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Koruma Sorumluluğu (R2P) Tartışmaları

SURİYE’DE ARAP BAHARININ İÇ SAVAŞA DÖNÜŞMESİ VE 2013’E KADAR TÜRKİYE-ABD İLİŞKİLERİ

2.5. Koruma Sorumluluğu (R2P) Tartışmaları

O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”. (Cora Coralina)

O enfermeiro da ESF é um trabalhador importante na atenção primária em saúde, atuando através do seu processo de trabalho na prevenção, promoção, recuperação e habilitação dos usuários.

O perfil etário do enfermeiro da ESF é predominante de adultos jovens e adultos, com média de 71% entre 29 e 34 anos. Há uma predominância do sexo feminino (06), fortalecendo a discussão da feminilização do trabalho, além dos aspectos históricos relacionados ao trabalho feminino na enfermagem.

A totalidade da realidade pesquisada tem a especialização como grau de formação, fortalecendo a idéia da necessidade da qualificação como estratégia para a empregabilidade. Tem como regime de trabalho 40 horas, com tempo de serviço na ESF entre 1 a 9 anos. É importante ressaltar que a maioria considerou apenas o tempo relativo à entrada na ESF através do concurso público, realizado no município no ano de 2008. A forma de inserção na ESF, na realidade pesquisada, foi via concurso público, em sua totalidade, como antes referido.

Os enfermeiros da ESF referem satisfação com o trabalho realizado; articulamos a isso a concepção de trabalho trazida pela maioria, cuja concepção considera o trabalho como uma forma de realização humana, como forma de transformar algo e ser transformado, apresentando trabalho diferente de emprego, algo relativo a se sentir útil, uma prática que tem retorno, uma prática transformadora da realidade.

Em relação a trabalho precarizado, o enfermeiro da ESF corrobora com a concepção adotada neste estudo, explicitando que, além da ausência de vínculo trabalhista e da desproteção social, a falta de condições estruturais e infra- estruturais, a falta de meios, instrumentos e recursos materiais se apresentam como elementos determinantes para a precarização do trabalho.

As atividades realizadas por esses trabalhadores de saúde se conformam em visitas domiciliares, ações em saúde da criança, do adulto, do idoso, da mulher, do homem, do trabalhador; saúde mental; ações em tuberculose e hanseníase,

hipertensão arterial e diabetes, grupos de jovens, entre outras diversas ações e serviços. Esse trabalho apresenta um grau de complexidade, pois, nesse espaço, surgem necessidades sociais das mais diversas ordens, desde as causadas pela falta de saneamento básico às oriundas da violência doméstica e do uso de drogas.

O enfermeiro da ESF analisa suas condições de trabalho com um grau de peculiaridade de cada USF; alguns com um grau maior de dificuldades, apontando falta de materiais e insumos e falta de estrutura física adequada para a realização do seu processo de trabalho. Em outras USF esse problema inexiste. Porém um problema é referido por todos os enfermeiros, a dificuldade de realização de algumas ações por falta de transporte. A falta desse ocasiona a dificuldade de planejamento e gestão do processo de trabalho desses enfermeiros e da equipe de enfermagem, pela dificuldade em realizar visitas domiciliares, alguns encontros com grupos de usuários, a busca ativa em geral, entre outros impactos que a falta desse recurso ocasiona.

Outra característica evidenciada é a ausência do trabalho coletivo da equipe da ESF. A realização das práticas dos diferentes profissionais se distancia da articulação necessária dos processos de trabalho em saúde, requerida pela ESF.

No aspecto relacionado aos direitos desses enfermeiros encontramos um avanço relevante, na realidade pesquisada: a vinculação do enfermeiro da ESF, através de concurso público. Essa vinculação, caracterizada através do regime jurídico único, para o funcionalismo público, assegura direitos trabalhistas conquistados ao longo da história. A garantia de recebimento do 13º salário, do direito a gozo de férias, da licença maternidade e paternidade, são exemplos desses direitos assegurados aos enfermeiros da ESF, na realidade estudada.

Porém a realização do concurso público não assegurou a esse enfermeiro o usufruto e vinculação, como trabalhador de saúde, ao PCCS-SUS. Não se tem ainda um plano que assegure a esse trabalhador um piso salarial, a isonomia salarial, os benefícios da dedicação exclusiva como trabalhador do SUS, a participação nas mesas e/ou fóruns de gestão do trabalho em saúde e desprecarização do trabalho em saúde. Um percentual do rendimento mensal pago como gratificação é uma forma de perda relativa não só ao pagamento de impostos como no processo de aposentadoria desse enfermeiro. A cláusula em edital, afirmando que o vínculo profissional assegura o trabalho desse enfermeiro somente em caso de permanência da ESF, vinculada ao MS, contradiz o processo de

municipalização da saúde e da assunção do município como pleno no sistema de saúde municipal.

O estudo não tem a pretensão de encerrar a discussão sobre a precarização do trabalho na ESF, busca, sim, contribuir com o debate acerca da temática, que é uma realidade vivenciada pelos enfermeiros da ESF.

A investigação sobre a precarização do trabalho do enfermeiro evidenciou elementos importantes para reflexão. Apesar das discussões e estudos pelos órgãos competentes do MS, a Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES)/ Departamento de Gestão e da Regulação do Trabalho em Saúde (DEGERTS), a precarização do trabalho tem assumido novas formas e características.

A concepção de precarização do trabalho em saúde reduzida à ausência de direitos trabalhistas e desproteção social evidencia que esse não é o melhor percurso a ser seguido pelos órgãos gestores do trabalho em saúde.

Faz-se necessário compreender o trabalho inserido em um contexto histórico, social, político e econômico, no qual os trabalhadores de saúde vivenciam diferentes realidades que vão desde a falta de estrutura física apropriada para a inserção da ESF até a falta de meios e instrumentos para a realização do seu processo do trabalho em saúde.

A precarização do trabalho em saúde na atenção primária é uma realidade, desde a origem do SUS, que, segundo os estudos já citados, foi agravada com a expansão da ESF. A ausência de aspectos relativos à normatização de vínculo trabalhista, à infra-estrutura física, ao piso salarial dos profissionais, à contrapartida financeira regulamentada das outras esferas – estado e município, a isonomia salarial, entre outros aspectos, potencializam a precarização do trabalho do enfermeiro da ESF.

O município não se sente responsabilizado pela estratégia, apesar da municipalização das ações e serviços em saúde e da assunção plena da responsabilidade da saúde pelo município, desde o ano de 2003, através da NOAS. Assim, o enfermeiro da ESF é submetido a um edital que explicita a sua vinculação ao município até o momento em que a ESF for financiada pelo MS.

A falta de materiais e insumos para a realização do processo de trabalho do enfermeiro limita a execução das ações e serviços em saúde desse profissional. Em algumas realidades, o enfermeiro da ESF necessita dividir uma única sala de

consultas com os demais profissionais, impossibilitando um trabalho coletivo em saúde, a continuidade das ações, a efetivação dos vínculos de coresponsabilidade com a população e a efetivação das diretrizes da ESF.

Este estudo não busca trazer fórmulas prontas, mas traz algumas sugestões, a fim de contribuir com a gestão do trabalho do enfermeiro da ESF e diminuir a precarização do trabalho nessa estratégia:

1) socializar com a SMS do município estudado os resultados da pesquisa acerca da precarização do trabalho do enfermeiro da ESF. Entendemos que essa prática evidenciará os avanços e retrocessos que o município apresenta, atualmente, na realidade da ESF, pois se sabe que a pesquisa foi realizada com o profissional enfermeiro, porém talvez não seja distante da realidade dos demais profissionais que conformam a ESF;

2) planejamento e intervenção relativos ao transporte na ESF; essa queixa foi uníssona na fala dos enfermeiros da estratégia, das zonas urbana e rural. Entendemos que esse problema impacta diretamente na efetividade das práticas profissionais, distanciando-se da efetivação dos princípios do SUS;

3) adequação das condições estruturais e infra-estruturais, na perspectiva de propiciar melhores condições de trabalho na ESF; a fim de fortalecer o trabalho coletivo em saúde, através da articulação das práticas profissionais, se aproximando, ainda, da humanização e acolhimento em saúde;

4) discussão e elaboração do PCCS-SUS, através da articulação entre órgãos de classe, das instituições de pesquisa como a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), através do Curso de Enfermagem de Pau dos Ferros-RN e dos Grupos de pesquisa dessa instituição, das instâncias estaduais e federais, representadas respectivamente pela SES e MS. Entendemos que, através desse processo, as questões relativas à isonomia salarial, à valorização do trabalhador com dedicação exclusiva ao SUS; ao acúmulo de trabalho/ocupação, ao piso salarial sejam pensadas e tragam benefícios aos enfermeiros da ESF;

5) criação da mesa permanente da educação e de gestão do trabalho da ESF pela URSAP, articulada com e no município sede de referência – Pau dos Ferros, a partir do PDR, pela particularidade do trabalho nessa estratégia; pois percebemos a necessidade do trabalhador de saúde participar da gestão da educação e do trabalho, assegurando poder discursório e decisório nas questões relativas à qualificação permanente e ao trabalho do enfermeiro da ESF;

6) participação do Enfermeiro da ESF, dessa SMS, nas Conferências de Saúde do Trabalhador e no Fórum de desprecarização do trabalho em saúde; por entendermos que essa temática é permeada por aspectos políticos, econômicos e sociais e suas discussões e decisões têm impactos diretos na saúde e no modo de viver a vida desse enfermeiro;

7) a SMS, em parceira com órgãos como Conselho Regional de Enfermagem (COREN), Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte (FAPERN), Associação Brasileira de Enfermagem Seção RN (ABEn-RN) e UERN, realize pesquisas relativas à força de trabalho em enfermagem, nos diversos níveis de atenção à saúde, de modo especial, a atenção primária, no espaço da ESF.

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APÊNDICE A- AUTORIZAÇÃO PARA A REALIZAÇÃO DO TRABALHO

Natal, 10 de Dezembro de 2009.

Ilmo. Sr. Luis Fabrício do Rêgo Torquato - Secretário Municipal de Saúde do Município de Pau dos Ferros

Eu, Palmyra Sayonara de Góis, enfermeira, professora do curso de graduação em enfermagem da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte, mestranda do curso de Pós- graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, sob matrícula 2009100047, orientanda da Profa. Dra. Soraya Maria de Medeiros, venho neste solicitar a sua permissão para a realização da pesquisa intitulada: A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO DO ENFERMEIRO NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA: Contribuição ao debate.

A pesquisa tem como objetivo analisar as formas de precarização do trabalho e do trabalhador do enfermeiro inserido na Estratégia Saúde da Família, a partir da análise conjuntural econômica e os ditames da conformação atual do mundo do trabalho, portanto não utilizará métodos invasivos na coleta de dados, posto que constará de uma entrevista individual, gravada com a permissão do informante mediante assinatura do Termo de consentimento livre e esclarecido. Os instrumentos utilizados para a referida coleta serão um roteiro norteador com questões abertas e fechadas, um gravador, um caderno de campo para anotações e uso de máquina fotográfica, para uso de fotos que o pesquisador julgar necessário.

Ressaltamos que o referido estudo obedece rigorosamente às diretrizes regulamentadoras das pesquisas envolvendo seres humanos, constantes na resolução N°196, de 10 de outubro de 1996, do Conselho Nacional de Saúde.

Eu, ________________________________________________, Secretário Municipal de Saúde do município de Pau dos Ferros – RN, declaro que tomei conhecimento e autorizo a realização da pesquisa nas Unidades de Saúde da Família necessárias para a pesquisa.

Data:____/____/______

_________________________________________ Luis Fabrício do Rêgo Torquato

Secretário Municipal de Saúde do Município de Pau dos Ferros

Enfa. Palmyra Sayonara de Góis Mestranda em Enfermagem Profa. Dra. Soraya Maria de Medeiros

Profa. Dra. Titular do Dpto. de Enfermagem da UFRN Orientadora da pesquisa

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE