• Sonuç bulunamadı

IV. EV YAŞAMI: MEKÂN VE KÜLTÜR

IV.1. Mekânsal Yaşam: Nesne ve Pratikler Bağlamında Geleneksel

IV.1.9. Doğayla Sözleşme: Avlu ve Bahçeler

Para iniciar um debate sobre modelo de gestão pública é necessário que se faça um pequeno introito a respeito das mudanças na figura do Estado, do conceito de políticas públicas e de administração pública, visto que o mundo encontra-se em

constantes mudanças e conforme Klikberg (2001) os avanços científicos tecnológicos das últimas décadas foram excepcionais, tudo está mais rápido e este clima frenético se incorpora em todas as áreas da vida humana e dentro do Estado e das organizações não seria diferente, até mesmo porque o Estado não foi contra o movimento da globalização, que modificou as relações nacionais e internacionais, comprometendo a soberania do Estado nação, fazendo do mundo uma aldeia global onde a comunicação é instantânea.

Na década de 80 surgiram novos paradigmas como o neoliberalismo, o consenso de Washington e a globalização que passou a ser determinada pela onda de liberalização do comércio, dos investimentos internacionais, de desregulamentação das atividades econômicas e de privatização de empresas públicas, que abriram caminho para a participação do setor privado em áreas tradicionalmente reservada ao governo, atingindo os países desenvolvidos e os em desenvolvimento, gerando uma nova agenda política internacional, um novo ambiente político, uma nova ordem de integração dos mercados, impulsionando capitais e informações (HIRST E THOMPSON, 1998; GONÇALVES, 2003; CASTELLS, 2001; GOMEZ, 2001).

A operação e a estratégia das empresas transnacionais ultrapassam as fronteiras dos Estados nacionais e sua razão é a busca de mercados atraentes e de melhores condições de investimento, independentemente do local onde se encontrem tais condições. O fluxo de capitais é contínuo e não respeita as fronteiras nacionais e os Estados não tem como fixar limites. As comunicações estão acima das possibilidades de gestão local (FORJAZ, 2000).

Todo esse novo movimento da globalização formou blocos geográficos, acarretou o aumento da pobreza e desigualdade regional que ficaram mais evidentes, trazendo maior desigualdade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, levando o mundo a ser dominado pelo capital internacional e ao fim do Estado nação, que segundo Bauman (1998) teve sua base material destruída, sua soberania e independência anuladas, sua classe política apagada, mantendo apenas seu poder de repressão local, ficando relegado a função de um mero serviço de segurança para as transnacionais e mega empresas internacionais.

Neste contexto o Estado tem cada vez mais menos condições de enfrentar esses problemas que vão se agravando e diante da redução de seu poder, há necessidade de uma redefinição de sua capacidade e funções, até mesmo porque

ainda não surgiu nenhuma instituição que desempenhe o papel regulador que os Estados exercem, sendo necessário conforme Klikberg (2001) a ação de um ator que é a política pública e que apesar dos severos cortes e desvalorização das últimas décadas em diversos países em desenvolvimento criou um vazio da ação pública, no momento em que ela é mais demandada em razão da pobreza e da vulnerabilidade da população, devendo ser revalorizada em decorrência dos problemas sociais.

Santos (2010) define políticas públicas como medidas que determinam a orientação política do Estado e regulam as atividades governamentais voltadas para o interesse público, refletindo a ação do Estado perante a sociedade e por envolverem recursos públicos devem ser avaliadas quanto à adequação às necessidades sociais, bem como em relação à eficiência dos recursos utilizados, da eficácia no cumprimento das metas estipuladas e na efetividade das ações empreendidas. Oportuno citar o conceito de Matias-Pereira a respeito de políticas públicas que são:

Todas as ações de governo, divididas em atividades diretas de produção de serviços pelo próprio Estado e em atividades de regulação de outros agentes econômicos. Elas se concretizam por meio da ação efetiva de sujeitos sociais e de atividades institucionais que as realizam por meio da ação efetiva de sujeitos sociais e de atividades institucionais que as realizam em cada contexto e condicionam seus resultados (MATIAS- PEREIRA, 2012, p. 204).

As políticas públicas também podem ser definidas através da teoria sistêmica como as “respostas de um sistema político às forças que o afetam a partir do meio ambiente” (EASTON apud DYE, 2010, p. 124). Tais forças são consideradas as entradas e o meio ambiente é o que encontra-se fora do sistema político. O sistema político visa buscar valores para a sociedade e as saídas constituem as políticas públicas, que são produtos do sistema político, conforme gráfico abaixo representado:

Gráfico 11 – Modelo Sistêmico de Políticas Públicas

Fonte: Dye (2010, p. 125).

A concepção sistêmica de política pública funciona no sentido de transformar as demandas em decisões oficiais, com o apoio da sociedade em geral, realizados através dos acordos promovidos pelo sistema político e que tragam modificações no meio ambiente e nas demandas, podendo ainda influenciar no sistema político (DYE, 2010).

Por tais razões as políticas públicas são de vital importância, visto que representam o conjunto de ação que manifestam o modo de intervenção do Estado em relação a uma determinada questão, causando repercussão na vida da sociedade, sendo fundamental a verificação das fases que compreende o processo de configuração de uma política pública. Vidal (2009) conceitua política pública como um instrumento essencial de ação que possibilita a solução de problemas públicos e que devem ser definidas a partir da interação dos diversos atores sociais. O processo de configuração de uma política pública compreende: a identificação do problema, aonde vai se verificar quais as demandas e interesses estão em jogo; a tomada de decisão, onde será decidida qual será o plano utilizado, que objetivos e opções serão apresentadas; a implementação, que é o período de gerenciamento da execução da política e a avaliação, onde será verificado se os objetivos foram cumpridos e que consequências provocaram (HEIDEMANN, 2010).

Obviamente para chegarmos ao processo de configuração de uma política pública, essa tem que fazer parte de uma agenda pública que engloba toda a

sociedade e é mais abstrata, geral, e chegar a entrar na agenda de governo, onde são definidos os problemas específicos. De conformidade com CEPAL (2012) a agenda de governo é compreendida como o conjunto de problemas, demandas, assuntos, questões que os governantes selecionam, ordenando como objeto de suas ações, mas propriamente como o objeto sobre o qual tenham decidido atuar. São requisitos de uma questão para ingressar na agenda de governo: se o objeto é tomado para discussão de âmbito público; se boa parte da população considera importante determinada ação e que tal ação seja de competência de uma entidade pública.

Outro ponto importante a ser discutido quando se fala em políticas públicas é definir o seu tipo de implementação, que podem ser: Regulatórias que são orientadas para alcançar a realização de condutas desejadas; Distributivas que são destinadas a prestar, ofertar bens e serviços aos cidadãos; Redistributivas que visam recolher de alguns para distribuir a outros, em razão de sua condição de vulnerabilidade e as Constituintes que são políticas que modificam, transformam a organização do Estado (VIDAL, 2009). Vale ressaltar que qualquer política pode ser enquadrada em mais de um enfoque politológico como no caso da Defensoria Pública que trata da oferta de uma Política Pública Distributiva e Constituinte.

Essas mudanças ocasionadas pela globalização na figura do Estado e nas políticas públicas não poderiam deixar de influenciar a Administração Pública que apesar desse contexto deve manter um bom desempenho e eficiência gerencial, refletidos em melhores serviços ofertados para o cidadão. Para tal é necessário que haja interação entre o modelo e o processo de gestão com o sistema de comunicação e de planejamento da organização.

Bergue (2011) salienta a diferença entre administração pública e organização pública, considerando que a primeira administra a coisa pública e é voltada para o interesse público. Já a organização pública é representada pelo sistema de gestão, com os seus objetivos, modelos de organização de pessoas, processos, sendo carregada pela administração pública. Nesta esteira não podemos deixar de mencionar o importante papel da governança no sistema público e nas políticas públicas:

Governança se refere a arranjos institucionais que permitem dotar as instituições estatais de mecanismos que garantam a inclusão de dimensões sociais e políticas, a definição e caracterização dos agentes e atores,

aceitos (não a mera convergência de interesses que possam ser consensuados) para a participação não só na formulação, mas que indiquem os mecanismos institucionais e modus do processo de implementação de políticas estatais e demais condições necessárias para a otimização dos resultados pretendidos com as políticas estatais levando em conta os princípios consagrados e publicamente conhecidos, dentre os quais a accountability (NASCIMENTO, 2007, p. 6).

Na governança a participação dos atores e agentes é fundamental para a formulação, implementação, bem como das demais circunstâncias que garantem o resultado das políticas estatais, considerando principalmente a accountability, que potencializa a participação da sociedade no controle e na prestação de contas dos serviços públicos e das políticas públicas ofertadas pela administração pública. Tenório e Saraiva (2006) deduzem de forma clara o significado de administração pública que tem como finalidade gerenciar os negócios do Estado, atendendo a sociedade, sem qualquer tipo de discriminação, devendo a gestão pública estar direcionada para o público e não para o privado, com vistas ao benefício de toda a comunidade, entendimento compartilhado por Braga:

A finalidade primeira da Administração Pública deve ser prestar com qualidade, eficiência e democracia, os serviços e atender às demandas que lhe são legalmente requeridas pela sociedade, em benefício da cidadania e da dignidade da pessoa humana. Adotar procedimentos para atingir estes objetivos é dever primordial dos administradores públicos (BRAGA, 2002, p. 18).

Já Di Pietro (2012) considera a administração pública no sentido subjetivo e objetivo. No sentido subjetivo designa os entes que exercem a atividade administrativa, como as pessoas jurídicas, órgãos e agentes públicos e no sentido objetivo designa a atividade administrativa exercida pelos referidos entes.

Para tecer comentários a respeito da administração pública brasileira não podemos deixar de mencionar os princípios que a fundamentam, que são: o princípio da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência, todos elencados no art. 37 da Constituição Federal de 1988. Tais princípios devem ser obedecidos pela administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios para garantir que transparência, participação e êxito na prestação dos serviços públicos, bem como para atender os interesses da coletividade.

O princípio da legalidade implica que na administração pública só se pode fazer o que está permitido em lei, sob pena de nulidade e responsabilização de seu

autor. O da impessoalidade é tomado em dois sentidos, o primeiro é que a finalidade pública que tem que prevalecer em cima do interesse privado e no segundo sentido diz respeito aos atos administrativos que são imputados ao órgão e não ao servidor que o pratica. O da moralidade se trata da moral institucional, contida e de consonância com a lei, dos princípios morais. O da publicidade determina a divulgação de todos os atos praticados pela administração pública e o da eficiência que possui dois aspectos, pois pode ser considerado em relação à forma de atuação do agente público, que deve ter o melhor desempenho de suas atribuições para obter os melhores resultados, como também em relação ao modo de organizar, estruturar e disciplinar a administração pública para que alcance bons resultados na prestação do serviço público (DI PIETRO, 2012; SANTOS, 2010a; 2010b).

O princípio da eficiência é considerado um dos mais importantes na área da administração pública, visto que o seu alcance leva a adoção de práticas de gestão mais modernas, que atendam o interesse público, levando ao bom uso do dinheiro público, alcance dos objetivos e resultados almejados, com qualidade e foco nos interesses do cidadão (CARNEIRO, 2010). Tal princípio é de fundamental importância para a pesquisa que tem como variável independente o modelo de gestão da Defensoria Pública do Pará que deve ser eficiente para garantir a proteção integral de crianças e adolescentes.

Convém evidenciar que a eficiência e a qualidade de atendimento para a garantia de proteção integral de crianças e adolescentes realizada nos núcleos de atendimento especializado da criança e do adolescente de Belém, Ananindeua e Abaetetuba foi analisada através dos dados obtidos na pesquisa Redescobrindo o Assistido e Redescobrindo o Assistido no Pará, visto que para se alcançar o principal objetivo da administração pública que é o bem estar do cidadão, é necessária uma gestão eficiente, um agente público agindo no interesse público e que o gestor da coisa pública aplique a Lei em todas as situações (SANTOS, 2010b).

Dentro desse novo formato de capitalismo globalizado que vivemos verificamos que houve mudança no papel do Estado, que trazem problemas tanto quanto o Estado é grande ou mínimo, quando ocorrem as privatizações das empresas públicas, bem como em relação às prestações do Estado que não acontecem na quantidade e qualidade necessária para atender a carência da maioria da população brasileira (TENÓRIO; SARAIVA 2006).

Não sabemos como será o formato do Estado no futuro, sendo importante rediscutir o seu modelo, bem como o seu modelo de gestão, englobando discussões sobre as agendas públicas, as agendas de governo, as políticas públicas a serem implementadas e de conformidade com Klikberg (2001) articulado com a sociedade civil em todas as suas expressões, buscando encontrar soluções viáveis aos problemas apresentados, exercendo o controle do Estado e do capital.