1. BÖLÜM : GĐRĐŞ
1.2. KONUNUN ÖNEMĐ
Durante o recorte temporal da pesquisa foram encontradas algumas notícias que registraram a instalação de mobiliário e equipamentos ao longo da Avenida Epitácio Pessoa e, também, imagens através das quais foram identificados tais elementos. Tanto as notícias quanto as imagens coletadas referiam-se, em sua maioria, a dois assuntos: ao trânsito da avenida e à poluição visual causada pelo excesso de anúncios publicitários em sua paisagem.
Em relação ao trânsito, já no início da década de 1980, sua sinalização mostrava-se insuficiente para organizar o tráfego existente resultando em um elevado número de acidentes e congestionamentos. Como expõem Silveira (2004),
Figura 86 e 87: Imagens de residências construídas em período anterior
ao ano de 1980 que permanecem na avenida. Fonte: Acervo da autora (2014).
Figura 85: Imagem do Edifício Tiffany (c),
construído no Trecho 6 na década de 1990. Fonte: Acervo da autora (2014).
Desde o ano de 1983, segundo pesquisas da Companhia de Trânsito Estadual e do IML-PB, a avenida Epitácio Pessoa liderava o ranking de acidentes de trânsito entre as principais avenidas da cidade. O quadro perdurou nos anos mais recentes, entre os anos de 1998 e 2001, quando a avenida Epitácio Pessoa ainda liderava o ranking das avenidas onde mais ocorreram acidentes na cidade de João Pessoa. (p. 259).
Para solucionar tal problema, em 1983, foi elaborado pelo Grupo Executivo de Integração da Política de Transportes (GEIPOT)47 um projeto com os objetivos de ampliar os serviços de ônibus, dar mais segurança aos pedestres e proporcionar melhores condições aos corredores de tráfego do Centro e de vários bairros da cidade.
Vale salientar que para subsidiar a elaboração do referido projeto, foi realizado um levantamento da situação em que se encontrava o tráfego na cidade, identificando os pontos críticos e as possíveis áreas de intervenção. Esta pesquisa detectou que a Avenida Epitácio Pessoa48 e a Avenida Cruz das Armas correspondiam aos dois principais corredores de massa da cidade.
As intervenções realizadas na Avenida Epitácio Pessoa corresponderam à instalação da “onda verde” (Fig. 88), à melhoria das vias alimentadoras e da sinalização e à implantação de abrigos e terminais.
47A GEIPOT foi uma empresa estatal do governo brasileiro, responsável pelo planejamento
dos transportes do Brasil. Criada em 1965, ela foi extinta em 2008, sendo sucedida pelo Conselho Nacional de Integração de Políticas de Transporte Terrestre.
48De acordo com o Detran, tal via foi o local que mais apresentou problemas de tráfego naquele período, devido ao intenso fluxo de veículos e problemas com a sinalização (A UNIÃO, 13 nov. 1983).
Figura 88: Imagem de instalação da instalação da “onda verde” na
Além dessas ações, outros corredores e espaços da cidade passaram por melhorias relacionadas ao tráfego de veículos: foi duplicada a Avenida Dom Pedro II (1984) (Fig. 89) – que liga o bairro Centro à zona sul - e foram executadas a Via de acesso oeste (1984) – nova opção de saída e entrada da BR101 e da cidade baixa - e a Via Norte (1984), atual Avenida Tancredo Neves, a fim de desafogar o trânsito da Avenida Epitácio Pessoa (Fig. 90).
Na década de 1990, com o aumento do uso de automóveis, a Prefeitura Municipal de João Pessoa investiu no recapeamento de vias de tráfego intenso a fim de tornar o sistema viário mais “prático e racional, valorizando tempo e distância a uma só vez” (A UNIÃO, 29 jan.1995, p. 11) e, entre outros melhoramentos, “formar novos acessos ao centro e à orla marítima, desembaraçando o trânsito na Epitácio Pessoa” (A UNIÃO, 29 jan.1995, p. 11).
A cada ano que passava a mencionada via ganhava mais importância no espaço intraurbano de João Pessoa, tornando-se mais movimentada e, consequentemente, uma localização mais disputada. A concentração cada vez maior de estabelecimentos comerciais e de serviços nos lotes nela localizados fez com que fosse instalada uma grande variedade de mídia externa ao longo do seu percurso.
Figura 89: Imagem da duplicação da Avenida D. Pedro II. Fonte:
Figura 90: Mapa atual de João Pessoa com sobreposição do traçado de 1988 e
localização dos principais corredores de tráfego que sofreram intervenções/foram criados na década de 1980. Fonte: “Planta do Município de João Pessoa” (PMJP, 1988) e “Planta Base da Cidade de João Pessoa” (PMJP). Edição da autora (2013).
Traçado urbano de 1988 Traçado urbano atual
LEGENDA
Rio Jaguaribe
Av. Epitácio Pessoa Via Norte
Av. D. Pedro II Via de Acesso Oeste Oceano Atlântico
Como estratégia de comunicação na sociedade de consumo, os estabelecimentos de comércio e serviços necessitam ser identificados pela sua singularidade, para tanto uma série de artifícios são usados a fim de chamar a atenção das pessoas ou informá-las sobre a sua localização, seus produtos e sua identidade. A comunicação de tais estabelecimentos caracteriza-se pela rapidez/instantaneidade na transmissão da mensagem e pelo destaque que o mesmo almeja adquirir na paisagem.
De acordo com Mendes (2006), a forma que os estabelecimentos encontram de aparecer no espaço urbano é a partir da utilização da mídia exterior, isto é, um suporte que transmite informações na parte externa à edificação de modo que seja visível do espaço público, podendo ser classificada em cinco tipos de acordo com suas funções e características.
São eles: anúncios de identificação - indicam as atividades/serviços oferecidos pelo estabelecimento, assim como onde ele se localiza; anúncios de cooperação – aqueles que utilizam um ponto de vendas para divulgar produtos ou serviços de um determinado fabricante; anúncios de divulgação ou out of home – aqueles em que a mídia exterior se refere a objetos ou estabelecimentos situados fora da área onde os mesmos estão instalados; anúncios móveis – mídias que têm como suporte elementos móveis como automóveis, ônibus, caminhões, carros de som, etc; e mobiliário urbano – peças que são instaladas no espaço público a fim de atender a uma necessidade da população e dotar de identidade o espaço público da cidade (MENDES, 2006).
Por meio de imagens e notícias coletadas na consulta aos jornais veiculados na época, foram identificados na Avenida Epitácio Pessoa três tipos de mídias acima citados que são: o mobiliário urbano, os anúncios de identificação e os anúncios out of home.
Como foi visto no início deste subitem, ao longo do recorte temporal da pesquisa, foi instalado na avenida um mobiliário urbano voltado para otimizar o sistema viário da cidade e oferecer mais segurança e conforto aos pedestres, destacando-se as placas de sinalização (Fig. 91), semáforos e abrigos nos pontos de ônibus, relógios digitais (Fig. 92), entre outros.
Segundo Mendes (2006), os anúncios de identificação e out of home são aqueles que causam maior impacto visual na paisagem do lugar. Os anúncios de identificação são usados geralmente quando a fachada da edificação não é suficientemente capaz de expressar o seu conteúdo ou quando o alto adensamento da ocupação faz com que haja a necessidade de maior divulgação dos serviços/produtos e da localização exata de determinado estabelecimento. Tal fato pode ser constatado observando-se duas imagens da avenida (Fig. 93 e 94), onde foram instalados na calçada anúncios buscando identificar e indicar quais os estabelecimentos localizados no interior de dois edifícios comerciais.
Figuras 93 e 94: Imagens de anúncios de identificação instalados na avenida.
Fonte: A União (17 nov. 1996) e A União (04 mai. 1997) – da direita para esquerda.
Figuras 91 e 92: Imagem do relógio digital e de uma placa instalados na Avenida
Epitácio Pessoa. Fonte: A União (04 out. 1987) e A União (26 jan. 1992) – da direita para esquerda.
Os anúncios out of home, além de servir para indicar a localização de um determinado estabelecimento, busca induzir o consumo através do reforço da marca. Em registros fotográficos da avenida, foram identificadas a utilização de tais mídias, as quais, devido ao seu tamanho foram instaladas em terrenos desocupados ou vazios (Fig. 95 e 96).
Em matéria publicada em 06 de fevereiro de 2000, o Jornal A União critica a quantidade de apelos publicitários nas principais vias da cidade, os quais passaram a disputar espaço com a arborização e a impedir a visualização da paisagem da cidade. Diante de tal realidade, foi elaborado pelo poder público um projeto que objetivava disciplinar a exposição de anúncios nos espaços públicos.
[...] Os principais corredores de acesso ao litoral pessoense são os locais onde há maior concentração de cartazes, out-doors, placas e faixas. A avenida Beira Rio é um exemplo, concorrendo com a Epitácio Pessoa. Tratam-se de vias com intenso movimento devido ao acesso às praias e à quantidade de estabelecimentos comerciais. (A UNIÃO, 06 fev. 2000, p. 25).
A intensa utilização da mídia exterior, de acordo com Vargas e Mendes (2002), tem um reflexo negativo na qualidade ambiental urbana e na imagem da cidade, assim como pode causar a desorientação do usuário e dificuldade de seu deslocamento.