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The Presence of Janissaries in Ottoman Provincial Cities and their Non-military Activities

B- Kitap ve Makaleler

A história do Partido dos Trabalhadores se confunde com o renascimento da democracia no Brasil e, especialmente em São Paulo, sua longa trajetória fincou raízes antes mesmo de sua fundação. Das greves de 1978 e 1979 surgiu a concepção radicalmente basista que marcou a formação do PT em fevereiro de 1980. Naquele momento, o “novo sindicalismo” surgia quase que espontaneamente, desafiando o Regime Militar e a proposta popular do MDB, a representação da classe enquanto massa e uma quase reedição da política pré-1964.68 Do

68 Segundo Francisco Weffort, que viria a ser secretário-geral do PT, “em um de seus aspectos, o populismo brasileiro é, por certo, um fenômeno de massas. Mas no sentido preciso de que classes sociais determinadas tomam, em dadas circunstâncias históricas, a aparência de massa [...] Esta condição mais geral do populismo como fenômeno político – ou seja, a necessidade de uma relação especificamente política entre os indivíduos e o poder que no caso do populismo toma a forma de uma relação entre o poder e uma massa de indivíduos politicamente isolados entre si – só pode ocorrer no sistema capitalista” (WEFFORT, 1978, p.27).

ressurgimento do movimento operário e da negação do partido de parlamentares nasceu o PT, se a propondo ser o partido da classe trabalhadora, em que os próprios trabalhadores seriam protagonistas (KECK, 1991; SECCO, 2011).69 Com o passar dos anos, ao se institucionalizar e se tornar eleitoralmente competitivo, a composição do petismo se transformou radicalmente em termos de preferência partidária: crescimento da adesão popular ao PT, com a entrada dos segmentos de mais baixa renda e com movimento contrário das classes médias e alta, que perderam representatividade relativa na composição do eleitorado petista entre 1989 e 2006, segundo Gustavo Venturi (2010).70

Desde 2003 o partido está no governo central, resultando em estatísticas favoráveis de redução da pobreza e inserção de milhões de pessoas no mercado de consumo, mas sem reformas de impacto presentes nas bandeiras históricas do partido: a governabilidade conservadora presente na política de alianças conformam o que André Singer (2012) chamou de reformismo fraco viabilizado por um pacto conservador. A sequência do processo de realinhamento proposto por Singer (2009), no entanto, parece ser desigual e combinada, como sugere o caso das eleições municipais em território paulistano.71

Em São Paulo, o Partido dos Trabalhadores é quem desfruta de maior penetração nas camadas menos escolarizadas, enquanto o PSDB teria ocupado o espaço à direita deixado pela decadência do PDS-PP. Com um longo histórico de adesão a políticos de inclinação populista, o caso de São Paulo permanece intrigante, na medida em que os fenômenos do ademarismo, do janismo e do malufismo não deixaram herdeiros, de modo que até as eleições de 1985, a direita ainda obtinha votações expressivas em regiões pobres e carentes (LIMONGI; MESQUITA, 2008).

O retrato da identificação partidária nos últimos anos tem demonstrado certa estabilidade na preferência da população de baixa renda pelo PT. São pessoas que residem, em sua maioria, na periferia da capital. No outro extremo, os bairros centrais têm demonstrado fidelidade ao

69 Para uma perspectiva crítica da formação do movimento operário brasileiro e do “novo sindicalismo”, fundamental na fundação do PT, ver Braga (2012).

70 Tomando o ano de 1989 como referência, “até 2006 o PT perdeu 1,1 milhão de eleitores da ponta superior da pirâmide social, mas agregou 17 milhões da base – ou seja, mesmo descontando o crescimento de 53,3% do eleitorado nesses dezessete anos, a queda nos estratos de renda superior a cinco SM mantém-se em torno da metade, enquanto a penetração nos segmentos de renda mais baixa multiplicou-se quase dezoito vezes” (VENTURI, 2010, p.211).

71 “Os resultados das eleições na cidade de São Paulo pós-redemocratização podem ser interpretados à luz de um modelo muito simples de disputa eleitoral cuja estrutura foi anunciada já nas eleições de 1985. Naquela ocasião, os três polos clássicos do espectro ideológico – direita, centro e esquerda – mostraram sua viabilidade eleitoral na cidade. Isto é, os três polos contam com uma base de apoio que lhes permite pleitear com sucesso a cadeira de prefeito. No entanto, inexistiria na cidade um bloco ideológico hegemônico. Assim, as vitórias passaram a ser ditadas por coalizões entre os eleitores de diferentes blocos” (LIMONGI; MESQUITA, 2008, p.50).

PSDB-DEM. O resultado é que, enquanto no distrito de Moema (Zona Sul), que detém a maior renda familiar mensal da cidade, o PSDB é considerado o “partido mais forte no bairro”, com uma taxa de 40% de preferência (o PT conta com uma taxa de 3%), em bairros como o Iguatemi, no extremo leste da cidade, o PT alcança uma taxa de preferência de 44% (o PSDB conta com uma taxa de 1%) (DATAFOLHA, 2009). A frieza do resultado eleitoral do segundo turno de 2008, no entanto, já vislumbrava cenário preocupante para o PT quando, especialmente em relação às classes baixas. Um distrito importante da Zona Leste da cidade como Itaquera, tipicamente ocupado por novos detentores da classificação de renda C – 58% da população local, segundo a pesquisa DNA Paulistano – elegeu o conservador Gilberto Kassab (DEM) com mais de 58% dos votos, enquanto Marta Suplicy alcançou pouco mais de 41%. Dois anos antes, Luiz Inácio Lula da Silva teve 54,24% dos votos válidos para presidente na mesma zona eleitoral. O extremo leste da cidade de São Paulo, onde está Itaquera, contava em 2009 com 62% de sua população alocada na faixa de renda C, muito acima da média da cidade: 53,1% (DATAFOLHA, 2009).

A inflexão verificada por Singer a partir de 2006 viria a render outros frutos, como a eleição de Dilma Rousseff para a presidência em 2010,72 e do ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, na disputa municipal de 2012 em São Paulo. Na capital paulista, Haddad venceu em dez distritos em que Marta Suplicy havia perdido em 2008. Em São Miguel Paulista, por exemplo, o então candidato bateu José Serra (PSDB) por 67% a 33%, enquanto que na eleição anterior, Kassab havia superado a petista por 58% a 42%. Ao todo, Haddad venceu Serra em 35 das 58 zonas eleitorais da cidade. O caso mais emblemático foi na Capela do Socorro, na Zona Sul, tradicional reduto petista, em que Marta havia perdido em 2008. Em 2012, o distrito deu 61% dos seus votos a Haddad. Outro exemplo é o Itaim Paulista, na Zona Leste, onde Haddad venceu o tucano por 74% a 26%.

Diante de um caminho que parecia levar a uma tranquila reeleição em 2014, as expectativas dois anos antes não poderiam ser melhores para o PT. Em março de 2013, Dilma ostentava uma popularidade invejável: 65% dos brasileiros consideravam sua gestão ótima ou boa, segundo o Datafolha. Mas as manifestações de junho quebraram o encanto dos brasileiros com a primeira mulher presidente do Brasil. Ao final de junho de 2013, a popularidade da petista havia despencado para 30 pontos percentuais (com 23% de ruim/péssimo). A boa

72 Segundo Singer, “a vitória de Dilma Rousseff na eleição de outubro de 2010 mostrou a vigência do realinhamento e garantiu por pelo menos mais quatro anos a extensão do lulismo. Candidata sem passado nas urnas, indicada por Lula por ser a sua principal auxiliar no Executivo, obteve 47% dos votos válidos no primeiro turno e 56% no segundo” (SINGER, 2012, p.169).

vontade do eleitorado nunca voltou ao patamar anterior. Depois de recuperar uma boa parte dela, Dilma chegou a agosto de 2014 com 38% de avaliação positiva. Mas as preocupações para o PT já apareciam no horizonte: em novembro de 2014, 73% do eleitorado não tinham preferência por nenhum partido, a maior taxa registrada pelo Ibope. A preferência pelo PT, que chegou a ser de 33% em março de 2003, logo após chegar ao governo central, e em março de 2010, despencava para 16% (O ESTADO DE S. PAULO, 2014).

O enredo escrito nas eleições de 2014 teve seu desfecho na disputa mais equilibrada desde 1989. A vitória apertada de Dilma Rousseff sobre o tucano Aécio Neves com derrota expressiva da presidente no estado de São Paulo, levantou suspeitas sobre o futuro do partido no estado mais populoso do país e no qual ele nasceu – 51,64% contra 48,36% para a petista no Brasil, 64,31% contra 35,69% para o tucano em São Paulo. A hipótese mais plausível, contudo, é a de que a divisão entre Dilma e Aécio tenha sido socioeconômica, e não geográfica73. Ao final do primeiro turno, resistiu o “rochedo lulista”, como definiu Singer (2014): no final de 2013, Dilma Rousseff tinha 50% das intenções de voto entre os eleitores com renda familiar mensal de até dois salários mínimos. Dez meses depois, ela permanecia com a mesma quantidade de votos no piso da pirâmide social.

Tabela 2 – Primeiro turno das eleições para presidente em São Paulo/SP – 2014

Aécio Neves (PSDB) 43.68% Dilma Rousseff (PT) 26.08% Marina Silva (PSB) 23.94% Luciana Genro (PSOL) 3.33% Pastor Everaldo (PSC) 1.35% Levy Fidelix (PRTB) 0.79% Eduardo Jorge (PV) 0.59% Zé Maria (PSTU) 0.09% Eymael (PSDC) 0.07% Mauro Iasi (PCB) 0.06% Rui Costa Pimenta (PCO) 0.02% Fonte: TSE

73 De acordo com o Datafolha, logo após o primeiro turno, o candidato do PSDB tucano ia a 74% dos votos válidos entre os que pertencem à classe alta e a 67% entre os da média alta, segundo os critérios do instituto – juntas, chegam aproximadamente a 31% do eleitorado. Na outra ponta, Dilma tinha 64% entre os excluídos (baixa escolaridade e renda) e 53% entre os da classe média baixa, que são 38% do eleitorado.

Especialmente para o caso paulistano, os critérios de renda ajudam, mas não são suficientes para identificar as escolhas e as tendências entre as classes sociais da capital paulista. Vemos pelos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais de 2014 na cidade de São Paulo que o tucano Aécio Neves teve larga vantagem em relação a candidata do PT. Por pouco mais de dois pontos percentuais, Dilma não teria perdido também para Marina Silva.