IV. EV YAŞAMI: MEKÂN VE KÜLTÜR
IV.1. Mekânsal Yaşam: Nesne ve Pratikler Bağlamında Geleneksel
IV.1.7. Kokunun Teni: Ocaklar ve Isınma Araçları
A tomada de decisões é reputada como uma tarefa da Administração por excelência, onde os administradores gastam grande parte de seu tempo. É o momento na organização onde são definidas as direções estratégicas, os planos de ação e o modelo de controle para avaliar os resultados obtidos (CLEGG, KORNBERGER; PITSIS, 2011). Na realidade, tudo o que se passa em uma organização envolve uma decisão e essa tomada de decisão organizacional “é o processo de responder a um problema buscando e escolhendo uma solução ou curso de ação que irá criar mais valor para os stakeholders organizados” (JONES, 2010, p. 276).
A tomada de decisões traz consequências internas e externas para as organizações, levando ao direcionamento do que será realizado e trazendo repercussões no futuro da organização, bem como na vida das pessoas que lá trabalham, sendo vital a todos os atores organizacionais. Essa tomada de decisões envolve tanto os aspectos funcionais da organização como o conflito entre os grupos, onde há a disputa pelo poder (MILLER; HICKSON; WILSON, 2004). Vidal (2011) destaca que as informações de qualidade são de fundamental importância para a tomada de decisões dentro das organizações, visto que a gestão pública necessita de tais informações para otimizar seus serviços.
O processo de tomada de decisão normalmente é relatado de forma racional e logica, seguindo o passo a passo das decisões que são tomadas na cúpula da administração da organização. Clegg; kornberger e Pitsis (2011) definem como primeiro passo desse procedimento a definição do problema; como segundo a coleta de informações para uma resolução do problema; o terceiro desenvolve várias soluções que são possíveis de executar; em quarto toma a melhor decisão; em quinto implementa a solução encontrada de cima para baixo, avaliando constantemente tal decisão para a melhoria dos produtos ou serviços ofertados pela organização.
Simon apud Miller; Hickson e Wilson (2004) foi um dos primeiros autores que criticou o conceito de racionalidade limitada utilizado dentro das organizações, onde
a tomada de decisões são fundamentadas em modelos de escolha racional, aceitando uma racionalidade limitada, onde a tomada de decisões são razoáveis, visto que as fraquezas humanas, as demandas internas e externas limitam a racionalidade.
Alison apud Nogueira; Tobelem e Gerry (2012) definem que a tomada de decisão requer conhecimento, segurança e coerência, pois decidir a respeito dos recursos materiais, financeiros ou humanos de uma instituição é vital para seu sucesso ou fracasso, sendo fundamental a atualização dos profissionais que atuam na esfera administrativa pública ou privada, para que estejam mais capacitados no momento da tomada de uma decisão em uma organização.
Jones (2010) elenca dois tipos de decisão que favorecem para as melhores escolhas que são: a tomada de decisão programada e a não programada. A tomada de decisão programada envolve os procedimentos mais eficazes e que são rotineiros dentro de uma organização. Já os que envolvem as decisões não programadas são aqueles onde as soluções aparecem a partir do surgimento dos problemas.
Aparentemente a tomada de decisão é uma escolha racional que segue os tramites definido pela organização, sendo uma atividade altamente racional e lógica. Ocorre que essa situação toda articulada e engendrada só acontece nos manuais introdutórios de Administração ou Economia, na prática a realidade é outra. Segundo Simon apud Clegg; kornberger e Pitsis (2011) a situação é complexa, visto que as questões que se apresentam são ambíguas, as informações incompletas e os critérios de escolha poucos claros, concluindo que a maioria das decisões não são as ideais e sim as que são tomadas em cima do que já existe e que é relevante, sempre no meio da incerteza, ficando claro que uma coisa é tomar uma decisão em uma organização e outra completamente diferente é verificar a sua bem sucedida implementação e suas consequências.
Para cada decisão apresentam-se diversos problemas, cada um mais complexo que o outro e determinando os mais variados modos de decisão e adequadas a cada problema. Uns problemas serão de simples resolução e outros necessitaram de uma decisão mais complexa, que serão determinadas de acordo com a natureza da questão a ser decidida.
Nogueira; Tobelem e Gerry (2012) elecam alguns fatores que contribuem para a racionalidade limitada da tomada de decisões, que são: a dificuldade de se
obter uma informação completa sobre todas as alternativas e resultados da decisão; da dificuldade de análise do custo e benefício de todas as alternativas possíveis; a questão da ordem de preferência e de utilidade da decisão diante das alternativas possíveis; as questões organizacionais internas e o ambiente que se encontra envolvido. As dificuldades estão presentes na tomada das decisões dos gestores, e esses que devem sempre se manter informados dentro da organização, buscando ainda a eficiência e transparência de seus atos.
O formato de uma organização vai depender das decisões tomadas, podendo se reorganizar ou se diversificar para melhor adequar-se ao ambiente ou campo em que se encontram, frisando que as estruturas organizacionais afetam o fluxo de informações e as relações de poder internas, pois elas encontram-se em movimento e moldam a comunicação (HALL, 2009).
Outro fator importante dentro do processo de tomada de decisões é a distinção entre o gestor privado e o gestor público, que dentro de uma organização pública altamente burocratizada, tem que identificar os problemas e necessidades, estudando, buscando informações para a implementação das decisões que serão tomadas.
Destacamos ainda que as organizações são complexas e variam sob os mais diversos aspectos, principalmente em relação ao grau de autonomia e poder que as pessoas, setores ou departamentos gozam na tomada de decisões, sendo o poder fundamental para a tomada de decisões. Hall (2009) expõe que essa tomada de decisões pode ser objetiva, onde se lida com os problemas do momento e política, onde se lida com os arranjos de poder que estão presentes nas organizações.
A maioria das decisões tomadas flui do topo das organizações, onde reside o poder e ocorre a coalizão entre os indivíduos e grupos. Tais decisões normalmente não coincidem com os interesses dos grupos que não estão no poder, pois esses grupos subordinados só participarão, se os dirigentes organizacionais por alguma razão julgarem necessária sua participação, mas via de regra, os grupos dominantes que possuem poder econômico é que manipulam as informações e influenciam as decisões em seu favor (HALL, 2009).
No dizer de Bourdieu (2010) tal situação decorre em razão do poder simbólico presente dentro da organização, pois esse poder é exercido com a cumplicidade daqueles que lhes estão sujeitos, não sendo reconhecido com
arbitrário pelo grupo, que considera tais decisões dentro de uma única visão, até mesmo porque o grupo dominante assenta seu poder no capital econômico e impõe a sua dominação através da produção simbólica. Já os grupos dominados, que não estão no poder, desconhecem tal violência garantida através das relações de força que são transformadas em poder simbólico.
Hardy e Clegg (2001) demonstram que o poder pode ser considerado como que inserido na hierarquia, pois deriva do design formal da organização, bem como sob o enfoque do poder exercido fora das estruturas hierárquicas formais. As produções simbólicas são instrumentos de dominação da classe dominante, que diferem das demais e em decorrência dessa dominação desmobilizam as classes dominadas, para legitimar a ordem estabelecida através da distinção (hierarquia), bem como para a legitimação dessa distinção no campo (BOURDIEU, 2010).
O campo é um espaço socialmente estruturado onde cada agente luta com meios diferenciados, conforme sua posição, para manter sua posição na estrutura desse campo e onde se relacionam a estrutura objetiva do campo social e a estrutura incorporada do sujeito, denominada por Bourdieu (2010) de habitus. Nesse campo estão inseridas as organizações, onde são tomadas as decisões e realizadas as comunicações, conforme gráfico abaixo transcrito:
Gráfico 9 – Campo e Relações de Poder nas Organizações
Fonte: Cappelle; Melo; Brito (2005, p. 366).
Já Sfez (1984) desenvolveu a teoria crítica da multirracionalidade linear tradicional onde considera a tomada de decisões um processo institucional que se fundamenta na liberdade do sujeito, criticando o ponto de vista tradicional que entende as decisões como um ato livre de qualquer outro ato que a envolve, tentando estabelecer o nexo entre os sintomas e fatores sociais.
O referido autor compreende o processo de decisão a partir de três elementos, que são: a crítica às metodologias modernas; a multirracionalidade e o entendimento e a vontade dentro de um contexto de liberdade. O primeiro elemento critica as metodologias modernas em razão de não considerarem o poder criador do homem, a homogeneidade da condição sistêmica, também considerada nos subsistemas, bem como a capacidade dos sistemas de trocarem informações entre si e com o entorno. O segundo elemento considera a decisão como um processo complexo de interações entre diferentes subsistemas onde aparece a multirracionalidade, que determina as decisões que são fundamentadas em valores e fins sociais, adquirindo uma dimensão social. Já o terceiro elemento diz respeito
ao entendimento e a vontade dentro de um contexto de liberdade para a tomada de decisões, onde os que decidem são os protagonistas e aos que recebem as decisões ou governados que não questionam tal decisão (VIDAL, 2012).
Destacamos que a tomada de decisões nas organizações ocorre no formato de um sistema que possui entradas e saídas, e que mantém contato e recebe influências do entorno, bem como das relações de poder que são traçadas no campo. Consequentemente, as organizações e as estruturas organizacionais são sistemas de processamento de informações para que a comunicação siga sua trajetória, visto que o poder e a tomada de decisões se fundamentam no processo de comunicação, que é de natureza relacional e envolve em uma ocasião determinada, um emissor e um receptor (HALL, 2009), conforme a demonstração da rede de comunicação dentro de uma organização abaixo demonstrada:
Gráfico 10 – Redes de Comunicação em uma Organização
Fonte: Blikstein (2004, p. 127). Adaptado pela autora (2013).
As organizações enquanto um sistema aberto deve manter contato com seu público alvo, criando canais de comunicação com a sociedade para que conheçam as políticas por ela implementadas, além de garantir a comunicação dentro de sua estrutura organizacional, para que implemente um modelo de gestão compatível com seus objetivos institucionais, não devendo perder de vista a importância da veracidade das informações prestadas e a sua busca pela melhoria social.
Smith apud Putnam; Phillips e Chapman (2004) apresentam três formas de se ver a relação entre a organização e a comunicação, que são: a contenção, a produção e a equivalência. A relação de contenção localiza a comunicação dentro de uma estrutura organizacional; a relação de produção verifica de que modo às
organizações produzem a comunicação ou ambas se reproduzem reciprocamente; já a relação de equivalência entende a comunicação e a organização como uma só entidade, que se expressam de modos diferentes.
Pode-se considerar como um dos objetivos da comunicação organizacional o ato de servir ao interesse público, sendo definida como “um conjunto complexo de atividades, ações, estratégias, produtos e processos desenvolvidos para reforçar ideias e a imagem organizacional junto aos seus públicos de interesse ou, até mesmo, junto à opinião pública” (VIEIRA, 2004, p. 37).
O Projeto Redescobrindo o Assistido no Pará (VIDAl, 2012) definiu a comunicação organizacional como um dos mecanismos de interação entre o meio externo e interno de uma organização, da relação com o meio institucional, bem como nos processos de informação e comunicação entre seus membros. Colocando como seu maior desafio para que atinja a eficácia organizacional, a realização da comunicação interna em toda a estrutura, fazendo-a fluir de modo eficiente entre as pessoas que fazem parte da organização, necessitando para tal, do incentivo da relação entre os servidores e colaboradores, evitando desse modo, as possíveis falhas e ruídos na comunicação.
A pesquisa identificou de que modo às decisões e as comunicações são realizadas dentro de uma organização que possui sua estrutura organizacional distribuída em todo o Estado do Pará, onde as decisões necessitam ser comunicadas entre as diversas unidades localizadas na capital e no interior. Tais decisões envolvem tanto o poder explicito pela hierarquia determinada pelo poder, como também pelo poder simbólico presente no campo jurídico, sendo determinante a utilização de um modelo de gestão eficiente para o efetivo sucesso da politica pública desenvolvida pela Defensoria Pública, e o consequente cumprimento de sua missão institucional.