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KORUNMASI GEREKLİ TAŞINIR KÜLTÜR VE TABİAT VARLIKLARININ MÜZELERE ALINMALARI, ENVANTERİ, KORUNMASI VE AYNİYAT

Partindo da perspectiva ontognoseológica da experiência jurídica, pode- se apreender o caráter dialético complementar da Teoria Tridimensional do Direito desenvolvida por Miguel Reale, na medida em que no plano do

120 Nos termos da Teoria Tridimensional do Direito de Miguel Reale, a norma jurídica, devidamente estruturada, deve preencher ainda seus requisitos de validez, os quais correspondem aos planos da experiência jurídica: normativo, em que se discute a validade formal ou técnico-jurídica (vigência); fático, relativo à validade social (eficácia ou efetividade); e o axiológico, seara pertinente a validade ética (fundamento). Para atender aos pressupostos de validade formal, a norma jurídica deve ser emanada pelo órgão competente, obedecendo a todos os ritos do procedimento previsto pelo sistema positivado para sua criação. Já, o plano da eficácia, de conteúdo essencialmente empírico, busca os efeitos sociais produzidos pela norma jurídica em seu cumprimento, para verificar sua correspondência com os interesses da coletividade. E, na validade ética, perquiri-se o fundamento da norma jurídica, o valor ou fim por ela objetivado. Sintetizando as idéias anteriores, Miguel Reale diz que: ³D YDOLGDGH HVWi VLPXOWDQHDPHQWH QD vigência, ou obrigatoriedade formal dos preceitos jurídicos; na eficácia, ou efetiva correspondência dos comportamentos sociais ao seu conteúdo, e no fundamento, ou valores capazes de legitimar a experiência MXUtGLFDQXPDVRFLHGDGHGHKRPHQVOLYUHV´. (Lições Preliminares de Direito, p. 116).

conhecimento existe uma correlação transcendental subjetivo-objetivo, que não autoriza a redução do sujeito ao objeto, ou mesmo do fato ao valor ou vice-versa, mas sim uma constante relação de complementaridade, de correlação permanente e progressiva entre estes termos, os quais não se podem compreender separados uns dos outros, sendo ao mesmo tempo irredutíveis uns aos outros, para obter em unidades concretas a plenitude de seus significados e, simultaneamente, permitir a abertura contínua para novas possibilidades de síntese diante da realidade121.

Convém alertar que a dialética de complementaridade proposta por Miguel Reale não pode ser confundida com a dialética hegeliana ou marxista dos opostos122, que tratam de elementos contrários que se contrapõem e se conciliam progressivamente em um termo geral, por intermédio de uma estrutura tríplice constituída por teses, antíteses e sínteses, com o seguinte mecanismo funcional: a partir da contraposição entre tese e antítese surge como elemento de superação a síntese123.

121 Miguel Reale, Teoria Tridimensional do Direito, p. 73.

122 Acerca da dialética hegeliana, Miguel Reale afirma que: ³1DKLVWyULDGDGLDOpWLFDVREUHVVDLRPRGHORGH Hegel, segundo o qual tudo o que existe não é senão expressão do processo dialético da Idéia, termo este empregado pelo filósofo em sentido ao mesmo tempo lógico e axiológico (segundo ele, Ser e Dever Ser se identificam) para indicar o fundamento transcendental do existente. Por outro lado, o grande pensador apresenta o desenvolvimento da Idéia como uma série sucessiva de conciliações entre opostos, tanto de contrários como contraditórios, os quais se compõem em identidade, ponto de partida para o superamento GH QRYDV FRQWUDGLo}HV TXH QmR VH VDEH FRPR SRVVDP HPHUJLU GR TXH Mi VH WRUQDUD LGrQWLFR´. (Fontes e Modelos do Direito: Para um novo paradigma hermenêutico, p. 79/80).

123 Ainda sobre o tema que envolve a distinção entre a dialética hegeliana ou marxista, Miguel Reale diz que: ³1D GLDOpWLFD GH FRPSOHPHQWDULGDGH Gi-se a implicação dos opostos na medida em que desoculta e se revela a aparência da contradição, sem que com este desocultamento os termos cessem de ser contrários, FDGD TXDO LGrQWLFR D VL PHVPR H DPERV HP P~WXD H QHFHVViULD FRUUHODomR´ (Teoria Tridimensional do Direito, 72).

De outro lado, na dialética de complementaridade realeana, diferentemente do modelo hegeliano ou marxista, se exclui a possibilidade de composição entre elementos contraditórios, para, a partir do estabelecimento de sínteses abertas, compreender o processo histórico-cultural como correlação contínua entre fatores opostos que mutuamente se implicam e se complementam, mantendo-se distintos, sem se reduzir um ao outro para possibilitar a realização de novas sínteses.

No dizer do próprio Miguel Reale:

³VRPHQWH D GLDOpWLFD GH FRPSOHPHQWDULGDGH FRP YLJrQFLD crescente no pensamento contemporâneo, logra explicar a correlação existente entre fenômenos que se sucedem no tempo, em função de elementos e valores que ora contrapostamente se polarizam, ora mutuamente se implicam, ora se ligam segundo certos esquemas ou perspectivas conjunturais, em função de YDULiYHLVFLUFXQVWDQFLDVGHOXJDUHGHWHPSR´124.

O transporte do modelo dialético de complementaridade para o plano jurídico, que se insere nas modalidades de experiência histórico-cultural das civilizações125, permite a compreensão de sua estrutura tridimensional, na qual se tem a norma como elemento integrante, unidade concreta que resulta da correlação de implicação polar entre fato e valor.

124 Fontes e Modelos do Direito: Para um novo paradigma hermenêutico, p. 80.

125 A compreensão do Direito, como modalidade de experiência histórico-cultural, implica no reconhecimento de sua realidade essencialmente dialética, a qual, segundo Miguel Reale: ³QmRpFRQFHEtYHO senão como processos, cujos elementos ou momentos constitutivos são fato, valor e norma, a que dou o nome GH µGLPHQVmR¶ HP VHQWLGR HYLGHQWHPHQWH ILORVyILFR H QmR ItVLFR-PDWHPiWLFR´ (Teoria Tridimensional do Direito, p. 75). Em idêntico sentido, Antonio Paim: ³2PpWRGRKLVWyULFR-axiológico é dialético. O espírito atua constituindo valores positivos e negativos, em tensão perene, sem que jamais um elemento se resolva no oposto. Os fatos culturais têm o caráter de polaridade e implicação. A captação de seu sentido exige SURFHVVRGHLJXDOQDWXUH]D´(História das Idéias Filosóficas no Brasil, p. 426).

Desdobrando a afirmação anterior, vê-se que a estrutura tridimensional da experiência jurídica deve ser visualizada dinamicamente, concebendo-se o movimento dialético de implicação-polaridade entre fato e valor, que, a partir da oposição existente em tal relação de exigência mutua e de irredutibilidade recíproca, obtém-se ao final a determinação do modelo normativo (concreção histórica da experiência jurídica por meio da dialética de complementaridade)126.

A natureza dialética presente nos elementos constitutivos da experiência jurídica desenrola-se no âmbito do processo histórico-cultural das FLYLOL]Do}HV WRPDQGR SRU EDVH ³FRQWUDVWHV RX RSRVLo}HV TXH RFRUUHP HQWUH aquilo que já se conquistou e aquilo que se deseja conquistar, eQWUHµRTXHVH WHP¶HµRTXHVHTXHUWHU¶HQWUHDUHDOLGDGHHRLGHDORIDWRHRYDORU´127, para denotar, novamente, o enfoque ontognoseológico constante em toda experiência existencial humana.

126 O aspecto dinâmico e convergente de integração dos elementos constitutivos da experiência jurídica permite o estabelecimento de três ordens de dialética, definidas de acordo com o sentido dominante no processo, a saber:

fato ĺ valor ĺ norma norma ĺ valor ĺ fato norma ĺ fato ĺ valor

Na primeira hipótese, tem-se a busca da interpretação e aplicação da norma, em que se situa a Ciência do Direito, na tentativa de atingir a norma. Em seguida, tem-se o conhecimento do Direito como fato social, ou seja, partindo da norma para o valor e ao fato, seara que concerne à Sociologia do Direito. E, por ultimo, o objeto de estudo da Filosofia do Direito, que vai do fato à norma para alcançar o valor.