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III. Tezin İçeriği ve İzlenen Yöntem

1.2. ASTRONOMİ ve ASTROLOJİNİN KISA TARİHİ GELİŞİMİ

1.2.1. Klasik Astronomi, Kozmogoni ve Astroloji Öğretileri

Tem-se hoje uma nova dimensão do Direito Civil que não considera mais uma visão liberal nas relações privadas sem intromissão do Estado na busca de preservar o interesse social. Até mesmos os contratos comerciais ou uso da propriedade necessitam de uma justificativa de interesse social e para serem reconhecidos precisam observar as cláusulas gerais.173

171 ECA - Art. 41. A adoção atribui a condição de filho ao adotado, com os mesmos direitos e deveres, inclusive sucessórios, desligando-o de qualquer vínculo com pais e parentes, salvo os impedimentos matrimoniais.

172 Art. 1.696. O direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos, e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximos em grau, uns em falta de outros.

173 JORGE JUNIOR, Alberto Gosson. Cláusulas gerais do novo Código Civil. São Paulo: Editora Saraiva, 2004. p.40, apud Judith Martins-Costa define: “cláusulas gerais constituem o meio legislativo hábil para permitir o ingresso, no ordenamento jurídico, de princípios valorativos, expressos ou ainda inexpressos legislativamente, de standards, máximas de conduta, arquétipos exemplares de comportamento, das normativas constitucionais e de diretivas econômicas, sociais e políticas, viabilizando a sua sistematização no ordenamento positivo.

Com esta orientação também afirma JORGE JUNIOR174 que:

“aliada à sistemática de princípios encartada no Estatuto da Criança e do Adolescente, a norma do art. 1.625 do CC/02 configura-se em autêntica cláusula geral, orientando a interpretação das normas positivas que disciplinam o relacionamento da sociedade com a criança e com o adolescente na delicada seara da filiação, tendo sempre como balizador, o princípio “do melhor interesse da criança” – the best interest of the child. Seu propósito será o de efetuar as necessárias “correções de rumo”, quando por ausência de lei ou por interpretações demasiado literais, surgir conflito com o princípio salientado.”

Pelo visto, há “cláusulas gerais” também na questão das relações familiares que são a base da sociedade e o interesse sócio-individual das nossas crianças e adolescentes reconhecidas constitucionalmente nos arts. 226 e 227 da Carta Magna. Impossível então querer num país com tanta desigualdade social exigir exclusivamente que os pais com exercício do poder familiar garantam todos os direitos fundamentais previstos no ordenamento. É sim responsabilidade de todos, família, sociedade e Estado promoverem os direitos fundamentais de crianças e adolescentes.

Neste raciocínio é que os operadores do Sistema de Garantias dos Direitos da Criança e do Adolescente precisam trabalhar e tratar os menos favorecidos com muito cuidado, sensibilidade e delicadeza, entrando no mundo deles, diferente de classe média ou alta, para que não se continue tirando crianças e adolescentes da liberdade de convivência familiar e comunitária pelo simples fato das mazelas sociais desfocadas nos ombros dos pais.

Aliás, essa é a determinação do Estatuto, na promoção de Defesa dos Direitos Fundamentais da Criança e do Adolescente, principalmente na questão da criação dos filhos quando, reconhecendo a realidade social, veda expressamente a perda do poder familiar pela falta ou carência de recursos materiais no seu art.23 e 129, Parágrafo único.175

174 Ibidem. p.97.

175 Art. 23. A falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou a suspensão do pátrio poder.

Esta foi a grande mudança ocorrida com a revogação do Código de Menores, que apesar de sua analise sistemática do art.45, I, c/c art. 2º, I, a e b, da Lei nº 6.697/79176, caso a situação irregular não tivesse sido obra dos genitores, a perda do poder familiar era incabível.

Mas contra legis, tinha-se o absurdo de punir os pais e principalmente os filhos de terem o seu direito de liberdade de convivência familiar e comunitária alijado pelo fato da “falha na Criação”, de não conseguir por motivos alheios à vontade dos pais a subsistência adequada. Esclarecedoras as informações verberadas por KÁTIA MACIEL, quando comenta o extinto modelo do Código de Menores:177

“Todavia, a miséria ou a pobreza dos genitores era real motivo para qualificar o filho como “criança e situação irregular”. Desta maneira, se este estivesse privado de condições essenciais à sua subsistência, saúde e instrução obrigatória, ainda que eventualmente, em razão de falta, ação ou omissão dos pais ou responsável, era recomendável que ensejasse o afastamento do antigo pátrio poder. Contudo, na alínea b do art. 2º, I, do Código de Menores, a causa da privação estaria relacionada à manifesta impossibilidade dos pais ou responsável para provê-las. Assim, o “menor” estaria abandonado materialmente pelos pais, pelo simples fato de a família ser carente financeiramente. Desta forma, puniam- se os pais e o filho com a medida drástica ou, ainda, em razão da pobreza, a família biológica era obrigada a entregar o filho ao lar substituto.”

Considerando a convivência familiar um direito fundamental da criança e do adolescente tributado aos pais, sociedade e Estado, contemplado pelo Estatuto da Criança e Adolescente (art. 22) que, em busca deste direito, ...

IX - destituição da tutela;

X - suspensão ou destituição do pátrio poder.

Parágrafo único. Na aplicação das medidas previstas nos incisos IX e X deste artigo, observar-se-á o disposto nos arts. 23 e 24.

176 Art. 2º Para os efeitos deste Código, considera-se em situação irregular o menor:

I - privado de condições essenciais à sua subsistência, saúde e instrução obrigatória, ainda que eventualmente, em razão de:

a) falta, ação ou omissão dos pais ou responsável;

b) manifesta impossibilidade dos pais ou responsável para provê-las;

Art. 45. A autoridade judiciária poderá decretar a perda ou suspensão do pátrio poder e a destituição da tutela dos pais ou tutor que:

I - derem causa a situação irregular do menor;

177 MACIEL, Kátia Regina Ferreira Lobo Andrade (Coord). Curso da Criança e do Adolescente – Aspectos Teóricos e Práticos. 2ºed. (Poder Familiar) Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris. 2007. p.111.

proíbe a perda do poder familiar por falta ou carência de recursos materiais, impossível o Estado-Juiz aceite a renúncia do poder familiar de pais com alegação de que não têm recursos financeiros para criar os filhos. Necessário que o Juiz coloque à disposição dos pais a inclusão em programas oficiais para garantir o referido direito fundamental da criança.

Sabe-se que em casos extremos como esses de mães principalmente solteiras ou deixadas pelos companheiros, não basta oferecer o “bolsa família”, terá de ser algo mais concreto do denominado Direito do Mínimo Existencial, como: cestas básicas, leite e verduras mensalmente pelo período de um ano ou mais, casa, creche perto da casa, incluí-la num programa de trabalho e renda, de modo que a mãe possa sentir-se apoiada nesse momento de desespero e ser demovida do ato de entregar o filho em adoção.

Já houve oportunidade, em algumas audiências para renúncia do poder familiar, previsto no art. 166 do Estatuto, de Promotor de Justiça oferecer essas condições e que fizeram, então, mães desistirem de dar os seus filhos. Já outras são irredutíveis em aceitar as condições acima e entregam o filho em adoção caracterizando um abandono formal perante o Juiz.

Evidentemente que para haver essa retração das mães doadoras de seus filhos é preciso existir uma retaguarda dos programas sociais do município preparados para garantir o Direito do Mínimo Existencial que é um direito fundamental meio que desemboca no outro direito fundamental meio também que é a Convivência Familiar e Comunitária que tem o fim de garantir a já falada triologia liberdade-respeito-dignidade que compõem a Doutrina da Proteção Integral das nossas crianças e adolescentes.

Mas o que seria direito mínimo existencial? Para LEIVAS178 a mais completa definição foi formulada por Corina Treisch:

178 PIOVESAN, Flávia & CONTI, Irio Luiz. (Coords.). Direito Humano à Alimentação Adequada. LEIVAS, Paulo Cogo. Direito Fundamental à Alimentação: Da Teoria das Necessidades ao Direito ao Mínimo Existencial.pp.79/92. Apud TREISCH. Corina. Existenzminimum um Einkommensbesteureung. Aachen: Shaker, 1999.p.1.

“O mínimo existencial é a parte do consumo corrente de cada ser humano, seja criança ou adulto, que é necessário para a conservação de uma vida humana digna, o que compreende a necessidade de vida física, como a alimentação, vestuário, moradia, assistência de saúde, etc. Compreende a definição do mínimo existencial tanto a necessidade física como também cultural- espiritual, então se fala de um mínimo existencial cultural.”

O Estado brasileiro reconhece sua desigualdade e tem como um de seus objetivos, expressos no art. 3º, III da Constituição Federal, erradicar a pobreza e marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. Para isso, a Constituição, no artigo 203, determina a garantia de Direitos Fundamentais Sociais, e a Lei Orgânica de Assistência social faz sua regulamentação.179

Não bastasse a legislação interna, tem-se o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, adotado pela Resolução nº 2.200-A, da Assembléia Geral das Nações Unidas, em 16 de dezembro de 1966. Aprovado pelo Decreto-Legislativo nº 226, de 12.12.1991. Assinado pelo Brasil, em 24 de janeiro de 1992. Entrou em vigor, no Brasil, em 24.2.1992. Promulgado pelo Decreto nº 591, de 6.7.1992. Com destaque para este estudo o art. 11 do Pacto que merece ser transcrito:180

“Art. 11 – 1. Os Estados-partes no presente Pacto reconhecem o direito de toda pessoa a um nível de vida adequado para si próprio e para sua família, inclusive a alimentação, vestimenta e moradia adequadas, assim como uma melhoria contínua de suas condições de vida. Os Estados-partes tomarão medidas apropriadas para assegurar a consecução desse direito, reconhecendo, nesse sentido, a importância da cooperação internacional fundada no livre consentimento. 2. Os Estados-partes no presente Pacto, reconhecendo o direito fundamental de toda pessoa de estar protegia da fome, adotarão, individualmente e mediante cooperação internacional, as medidas, inclusive programas concretos, que se façam necessários para: Melhorar os métodos de produção, conservação e distribuição de gêneros alimentícios pela plena utilização dos conhecimentos técnicos e científicos, pela difusão de princípios de educação nutricional e pelo aperfeiçoamento ou

179 C.F. Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos:

Lei nº8.742/93 Art. 1º A assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas. (grifo nosso)

reforma dos regimes agrários, de maneira que se assegurem a exploração e utilização mais eficazes dos recursos naturais. Assegurar uma repartição eqüitativa dos recursos alimentícios mundiais em relação às necessidades, levando-se em conta os problemas tanto dos países importadores quanto dos exportadores de gêneros alimentícios.”

Do exposto, é necessário e dever do Estado dar garantia ao Direito Fundamental ao mínimo existencial por si só, ainda mais quando, pelo desespero da situação, leve uma mãe a abrir mão de seu filho entregando-o em adoção por este motivo e, com isso, a criança e adolescente ficarem privados da liberdade de convivência familiar e comunitária. Não havendo medidas para evitar tais situações ou sendo estas medidas ineficazes no sentido de manter os filhos junto de seus genitores pelo fato da pobreza, surgem direitos subjetivos públicos dessas crianças que poderão ser exigidos por Ação Civil Pública de Proteção de direito sócio-individual181, para garantir o direito Fundamental do Mínimo Existencial, preservando assim o vínculo familiar natural.

4.1.2.2 Dever de educar

Na educação também há uma responsabilidade de todos em relação às crianças e adolescentes, como um direito fundamental especial previsto nos arts. 205, 227 e 229 da Constituição Federal e também inserido no inciso I do art. 1634 do Código Civil, como uma das obrigações do poder familiar. Tem-se que vê-la no seu aspecto informal, que ocorre em casa, desde o nascimento da criança, passando pela influência da convivência comunitária, e no formal, na rede de ensino básica que começa no ensino infantil, de zero aos 5 anos de vida, depois no fundamental, que vai dos 6 aos 14 anos de vida

181 ECA - Art. 201. Compete ao Ministério Público:

V - promover o inquérito civil e a ação civil pública para a proteção dos interesses individuais, difusos ou coletivos relativos à infância e à adolescência, inclusive os definidos no art. 220, § 3º inciso II, da Constituição Federal; (grifo nosso)

e depois dos 15 aos 18 anos, no ensino médio, previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394/96.182

Pela teoria da repetição estudada na área da psicologia, de forma superficial, pode-se afirmar que a pessoa é o produto do seu meio. Um dos significados de educação, extraído do Dicionário Houaiss183 é o seguinte:

“conhecimento e observação dos costumes; civilidade, delicadeza, polidez e cortesia”. Por sua vez no mesmo Dicionário184 tem-se

como um dos significados da palavra ignorância o seguinte: “atitude grosseria, grosseria, incivilidade”.

Destacam-se estas diferenças para mostrar que a formação da cultura da paz, da solidariedade, do amor ao próximo, com respeito às diversidades, não se aprende na escola, mas sim principalmente dentro da família ou, em muitos casos, no arquétipo coletivo da sociedade que é altamente influenciada pela televisão, no modelo de uma sociedade consumista, onde o ter é mais importante do que o ser, caracterizando uma verdadeira violência para as crianças e adolescentes.185

Se fosse possível, dever-se-ia ter uma escola para quem pretende ser pai/mãe, como há auto-escola para se dirigirem veículos automotores. Tamanha a responsabilidade que é formar a cabeça de uma criança na convivência familiar, onde a ela, além de aprender a dar os primeiros passos, também irá receber toda a carga de influências positivas e negativas passada pelos pais. É fato que crianças agressivas ou anti-sociais na escola, na maioria das vezes são agredidas em casa ou presenciam agressões físicas entre os pais.

Essa é inclusive a informação que a psicóloga articulista semanal do jornal Folha de São Paulo, Rosely Sayão186, traz quanto ao estado bruto em

182 Art. 21. A educação escolar compõe-se de: I - educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio;

183 HOAISS, Antônio e VILLAR, Mauro de Salles. Língua Portuguesa – Dicionário. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2001. p.1101

184 Ibidem.p.1568

185 FEDERIGHI, Suzana Maria Pimenta Catta Preta. Publicidade Abusiva – incitação à violência. São Paulo:Editora Juarez de Freitas, 1999. p.88.

186 SAYÃO. Rosely. Como educar meu filho? – princípios e desafios da educação de crianças e adolescentes hoje. São Paulo: Editora Publifolha, 2003. p.14.

que a criança nasce e é dependente dos pais, para ser amoldada nos primeiros anos de vida, que merece ser citada neste trabalho:

“Assim que nasce um filho, os pais costumam ficar totalmente fascinados: deram vida a um ser humano! Mas, na verdade, o bebê não é, ainda, um ser humano. Digamos que ele seja um filhote da raça humana. Essa analogia com os animais é intencional: o bebê está muito mais próximo da natureza do que da cultura, das reações instintivas e reflexas do que da vida em grupo, com suas leis e regras.

Pois é justamente pela relação com os pais, com a família e, principalmente, pela educação que recebe que esse bebê vai se tornar um ser humano. Uma pessoa. É papel dos pais, portanto, ensinar essa criança a se tornar uma pessoa com virtudes – cada família prioriza as suas -, a saber esperar e conviver, a enfrentar as vicissitudes da vida sem sucumbir a elas, a ser corajoso para seguir em frente, a querer aprender, a ser cuidadoso com os que o cercam e a valorizar a vida.

Ensinar tudo isso e, ao mesmo tempo, cuidar, proteger quando necessário, soltar quando preciso, só é possível se os pais assumem seu papel. De adultos responsáveis e comprometidos com sua função. De autoridade na educação dos filhos.

Entretanto, isso não tem sido fácil. Há um bom tempo não sabemos ao certo o que é ser autoridade. Além disso, também ficamos confusos com os limites que separam o que é público do que é privado, entre saber exercer a autoridade e ser autoritário.”

Verifica-se essa preocupação no Plano Nacional de Promoção e Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária187, quando se coloca que programas voltados para o empoderamento da família devem abarcar as seguintes dimensões, entre outras:

fortalecimento de vínculos familiares e de pertencimento social fragilizados;

orientação da família e, especialmente, dos pais, quanto ao adequado exercício das funções parentais, em termos de proteção e cuidados a serem dispensados às crianças e adolescentes em cada etapa do desenvolvimento, mantendo uma abordagem dialógica e reflexiva;

superação de conflitos relacionais e/ou transgeracionais, rompendo o ciclo de violência nas relações intrafamiliares;

187 Plano Nacional de Promoção e Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária. p.39.

integração sócio-comunitária da família, a partir da mobilização das redes sociais e da identificação de bases comunitárias de apoio.

No aspecto da educação formal onde é o caminho natural que inaugura a convivência comunitária da população infanto-juvenil que seja preservado os seus direitos fundamentais de liberdade, respeito e dignidade como mote do Princípio da Proteção Integral o Estatuto mantém esta coerência com o pleno desenvolvimento das crianças e adolescentes com práticas democráticas determinadas no art. 53 assim expresso:

“I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. II – direito de ser respeitado por seus educadores; III – direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores; IV – direito de organização e participação em entidades estudantis. V – acesso a escola pública e gratuita próxima de sua residência”.

Além disso, o Parágrafo único do art. 53 do Estatuto garante o direito dos pais ou responsáveis a ter ciência do processo pedagógico, bem com participar da definição das propostas educacionais, atuando assim os pais no múnus de poder familiar de zelar pelos interesses dos filhos, no aspecto da educação formal.

Verifica-se hoje um grande déficit de oferta de ensino infantil que não é obrigatório, mas um direito optativo dos pais que caso desejem este serviço público, podem exigir que o município forneça. Isso traz um enorme prejuízo para a convivência familiar dessas crianças que ficam sozinhas enquanto as mães vão trabalhar, sendo cuidadas por irmãos maiores ou mesmo trancadas dentro de casa com risco de acidentes domésticos, sem contar os traumas e prejuízos no desenvolvimento da psicomotricidade dessas crianças.

A Escola hoje tem um papel importante não somente no aspecto intelectual, mas também no aspecto nutricional com a merenda escolar, principalmente no ensino infantil que ajuda em muito as famílias carentes evitando que as crianças tenham carência nutricional com graves danos à

vida e à saúde. Esses danos são irreversíveis quando estas carências afetam fetos e crianças em idade de até três anos, como adverte VALENTE188:

“Cada vez existem mais evidências científicas de que carências nutricionais in útero e na infância precoce – até 36 meses de idade – têm implicações sérias para toda a vida deste ser humano. Estas crianças serão estudantes com menor aproveitamento escolar, adultos com menor capacidade intelectual e produtiva e mães que terão problemas no parto e darão a luz a crianças de baixo peso. Mais recentemente, documentou-se a íntima correlação entre desnutrição precoce e uma propensão ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis na idade adulta (obesidade, diabetes, hipertensão, câncer e doenças cardiovasculares)”.

Quanto ao ensino fundamental obrigatório, é dever dos pais ou responsáveis matricular seus filhos e pupilos, como adverte o art. 55 do Estatuto, considerado por COSTA189:

“uma decorrência lógica da missão educadora confiada aos pais, tutores e guardiões, que têm o dever de dirigir o processo educativo dos filhos e de seus pupilos, em conformidade com o poder parental.”

Tal omissão poderá acarretar a suspensão do poder familiar ou até a sua perda, caso persista a resistência de colocar o filho na escola. Além disso, é considerado crime denominado de abandono intelectual, previsto no art.246 do Código Penal. Finalmente multa administrativa prevista no próprio Estatuto, no seu art.249.

Como visto, o dever de educar é de amplo espectro que deve ser oferecido por todos, a começar pela família e o Estado, universalizando o ensino formal, com garantia da liberdade de convivência familiar e comunitária na formação, desde a mais tenra idade da criança até a juventude, com seu ápice na profissionalização, garantindo igualdade de condições na regra