İKİNCİ BÖLÜM – MEVLEVÎLİKTE ÇİLE İÇİNDE YER ALAN UYGULAMALARIN FİZYOLOJİK VE PSİKOLOJİK BOYUTLAR
1. Klasik Psikoloji ve Sufi Psikolojisi Arasındaki İlişk
O ciclo político de Kahn e Wiener tem como estágio seguinte a oligarquia e sua contraparte no das crenças é deísmo, empirismo e ciência. No que concerne a Aristóteles, os autores mantêm o ciclo “original”, pois, após o estabelecimento da aristocracia, alguns dos aristocratas se corrompem e começam a enriquecer a partir do bem público, formando, com isso, as oligarquias268. A oligarquia é, então, um dos governos viciados, no caso, a aristocracia corrompida, que eleva ao poder os possuidores de fortuna, que normalmente são minoria269, os quais governam apenas para atender seus interesses270.
Seguindo na direção do Ideational para o Sensate, passando pelo Idealistic, o próximo passo no sistema de crenças é uma acentuação da questão dos sentidos. A cultura Sensate baseia-se na verdade dos sentidos (e nos instrumentos que os potencializa271), sendo a realidade sensória a única realidade. Assim, uma teoria só é válida se corroborada pelos sentidos272. Nesta cultura, desenvolve-se, então, a ciência como centro. Quando o fenômeno estudado não possui uma forma somente sensória (como culturas, ou psicologia), a ciência volta-se aos seus aspectos materiais, os quais determinam os aspectos não materiais. Frente a isso, ou não existe uma realidade sobre-sensória ou ela não é passível de conhecimento. A verdade é exposta, neste caso, experimentalmente e indutivamente, sendo complementada, ainda, pela lógica matemática. Porém, as teorias só saem da categoria de hipótese uma vez confirmadas pelos sentidos e seus instrumentos273.
O principal elemento e indicador da verdade dos sentidos é o empirismo. Conforme Sorokin, dentro do empirismo, a única fonte de conhecimento e verdade é a percepção 267 SOROKIN, P.A., 1970, p. 697-698. 268 ARISTÓTELES, s/d., p. 141. 269 Ibid., p. 233. 270 Ibid., p. 117. 271 SOROKIN, P.A., 1937, p. 7. 272
SOROKIN, P.A., 1937, p. 5; SOROKIN, P.A., 1970, p. 227. 273 SOROKIN, P.A., 1937, p. 8-9; SOROKIN, P.A., 1970, p. 228-229.
sensória dos objetos e dos eventos, sendo isso que fornece às pessoas a experiência interior e exterior. Qualquer princípio lógico ou a priori seria mera associação dessas experiências274. Com o auge do empirismo, que indica a predominância da verdade Sensate, declina o racionalismo. No caso do exemplo grego, no século III a.C., a cultura Sensate alcançara seu zênite275.
Na questão política, Sorokin argumenta que, desde o século VI a.C., essa característica Sensate já se destacava, em detrimento das características Ideational. Este processo durou até o século II a.C., acompanhado pela queda da aristocracia, do prestígio e da liderança, características da base religiosa-teocrática, e pela ascensão da riqueza, do poder militar, da força física e da habilidade política. Os regimes que surgiram neste processo foram as tiranias, as oligarquias, as democracias e as monarquias, possuindo características mais utilitárias e hedonistas276. Serão essas características, para Sorokin, que prevalecerão até a retomada de um governo novamente centrado na figura de um rei sagrado. Assim, ele não realiza maiores distinções políticas nesta etapa Sensate.
O que permanece solta é a idéia de deísmo associada a tudo isso. Kahn e Wiener não explicam e nenhuma das referências se aprofunda no termo. Dessa forma, devemos entendê-la apenas como uma parte da concepção Sensate que acredita que, por mais que exista outra realidade além da sensória, ela não é alcançável. Tal idéia corresponde ao que Sorokin entende como criticismo ou agnosticismo, apresentado como a teoria que defende apenas o mundo fenomênico ou empírico como conhecível. Em contrapartida, a realidade transcendental (quer exista, ou não) é inacessível e não precisa ser conhecida. Para Sorokin, essa teoria estaria entre o empirismo, o racionalismo e o ceticismo, mas mais próximo do primeiro277, sendo, portanto, uma idéia de um período de transição das culturas.
O próximo giro nos conduz, na política, à democracia, e, nas crenças, ao relativismo e ao ceticismo. Aqui, Kahn e Wiener fogem um pouco da seqüência proposta por Aristóteles, já que para este, após o abuso de poder da oligarquia, poderiam ocorrer revoluções que conduziriam à tirania, que, por sua vez, culminariam na democracia278. Inicialmente chamada por Aristóteles de demagogia279, a democracia é o governo viciado que contrasta com a
274
SOROKIN, P.A., 1937, p. 24; SOROKIN, P.A., 1970, p. 236-237. 275 SOROKIN, P.A., 1937, p. 65-66; SOROKIN, P.A., 1970, p. 259-260. 276 SOROKIN, P.A., 1970, p. 478.
277
SOROKIN, P.A., 1937, p. 27; SOROKIN, P.A., 1970, p. 238. 278
ARISTÓTELES, s/d., p. 141.
república280, uma vez que só visa o interesse dos pobres, que são a maioria, elevando ao poder, então, esses homens livres281. Para Aristóteles, não existiria demagogia se a soberana fosse a lei, porém, quando esta soberania fosse transferida para o povo, surgiriam os demagogos, pois o povo, em tal estágio, é como um monarca que quer se livrar da obediência à lei e tornar-se déspota. Tal democracia equivaleria à tirania e o demagogo seria a pessoa que adularia a vontade do povo, adquirindo, assim, influência282. Esse encadeamento que dá início às etapas seguintes do ciclo político283.
Relativismo e ceticismo são termos emprestados de Sorokin. O autor russo-americano entende ceticismo como “uma dúvida sistemática e metódica sobre a possibilidade de conhecimento válido”284. Para Sorokin, o ceticismo apareceria no declínio da cultura Sensate e do empirismo. Retomando o exemplo grego, após o século IV a.C., não havia mais segurança e paz, pois partidos tomavam o poder e matavam os opositores, tiranos apareciam, aventureiros estrangeiros buscavam poder e prazer, mercenários agiam sem ligação e respeito pelas leis, nações, moralidade ou religião, e exilados, que reuniam ódio há anos, chegavam ao limite285. A velha certeza dos sentidos, que trabalhava com a alteração do mundo exterior, já não fazia mais sentido para os gregos. Além disso, ela solapara as outras formas de verdade e, então, a moral e a religião antigas estavam enfraquecidas, assim como as certezas racionais. Nesse contexto geral, no qual nem mais o empirismo era garantia, o ceticismo ganhou espaço. Ele foi um indicativo da falta de esperança e funcionou como uma ideologia para o carpe
diem sensual e niilista. Defendia, por fim, a realização da felicidade e da paz mental não pela
modificação do ambiente externo, mas pela modificação do próprio homem e de sua mente286. O termo relativismo aparece com ênfase em Sorokin na análise dos ciclos dos sistemas de crença após o século XIV d.C. e também está ligado à queda da verdade empírica da Sensate, acompanhando o ceticismo e outras formas de pensamento que questionam a certeza e a concretude do conhecimento Sensate287. A questão é mais bem esclarecida quando
280 Na tradução aqui usada de Aristóteles, traduziu-se como “república”. Todavia, Bobbio chama essa forma de governo boa – em contraste com a democracia – de politia. Cf. BOBBIO, Norberto. A teoria das formas de
governo na história do pensamento político. Brasília: UNB, 1980, p. 47-54.
281 ARISTÓTELES, s/d., p. 115-116, 231-233; BOBBIO, N., 1980, p. 52-53 282
ARISTÓTELES, s/d., p. 238.
283 Aqui, Kahn e Wiener claramente recorrem a uma idéia de democracia que não coaduna com o conceito contemporâneo da mesma, o qual se fortaleceu no século XIX, como Celso Lafer comenta ao tratar dos trabalhos de Bobbio. LAFER, C. Prefácio In: BOBBIO, N., 1980, p. 17-18. Alteração semelhante ocorreu com a idéia de aristocracia, como Bobbio apenas indica. BOBBIO, N., 1980, p. 48.
284 SOROKIN, P.A., 1937, p. 26; SOROKIN, P.A., 1970, p. 238 (tradução nossa). 285
SOROKIN, P.A., 1970, p. 260. 286
SOROKIN, P.A., 1937, p. 67-69; SOROKIN, P.A., 1970, p. 260-261. 287 SOROKIN, P.A., 1937, p. 108; SOROKIN, P.A., 1970, p. 272.
Sorokin trata da oposição entre o eterno e o temporário. Esse par antagônico reflete outro: o do ser e o do tornar-se. O primeiro, associado à Ideational, entende que a realidade é o imutável e o eterno, logo, o que está além do temporário. Sendo assim, qualquer mudança é secundária ou de pouca importância. Já, o outro, está ligado à mentalidade do temporário e, assim, à Sensate. Acredita que a mudança é constante e essa é a realidade288. O relativismo seria, então, uma forma mais pura dessa mentalidade do temporário, na qual as coisas mudam constantemente, impossibilitando as certezas, as quais passam a existir apenas dentro de critérios relativos289.
A democracia, espaço do relativismo e do ceticismo conduziria, então, na questão política, ao estágio de Anarquia, Igualitarismo ou Impasse, enquanto nas crenças, ao cinismo, alienação, anarquia ou niilismo.
Aristóteles, ao analisar o fim da democracia, assim como das outras formas de governo, não tem uma visão de anarquia, pois alguma outra forma de governo se estabeleceria. Porém, Aristóteles nos fornece algumas pistas importantes para entender esta etapa do ciclo. Ao discutir sobre as causas das revoluções nos Estados, o filósofo antigo aponta que a revolta ou pode ocorrer por uma aspiração à igualdade de privilégios, quando há igualdade de direitos, ou pelos privilegiados acreditarem não possuir igualdade de poder. Na seqüência dessa explicação, já encontramos o próximo estágio do ciclo, ou seja, a questão das facções oportunistas, pois há, nesse processo, a vontade de manutenção dos privilégios e, então, de querer a superioridade. Dessa forma surgem as discórdias290. Com base nessa argumentação aristotélica, é possível entender a idéia de Anarquia, pois, em um Estado no qual não há uma forma de distinção de méritos ou de direitos de governo, há uma igualdade imposta. Tal igualdade geraria alguma espécie de anarquia, pois não há quem mande e nem quem obedeça, ou queira obedecer, mas, talvez, só quem queira mandar291, gerando, com isso, um impasse.
Na questão das crenças, é importante ressaltar que Kahn e Wiener imprimem uma continuidade às filosofias e às formas de ver o mundo que não está presente em Sorokin. Pelo contrário, em Sorokin o cinismo, o ceticismo, o relativismo e outros são manifestações diferentes de um mesmo processo: o esgotamento das certezas científicas. O niilismo e o cinismo também não fogem desse contexto, nem daquele do relativismo. O niilismo
288 SOROKIN, P.A., 1937, p. 211-217; SOROKIN, P.A., 1970, p. 303-306. 289 SOROKIN, P.A., 1937, p. 229-239; SOROKIN, P.A., 1970, p. 315-322. 290
ARISTÓTELES, s/d., p. 306-307. 291
Diferindo daquela idealização aristotélica de poder pela lei e não pelos homens, a não ser que haja um homem de tremenda virtude, ARISTÓTELES, s/d., p. 143-147.
representa a ausência de qualquer baliza absoluta para a moral, que culminaria em uma anarquia de valores, ou seja, em uma falta de direção moral mais geral292. O cinismo, por sua vez, é apresentado como uma negação filosófica de qualquer existência pós-morte e uma valorização da morte como o descanso eterno e um fim das preocupações e tristezas293. De forma genérica, há uma alienação de valores e de autoridade, que permite, então, rumar para o próximo estágio.