5. ALAŞIM ELEMENTLERİ
5.6. Kobalt
A história evidencia a fixação do homem em todas as localidades do globo em função
das melhores disponibilidades das fontes de energia (luz solar, água, alimento, ar) necessárias à sua sobrevivência.
A comprovação de tal fato pode ser exemplificada através das primeiras civilizações, que surgiram em sua maioria às margens de grandes rios, na Mesopotâmia (entre os rios Tigre e Eufrates), no atual Egito (às margens do rio Nilo), na atual India (às margens do rio Ganghi e Indo), e na atual China (às margens do rio Amarelo e Azul).
A água tem sido o primeiro fator na fixação do homem e formação de novas comunidades, assumindo importância fundamental na existência destas próximas às suas fontes (JORDÃO, PESSOA, 2005).
A necessidade do homem de obter as fontes de energia para sua subsistência gera consequentemente resíduos refugados pelo organismo e pela própria comunidade, na forma de esgoto e lixo.
Segundo Jordão, Pessoa (2005) convencionou-se chamar a ação da matéria rejeitada sobre as fontes de energia, de poluição do meio ambiente. Poluição, definida pela Lei 6.938, de 31/08/81, é a:
Degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente:
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;
c) afetem desfavoravelmente a biota;
d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;
e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos (Lei 6.938, 1991).
As comunidades, à medida que foram se desenvolvendo, passaram a criar mecanismos de defesa através do controle da poluição, pois seu agravamento além de ser economicamente inviável, tornaria as fontes de energia impuras para consumo.
Os mecanismos de defesa criados pelas comunidades compreendem em sistemas de controle de poluição, limpeza urbana, abastecimento de água e coleta e tratamento de esgotos. Segundo a Organização Mundial de Saúde, "Saneamento é o controle de todos os fatores do meio físico do homem que exercem ou podem exercer efeito contrário sobre seu
bem-estar físico, social ou mental" e que, assim sendo, saúde e saneamento se relacionam diretamente.
Segundo MARA (1980), as excretas humanas estão intimamente relacionadas com infecções, verificando a importância da coleta e do destino final adequado dos esgotos. Entre as doenças fortemente dependentes de sistemas de coletas de esgotos temos: Ascaridíase, teníase, esquistossomose, filariose de Bancroft, entre muitas outras.
Segundo estimativas exibidas no Atlas do Saneamento (2011), embora o percentual de coleta de esgotos no Brasil seja da ordem de 55%, apenas 29% dos esgotos gerados são tratados, o que representa um número baixíssimo, sabendo que o lançamento de esgotos não tratados corresponde a uma das principais formas de poluição dos corpos d'água.
Figura 8: Proporção de municípios sem saneamento básico, por tipo de serviço (%) – 2008. Fonte: IBGE (2011).
A criação dos mecanismos de defesa, a fim de se tornarem efetivos, começam a ser controlados e orientados pelos governos através de legislações ambientais, que direcionam às fontes poluidoras os requisitos de qualidade desejados.
Os requisitos de qualidade desejados para a água constituem em limites pré- estabelecidos dos parâmetros de monitoramento. Os padrões de lançamento e qualidade do corpo receptor possuem suporte legal, cujas diretrizes e recomendações variam de acordo com a região do país. Em um país, os padrões regionais podem ser iguais ou mais restritivos do que os correspondentes padrões nacionais (VON SPERLING, 2005).
O controle da qualidade das águas no Brasil avança consubstancialmente com a criação da Lei n° 9.433, de 08/01/1997, a qual institui a Politica Nacional de Recursos Hídricos e cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, cujos fundamentos são voltados para o bem comum da água, predizendo ser um recurso natural limitado e dotado de valor econômico, assegurando à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos.
Ainda, no âmbito federal, temos a resolução CONAMA 357/05, que “dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências”.
Após os múltiplos usos, a água sofre alterações que tendem a introduzir substâncias que irão causar a má qualidade e torná-la inapta para o consumo. Após o uso doméstico, a água segue para o sistema de esgotamento sanitário do município para que possa ser tratada e devolvida à natureza em condições apropriadas, livre de patógenos, de sólidos grosseiros e matéria orgânica.
A resolução CONAMA 357/05 impõe os parâmetros necessários a serem analisados e, como diz o Art. 7º: “Os padrões de qualidade das águas determinados nesta resolução estabelecem limites individuais para cada substância em cada classe”. A classe define os usos do corpo hídrico e a qualidade. As águas doces são divididas, segundo a resolução, nas classes: Especial, 1, 2, 3 e 4, sendo a ordem de maior para a de menor qualidade.
Em relação à classificação das águas, e de acordo com sua definição, os corpos hídricos receptores dos efluentes das lagoas de tratamento dos 3 (três) municípios abordados nesta pesquisa, são classificados como Classe 2.
a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional; b) à proteção das comunidades aquáticas;
c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho, conforme Resolução CONAMA no 274, de 2000;
d) à irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e lazer, com os quais o público possa vir a ter contato direto e;
e) à aquicultura e à atividade de pesca (CONAMA 357, 2005).
A 357/05 foi complementada em 2011 pela resolução n° 430 e acrescenta:
Art. 3° Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados diretamente nos corpos receptores após o devido tratamento e desde que obedeçam àscondições, padrões e exigências dispostos nesta Resolução e em outras normas aplicáveis (CONAMA 430, 2011).
Relativo às disposições gerais das condições e padrões de lançamento de efluentes atesta:
Art. 5° Os efluentes não poderão conferir ao corpo receptor características de qualidade em desacordo com as metas obrigatórias progressivas, intermediárias e finais, do seu enquadramento (CONAMA 430, 2011).
No âmbito estadual compete à Companhia Estadual de Tecnologia de Saneamento Básico e Defesa do Meio Ambiente – CETESB, a aplicação da Lei n° 997, de 31/05/1976 através do decreto n° 8.468, de 08/09/1976.
O sistema de prevenção e controle da poluição do Meio Ambiente do Estado de São Paulo passa a ser regido na forma prevista neste regulamento e condiciona:
Art. 2º - Fica proibido o lançamento ou a liberação de poluentes nas águas, no ar e no solo.
Art. 3º - Considera-se poluente toda e qualquer forma de matéria ou energia lançada ou liberada nas águas, no ar ou no solo:
I - com intensidade, em quantidade e de concentração, em desacordo, com os padrões de emissão estabelecidos neste regulamento e normas dele decorrentes (Decreto n° 8.468, 1976).
Em relação à classificação do corpo hídrico Classe 2, o decreto estadual e a resolução CONAMA 357/05 apresentam os mesmos padrões de qualidade dos parâmetros abaixo listados, sendo que o decreto estadual sanciona:
Art. 11 - Nas águas de Classe 2 não poderão ser lançados efluentes, mesmos tratados, que prejudiquem sua qualidade pela alteração dos seguintes parâmetros ou valores:
I - virtualmente ausentes:
a) Materiais flutuantes, inclusive espumas não naturais;
III - Número Mais Provável (NMP) e coliformes até 1.000 (mil) o limite para os de origem fecal;
IV - Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) em 5 (cinco) dias, a 20ºC (vinte graus Celsius) em qualquer amostra, até 5 mg/L (cinco miligramas por litro);
V - Oxigênio Dissolvido (OD), em qualquer amostra, não inferior a 5 mg/L (cinco miligramas por litro). (Decreto n° 8.468, 1976).
Na seção II do decreto estadual, apresentam-se os padrões de emissão, ou seja, os limites designados ao efluente tratado:
Art. 18 - Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados, direta ou indiretamente, nas coleções de água, desde que obedeçam às seguintes condições:
{...}
V - DBO 5 dias, 20ºC no máximo de 60 mg/l (sessenta miligramas por litro). Este limite somente poderá ser ultrapassado no caso de efluente de sistema de tratamento de águas residuárias que reduza a carga poluidora em termos de DBO 5 dias, 20ºC do despejo em no mínimo 80% (oitenta por cento). (Decreto n° 8.468, 1976).
Segundo Von Sperling (2005), para avaliação ao longo do tempo do impacto do lançamento dos esgotos e do atendimento à legislação, devem ser efetuadas, no mínimo, as amostragens listadas na figura 9 e tabela 4.
Figura 9: Pontos de amostragem da qualidade das águas e dos esgotos.
Fonte: Von Sperling (2005)
A figura 9 indica os seguintes pontos como fundamentais para o monitoramento: Afluente, Efluente, Montante e Jusante. A tabela 4 descreve sua importância:
Tabela 4: Amostragem para verificação do impacto do lançamento de esgotos e do atendimento à legislação.
O entendimento dos efeitos da qualidade das águas influenciada por sistemas de tratamento de esgotos deve ser de fácil acesso à população, visto que o uso da água é de interesse comum e/ou coletivo. Para que isto ocorra, os resultados de monitoramento devem ser claros e objetivos:
Para o público em geral, a informação dos valores de concentrações dos poluentes nos corpos d’água tem pouco significado, devido às tecnicalidades envolvidas na interpretação dos resultados. Por este motivo, podem-se adotar, na divulgação para o público, Índices de Qualidade das Águas (IQA), que retratam, através de um índice único global, a qualidade das águas em um determinado ponto de monitoramento. Os índices podem ser entendidos como "notas", que retratam condições variando de "muito ruim" a "excelente". Há vários índices em utilização, sendo a maioria deles baseada no IQA desenvolvido pela National
Sanitation Foundation, dos Estados Unidos, que definiu um conjunto de nove
parâmetros considerados mais representativos para a caracterização da qualidade das águas: Oxigênio dissolvido, coliformes fecais, pH, DBO, nitrogênio total, fosfato total, T(°C), turbidez e sólidos totais. (VON SPERLING, 2005).
A tabela 5 correlaciona os parâmetros de qualidade da água determinados pelo IQA e os limites impostos pelo CONAMA 357/05 e pelo Decreto Estadual n° 8.468/76 de acordo com a Classe 2. A extrapolação destes limites indica que o corpo hídrico está recebendo lançamento irregular de fonte poluidora ou se encontra degradado por alguma condição externa.
Tabela 5: Parâmetros e condições para os corpos d`água.
Parâmetros IQA Padrão para corpos d`água
Coliformes Fecais Não deverá ser excedido um limite de
1.000 coliformes termotolerantes
pH 6,0 a 9,0
DBO a 20°C até 5 mg/L O2
Nitrogênio Total 3,7mg/L N, para pH 7,5
2,0 mg/L N, para 7,5 < pH 8,0 1,0 mg/L N, para 8,0 < pH 8,5 0,5 mg/L N, para pH > 8,5
Fósforo Total a) até 0,030 mg/L, em ambientes
b) até 0,050 mg/L, em ambientes intermediários, com tempo de residência entre 2 e 40 dias, e tributários diretos de ambiente lêntico
Temperatura Inferior a 40ºC, sendo que a variação de
temperatura do corpo receptor não deverá exceder a 3ºC na zona de mistura
Turbidez Até 100 NTU
Sólidos Totais Até 500 mg/L
Oxigênio Dissolvido Não inferior a 5 mg/L O2
Fonte: CONAMA 357 (2005), Decreto Estadual n° 8.468 (1976). Adaptado por SANTI (2014).
Para que todo o esgoto doméstico gerado pelo município seja tratado e para salvaguardar os corpos hídricos minimizando toda e qualquer forma de poluição, o decreto n° 8.468/76 ainda orienta que:
Art. 19 – Onde houver sistema público de esgotos, em condições de atendimento, os efluentes de qualquer fonte poluidora deverão ser nele lançados.
§ 4° - A partir do momento em que o local onde estiver situada a fonte de poluição for provido de sistema público de coleta de esgotos, e houver possibilidade técnica de ligação a ele, o responsável pela fonte deverá providenciar o encaminhamento dos despejos líquidos a rede coletora.
Segundo os professores Jordão & Pessoa (2005), existe hoje uma grande preocupação em relação ao grau de tratamento e ao destino final dos esgotos, suas consequências sobre o meio ambiente, qualidade das águas, e aos seus usos benéficos.
Tendo em vista este aspecto, os estudos, critérios, projetos, relativos ao tratamento e a disposição final dos esgotos, deverão ser precedidos de cuidados especiais que garantam o afastamento adequado dos esgotos, e igualmente a manutenção e melhoria dos usos e da qualidade dos corpos receptores (JORDÃO, 2005).