA, Jordi & CASTELLS, Manuel. Local y global. La gestión de las ciudades em la era de la información. Madrid: Taurus, 1997. CASTELLS, Manuel. La ciudad informacional. Tecnologias de la información, reestructuración econômica y el processo urbano regional. Madrid:

Alianza, 1989. CASTELLS, Manuel. Las tecnópolis del mundo. La formación de los complejos industriales Del

siglo XXI. Madrid: Alianza, 1994. FRIEDMANN, J. – “The World City Hypothesis.” Development and Change, v. 17,

Nos dois casos está claramente evidenciada a irregular globalização que ocorre na sociedade. Esta é uma disparidade que reflete muito bem, os efeitos desiguais da globalização, de um lado e, de outro, a diferença no ritmo de crescimento das populações, muito menor nos países desenvolvidos.*

Desta forma, o que se verifica é que aquelas cidades que mais crescem no mundo e que serão as maiores metrópoles do nosso tempo, não são necessariamente cidades mundiais. Se podem ser consideradas megacidades, por possuírem mais de 10 milhões de habitantes, estão longe de concentrar o poder e a importância que caracteriza as cidades mundiais.*

As mudanças verificadas na estrutura de produção e de consumo da sociedade acarretam alterações significativas no espaço. Do ponto de vista urbano, a realidade está em permanente movimento, sendo que o estágio atual se caracteriza por esta estruturação do espaço mundial sob a influência das cidades que controlam os fluxos econômicos, sobretudo os relacionados com os serviços e as modernas tecnologias, enfim, ligados a uma economia intensiva em conhecimento. Há uma divisão social e espacial do trabalho baseada em um paradigma de produção pós-fordista que orienta estas alterações sociais e espaciais. As conseqüências podem ser notadas também no espaço nacional, como se observa com os movimentos da população indicando a interiorização do crescimento.

No Brasil, se pode observar a estruturação de uma rede urbana que, lato

senso, segue as mesmas tendências experimentadas em escala mundial, ou seja,

repete a produção do espaço com uma enorme desproporção entre o crescimento observado nas áreas próximas aos centros mais desenvolvidos e aquelas mais afastadas. Embora não sejam estudos comparáveis de imediato, é possível estabelecer relações entre a estrutura analisada pelo “inventário GaWC” e o estudo coordenado pelo IPEA chamado “Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil”. É o que será visto adiante.

* O Gráfico “Crescimento da Urbanização Mundial: 1970, 1995, 2015” evidencia os diferentes ritmos de crescimento por grupos de países, no Anexo 8.

* O Gráfico “As Megacidades do Novo Milênio”, apresentado no Anexo 9, expõe as tendências de crescimento das principais megacidades até 2015.

O referido estudo apresenta uma lista com 111 centros urbanos que formam a estrutura da rede urbana dos municípios brasileiros. De imediato se pode concluir sobre a importância destas cidades se considerarmos que embora representem apenas 2% dos municípios brasileiros, em 1996 continham cerca de 55% da população do país, ou aproximadamente 88 milhões de habitantes. Mas, como acontece no caso das cidades mundiais, a importância destes centros não se mede apenas pelo aspecto quantitativo, pois, o que se observa, na verdade, é que tais centros funcionam como se fossem nós da rede de cidades. Eles polarizam e controlam os fluxos de bens, pessoas e serviços entre as cidades e o meio rural no Brasil.

De acordo com a importância dos centros foram identificados grupos para classificar estas cidades. No topo da hierarquia estão 13 metrópoles que ainda podem ser consideradas em três níveis de influência distintos: global, nacional e regional. Logo a seguir na hierarquia da rede urbana foram identificados 16 centros regionais e mais 35 centros sub-regionais de nível um e 51 centros sub-regionais de nível dois. O critério utilizado para esta classificação obedece a indicadores referentes à diversidade da economia, concentração de centros decisórios e escala de urbanização.

O Quadro 3 apresenta a relação destas cidades, sem se preocupar em estabelecer uma ordem hierárquica entre as cidades de mesmo nível. O Mapa permite uma melhor visualização da estrutura urbana do país.

Quadro 3 – Rede urbana brasileira

Metrópoles Globais

São Paulo e Rio de Janeiro

Metrópoles Nacionais

Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Brasília e Manaus

Metrópoles Regionais

Campinas, Belém e Manaus

Centros Regionais

Florianópolis, Londrina, Campo Grande, Ribeirão Preto, Santos, São José dos Campos, Vitória, Aracaju, Maceió, João Pessoa, Natal, Teresina, São Luis, Cuiabá, Rio Branco, e Porto Velho

Centros Sub-Regionais (Nível 1)

Pelotas, Rio Grande, Caxias do Sul, Blumenau, Joinvile, Cascavel, Maringá, Ponta Porã, Presidente Prudente, São José do Rio Preto, Araraquara, São Carlos, Bauru, Limeira, Jundiaí, Sorocaba, Volta Redonda, Barra Mansa, Campos, Juiz de Fora, Uberaba, Uberlândia, Itabuna, Ilhéus, Vitória da Conquista, Feira de Santana, Petrolina, Caruaru, Juazeiro do Norte, Campina Grande, Anápolis, Palmas, Imperatriz, Macapá e Boa Vista.

Centros Sub-Regionais (Nível 2)

Piracicaba, Montes Claros, Franca, Santarém, Ponta Grossa, Santa Maria, Foz do Iguaçu, Governador Valadares, Mossoró, Ipatinga, Marília, Guarapuava, Arapiraca, Divinópolis, Araçatuba, Nova Friburgo, Sete Lagoas, Jequié, Passo Fundo, Criciúma, Cachoeiro do Itapemirim, Marabá, Lages, Caxias, Rondonópolis, Chapecó, Sobral, Teófilo Otoni, Parnaíba, Itajaí, Santa Cruz do Sul,