2 ANALİZ ve BULGULAR
2.3 P. tabaniformis ile Mücadele
2.3.2 Kimyasal Mücadele
O território é um conceito político e geográfico, tanto compartimentado quanto organizado através de processos políticos. Santos (1994, apud RUCKERT, 2010) é o uso do território e não o território em si mesmo que faz dele objeto de análise social. A respeito do que deveria ser considerado território, Santos (2011) assim se expressou:
“O território não é apenas o conjunto de sistemas naturais e de sistemas de coisas superpostas; o território tem que ser entendido como o território usado
não o território em si. O território usado é o chão mais a identidade” (Santos
2011).
Gottman (2012) afirmou que uma teoria política que ignore as características e a diferenciação do espaço geográfico opera no vácuo; acrescenta que o território é uma porção do espaço geográfico que coincide com a extensão espacial em que o estado exerce sua soberania, o que deve se extender a atuação de atores econômicos internos e externos ao espaço geográfico, ou mesmo à outras influências de cunho cultural. Dessa conceituação, pode-se inferir que, havendo diversas forças governantes ou indutoras de organização e poder sobre um mesmo espaço geográfico, existirá uma superposição de territorialidades, que competirão entre si ou juntarão interesses comuns.
Há pouco tempo, o território era concebido sobre um substrato territorial básico, contudo, a globalização conferiu certa complexidade, na medida em que o poder (decisão) e a governabilidade foram transferidos para centros distantes dos territórios afetados.
“não há dúvida, entretanto, de que nos últimos 500 anos que sucederam após o início das grandes explorações marítimas pelos europeus ocidentais, cada vez mais o território adquiriu o sentido de um porto seguro às pessoas que procuravam desenvolver seu próprio modo de vida e os recursos internos às suas fronteiras, segundo seus interesses particulares” (Gottmann, 2012).
A segurança e bem-estar abrigam-se nos pilares das análises territoriais modernas, voltadas para o planejamento territorial, com vistas ao desenvolvimento sustentado. Um dos elementos decisivos no controle territorial é a restrição ao seu acesso, sobre as mais diversas modalidades de uso. Sobremodo, a escolha por um modelo político-econômico de desenvolvimento situa-se como questão central na construção territorial.
Toynbee (1987) e Gottmann (2012) ressaltam a importância para um “acordo interno justo” entre os diferentes integrantes da sociedade. Assim, características como a qualidade da organização social, o bom planejamento e a maior flexibilidade parecem ser elementos fundamentais na obtenção de um resultado satisfatório. Enfim, conceitos, estratégias e políticas, anteriores a explosão científica e tecnológica e baseada em crescentes pressupostos, afloram em diversas visões e
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ideologias que permeiam o mundo todo; e não é difícil concluir que residem na base de tantos conflitos espalhados ao redor do mundo.
Santos (1994) sobre as novas territorialidades, sobretudo as economias capitalistas, assim se pronunciou: “Antes, era o Estado que definia os lugares”. O Território era a base, o fundamento do Estado-Nação que, ao mesmo tempo, o moldava. Com a globalização, passamos da noção de território “estatizado”, nacional, para a noção de território “transnacional”, mundial, global. O território nacional é o espaço e abrigo de todos; o território “transnacional” é o do interesse das empresas, habitado por processo racionalizador e conteúdo ideológico de origem distante e que chega a cada lugar com os objetos e normas estabelecidos para servi-los.
Santos (1994) propôs que o “espaço geográfico” (sinônimo de “território usado”) seja compreendido como uma mediação entre o mundo e a sociedade nacional e local, e assumido como um conceito indispensável para a compreensão do funcionamento do mundo presente. Chama à atenção ao novo funcionamento do território, através de horizontalidades (lugares vizinhos reunidos por uma continuidade territorial) e verticalidades (pontos distantes uns dos outros, ligados por todas as formas e processos sociais). O território pode ser formado de lugares contíguos e em rede: as redes constituem uma realidade nova que, de alguma, forma, justifica a expressão
verticalidade. Mas as redes constituem apenas parte do espaço de alguns ou de
todos.
Ainda, segundo Milton Santos (1994), quem produz, comanda, disciplina, normaliza e impõe uma racionalidade às redes é o mundo do mercado universal e dos governos mundiais. O FMI – Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial, o GATT - General Agreement on Tariffs and Trade, as organizações internacionais, as universidades mundiais, as fundações que estimulam com dinheiro a pesquisa, fazem parte dessa governabilidade mundial que pretendem implantar, dando fundamento à globalização perversa e aos ataques que hoje se fazem, na prática e na ideologia, ao Estado Territorial.
O Mundo, em grande parte, está associado aos mercados internacionais o que, combinado às novas tecnologias de integração e conhecimentos ultrapassa tudo o que existiu preteritamente e possibilita o acúmulo de riquezas num grau nunca experimentado pela Humanidade. Na prática tudo é avaliado e o que efetivamente
caracteriza o poder é feito em termos de valor econômico. Com isso, pode-se conjecturar sobre estarmos construindo um mundo (social) insustentável pela falta de valores espirituais e ético-morais. Essas e outras questões requerem análises sobre a origem das territorializações e das desterritorializações. Enfim, o planejamento, a concepção de políticas e projetos não pode prescindir de uma base, de uma compreensão sistêmica e geográfico-territorial, sob a pena de se construírem verdadeiros monstros tecnocráticos, não importando quanta boa- vontade e ideologia política permeiem as intenções.
Os processos de territorialização geram outros, conforme surjam mudanças tecnológicas ou interesses inerentes aos grandes movimentos mundiais. Num mesmo espaço geográfico convivem novas e antigas práticas, cujas mudanças dependerão do comportamento psicossocial, do ente coletivo, incorporados aos processos de gestão.
Desse modo, vivencia-se uma época na qual mais do que apenas acompanhar os avanços científicos e tecnológicos, é preciso buscar o conhecimento; o Homem procura conhecer-se e harmonizar-se. Provavelmente estamos planejando com o foco equivocado; talvez devêssemos olhar mais para o território, em todos os seus aspectos, diagnosticá-lo, discuti-lo e avalia-lo antes de formular intervenções. Os avanços alcançados pela humanidade ao longo de sua história e que se aceleraram nos últimos séculos clamam por uma nova lógica de planejamento que coloque o bem estar e a inclusão social, no centro da sustentabilidade. É preciso harnonizar e o global e o local, sob risco de infligirem-se danos irreparáveis ao planeta e às civilizações. Enfim, por enquanto, nada é certo, vivemos uma era de incertezas, estamos “perdidos” e talvez a única certeza consista em que mudanças profundas continuarão a ocorrer num futuro previsível. Uma esperança repousa na tentativa de se transformar os conceitos desenvolvidos pela Geografia e a Economia, nas últimas décadas, em bases conceituais para uma mudança de postura, quanto ao planejamento estratégico.