III. Tezin İçeriği ve İzlenen Yöntem
1.3. ASTROLOJİYE KARŞI ALINAN TAVIRLAR
1.3.2. Astrolojiye Karşı Olumsuz Tavır Alanlar
1.3.2.2.3. İbn Haldûn
O acolhimento familiar é forma de guarda peculiar prevista no art.34 do Estatuto227 ocorrendo transitoriamente, até que seu destino seja definido, preferencialmente com o retorno à família natural e, em último caso, com a perda do poder familiar pela adoção e tutela.
Esta guarda é peculiar por estar inserida num programa de proteção incentivado e gerido pelo município, ou através de uma entidade não governamental, que fomenta para ter famílias acolhedoras de crianças e adolescentes em situação risco provisoriamente tendo motivo a sua vulnerabilidade social ou familiar.
Cabe ressaltar que a modalidade de guarda peculiar acolhedora necessita de um mandato formal – uma guarda fixada judicialmente a ser requerida pelo programa de atendimento ao Juízo, em favor de uma família acolhedora, que é diverso do acolhimento informal que é ainda uma prática comum em países subdesenvolvidos, como o caso do Brasil, onde pais entregam filhos para serem criados por terceiros diante da situação econômica da família, situação essa sem controle estatal configurando exploração do trabalho infantil em troca de um prato de comida.
A guarda peculiar na modalidade de acolhimento não é novidade no contexto mundial; iniciou-se nos Estados Unidos (1910), na Inglaterra (1940), em Israel (1950), na Espanha (1970), na Itália (1980) e na década de 90 foi implantada no Mercosul, apesar de algumas iniciativas isoladas terem sido implementadas anteriormente.228
A guarda de acolhimento foi alternativa criada com a finalidade de acabar ou diminuir o tamanho das instituições de acolhimento que têm seqüelas maiores na separação dos filhos dos pais, diante da sua atuação despersonalizada e da quantidade de crianças guardadas em um único local.
227 Art. 34. O poder público estimulará, através de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios, o acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente órfão ou abandonado.
228 CABRAL, Claudia – Org. Acolhimento Familiar – experiências e perspectivas. Rio de Janeiro: Ed. Booklink Publicações. 2004, p.11.
É o exemplo da Suécia que implantou o sistema de guarda de acolhimento e não há mais instituições de acolhimento, sendo os casos de vulnerabilidade de crianças e adolescentes supridas por famílias acolhedoras. Mesma situação no Brasil ocorre no município de Bento do Sul-SC, sem instituições com a implantação da guarda acolhedora.229
Importante verificar que essa modalidade de guarda peculiar ainda incipiente no Brasil não é a solução definitiva da desinstitucionalização de crianças e adolescentes para esta realidade, que também necessita de maiores estudos e qualificação do suporte técnico para escolha dessas famílias bem como definição da forma pela qual deve ocorrer este rito de passagem de entrada e saída da criança com menor tempo e trauma possíveis. Esta nova tecnologia social necessita deste aprimoramento, com sua função bem clara e suas conseqüências, conforme afirma CLAUDIA CABRAL no seu texto – “Perspectivas do Acolhimento Familiar no Brasil”, quando assim coloca:
“O “acolhimento” como programa alternativo à instituição merece mais estudo e aprofundamento teórico-prático. Há pouco conhecimento técnico sobre o tema. Não significa puramente transposição de um modelo de atendimento para outro, com se o Acolhimento Familiar fosse uma “solução” para substituir o estado atual das coisas. Tanto no abrigo quanto dentro de uma família, o critério de acompanhamento técnico, de avaliação do caso, de seu encaminhamento e do suporte às necessidades individuais de cada criança ou adolescente é que dará base para bons resultados. Seria imprudente considerar o Acolhimento Familiar como uma solução rápida sobre o problema da institucionalização sem aprofundar reflexos através de experiências e estudos já realizados sobre o tema. É avançar com propriedade e com qualidade.
Para conferir qualidade aos programas de acolhimento familiar como alternativa à institucionalização, é importante o estudo do conceito da figura principal de apego (Bowlby) e má manutenção do processo de identificação da criança, necessário à sua formação. É fundamental manter o foco na figura principal de referência para a criança. Durante um deslocamento (troca de pessoas de referência) é necessário todo cuidado na seleção da pessoa substituta, mesmo que temporária. Deve-se considerar as variáveis que interferem nas separações. Que se leve em conta a natureza afetiva do apego da criança aos pais biológicos, a idade da criança no momento da separação e o tempo que dure esta separação, ou seja, o
Acolhimento Familiar; a qualidade afetiva da família de acolhimento e o vínculo que ficou estabelecido com esta substituição da figura principal de apego. As circunstâncias em que poderá ocorrer o retorno, ou seja, a separação da criança da família acolhedora. Considerar também a manutenção destes vínculos, se possível, num sentimento, para a criança, de continuidade nas relações que ela veio estabelecendo e que forma importantes e significativas para o seu desenvolvimento.” Grifo nosso.230
Esta é inclusive a diretriz traçada pelo Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária, quando afirma que sua práxis não se deve confundir com adoção, pois é um acolhimento provisório, até que seja viabilizado a solução de caráter permanente para a criança ou adolescente – reintegração familiar ou, excepcionalmente, adoção. Deixando claro o Plano231 os objetivos da guarda acolhedora apresentam os seguintes itens:
cuidado individualizado da criança ou do adolescente, proporcionado pelo atendimento em ambiente familiar;
a preservação do vínculo e do contato da criança e do adolescente com a sua família de origem, salvo determinação judicial em contrário;
o fortalecimento dos vínculos comunitários da criança e do adolescente, favorecendo o contato com a comunidade e a utilização da rede de serviços disponíveis;
a preservação da história da criança ou do adolescente, contando com registro e fotografias organizados, inclusive, pela família acolhedora; e
preparação da criança e do adolescente para o desligamento e retorno à família de origem, bem como desta última para o mesmo.
permanente comunicação com a Justiça da Infância e da Juventude, informando à autoridade judiciária sobre a situação das crianças e adolescentes atendidos e de suas famílias.
Questão importante é nunca perder o foco de que a guarda peculiar na modalidade de acolhimento gera uma instabilidade emocional para a
230 Ibidem.p.p.12/13.
231 ANEXO 1 -Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária. p. 42
criança e adolescente que não pode se perpetrar no tempo, senão perde sua função. Este é o alerta feito no Plano Nacional com as seguintes indagações: até quando deve se investir na reintegração familiar? Por quanto tempo se deve esperar uma reação positiva dos pais para reassumir os cuidados da criança ou do adolescente? Quando iniciar o processo de destituição familiar para o encaminhamento à adoção?232
Para que isso não ocorra de forma desordenada e, nos escaninhos do Juizado, seja aquela criança considerada apenas mais um processo, é necessário que tenha um plano individual de atendimento padronizado para cada criança ou adolescente, para buscar com prioridade a definição de seu destino, no tempo certo que cada caso exigir, conforme sua complexidade, sem perder o norte do direito fundamental da convivência familiar e comunitária da criança e adolescente.