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2. GENEL BİLGİLER

2.7 KORUNMA VE KONTROL

Stokoe (1960) ofertou ao domínio da linguística uma língua praticamente desconhecida, a ASL. Ao estudar a estrutura interna da ASL, o autor seguiu a tendência estruturalista da época, transpondo a nomenclatura e conceitos linguísticos das línguas faladas para as línguas de sinais. Por exemplo, cunhou os termos chereme6 e allocher7 para os conceitos na ASL que corresponderiam a "fonema" e "alofone" das línguas faladas. O chereme corresponde à unidade de base da comunicação sinalizada e qualquer pequeno conjunto destes elementos é representado por configurações de mãos, movimento e ponto articulatório da mão em relação ao corpo. O autor criou também o termo sinal como

6 Chereme é uma palavra originada do Grego: cheír “mão” (cf. chiro-) + -eme; cunhado pelo linguista americano William C. Stokoe em 1960. Uma unidade emic constitui um tipo de objeto abstrato analisado em linguística e em áreas afins. Os tipos de unidades êmicas são comumente indicados por um acordo com o sufixo -eme, como o fonema, grafema e morfema. No Português, esse termo, Chereme, foi traduzido como quirema.

7 Allocher tem origem: allo- + cher(eme), no modelo de alofone, alomorfe (allophone, allomorph) das línguas de sinais. As várias unidades etic representam uma determinada unidade êmica, sendo denotada pelo termo correspondente com o prefixo alo-, tais como, allophone, allograph, alomorfe (alofoem [fonema], alográfico [grafema], alomorfe [morfema]).

equivalente à palavra e o termo cherology8 para o estudo de cheremes das línguas de sinais,

que é equivalente à fonologia.

Stokoe (1960) formulou símbolos para que se pudesse elaborar um método de transcrição o qual expressasse a comunicação gestual e a complexidade da ASL. O autor almejava criar uma ferramenta de análise que pudesse ser usada por sinalizadores surdos ou ouvintes, como uma forma de registro escrito para esta língua, a qual, até aquele momento, não contava com nenhuma proposta.

A proposta de Stokoe (1960) contou com:

a) Investigação do papel do morfema na ASL, pois, observou-se que para compor um sinal era necessário combinar simultaneamente9 os parâmetros fonológicos: configuração de mão, locação e movimento.

b) Classificação e desenvolvimento de símbolos para os Cheremes (na literatura em Libras corresponde a Quiremas) para três parâmetros fonológicos: dez (configuração de mão); tab (ponto de articulação) e sig (movimento)

b.1) Dez (a forma da mão, proveniente de designator, sigla dez, atualmente denominado handshape/hand configuration em ASL e configuração de mão em Libras);

Quanto às formas das configurações de mãos (dez), Stokoe (1960) explicou que das vinte e seis letras do alfabeto do Inglês, algumas configurações geram outras, apenas

modificando o movimento e/ou a orientação da mão, como por exemplo, a letra D e a

letra Z apresentam configuração de mão semelhante, porém Z apresenta

8 Cherology é proveniente do (grego: χείρ "mão") estudo dos cheremes/quiremas, que corresponde à fonologia das línguas de sinais.

9 A simultaneidade constitui uma característica que Liddell (1984) debateu, haja vista que, para o autor, as línguas de sinais exibem uma sequencialidade nas estruturas, semelhante às línguas orais.

movimento e D não apresenta movimento. Outro exemplo, é a configuração de mão

correspondente à letra I e a letra J , as quais também são similares. Contudo, o I é estático, enquanto que se realizado um movimento descendente no ar simboliza-se o J em ASL, dentre outras. Desta forma, todas as letras do alfabeto americano foram representadas por ações dedo-grafadas, denominadas fingerspelling10, que em Libras corresponde à

datilologia. A datilologia, ou alfabeto manual, segundo Felipe e Monteiro (2008), é a representação da palavra letra-a-letra feita manualmente e usada para expressar nomes próprios de pessoas, de localidades e outras palavras que ainda não possuem um sinal da língua de sinais. Apesar de Stokoe ter apresentado os símbolos para as configurações de mãos (dez), seu modelo ainda era insuficiente para demonstrar a orientação da palma da mão e a posição dos dedos (cf. Jonhson & Liddell, 2010). Essas noções formam incorporadas em estudos posteriores e serão apresentados nas próximas seções.

b.2) Tab (elementos de localização, do latim tabula, sigla tab, atualmente denominado location/placement em ASL e ponto de articulação em Libras);

Quanto ao ponto de articulação (tab), Stokoe (1960) salienta que o sinal pode ser realizado a partir do toque em alguma parte do corpo do sinalizador, ou no espaço situado logo a frente do corpo desse, mas sem tocá-lo, ou ainda tocando alguma parte da outra mão (na mão de apoio, mão não dominante ou mão passiva11). Os pontos de articulação (tab)

podem estar em pontos da face, do tronco, dos braços, das mãos e dos dedos. Jonhson & Liddell (2010) ressaltaram que os símbolos criados por Stoke são pouco precisos, por exemplo, o tab que representa o tronco, destacado num retângulo na Figura 3, não explicita em que parte do tronco o sinal é localizado, se no peito direito ou esquerdo, na barriga, etc.

10 Fingerspelling é o alfabeto manual de uma língua de sinais, no qual as letras individuais são formadas pelos dedos para soletrar palavras.

11 Mão de apoio ou passiva ou não dominante é aquela que apresenta uma configuração de mão básica, ou não marcada, tornando-se ponto articulatório da mão ativa ou cópia dessa.

FIGURA 3 - Símbolos de Stokoe para TAB (ponto articulatório)

Fonte: STOKOE, CASTERLINE e CRONOBERG (1976) In: VALLI, LUCAS, MULROONEY, VILLANUEVA (2011), p. 256.

De acordo com a Figura 3, o símbolo [ ] proposto por Stokoe (1960) representa um único local para todos os pontos articulatórios realizados no tronco, o que dificulta, para uma pessoa não familiarizada com os sinais, a identificação do ponto articulatório adequado.

b.3) Sig (ação de produzir o sinal movimento proveniente de signation, sigla sig, atualmente denominado "movement" em ASL e movimento em Libras).

Ao discorrer sobre o movimento (sig) Stokoe (1960) destacou a variedade e a complexidade para descrevê-lo, haja vista que o movimento apresenta diversas formas (circular, zigue-zague, retilíneo, de aproximar, de tocar, de cruzar, de ajuntar, de deslizar, etc.), pode ser grande ou pequeno, e estar em variados pontos articulatórios, conforme ilustrado na Figura 3, acima. Outra limitação descrita na notação de Stokoe (1960) é a não representação das mudanças de configuração da mão e da sequência dos movimentos, presentes em diversos sinais na ASL (JONHSON & LIDDELL, 2011). Entretanto, para tentar representar as sequências de movimentos, Stokoe (1960) utilizou mais uma notação/símbolo para se referir ao movimento como forma de registrá-las, conforme os exemplos da Figura 4. (Para ver toda a tabela com os símbolos de Stokoe consulte o ANEXO I).

FIGURA 4 – Símbolos de Stokoe para SIG (movimento)

Fonte: STOKOE, CASTERLINE e CRONOBERG (1976) In: VALLI, LUCAS, MULROONEY, VILLANUEVA (2011), p. 256.

A Figura 4 exibe os símbolos correspondentes ao movimento para cima, para baixo, sobe e desce, etc. Entretanto, tais notações não conseguiram representar sinais produzidos com duas mãos ou com dois pontos articulatórios ou com mais de um movimento.

O objetivo final de Stokoe (1960) foi o de criar uma notação que descrevesse os sinais contemplando o lugar de articulação (tab), a configuração da mão (dez) e o movimento (sig) de forma que ao se olhar para os símbolos, pudesse-se reconhecer o significado e produzir o sinal, assim como ocorre na transcrição fonética das línguas faladas.

Apesar de essa proposta conceber os símbolos como categorias estanques e que funcionam isoladamente, essa deixou grande contribuição para a fonologia da ASL e para o debate sobre a organização gramatical das línguas de sinais. A próxima seção aborda as contribuições de Battison (1978, 1980) quanto ao estudo de pares mínimos em ASL, o quarto parâmetro fonológico (orientação da palma da mão) e as restrições para a formação de sinais.

Benzer Belgeler