São chamados de hidrômetros, os medidores utilizados para se medir o consumo de água, em imóveis abastecidos por ligação de água da rede de distribuição.
A Norma Brasileira define o medidor de água como o "instrumento destinado a indicar e totalizar continuamente o volume de água que o atravessa" (ABNT, 1999). Na RMSP, de uma maneira geral, o hidrômetro utilizado nas instalações hidráulicas dos consumidores é do tipo velocimétrico que, ainda na definição da Norma Brasileira, é um "instrumento instalado num conduto fechado, que consiste de um
elemento móvel acionado diretamente pela velocidade do fluxo da água, cujo movimento é transmitido por meios mecânicos ou outros, ao dispositivo indicador que totalizam o volume" (ABNT, 1999).
Os hidrômetros são, normalmente, classificados pela sua vazão nominal (0,75 m³/h; 1,5 m³/h; 3,0 m³/h; etc.), definida na seqüência, e pela sua classe metrológica, A, B ou C, sendo a última a de maior exatidão, entre essas três.
Na RMSP, nas áreas com rede de distribuição de água operadas pela Sabesp, o hidrômetro mais comumente encontrado, nas cerca de três milhões e novecentas mil ligações, é o de vazão nominal de 1,5 m³/h, classe B.
As principais características de um hidrômetro são:
• vazão máxima, ou de sobrecarga (Qmax): maior vazão admissível no medidor,
com a qual pode operar por curto espaço de tempo sem ser danificado (RECH, 1992; ABNT, 1999);
• vazão nominal, ou permanente (Qn): corresponde à metade da vazão máxima,
sendo aquela até a qual o medidor pode funcionar de forma satisfatória, sob condições normais (RECH, 1992; ABNT, 1999);
• vazão mínima (Qmin): a menor vazão em que o medidor deve registrar, sem
que os erros sejam maiores que o máximo admissível (ABNT, 1999);
• vazão de transição (Qt): vazão situada entre a máxima e a mínima, na qual o
campo de medição se divide em zona superior e zona inferior, cada uma caracterizada pelo valor de erro máximo admissível (ABNT, 1999);
• vazão de início de movimento: vazão a partir da qual o hidrômetro começa a indicar movimento das partes móveis; é a menor vazão possível capaz de vencer todas as resistências passivas do mecanismo, fazendo girar a turbina e as demais peças, começando a registrar consumo (RECH, 1992).
Rech (1992) ressalta que, entre o início do movimento e a vazão mínima, o medidor não trabalha dentro dos erros tolerados pela Norma, registrando consumo abaixo do consumo real. A esse consumo registrado abaixo do consumo real é dado o nome de volume de submedição.
Como apresentado no item 2.1.1, o volume de submedição é um dos componentes responsáveis pelas perdas aparentes de água.
Estudo realizado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), contratado pela Sabesp, fazendo uma avaliação do índice de submedição médio nos hidrômetros instalados na RMSP, a partir de estudo piloto na Unidade de Negócio Oeste, chegou a um índice médio de submedição para o parque de hidrômetros instalado na RMSP, com relação ao volume efetivamente consumido (quantidade real de água consumida), da ordem de 15%, e da ordem de 17%, com relação ao volume micromedido (IPT, 2007).
Fantozzi (2007 - informação verbal)1 apresentou curva de submedição elaborada a
partir de levantamento na Região da Emilia-Romagna, no Norte da Itália, em que hidrômetros classe C, em imóveis com abastecimento direto, chegam a apresentar um índice de 12% de submedição.
Rizzo e Cilia (2005) apresentam estudo em que, utilizando hidrômetros de alta precisão (volumétricos - classe D), chegam a um índice de submedição médio, em relação ao consumo total (efetivo) dos imóveis avaliados, de 6%. Com isso, conseguem demonstrar o efeito das baixas vazões, permitidas pela torneira de bóia que controla o fluxo de entrada de água nas caixas d'água, na submedição em hidrômetros.
Convém ressaltar que o tipo de torneira de bóia, utilizado para controle de vazão na entrada das caixas d'água, é um fator preponderante quando se consideram as perdas por submedição. Quando o foco é a redução de pressão de distribuição, provocada pela instalação de VRPs, o tipo de torneira de bóia não exerce influência no nível de consumo, uma vez que a vazão, nos pontos de consumo internos aos imóveis, passa a ser controlada pelo nível da água na caixa d'água e não pela vazão permitida pela torneira de bóia.
Na Figura 2.11, é apresentado um diagrama que representa uma curva típica de erro em hidrômetros.
1 Informação fornecida por Marco Fantozzi (IWA) durante apresentação sobre avanços no controle de
FIGURA 2.11 - Curva de erros em hidrômetro
Cabe, ainda, destacar que a existência de hidrômetros nos consumidores representa, em última instância, uma ação muito eficiente para o uso racional da água, pois estudos comprovam que o hidrômetro se constitui num dispositivo inibidor de consumo. Quanto a esse aspecto, a agência reguladora das companhias de água e esgotos na Inglaterra e País de Gales, Ofwat, apresenta, em sua página na Internet (www.ofwat.gov.uk), o documento “Water Metering: Position Paper”, em que órgão manifesta a sua visão do problema, da seguinte maneira: “[...] A medição do consumo é particularmente importante em áreas onde os recursos hídricos são mais escassos [...] Consumidores que possuem medidores instalados tendem a utilizar menos água do que aqueles que são cobrados por um valor baseado em rateio [...]” (Ofwat, 2006).
Ainda na Inglaterra, em notícia veiculada em 1/2/2007, sob o título “Companhias de água devem receber poder para forçar a instalação de medidores de água nos consumidores, segundo plano publicado esta semana pelo Defra” (tradução nossa), a página da Internet especializada em meio-ambiente e recursos naturais “Edie.net” (www.edie.net) informa que o Defra - Department for Environment, Food and Rural Affairs (departamento que controla as matérias referentes ao meio-ambiente, alimentação e produção rural, no Reino Unido – www.defra.gov.uk) publicou um
plano em que se planeja criar mecanismos para que as companhias que operam sistemas de distribuição de água, no Reino Unido, possam instalar, compulsoriamente, medidores de água nos consumidores. Segundo o artigo, a instalação de medidores tem mostrado que o uso da água cai em torno de 10%, fazendo com que os consumidores fiquem mais atentos ao uso que se faz da água. Informa, ainda, que o Ministro do Meio-Ambiente Ian Pearson disse: “[...] Em áreas onde os recursos hídricos são escassos, a medição [individual] do consumo de água pode se tornar uma ferramenta adicional valiosa [...] através da redução do uso desnecessário e desperdício de água”.