2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE
2.6. Konaklama İşletmelerinde Tekstil Ürünlerinin Temizlik ve
Considerando os marcadores enunciativos como a via através da qual seria possível investigar o processo de constituição de subjetividades entre os Pataxó, escolhi, como suporte teórico-metodológico, a Análise do Discurso conforme formulou Michel Pêcheux (1938-1983). A escolha se fundamentou na disposição do autor em estudar a linguagem como uma materialidade léxico-sintática, a marca, [que] faz surgir no enunciado uma rede de relações associativas implícitas, isto é, uma série heterogênea de enunciados
funcionando sob diferentes registros discursivos, e com uma estabilidade lógica variável
(PÊCHEUX, 2006 p.23).
Segundo Orlandi, a Análise do Discurso (AD)
não trabalha com a língua enquanto um sistema abstrato, mas com a língua no mundo, com maneiras de significar, com homens falando, considerando a produção de sentido enquanto parte de suas vidas, seja enquanto sujeitos, seja enquanto membros de uma determinada forma de sociedade.
(ORLANDI, 1992, p.15).
Ao situar o discurso entre a língua e a ideologia, a AD questiona a pertinência do seu fechamento e da sua imobilidade como estrutura e o situa na dinâmica do
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acontecimento/evento (ORLANDI, 1992). Nessa perspectiva, Dias identifica a afirmativa de Bakhtin em que
o elemento que torna a forma lingüística um signo não é sua identidade como sinal, mas sua “mobilidade específica” leva-nos a caminhos diferentes na formulação de um conceito de enunciação que apreende o social. (...) No seu entender, o centro organizador de toda enunciação, toda expressão, está situado no meio social que envolve o indivíduo (....) Trata-se de conceber a palavra na relação com fatos e discurso, ou melhor, em relação ao interdiscurso, que comparece como espaço de memória na enunciação (da palavra). (DIAS, 1996, p.23)
Leite, ao analisar os discursos produzidos nas relações de poder dentro do contexto industrial, trabalha com as noções dos autores citados acima e sinaliza para o fato de que
Apreender a linguagem ordinária significa apreendê-la como um conjunto de práticas, procurando-se examinar os domínios de “uso” e “descrever suas formas”, com o objetivo de “reconhecer” diferentes modos de funcionamentos cotidianos, governados por “regras pragmáticas”, dependentes de “formas de vida”. O ‘jogo da linguagem’ é uma parte da atividade ou uma forma de vida. Nesse sentido, a função da linguagem é um tipo de ação, uma atividade, um comportamento, uma forma de vida...
(LEITE, 2004, p.24)
Além do contexto industrial, outro exemplo de Análise do Discurso foi realizado em instituições por Linde (2001). Neste trabalho, o discurso falado sob a forma de narrativas foi investigado visando a compreensão do seu papel dentro dos grupos sociais, procurando demonstrar que as formas lingüísticas somente podem ser entendidas dentro de seu contexto. Ou seja, utilizada no trabalho diário, a narrativa desempenha um papel na reprodução das estruturas de poder, na criação de uma identidade da instituição e seus membros, bem como na adaptação a mudanças. As versões, contestadas ou contraditórias, do passado das instituições mantém viva a memória e reproduzem sua identidade. A autora enfatizou, no entanto, que esse papel social das narrativas era efetivado apenas quando circulavam continuamente, em locais e através de meios específicos, consoante ao que Goffman (1975) afirmava ao lidar com a incorporação de valores e costumes pelos indivíduos pela repetição de atos, histórias e rituais.
É nessa perspectiva que o discurso, expresso como uma narrativa, se tornou um dos elementos de minha investigação, pois ele representa um esquema para a construção de
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experiências vividas. Segundo Bruner (1996), a narrativa é um modo de pensar e um suporte para organizar o conhecimento e veicular o aprendizado. Chafe (1990), por sua vez, acredita que as narrativas fornecem fontes de expressão das manifestações culturais e mentais, não a partir de um reflexo direto e inequívoco do mundo, mas a partir de uma mistura de culturas e expectativas individuais. Elas estabelecem relações e conexões com outros, indivíduos e culturas, definindo papéis e lugares contextuais no curso de sua história. O trabalho de Silliman e Champion (2002) trata as narrativas como estórias que apreendem os significados sócio-culturais de uma comunidade, estruturam sua identidade e as práticas familiares. Elas seriam, assim, veículos de transmissão do conhecimento e representariam a possibilidade de perceber as diferenças na estrutura organizacional, as escolhas lingüísticas e as relações causais e temporais dos grupos.
Na perspectiva de Olson (1996), no entanto, as narrativas são formas lingüísticas que, aplicadas a eventos imaginados e experiências, criam estórias. Estas estórias são construídas e interpretadas, tomando a função de arquivo e de interpretação, com vistas à sua reutilização e transformação da organização social e cultural do grupo ao qual pertence.
Nestas abordagens sobre a narrativa e as estórias, o que interessa a esta tese é a sua função estruturadora dos grupos ao organizar seu conhecimento, eventos e práticas, imaginários ou não. Interessa-me, ainda, utilizá-la como elemento de expressão das manifestações culturais e de estabelecimento das conexões entre o indivíduo e o grupo ao definir os papéis de cada um deles. Neste sentido, as narrativas viabilizam a transformação da organização social e a constituição de identidades dos grupos em que são contadas e experenciadas.
Na perspectiva do pesquisador, Sherzer (1987) acredita que o discurso inscrito nas narrativas, escritas ou faladas, formais ou informais, seria como um vidro através do qual seria possível perceber a realidade da gramática, das relações sociais, práticas ecológicas e as crenças de um grupo determinado. Segundo ao autor, o discurso seria o nexo e a expressão concreta da relação entre a linguagem, a cultura e a sociedade. Ele seria capaz
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de criar, recriar, modificar e afinar a relação entre a cultura e a linguagem, bem como sua interseção, tornando salientes os significados dos símbolos e a essência da relação entre língua e cultura. Seria a própria essência da produção cultural, histórica e material.