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1. BÖLÜM : GĐRĐŞ

3.1. GELENEKSEL DEĞERLENDĐRME YÖNTEMLERĐ

As áreas verdes são elementos identificáveis na cidade que desempenham funções de climáticas, de ornamentação, de composição, de definição de traçados e de passeios. De acordo com Lamas (2004), até mesmo a vegetação existente nos

Figuras 95 e 96: Imagens de anúncios out of home instalados na Avenida Epitácio

logradouros privados é relevante para a forma urbana de um local, visto que a mesma influencia no controle do clima, na qualidade do espaço e na sua aparência. Tal fato é ilustrado pelo autor a partir da menção ao caso de uma antiga rua de Lisboa:

A este título veja-se a destruição das árvores na Rua da Junqueira, em Lisboa, realizada em 1992. Uma rua histórica viu-se destruída pelas técnicas acéfalas do trânsito rodoviário, pela diminuição dos passeios e destruição das árvores, para o aumento da faixa de circulação. O seu aspecto e forma mudaram radicalmente para pior. (LAMAS, 2004, p. 106).

A Avenida Epitácio Pessoa, entre 1980 e 2001, apresentou uma redução considerável em suas áreas verdes com a retirada de algumas árvores existentes em suas calçadas, assim como com a destruição de jardins privados para a ocupação dos logradouros com novas construções e ampliações.

Em 1986, o Jornal A União publicou uma notícia que denunciava o envenenamento de árvores da Avenida Epitácio Pessoa realizado por empresários que possuíam lojas no local em busca de maior visibilidade dos anúncios publicitários, das vitrines das lojas e de maior espaço para estacionamento (Fig. 97).

A partir de análises realizadas nas Ortofocartas de João Pessoa de 1978 e 1998, foi possível identificar que a diminuição das áreas verdes de fato ocorreu em diversos trechos das calçadas da referida via, assim como aconteceu com a vegetação existente nos logradouros.

Para visualizar e evidenciar como o processo aconteceu nos diversos trechos da avenida, foram feitas manchas sob as imagens digitais das Ortofotocartas nos locais aonde foram identificadas as áreas verdes. Quando finalizados, tais

Figura 97: Imagem de árvore ameaçada na

Avenida Epitácio Pessoa. Fonte: A União (05 out. 1986).

esquemas foram colocados lado a lado e comparados de acordo com o tamanho das manchas verdes detectadas.

Muitos são os fatores que podem ter causado a diminuição da arborização das calçadas da avenida como a necessidade de visibilidade – abordado em matéria já citada -, a busca por mais espaço livre para estacionamento e/ou acesso de veículos, a instalação de fios da rede elétrica e de postes, entre outros.

A diminuição das áreas verdes dos logradouros deveu-se à intensificação da ocupação dos lotes que margeiam a avenida por meio de ampliações e construções de novas edificações. Tal processo consistiu no resultado da valorização do solo do entorno da avenida e da mudança de uso do solo – processos que estão diretamente relacionados entre si. A valorização do solo/aumento do seu valor acarretou a necessidade de melhor aproveitamento de sua área pelos seus proprietários ou investidores, buscando a forma mais rentável de se ocupar o lote de acordo com o uso para ele previsto. A invasão dos estabelecimentos voltados para o uso comercial também colaborou com o processo de ocupação à medida que tal uso geralmente necessita mais de áreas construídas destinadas a depósitos, sala e lojas do que de quintais e jardins – mais recorrentes no uso residencial.

Observando-se os esquemas que identificam a vegetação existente nas calçadas e logradouros da Epitácio Pessoa, constata-se que em todos os trechos a diminuição de área verde ocorreu de forma discreta em suas calçadas, sendo a diminuição da área verde nos logradouros bem mais acentuada (Fig. 98 a 105).

Figura 98: Identificação da

vegetação existente no Trecho

1 da avenida sob

Ortofotocartas de 1978. Fonte: Ortofotocartas de João Pessoa (PMJP, 1978). Edição da autora (2014).

Figura 99: Identificação da

vegetação existente no Trecho

1 da avenida sob

Ortofotocartas de 1998. Fonte: Ortofotocartas de João Pessoa (PMJP, 1998). Edição da autora (2014).

Figura 100: Identificação da vegetação existente nos trechos 2 e 3 da avenida sob

Ortofotocartas de 1978. Fonte: Ortofotocartas de João Pessoa (PMJP, 1978). Edição da autora (2014).

Figura 101: Identificação da vegetação existente nos trechos 2 e 3 da avenida sob

Ortofotocartas de 1998. Fonte: Ortofotocartas de João Pessoa (PMJP, 1998). Edição da autora (2014).

Figura 102: Identificação da

vegetação existente nos trechos 4 e 5 da avenida sob Ortofotocartas de 1978. Fonte: Ortofotocartas de João Pessoa (PMJP, 1978). Edição da autora (2014).

Figura 103: Identificação da

vegetação existente nos trechos 4 e 5 da avenida sob Ortofotocartas de 1998. Fonte: Ortofotocartas de João Pessoa (PMJP, 1998). Edição da autora (2014).

Além disso, a diminuição das áreas verdes dos logradouros, principalmente no trecho litorâneo da avenida, pode ser atribuída também ao processo de verticalização. Tal fato, que pode ser visualizado nas imagens que identificam as alterações nas áreas verdes do Trecho 7 entre os anos 1978 e 1998 (Fig. 106 e 107), foi abordado por Coutinho (2004) ao tratar das transformações ocorridas na orla de João Pessoa como um todo a partir do processo de verticalização:

Sem qualquer alteração no desenho das quadras, a antiga estrutura urbana com o seu loteamento ortogonal e ruas de vinte metros de largura, passou a receber grandes construções com garagens subterrâneas. Essas operações de modelagem do terreno alinham-se ao nível da rua originando um piso artificial, livrando somente dois por cento da área do lote para fins de permeabilidade. Desta forma, a cobertura vegetal é a primeira a ser atingida. Onde havia espaço para árvores e solo exposto – encaminhando naturalmente as águas das chuvas – surge uma nova configuração de pequenos e modestos jardins cultivados em jardineiras impermeabilizadas e o encaminhamento da drenagem se dá através de simples tubulações – que muitas vezes não recebem manutenção adequada causando transtornos para a população. (p. 125).

Figura 104: Identificação da vegetação existente no Trecho 6 da avenida sob

Ortofotocartas de 1978. Fonte: Ortofotocartas de João Pessoa (PMJP, 1978). Edição da autora (2014).

Figura 105: Identificação da vegetação existente no Trecho 6 da avenida sob

Ortofotocartas de 1998. Fonte: Ortofotocartas de João Pessoa (PMJP, 1998). Edição da autora (2014).

Observando-se as imagens foi possível constatar que, apesar da sua importância visual e ambiental, a área verde não foi um elemento morfológico valorizado por aqueles responsáveis pela produção da paisagem da avenida entre 1980 e 2001, divergindo daquela produzida, principalmente, entre 1950 e 1970 marcada por residências inseridas em extensos lotes com generosos recuos ocupados por quintais e jardins.

Tal fato denota claramente a mudança de interesse dos agentes produtores do espaço, os quais passaram a ter como prioridade o máximo aproveitamento das áreas dos lotes tanto por meio de ampliações e/ou de construções de imóveis ocupando os logradouros até então existentes, quanto pela construção de edifícios altos, como foi possível visualizar na modelagem tridimensional dos volumes construídos na Epitácio Pessoa entre 1980 e 2001.

Figura 106: Identificação da

vegetação existente no Trecho

7 da avenida sob

Ortofotocartas de 1978. Fonte: Ortofotocartas de João Pessoa (PMJP, 1978). Edição da autora (2014).

Figura 107: Identificação da

vegetação existente no Trecho

7 da avenida sob

Ortofotocartas de 1998. Fonte: Ortofotocartas de João Pessoa (PMJP, 1998). Edição da autora (2014).

4 A TRANSFORMAÇÃO DA PAISAGEM NA AVENIDA EPITÁCIO PESSOA - 1980