A competitividade internacional está relacionada com a habilidade de produzir e comercializar de forma mais eficiente que os concorrentes (GASQUES; CONCEIÇÃO, 2002). Para avaliar a competitividade internacional no presente estudo, então, primeiramente foi realizada a análise do ambiente institucional (neste item) e, posteriormente, a evolução da produção e comercialização da uva de mesa, em termos numéricos, para os países-foco (item 4.2.2.): Brasil, Chile e Itália.
Em relação ao ambiente institucional, que afeta, sobretudo, a comercialização da uva no mercado internacional, tem grande importância as questões sobre barreiras tarifárias e não tarifárias do comércio exterior. As primeiras são as tarifas e taxas de importação dos produtos, sejam eles de qualquer natureza. Já as não tarifárias incluem licenciamento de importação, procedimentos alfandegários, valoração aduaneira arbitrária, medidas antidumping e compensatórias, subsídios, medidas de salvaguarda, entre outras (MDIC, 2015). As barreiras não tarifárias são bem mais complexas que as barreiras tarifárias.
Primeiramente, quando um país faz parte de um acordo comercial, as medidas tarifárias e comerciais são mais brandas frente a países que não participam de um mesmo bloco ou grupo econômico. O Brasil tem 19 acordos comerciais em vigência, atingindo apenas 16 países, e a maior parte deles é por conta do Mercosul (Mercado Comum do Sul), que engloba, além do Brasil, a Argentina, Uruguai, Paraguai (desde 1991) e Venezuela (desde 2012) – a Bolívia deve ser incorporada ainda em 2015. O Mercosul prevê a livre circulação de bens e serviços entre os países membros, estabelece uma Tarifa Externa Comum (TEC), adota
uma política comercial comum e harmoniza as legislações nas áreas pertinentes ao comércio internacional. A Tarifa Externa Comum (TEC) na comercialização para uva, é de 10%, semelhante a de outras, e aplicada a todos os países, exceto se houver algum acordo vigente. Dentre os dois países de comparação deste estudo, o Brasil tem acordo apenas com o Chile – ACE (Acordo de Complementação Econômica) 35, entre Mercosul e Chile, o que reduz as tarifas de importação entre esses países (MDIC, 2015).
Já o Chile tem 22 acordos vigentes com 60 países, e a maioria deles de livre comércio (16), inclusive com os Estados Unidos, Japão e China, com os quais o Brasil não tem nenhum tipo de acordo vigente até 2015. O Chile tem, ainda, Acordo Comercial com a União Europeia, o que já garante relações com 28 países (Aduana, 2015).
A Itália, por sua vez, se beneficia do fato de ser um membro da União Europeia (UE), o que facilita e garante livre comércio com os outros 27 países membros. Além destes, a Itália tem acordos com mais 50 países por conta da UE, sendo 32 acordos comerciais vigentes deste bloco econômico. A UE ainda tem vários acordos em pauta para firmar e se consolidar, inclusive com o Brasil (European Comission, 2015).
Em relação às tarifas de comercialização entre esses três países, o Chile e a Itália tem relação mais facilitada – tarifa preferencial de 0% entre os dois países (Tabela 15). Já o Brasil, tem baixa competitividade na comercialização com esses países – enquanto a uva chilena entra no Brasil com tarifa de 0%, a fruta brasileira entra no Chile com tarifa de 5,28%; e a uva brasileira chega à Itália e União Europeia pagando 11,5% de tarifa enquanto a uva italiana chega ao Brasil com 10% de tarifa de importação (ASOEX, 2015; MDIC, 2015; European Comission, 2015).
Tabela 15: Acordos Comerciais de Brasil, Chile e Itália e tarifas para a comercialização de uva de mesa entre esses países
Brasil Chile Itália
Número de Acordos Comerciais vigentes 19 22 32 Número de países atingidos com os Acordos 16 60 77 Tarifa para exportação de uva ao Brasil - 0% 10% Tarifa para exportação de uva ao Chile 5,28% - 0% Tarifa para exportação de uva à UE 11,50% 0% 0%
Fonte: Elaborado pela autora a partir de MDIC; Aduana; ASOEX, European Comission, 2015
Assim, no quesito das barreiras tarifárias, o Brasil sai perdendo em termos de competitividade internacional frente a Chile e Itália. Dentre esses dois países, o Chile tem
melhores tarifas para comercializar com o Brasil, porém, a Itália tem mais acordos comerciais vigentes, o que garante melhor competitividade.
Em relação às barreiras não tarifárias, as mais importantes são as normas fitossanitárias entre Brasil, Chile e Itália para a comercialização da uva de mesa. De acordo com o Ministério da Agricultura, o Brasil pode importar uva de mesa in natura do Chile e da Itália, e mudas e estacas para propagação vegetativa (material genético) apenas da Itália, desde que sigam alguns pré-requisitos em termos de sanidade das frutas e materiais.
Os requisitos do Ministério da Agricultura para a fruta chilena entrar no Brasil são: inspeção fitossanitária no ponto de ingresso (na fronteira ou porto); Certificado Fitossanitário ou Certificado Fitossanitário de Reexportação correspondente, que garanta que a uva foi tratada com fumigação para o controle do ácaro Brevipalpus chilensis; e, a uva não deve apresentar risco quarentenário em relação ao mesmo ácaro. Para a entrada de uva in natura italiana e de muda e estaca para material genético, é necessária apenas a inspeção fitossanitária no ponto de ingresso (porto), acompanhada Certificado Fitossanitário ou Certificado Fitossanitário de Reexportação correspondente (MAPA, 2015). Ou seja, a entrada de fruta italiana é mais facilitada frente à chilena em termos de requisitos fitossanitários.
No caso do Chile, existem Convênios Fitossanitários para a comercialização de frutas, realizados pelo esforço conjunto do Serviço Agrícola e Pecuário (SAG) do governo chileno e associações do setor, mas que são financiados, sobretudo, pela Associação dos Exportadores de Frutas do Chile (Asoex), entidade que promove a fruta chilena no exterior. Esses convênios estão assinados junto aos Estados Unidos, México, Japão, Coreia do Sul, China, Taiwan e Canadá, para que seja facilitada a entrada de uva de mesa chilena nesses países, permitindo acesso imediato. Para que isso ocorra, autoridades fitossanitárias internacionais inspecionam os pomares do Chile (ASOEX, 2015). Não existem acordos fitossanitários do Chile com Brasil e Itália. Além disso, na busca por requisitos de importação de uva de mesa fresca no SAG do Chile, foi encontrado apenas para a Índia e para os Estados Unidos. Isso significa que somente esses dois países tem autorização para enviar o produto. Caso algum outro país esteja interessado em enviar uva de mesa fresca para o Chile, deve solicitar ao SAG através de um formulário.
Para a Itália e União Europeia como um todo, existem algumas medidas sanitárias e fitossanitárias que são impostas aos países que possuem acordos com a UE. No sistema da Comissão Europeia, foi verificado que o Chile necessita de certificados para exportar uva de mesa para a Itália. São eles: controle de resíduos e contaminantes químicos na uva fresca; Certificado Fitossanitário ou Certificado Fitossanitário de Reexportação correspondente;
Registro e aviso prévio das importações; programa de rastreabilidade e rotulagem adequada. No mesmo sistema da Comissão Europeia não foram encontrados dados e medidas para o Brasil, provavelmente pela falta de Acordos Comerciais entre Brasil e União Europeia.
Assim, de um modo geral, no que diz respeito ao Ambiente Institucional, o Brasil ainda é pouco competitivo, sobretudo frente ao Chile, que detém uma entidade (associação) que promove fortemente as frutas desse país no exterior.
4.2.2. Avaliação da produção e comercialização internacional de uva do Brasil,