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Klasik Liberalizmin Yetersiz Kalışı ve Sosyal Devlet Anlayışına Doğru

B. Klasik Liberalizmin Dönüşüm Süreci ve Sosyal Devlet Anlayışının Ortaya

2. Klasik Liberalizmin Yetersiz Kalışı ve Sosyal Devlet Anlayışına Doğru

Lucas relata a trajetória de Paulo em cerca de dois terços de Atos dos Apóstolos e o descreve como Apóstolo (cf At 14,4.14). O próprio Paulo em suas cartas oferece esta designação (cf. Rm 1,1.5.13; 1Cor 1,1; 2 Cor 1,1; Gl 1,1.15; Ef 1,1; Cl 1,1).

Paulo tem total consciência da autoridade de seu Apostolado e às vezes precisa reivindicar esta sua posição em face de opositores que visam desacreditá-lo.

Kim146 aponta a carta de 2Coríntios como um exemplo de defesa147 do

Apostolado de Paulo e sugere os seguintes tratamentos em determinados trechos da carta:

2Cor 2,14-7,16 Apostolado.

2Cor 3,7-18 Comparação entre o ministério de Moisés e de Paulo. 2Cor 10,1-13,10 A defesa da autoridade apostólica de Paulo.

Hughes148 ratifica esta abordagem e defende que o propósito principal da

segunda carta aos coríntios é confirmar a genuinidade do apostolado de Paulo.

145 SABUGAL, S. La Conversioni Di S. Paolo. Esegesi, Storia, Teologia. Città del Vaticano: Libreria

Editrice Vaticana, 2009, p. 25-27. Tradução minha.

146 KIM, T. H. The Origin of Paul’s Concern for the Gentiles and Paul’s Gentile Mission. South

Africa: Tese de doutorado apresentada à University of the Free State, 2007, p.203.

147 THRALL, M. E. 2 Corinthians 8-13. In EMERTON, J. A.; CRANFIELD, C. E. B.; STANTON, G.

N. Gen Eds. ICC. London: T & T Clark, 2004, p.708-738; 946-965. Esta autora apresenta um excelente estudo sobre a apresentação das credenciais apostólicas de Paulo; Bem como um interessante ensaio: “Paulo, o Apóstolo”.

Falsos apóstolos haviam se infiltrado na igreja coríntia e começaram a desacreditar a autoridade de Paulo, sendo assim necessária a sua defesa. Schnelle149 se alinha com estes autores e diz que certos textos surgem nas

cartas de Paulo devido a contestação de seu apostolado. Assim em termos textual-pragmáticos devem ser lidos como apologias do Apostolado Paulino (cf. 1Cor 9,1ss; 15,1ss, Gl 1,12-16).

Barnett150 de acordo com esta mesma perspectiva comenta que em

determinado ponto de seu ministério se vê à vontade para se referir a Silvano e Timóteo como apóstolos de Cristo (cf. 1Ts 1,1; 2,6). Mas com as contestações e críticas ao seu Apostolado (cf. 1Cor 9,2; Gl 1,1), passa a fazer uma distinção entre ele e seus cooperadores (Rm 1,1; 1Cor 1,1; 2Cor 1,1; Gl 1,1; Cl 1,1; Fp 1,1).

Além disso, faz questão de registrar as marcas do verdadeiro Apostolado na construção de sua argumentação contra os “eminentes apóstolos” (tw/n u`pe.r li,an avposto,lwn cf. 2Cor 11,5; 12,11) e “falsos apóstolos” (yeudapo,stoloi cf. 2Cor 11,13-15). Assim as marcas do verdadeiro Apostolado seriam, entre outras:

1. É Apostolo pela vontade de Deus (cf. 2Cor 1,1).

2. Usa sua autoridade para a edificação da Igreja (cf. 2Cor 10,8; 13,10). 3. Não falsifica a palavra de Deus (cf. 2Cor 4,2).

4. Prega a justiça divina que vem de Cristo (cf. 2Cor 3,9; 5,19-21).

5. Seu trabalho e frutos ratificam sua autenticidade (cf. 2Cor 3,2-3; 5,11-13; 10,4-7).

6. Cristo fala por seu intermédio (cf. 2Cor 13,4).

7. Os sofrimentos de Cristo são reproduzidos no apóstolo fiel (cf. 2Cor 1,5). Paulo emprega o termo “enviado”, (avpo,stoloj)151, para especificar sua

autoridade para o exercício da função. Ele é um mensageiro e representante autorizado do Senhor crucificado e ressuscitado a fim de anunciar o Evangelho (cf. Rm 1,1; Gl 1,15; 2,8; 2Cor 5,19; 1Ts 2,4-9). Paulo enfatiza que ele é “chamado”, (klhto,j), de fato “separado” (avfwrisme,noj) para o serviço de seu

148 HUGHES, P. E. The Second Epistle to the Corinthians. NICNT. Grand Rapids, Michigan:

Eerdmans, 1982, p. 26-29.

149 SCHNELLE, U. Paulo: Vida e pensamento. p. 100-101.

150 BARNETT, P. W. . Verbete Apóstolo em HAWTHORNE, G. F.; MARTIN, R. P.; REID. D. G.. Dicionário de Paulo e suas cartas. p. 121-128.

151 BÜHNER, J. A. Verbete avpo,stoloj in BALZ, H.; SCHNEIDER, G. Eds EDNT vol 1. . Grand

apostolado. O chamado ocorreu em uma Cristofania (cf. 1Cor 9,1; 15,9; Gl 1,12.16) durante a qual, simultaneamente, o conteúdo do Evangelho foi estabelecido (cf. Gl 1,12). Paulo aponta para a comunicação da vontade divina (qe,lhma), que estabelece seu curso independente da vontade humana (cf. 2Cor 3,5; Gl 1,1). Assim lhe é imposto o dever de pregar (euvaggeli,zw, cf. 1Cor 9,16). Quem lhe envia é seu Senhor, sendo que o Apóstolo é seu “servo, escravo” (dou/loj, cf. Rm 1,1; 2Cor 4,5; Gl 1,10; Fp 1,1; 1Ts 2,4.6).

O significado de Apóstolo (avpo,stoloj), está ligado ao caráter peculiar que o termo tem obtido em razão de seu uso popular e judicial em seu equivalente no hebraico “enviado”, (

x;Wlv'

, cf. verbo “enviar”,

xl;v'

)152. De acordo com as fontes

rabínicas o “enviado” (

x;Wlv'

)153 é o representante direto daquele que o envia e

pode agir legalmente e com sua autoridade. Ele possui uma obediência estrita, e sempre age segundo os melhores interesses de que lhe enviou.

Na LXX154, o verbo “enviar” (avposte,llw) é usado mais de 709 vezes, quase

sempre traduzindo o equivalente do verbo hebraico “enviar” (

xl;v'

); O verbo hebraico transmite de modo geral, a ideia de ser enviado com uma missão, seja por Deus ou por outro agente humano. Interessante155 notar que no

chamado do profeta Isaías, quando Deus questiona “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” E obtém a resposta do profeta “Eis-me aqui, envia-me a mim”; O verbo para “envio” na LXX é avposte,llw e no hebraico xl;v'.

Segundo Barnett156, Paulo usa o termo apóstolo (avpo,stoloj), ao menos de duas

formas diferentes:

1. Apóstolo no sentido “não técnico” (cf. 2Cor 8,23; Fp 2,25). Alguém enviado com uma tarefa mais comum do que religiosa. Neste sentido estes apóstolos se identificam com o “enviado” (

x;Wlv'

) dos escritos

152 ROMEROWSKI, S. Apôtre à Théologie Du Nouveau Testament. Vol. 3, n.1,2004. Vaux-Sur-Seine:

Faculté Libre de Théologie Évangélique, p. 3-22. Verbo utilizado no Antigo Testamento para indicar a origem da missão divina dos profetas (cf. Ex 3,12 ; 2Cr 24,19 ; Jr 7,25 ; 25,4 ;26,5 ; 29,19 ; 35,15 ; 44,4 ; cf. Mt 23,37).

153 O próprio Moisés é “enviado” (verbo xl;v') por Deus com uma missão (cf. Ex 3,1-15).

154 BARNETT, P. W. ; KRUSE, C. G. Verbete Apóstolo em REID, D. G. Ed Dicionário Teológico do Novo Testamento. São Paulo: Edições Vida Nova; Edições Loyola, 2013, p. 122-139.

155 COLLINS, J. C. Verbete (xl;v') em VANGEMEREN, W.A. Ed, NDITEAT,vol 4. São Paulo: Editora

Cultura Cristã, 2011, p.114-124.

156 BARNETT, P. W. . Verbete Apóstolo em HAWTHORNE, G. F.; MARTIN, R. P.; REID. D. G.. Eds Dicionário de Paulo e suas cartas. p. 121-128.

rabínicos. Geralmente o termo é traduzido neste sentido como “embaixadores, cooperadores ou delegados”.

2. Apóstolo com o sentido “técnico e solene”. Apóstolos não enviados por pessoas para tarefas seculares. Antes, é Cristo que os envia diretamente (cf. 1Cor 9,6; 15,5-9; Gl 1,17-19; 2,7-9; 1Pd 1,1).

Estes são considerados por Paulo com proeminência (cf. 1Cor 12,28) pois possuíam um ministério profético e revelador do Evangelho através do Espírito (cf. 1Cor 2,6-16; Ef. 3,1-9); Este ministério era através da palavra ou da escrita (cf. Rm 16,25-26; 1Cor 2,13; Ef 3.3-4).

Neste sentido Paulo teria sido o “último dos Apóstolos”, porque exatamente as aparições de Cristo ressuscitado cessam após ter aparecer para Paulo “em último (e;scatoj) lugar” (cf. 1Cor 15,5-11).

A conversão de Paulo e seu consequente Apostolado mudam todo o sentido de sua existência, Sabugal157 pontua que Deus faz com que o Apóstolo conheça

por revelação, o mistério de seu plano de redenção realizado em Cristo (cf. Ef 3,3-4); Faz-lhe ministro do Evangelho (cf. Ef 3,6-7), da Nova Aliança (cf. 2Cor 3,6); Investe-o deste ministério por misericórdia (cf. 2Cor 4,1); Confia-lhe o ministério da reconciliação (cf. 2Cor 5,18) e o poder de edificar e não destruir (cf. 2Cor 13,10). Comunica-lhe a graça de anunciar aos gentios as insondáveis riquezas de Cristo (cf. Ef 3,8; Cl 1,25), confere-lhe a palavra da reconciliação (cf. 2Cor 5,19). Paulo é um colaborador de Deus (1Cor 3,9; 2Cor 6,1), ministro de Deus (cf. 2Cor 6,4), ministro de Cristo (cf. 2Cor 11,23), ministro da Igreja (cf. Cl 1,24-25). Tem a tarefa premente de anunciar o Evangelho (cf. 1Cor 9,6.23). Hvalvik158 discorre sobre a prática apostólica de Paulo e afirma que Lucas

registra que o Apóstolo, quando em um mesmo lugar sempre visita uma Sinagoga primeiro (cf At 13,14; 14,1; 17,1-2.10.17; 18,4-6.19; 19,8-9). Afirma- se que este era seu costume (kata. de. to. eivwqo.j, cf. At 17,1-2). Lucas parece seguir, embora com variações um modelo padronizado: Entrada na cidade, pregação na sinagoga, resposta inicial positiva, oposição dos “judeus” e uma partida “aos gentios”. A história nem sempre é a mesma. Em Chipre (cf At

157 SABUGAL, S. La Conversioni Di S. Paolo. Esegesi, Storia, Teologia. p. 64.

158 HVALVIK, R. Paul as a Jewish Believer- According to the Book of Acts in Jewish Believers in Jesus: The Early Centuries. SKARSAUNE, O; HVALVIK, R. Eds. Massachusetts: Hendrickson Publishers, 2007, p. 121-127.

13,5), em Beréia (cf. At 17,10-12) em Atenas (cf. At 17,17) e em Éfeso (cf. At 18,19) Lucas registra que Paulo prega na sinagoga sem oposição dos judeus. De fato, a oposição às vezes também vem dos gentios (cf. At 16,19-24; 19,23- 40). O padrão não é simplesmente “judeus primeiro” e então gentios. Quando Paulo prega nas sinagogas, é regularmente mencionado que sua audiência consiste tanto de judeus quanto gentios (cf. At 13,16.26; 17,17; 18,4; 20,21), ou se isto não é explicitamente estabelecido pode-se inferir do contexto. Quando Lucas relata a resposta à pregação missionária, ele sempre se refere tanto aos judeus quanto aos gentios (cf. At 13,43; 14,1; 17,4.12; 19,10.17). Isto significa que o interesse de Lucas nas visitas de Paulo às sinagogas não é limitado à evangelização dos judeus, mas também dos gentios.

Este mesmo autor159 salienta que Lucas apresenta Paulo, como um Apóstolo

dos gentios e um mestre de Israel; Isto está em conformidade com a comissão160 de Paulo mostrada em Atos dos Apóstolos. Em todas as três

versões do evento de Damasco há um elemento de comissão. A comissão é apresentada nas palavras do Senhor a Ananias que destaca a tarefa de Paulo em levar seu nome diante dos gentios, reis e os filhos de Israel (cf. At 9,15). As palavras para Ananias mostram que a comissão de Paulo era universal também no segundo relato (cf. At 22,15), Paulo haveria de pregar o Cristo para “todo mundo” ou mais especificamente “para todos os homens” (pro.j pa,ntaj avnqrw,pouj). Na última versão Paulo também menciona a ordem de Cristo: Eu te livrarei “de seu povo e das nações gentias” (evk tou/ laou/ kai. evk tw/n evqnw/n), “às quais te envio” (eivj ou]j evgw. avposte,llw se, cf. At 26,17-18). Nesta expressão o fraseado é ambíguo. O pronome “quais” (ou]j) pode se referir tanto ao “seu povo” e “as nações gentias”. Em luz do que já foi exposto, parece melhor considerar que tanto judeus quanto gentios estejam incluídos. Isto se alinha com o que Paulo diz depois (cf. At 26,20) e o que já dissera em Mileto (cf. At 20,21). Em seus relatórios às comunidades de Antioquia e Jerusalém, Paulo enfatiza seu ministério entre os gentios (cf At 14,27; 15,3.12; 21,19) mas deve- se lembrar que estes relatos levam a uma preparação para o Concílio de Jerusalém (cf. At 15). Além disso, a comissão apostólica de Paulo está

159 HVALVIK, R. Paul as a Jewish Believer- According to the Book of Acts in Jewish Believers in Jesus: The Early Centuries. p. 126-130.

160 “Comissão” ou “Grande Comissão” é um termo comumente utilizado no Protestantismo bem como no

amparada nas próprias Escrituras de Israel (cf. Is 42,7; At 26,22-23). Quando Paulo recebe a tarefa mais específica de partir para os gentios, ele está como um judeu piedoso orando no Templo (cf. At 22,17-21). Não há dúvida de que Paulo entendia a si mesmo como um Apóstolo aos gentios; Isto é explicitamente estabelecido (cf. Rm 1,5; 11,13; Gl 1,16; Ef 3,8; 1Tm 2,7; 4,17). Isto, contudo não exclui seu ministério de abraçar os judeus (cf. Rm 11,13-14; 1Cor 9,20).