David Foster Wallace, um escritor avidamente interessado pelo poder sinérgico da cultura medial, argumentava que o sentido televisivo legitimava uma postura irônica e “absurdista” não apenas como expedientes literários, mas como respostas legítimas a um mundo ridículo. A ironia, afirmava Wallace, perfaz o registro televisivo e explora as diferenças entre aquilo que é dito e aquilo que é intencionado, ou como as coisas tentam aparecer e como elas são, realizando uma função de metaaudiência (metawatching) entre a televisão como um medium e o público como fonte de desejos. A estética televisiva teria apresentado aquilo que a cultura queria ver e ouvir sobre si mesma, alimentand o a fantasia dos espectadores e conferindo formas às imagens mentais.
O ensaio de Wallace29 vai ao encont ro das análises sobre a fantasia de Dieter Prokop30, e
se aproxima das conclusões de Umberto Eco31, para quem a televisão havia moldado a
sensibilidade do pós-guerra. Wallace sugere que essa metaaudiência ou sensibilidad e especial forma um tecid o de sent ido ent re o sistema TV e o público. Também McLuhan32 ofereceu um
entendimento semelhante ao sustentar que a televis ão completava o ciclo sensório humano. Foi a esse cenário de promiscuidad e entre media, aparelho sensório e sentido que o computador se somou oferecendo um mundo armazenável, manipulável e transmissível que, de acordo com Robin Hamman33, dá contornos a uma realidade medial em que o usuário fabrica seu próprio
sonho.
Quando Claude Elw ood Shannon e Warren Weaver primeiro descreveram a cod ificação da informação entre emissor e receptor, o diagrama apresentava a clara identificação de estágios governados por regras mecânicas de uma sociedade conectada por cabos de telégrafo e telefone. De acordo com Hagemeyer34, o diagrama de Shannon descreve com êxito um padrão de
circulação de informação compreendido em cinco estágios vinculados: primeiro, a fonte de informação seleciona uma mensagem por unid ade de t empo; segundo, a fonte alimenta o receptor que a processa em sinal técnico; terceiro, o t ransmissor alimenta o canal protegendo a transmissão de ruídos e interferência; quarto, o canal conduz a informação a um ou mais receptores, que decodificam e reconstroem a mensagem e; quinto, a mensagem é tradu zida e entregue ao destinatário final.
Embora a perspectiva apresentada pela teoria da informação de Shannon esteja nos fundamentos da revolução digital, vislumbrando unidades de microprocessamento e empregando a lógica booleana, o contexto de sua teoria é de sistemas de informação a cabo, como o telefone e o telégrafo. Não é sem razão que o artigo seminal de Shannon tenha sido publicado no Technical Journal da Bell System, nome comercial da corporação americana de serviços de telégrafo e
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telefonia, a AT&T (American Telephone & Telegraph Company). Telégrafo e telefonia perfazem sistemas ponto a ponto, em contraposição às redes de d istribuição de informação que caracterizam o rádio e a televisão. É aliás saboroso o nome que Alexandre Graham Bell, inventor do telefone que empresta o nome à corporação, usava para d enominar sua então recente invenção: telégrafo falant e35.
É esse o entendimento de Kittler sobre o elegante modelo d e Shannon, que não poderia ser simplesmente transposto à história das tecnologias de comunicação uma vez que o modelo não faz qualquer menção à sua historicidade. De acordo com sua teoria dos media, seria mais importante investigar as raízes históricas, isto é, analisar esse modelo por meio de um processo de diferenciação autofort ificada36 e evolutiva que divide a história da comunicação em dois blocos
principais: os meios de escrita e os meios técnicos37. O diagrama de Shannon sugeriria uma
fabricação sensorial ou um padrão de difusão e consumo de informação cuja matriz é a sociedade do telégrafo e do telefone. Shannon38, por sua vez, sustentava que o propósito do seu modelo era
observar a diferença entre observação e observador, uma vez que todas as unidades e nós do sistema observavam e controlavam umas às outras. Mas o modelo também sugere uma particular produção de sentido. O modelo traduz um procedimento de codificação da informação em relação com determinada tecnologia.
Toman do a pr emissa d e Luhm ann d e que as tecnol ogias da informação fornecem u ma „ex cel ente demar cação das épocas magneti zando tudo mais‟, é razoável concluir que a transição da oralidade para a o mundo da escri ta ten ha sido equivalente à separação en tre in ter ação e comuni cação, e a tr ansição d a escrita para os meios técnicos sej a o equivalente à s eparação en tre comu nicação e inform ação.39
Anthony Wilden sustenta que a filosofia da linguagem do marxista Voloshinov apresenta o mesmo conjunto de analogias. Para o lingü ista russo, cada signo é um constructo entre pessoas socialmente organizadas e a interação ent re elas. As formas dos signos seriam cond icionadas, deste modo, pela organização social d os participantes envolvidos e em função das condições imediatas de interação. À mudança das formas de interação, seguir-se-ia uma mudança estrutural no tecido semiótico40.
Mas é a abordagem de Kittler que oferece os subsídios para pensar as formas do sentido espectral. O crítico alemão traba lha com um conceito multidimensional de media que ultrapassa a acepção técnica para incluir os registros científicos e espirituais (espectrais). Kittler vê, por exemplo, os fluídos químicos de uma chapa fotográfica como um truque contra a materialidade dos corpos análogo ao desaparecimento pela morte. A abordagem de filósofo alemão estabelece uma ligação cibernética entre a processualidade particular de cada canal e o sistema nervoso, o sistema psíquico e os sistemas históricos de notação (Aufschreibesysteme)41. A tecnociência é
apresentada como o reverso do registro cultural e o modo pelo qual um determinado medium se torna hegemônico espelha a notação predominante em um contexto histórico.
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Essa imagem de uma autodiferenciação histórica oferecid a pelo teórico alemão nos permite pensar na codificação da informação em três diferentes modelos. Em um primeiro momento haveria uma codificação entre emissor e receptor que se dá em termos espaciais. Como no modelo de Wilbur Schramm ou Claude Elw ood Shannon & Warren Weaver, cada ponto do modelo conta com o próximo para intercambiar informação. Esse é, basicamente, o modelo de processamento de sentido baseado na emissão (wiring).
Em um segundo momento a codificação entre emissor e receptor seria unilateral conquanto massiva. Emissores operariam incontáveis canais e perd eriam qualquer relação d ireta com os receptores, como indicam os modelos de Stephen Lacy ou Bruce Westley & Malcolm MacLean. É esse o funcionamento das redes, que compreende uma difusão molar de informação eletrônica ou analógica e cu jo modelo de processamento de sentido é baseado na irradiação (broadcasting). O terceiro momento se refere ao contexto da espectralização das red es. A codificação é então modificada pelo uso massivo de tecnologias. Informação, compreensão e comunicação são realizadas em função de rotinas elet rônicas de processamento e filtragem. O processamento de sentido nesse modelo é espectral.
Dentro desse esquema tripartido de classificação histórica dos modelos de comunicação, o diagrama informacional de Shannon-Weaver faz referência ao primeiro momento, contexto em que o telefone e o telégrafo costuram o tecido social e no qual as redes e os meios de massa ainda não existem. Quando a televisão — fundamentalmente uma rede — aparece e penetra na tessitura social, o diagrama de Shannon-Weaver se torna caduco. O mesmo movimento de sucateamento de um modelo heurístico para a comunicação acontece quando as redes digitais se fundem com a economia42, obstruindo um diagrama para a comunicação e o processamento de sentido.
A televisão atravessa certa fronteira simbólica porque descentraliza a informação e traz uma nova realidade medial43 em que a informação prescinde de coordenadas espaço-temporais
(por consegu inte, espectral). Günther Anders, por sua vez, faz referência à medialidade (Medialität) como um paradoxo que faz as pessoas tomarem o real por irreal e o irreal por real. A medialidade implica em um mecanismo de difusão alógeno. Quando uma rede d e TV transmite um evento, espera-se que jornais impressos ou revistas semanais reiterem a notícia em suas coberturas. Esse arranjo particular garante que o sistema de notícias cresça progressivamente conforme outras agências de informação se juntam para reportar o mesmo fato noticioso. A expansão do ambiente eletrônico de informação é garantida por meio da amplificação da irradiação. Mas se o modelo de produção e consumo de informação das red es eletrônicas era a irradiação, as redes digitais, por sua vez, perfazem já um circuito outro.
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Apesar disso, a expansão do ambiente eletrônico permanece como caract erística basilar no sentido espectral. Niels Finnemann44 denominou esse ambiente eletrônico como matriz de
media digital (media matrix), isto é, a constelação de todas os media existentes em um determinado momento no tempo. Também Luhmann45 se dedicou às rupturas e continuidades que o
computador instaura na comunicação e nas operações de seleção. A tese de Luhmann, segundo a qual os computadores instauram uma competição inédita com as consciências, é plausível uma vez que emissor e receptor (Alter e Ego) não têm condições de produzir ou reconhecer o sentido no instante da comunicação. Luhmann entend e que a autoridade da fonte é substituída pelo desaparecimento das fontes, e as sinalizações perdem sua função comunicativa em razão da impossibilidade de reconhecer a intenção de uma comunicação.
O cenário d escrito por Luhmann perfaz as premissas do ambiente espectral, inclusive porque sua teoria assume que a produção de sentido na matriz d igital não é resultado dos meios de comunicação simbolicament e generalizados. Alter troca sentid o com Alter mesmo, e não há a necessidade de sinalização para Ego. Nenhum diagrama de circulação de sentido interpessoal, ponto a ponto ou irradiado pode descrever essa espectralização dos media e dos agentes que operam os meios. Um avatar não é a representação de uma face ou de um endereço eletrônico. Não é sujeito, bloco de dados ou individualidade ausente. Os avatares, ou os nódulos da rede, são endereços digitais capazes de efetuar ope rações de sentido por meio de aglutinações. Se os meios de comunicação simbolicamente generalizados processavam sentido por meio de seleções qualitativas, os nós digitais processam sentido por meio da participação quantitativa.
Flusser46 descreveu essa lógica dos nós como um campo onde os sistemas psíquicos e sociais apareciam como bolhas provisórias. De acordo com Fluser, os sistemas espocam para processar um contingente de informação disponível em uma vasta rede oscilatória e submergem imediatamente. Também o diálogo interpessoal é reconfigurado. A esse respeito, Frank Hartmann47 entende por nova realidade medial uma cena comunicacional fabricada por ondas
eletrônicas de longo alcance que desaloja o diálogo a dois (tête-à-tête)48. O mistério do olhar, do ver
e do ser visto se desfaz na cortina de dados e med iações impessoais. O sentido familiar da interação face a face dá lugar a um sentido do qual participamos como endereçamento e não como sujeitos autônomos. O teatro do relacionamento humano é resumido em sinal técnico, e a nova realidad e medial apresenta uma produção d e sentido que compete com a cena primeva da interação social, uma vez que oferece mecanismos análogos de acoplamento entre sistemas psíquicos e sociais.
Marshall McLuhan49 entendeu esse procedimento dos media como um ambiente tão
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que diz que o meio é em si mesmo a mensagem, se fia nesse entend imento atmosférico d os media. Mas um med ium em si mesmo não per faz qualquer atmosfera. É importante separar os media daquilo que conforma o efeito dos media. Isto é, os mecanismos estruturais dos media dos efeitos culturais dos media. A atmosfera se refere ao efeito dos media e será tratada como produção de sentido. Uma vez que tenhamos esclarecido os pormenores da atmosfera elet rônica — do continuum digital — poderemos fazer referência ao conceito de sentido espectral.
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NO TAS
1 No original: “The compu ter is adding its i ntrodu ction into process es of communication in ways whi ch make i t
impossible for hum an us ers to kno w exactl y what is going on, who is saying what, wh at s ources are r eliable and wh at sources aren‟t, or who is meant by certain acts of communication. The computer is adding its capaci ties of compu ting both to the co ntent and th e styl e of the meaning com muni cated th us deconstru cting th e ways to know our ways we were us ed to.” Baecker, Di ck. Computers and meani ng creatio n.
2 A origem do IRC data d e 1988 quando Jarkko Oikarin en, d o D epar tam en to d e Ci ênci as e Process os
Informacio nais da Universidade de Oulu, na Finlândi a, criou o Intern et Rel ay Ch at. O objetivo era des envolver um programa d e co muni cação qu e p ermitiss e aos us uários da BBS de Oulu (ad ministrad a p elo seu dep artamen to ) ter discussões nos m oldes da Us en et— padrão comum às listas de dis cussão de então— mas em tempo r eal. Jukka Pihl desenv olveu en tão o pr ograma MUT (Mul tiUser T alk), qu e ainda n ão p ermiti a a função de canais s eriados, caracterís tica impor tan te dos c hat s que foi to mad a d e e mprés timo do rádi o-amadorismo. Os can ais foram provavelm ente a inv en ção m ais inov adora, pois permi tia que os usuários pud essem ler e par ticipar de múl tiplas discussões simul tan eamen te. A partir d e 1989, Okarinen convence es tudantes d e univ ersidad es n a Finlândi a e Suécia a instal arem o program a servidor d e IRC n os co mpu tador es e, p aulatinamen te, ou tras univ ersidad es se jun tam ao IRC. Foram Jeff Trim, (Universidade d e Denver), D avid Bleckman e To dd Ferguson (Univ ersidad e do Es tad o de Oregon) qu e ins talar am os pri meiros servidores IRC fora da Escandin ávia. Duran te a primeira guerra do Golfo, em 1991, usuários d e diferentes p aíses co nectav am-se ao IRC para ob ter infor mações sobre a guerra. O IR C foi o canal que os h abitantes do Ku wai t utilizaram para rel atar os aconteci men tos n o país so b a invas ão Iraqui ana. Foi n esse período qu e o I RC conh eceu sua maior expansão, tornando-se u m dos s erviços da In tern et mais requisitad os. O protocolo aberto do IR C, que foi d ocu men tad o formal men te em 1993 p or mei o do RFC 1459 (Req u est for Comm en ts 1459), permitia su a difusão livre e os estudan tes rapid am ente fizeram dess a interface um d e seus m edia preferidos. Enquanto isso, no Brasil, aprovava-se em 1984 a Lei Federal nº 7.232 (Lei da Reserva de Mercado), que somad a a um a legislação draconiana para as teleco municaçõ es, im possibilitou qu e a internet e o I RC ganhass em espaço n o território brasileiro. O acess o à internet era res trito a univ ersitários, pesquis adores e profissionais que trabalh assem diretamen te co m as tecnol ogias da inf ormação. Em 1995 a R NP (R ed e N acio nal d e Ensino e Pesquis a) é rees truturada e d eixa d e ser u m b ackb one restrito ao m eio acadêmi co para estend er seus serviços de acesso a todos os setores d a so cied ade. Ver: La f ant asía y los af ectos en el chat. IN: Sánch ez, An tulio. L a era de los af ectos en int ernet. México: Edi torial Océano, 1997.
3 Deleu ze, Gilles. Lógica do S enti do. São Paulo: P erspectiva, 2003. 4 Derrida, Jacques. A escrit ura e a diferença. S ão Paulo: P erspectiva, 1971.
5 Wallace, David Fos ter. A suppo sedly fun thi ng I’ll never do agai n: essay s and arg uments. New York: Littl e, Brown and
Comp any, 1997.
6 No original em inglês: “It is not really of great significance what anyone intends or means; in the end it is what they
say an d do that counts. Any „ calculus of intentions‟ or motiv ation is in fact a ps ychological construct with no exit, for, from this perspectiv e, all motivations ar e equal. (…) In dealing with writing, then, we do not deal with the author, but rather with th e text. Other wise we fall i nto what li terary criti cism has long called the „intentional fallacy‟”. Wilden, Anthon y. Changing F ram es of Order: Cy bernetics and t he M achi na Mundi. IN: Woo dward, Kathleen. The myt hs of information:
technology and posti nd ust rial c ulture. M adison: C oda Press, 1980. (p.220).
7 O conceito de multil ogue foi apres entado p ela primeira vez por Rich ard D. Duke para explicar o di álogo
simultân eo entre múltiplos p artici pan tes de u m jogo em bus ca d e um entendim ento co mum em relação a determinad o assu nto. O multi álogo, de acordo com o autor, é um m odel o de in teração que, s e prati cad o duran te uma simulação ou jogo, faz co m que os parti cipan tes enco ntrem soluçõ es para os probl emas propostos. Ver Duke, Richard D. Gami ng: The Future’s Language. New York: John Wiley & Sons, 1974.
8 Shank, G ary. A bductive multilogui ng: the semiotic dy namic s of navigating t he net. The Arachn et Electro nic Journ al on Virtu al
Culture, 03/22/1993, Vol. 1 Issu e 1.
9 Huber man, B ernardo; Rom ero, D aniel; Wu, Fang. Soci al netwo rks that matter: Twitter unde r the mic roscope. First M onday,
vol. 14, n° 1, 01/2009.
10 O Twitter é ao m esm o tempo um a rede s ocial e u m servidor de mi croblogging. O sistema per mite qu e usuário s
enviem e l eiam mensagens de até 140 caracter es por meio de u ma i nfinidad e de plataform as que inclui tel efones celulares, sites da W eb e softwares des enh ados especificamen te para essa fun ção.
11 Huberm an, B ernardo; R omer o, Dani el; Wu, Fang. Soci al netwo rks t hat matt er: Twitt er under t he mic roscope. Firs t
Monday, v ol. 14, n° 1, 01/2009.
12 Kittl er vin cula M cLuhan a H eidegger para dim ension ar os m edia co mo u ma produ ção ins eparáv el d a cultura e d a
técnica. Assim, os m edia “deter minariam noss a situação”, configurando as operações intelectuais e se consti tuindo no alfa e n o ô mega da teori a. O crítico al em ão faz um jogo d e p alavras co m a fras e d e D errida — “não há nada fora do tex to” (il n’y a pas de hors-texte) e “não há nada fora dos media” (il n’y a pas de hors-media) — para s ugerir uma
premissa fundamen tal d o sistem a dos m edia. Ver Ki ttl er, Friedrich. Grammophon Film Typewrit er. B erlin: Brinkmann & Bose, 1986.
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13 Essa é a tese que inspirou a an tropologia m edial alemã, esp eci almente a abordagem co -evolu tiva de M anfred
Faβler. Ver Faβl er, Manfred. Erdachte Welten. Mediale Evolutio n globaler K ulturen. Wien/New York: Springer, 2005.
14 Esses tamb ém s ão os el em entos d a virada m edial. C om iss o, a crítica dos m eios p assaria para um a análise d a
experiên cia reali zad a p elos mei os técnico s (materialid ade dos m eios) e par a u m cam po no qu al a infra-es trutura medial con dicion a a exp eriên cia do mun do. A virada medial d e Kittler res olve a ap oria do determinis mo técnico, que deixaria de exis tir não porqu e a técni ca não determin e noss a con dição, mas porqu e essa d eterminação não p oderia ser produ zida a p artir d e um a po sição ex terna à cultur a. Ess a premissa também esvazi a os pressu postos do constru tivismo cultural caros à Slavoj Ži žek. Não porque a cultur a deixe de produzir ideologia e experi ênci a, mas porque a cultura d eixa d e s er u ma categoria d escol ada das tecn ologias, e cuja r ealização ultrap assa o escopo da inten cion alidad e e da id eologia cultural. A es se res peito, ver H ansen, Mark. Medi a Theory. Th eory Culture S oci ety. Vol. 23, 2006 (p.297-306).
15 Ver Attwo od, Feon a (ed.). Porn.com. Maki ng Sense of Online Pornography. New York: Peter Lang Publishi ng 2009. 16 Ver Turkle, S herry. Life o n t he S creen: Identity in t he Ag e of the Internet. N ew York: Tou chstone Books, 1997. 17 Thom, R ené. Paraboles et catast rophes. Paris: Flamm arion, 1983.
18Na tradução americana: “It could well be that our soci ety is the outcome of a structural and semantical catastrophe
in the s ense meant by R ené Thom—that is, the resul t of a fundamental change in the form of s tability that gives meaning to states and even ts. If this is s o, th e d econstru ctio n of our m etaphysical tradi tion is ind eed som ethi ng th at
we can do no w. But if so, i t would be worthwhile to cho ose th e ins truments of d eco nstruction with sufficient car e so that b y usi ng th em we could gain som e infor mati on abou t o ur pos tm etaph ysical, pos ton tological, pos tco nven tion al,