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Kimyasal Buhar Biriktirme Yöntemi

2.4 Grafen

2.4.2 Grafen Üretim Yöntemleri

2.4.2.2 Aşağıdan Yukarıya Yaklaşımları

2.4.2.2.2 Kimyasal Buhar Biriktirme Yöntemi

No urbanismo colonial português, a noção de apropriação de território está diretamente liga- da a um conceito de espaço que se define tanto pelos seus contornos quanto por suas interligações, que constituem uma rede de caminhos terrestres e fluviais. Foi essa estrutura a base da organização do território e do poder e controle que incidiria sobre ele55. No entanto, a ocupação desses espaços

só pode ser mais bem entendida quando se estuda as formas de divisão ou partilhas do solo, que denunciam claramente os mecanismos e as relações de controle do Estado.

A forma legal empregada pela Coroa portuguesa para a divisão das terras coloniais foi o sistema de sesmarias ou de sesmos, doados a particulares. Em Goiás, esse sistema visou estimular a fixação da população, garantindo a ocupação e a expansão do território luso. A decisão de povoar essas terras foi tomada pelo governador da Capitania logo após o estabelecimento do principal caminho, o do Anhangüera, ao longo do qual foram concedidos os primeiros chãos. O sistema de sesmarias, cujas experiências iniciais foram realizadas no território português, foi transplantado integralmente para a colônia, mas ocorreram diversas dificuldades para a sua realização, em virtude das inúmeras adversidades locais. As fartas terras a desbravar, com suas vastas dimensões, e a escassez de colonos para explorá-las tornaram as áreas cedidas muito grandes, impossibilitando o sesmeiro de cultivá-las em toda sua extensão e que, por isso, trabalha- vam em suas testadas. Ainda assim, cabe ressaltar que, mesmo considerando os abusos ocorridos por parte de alguns, deve-se reconhecer o mérito daqueles que despenderam grandes esforços para a explo- ração de terras tão inóspitas, muitas vezes carentes de vias de acessos e de núcleos urbanos.

A distribuição dessas sesmarias era feita pelos representantes do poder público, mediante a solicitação de pedidos das pessoas interessadas. Para o deferimento, exigia-se que o solicitante fosse cristão e não havendo nenhuma restrição de caráter social, pagava-se apenas o Dízimo da Ordem de Cristo. Mas se, por negligência dos solicitante a terra não fosse explorada dentro do prazo estabelecido em documentação, ela retornava ao Estado e poderia ser doada novamente a outros interessados, que deveriam cumprir o previsto em lei. “O concessionário não constituía, assim, exatamente um proprietário, como entendemos hoje, [...], porém um beneficiário das terras da Coroa, sob condições”56.

As normas que regulamentavam a concessão de sesmarias pressupunham três condições bá- sicas: a medição, a confirmação e o cultivo. No entanto, essas exigências raramente foram cumpri- das, gerando muita desordem e, muito comumente, novas concessões se sobrepunham às antigas. Em relação à extensão, as glebas do sertão se diferenciaram daquelas do litoral. Enquanto neste último, elas foram mais modestas e comedidas, no sertão goiano geralmente eram enormes, da ordem de 324 quilômetros quadrados cada uma, sendo “requeridas em seqüência e em bloco pelos mesmos sesmeiros e seus herdeiros, como foi o caso [...] da primeira proprietária de 340 léguas de sertão”57.

54 Ofício de Luís da Cunha Menezes a Martinho de Melo e Castro em que propõe algumas medidas no sentido de melhorar a exploração do ouro

na capitania para evitar decadência, Vila Boa, 02/1783. In: APARÍCIO, João Paulo da Silva. Governador no Brasil Colonial: a administração de Luis da Cunha Meneses nas capitanias de Goiás (1778-1783) e de Minas Gerais (1783-1788). Dissertação de mestrado. Lisboa: Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 1998, p. 358-361. [Grifos nossos]

55 ARAÚJO, Renata Malcher de. A urbanização do Mato Grosso no século XVIII: discurso e método. Tese de doutoramento. Lisboa: Universidade

Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 2000, p. 48

56 MARX, Murillo. Cidade no Brasil: Terra de quem? São Paulo: Edusp/ Nobel, 1991, p. 35.

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A multiplicação desses latifúndios já era motivo de preocupação da metrópole desde o fim do século XVII, levando-a a esboçar uma legislação restritiva que se desenvolveu e prolongou até o XVIII, visando a regulamentação dos problemas iminentes da colonização de Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás. No entanto, nesta última Capitania, mesmo com o reduzido número inicial de concessões de terra essa orientação não foi seguida, implantando-se as sesmarias de forma bastante atabalhoada. Para um melhor controle da situação, em 13 de maio de 1733 D. João V escreve ao governador, “ordenando-lhe que passasse ao Governador das minas a cópia da ordem que diz que os eclesiásticos que tem sesmarias concertem as testadas dos caminhos que compreendem as suas terras e que esta mesma ordem seja cumprida em todo o governo e não só nas minas, quando não haja razão em contrário”58. Num documento anterior, de 15 de março de 1731, o monarca já

havia determinado ao governador de São Paulo que promovesse a divisão das terras goianas, onde as sesmarias para mineração deveriam ter meia légua e os caminhos e demais sertões, três léguas. Às mar- gens dos rios atravessados por barca, somente deveriam ser concedidas terras numa das suas margens 59.

Apesar desses cuidados, a desordem parece ter se mantido ainda na década seguinte, quando ocorre a formação de grandes latifúndios, mesmo diante da enfática Ordem Régia de 21 de março de 1744, “[...] na qual dispõe Sua Majestade como se devem dar terras de sesmarias” e determina que “sejam ouvidas as câmaras dos sítios a que pertencem as ditas terras”60.

Uma outra tentativa para atender a determinação prevista nessa lei ocorreu somente após 1749, quando o primeiro governador goiano, D. Marcos de Noronha, o Conde dos Arcos, por intermédio do ouvidor Luiz de Moura dá um parecer ordenando que:

dali em diante se não conceda por sesmaria mais do que meia légua de terra [...] de testada pelo caminho, com duas léguas de fundo [...]. Além da dita provisão, há uma carta Real, de 1° de abril de 1745, na qual se recomenda com parcimônia com que se deve haver na concessão de sesmarias, e que se reservem sempre terras bastante juntas às vilas para S. Magestade conceder algumas delas que sejam bens dos Conselhos e ficarem outras para Reguengos (terras reais )[...] referindo-se também na Carta Real às terras que forem longe e abundantes, porque pode suceder que se mantêm fábricas por conta da Real Fazenda [...]61.

Num outro documento encaminhado por intermédio desse mesmo ouvidor, o governador es- clarece “que quando se pedem terras de mato para cultivar e plantar roças, se costuma conceder só meia légua de terra [...], porém quando são pedidas para fazendas de gado, se concede até três léguas de comprido por uma de largo[...]”62.

Mesmo com essas preocupações, poucos foram os casos ilustrativos de respeito a essas con- dições, pois a realidade da colônia e, conseqüentemente, a de Goiás, extrapolou as legislações para as práticas consuetudinárias. Em 1779, o governador Luís da Cunha Menezes ainda reclamava des- sas irregularidades na Capitania, pois, “[...] havendo-se concedido por meus predecessores mais de mil sesmarias,

58 SILVA, Edma José. Sesmarias: Capitania de Goiás (1726/1770). Dissertação de mestrado. Goiânia: Universidade Federal de Goiás, 1996, p. 230,231. 59 SILVA, Edma José. Op.Cit., p. 224.

60 Costa Porto. O sistema sesmarial no Brasil. apud: BERTRAN, Paulo. História da terra e do homem no planalto central: Eco-História do Planalto

Central: do indígena ao colonizador. Brasília: Verano, 2000, p. 87.

61 COSTA, Porto. O sistema sesmarial. apud: BERTRAN, Paulo. Op. Cit., p. 87. 62 COSTA Porto. O sistema sesmarial. apud: BERTRAN, Paulo. Idem.

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apenas se achavam confirmadas por S. Majestade uma dúzia delas ou ainda menos, usando os mesmos sesmeiros nisso tanta omissão, que nem as mesmas fazem medir, demarcar e empossarem-se judicialmente delas, na forma das Reais Ordens, que determinam a mesma medição e posse no prazo de um ano [...]”63. Na mesma carta, o

governador dizia que para resolver tais questões prorrogaria o prazo para a regularização das terras por mais um ano, justificando que, dessa forma, não prejudicaria aqueles que por algum motivo ainda não tinham tomado as devidas providências. Enfatizava, porém, a importância de fiscalizá-las, para “evitar as muitas demandas, que da dita falta se originam, por se quererem uns intrometerem nas terras que já se acham concedidas a outros e não medidas, e estes ampliarem ou estenderem a mesma concessão [...]”64.

Por essas razões, pode-se dizer que em Goiás a maior parte das doações de terras se resumiu praticamente à aquisição de uma Carta de Sesmaria, correspondendo apenas a uma autorização de posse da área. A regularização ficou, dessa forma, obstada de se efetivar pelas distâncias e pelos trâmites burocráticos legais65.

As primeiras sesmarias doadas na Capitania de Goiás são de 1726 e foram autorizadas para os descobridores das minas dos “Goyazes”, o capitão Bartolomeu Bueno da Silva e seu companheiro João Leite da Silva Ortiz. As terras abrangiam as passagens dos “rios Iguatibya, Jaguary, Rio Pardo, Rio Grande, Rio das Velhas, Rio Parnayba, Rio Meia Ponte e o Rio dos Pasmados”, e do caminho de São Paulo até as áreas de mineração, com “seis legoas de terras de testada e outro tanto de fundo, ficando as passagens no meio, com as confrontações e rumo que os suplicantes declaram, as quaes lhe concedo para que as logrem e possuam como cousa própria tanto elles como todos os seus herdeiros”66. Tamanha extensão de terras, correspondente a 1.300 quilômetros quadrados em

cada passagem67, era justificada pelo então governador de São Paulo, Rodrigo Cezar de Menezes, pela

necessidade de “estabelecerem as ditas passagens com gente, plantas, criações e o mais para a existência em um sertão” 68.

Após a confirmação das sesmarias de Bartolomeu Bueno da Silva e João Leite Ortiz, as demais foram cedidas pelos descobridores até 1733, posteriormente retornando às mãos dos governadores. Seguindo uma clara política de ocupação do território, as primeiras doações localizaram-se ao longo do caminho das minas dos Goyazes, em região devassada, que permitiu aos sesmeiros melhor acesso às minas da região e a consolidação de mais uma via, ligando o novo espaço à rede de caminhos que cobria outros pontos da colônia. Com esse esquema, iniciou-se nesse momento a base da estruturação do território goiano, assistido pelo poder econômico e político que Portugal passou a exercer sobre ele.

A fixação de colonos, marcada pelas atrocidades cometidas contra os indígenas, não foi, portanto, tão tranqüila e rápida como supunham os governadores goianos, pois os Kaiapó que habitavam a verten- te esquerda da Serra da Canastra, resistiram à ocupação de suas terras. Para combatê-los, os governos de 63 Doc. Publicado pela Revista do Instituto Histórico Brasileiro. apud: BERTRAN, Paulo. Idem, p. 87-88.

64 Doc. Publicado pela Revista do Instituto Histórico Brasileiro. apud: BERTRAN, Paulo. Idem, Ibidem. 65 BERTRAN, Paulo. Op. Cit., p. 88.

66 AHSP. Documentos Interessantes. Capitania de Goiás. Vol. 32, p. 53-66.

67 AHSP. Documentos Interessantes. Capitania de Goiás. Vol. 32, p. 53-66. “As léguas portuguesas eram de 6.600 m e, portanto, cada sesmaria

representava 64.800 alqueires de terra e nove sesmarias abrangeriam 583.200 alqueires; isto com a concessão do direito das passagens em nove rios por três vidas ou cem anos.”

68 AHSP. Documentos Interessantes. Capitania de Goiás. Idem. Apesar da legitimidade desse documento, a concessão não se prolongou por muito tempo,

durando apenas o período referente à gestão do governador de São Paulo Rodrigo Cezar de Menezes, ou seja, até 1727, quando ele foi substituído por Antônio da Silva Caldeira Pimentel, que em 29 de outubro de 1733 cassou definitivamente o direito de posse de terras dos dois bandeirantes.

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São Paulo, Minas Gerais e Goiás enviaram ao Caminho do Anhangüera duas expedições em 1741 e 1748, respectivamente, ambas chefiadas pelo coronel Antônio Pires de Campos. O resultado dessas iniciativas, que também visavam a segurança dos viajantes, foi, segundo Saint-Hilaire69, a criação das aldeias do Rio

das Pedras (1741), de Pissarrão, do Rio das Velhas (1750), de Boa Vista e Estiva, nas proximidades do caminho, em faixa de terra doada a Pires,70 “dos dois lados da estrada, de 1 légua e meia de largura, que se estende

desde o Paranaíba até o Rio Grande”71. A estas, Silva e Souza acrescenta a aldeia de Lanhoso.72

Para além desses aldeamentos, a maior parte das concessões que se localizavam ao longo da via do Anhangüera foi doada para sertanistas originários de São Paulo, que se propuseram a traba- lhar com o plantio e a criação de animais para abate (gado vacum e cavalar) e meio de transporte (cavalos e mulas). Por estarem estabelecidos em local estratégico, provavelmente, se anteciparam na criação de uma retaguarda fornecedora de víveres e de proteção aos mineiros que se transferiram às minas dos Goyazes73.

A partir de 1739, foi o governador D. Luís de Mascarenhas, o Conde D’Alva, quem doou a maior parte das sesmarias. Grande incentivador do combate aos índios, recompensava os organizadores de expedições internas ao território goiano com grandes áreas de terras, que se ex- pandiram para novas regiões. “Concedeu aos espantadores de índios da região de Natividade-TO, o privilégio de sucessivas sesmarias no baixo e médio vale do Paranã, como nos casos dos bandeirantes Dionísio Martins Soares e Luiz Cerqueira Brandão [...]”74. Concessões dessa ordem devem ter gerado, posteriormente, grandes

confusões, pois algumas delas procederam certamente de antigas fazendas que haviam sido forma- das mais no início do século. Para ilustrar, Paulo Bertran75 aponta que não só no Norte da colônia

houve expressivo número de concessões de terras, mas também a região do Planalto Central contou com a presença de vinte sesmarias fundadoras, conformando um quadro de indefinições de limites e incertezas quanto ao real uso da terra, assemelhando-se às irregularidades corriqueiras de outros lugares da colônia76.

As sesmarias eram pedidas para diferentes pontos do território, como nos arredores dos arrai- ais de Meia Ponte, São Félix, Santa Luzia e em Traíras, no Caminhos dos Goyazes; em Vila Boa, onde uma delas ficou como seu patrimônio; S. José do Tocantins, Santa Cruz e Crixás. A Capitania se expandia mesmo com as incompatibilidades entre as lavras de ouro e a agropecuária, inerentes às suas especificidades. Apesar de serem “termos atraentes e disjuntos de uma mesma problemática, resolveu-se pelo surgimento de importantes fazendas com expressivas produções agrárias nos engenhos e pecuária nas fazendas de gado, a sustentarem a escravaria das minas e a população dos arraiais” 77.

69 SAINT-HILAIRE. August de. Viagem à província de Goiás. Belo Horizonte: Ed. Itatiaia, e São Paulo: EDUSP, 1975, p. 128-135.

70 VALE, Marília Brasileiro Teixeira. Arquitetura religiosa do século XIX, no antigo Sertão da Farinha Podre. Tese de doutoramento. São Paulo: FAU-USP, 1994, p.

11.

71 Saint-Hilaire ainda faz referência à aldeia de Santana (do Rio das Velhas) que teria sido construída antes dessa época pelos jesuítas, para os

índios do litoral. SAINT-HILAIRE. August de. Op. Cit., p. 130.

72 TELES, José Mendonça. Vida e obra de Silva e Souza. Goiânia: UFG, 1998, p. 125

73 SILVA, Edma José. Sesmarias: Capitania de Goiás. Dissertação de mestrado. Goiânia: UFG, 1996, p. 221-222. 74 BERTRAN, Paulo. Op. Cit., p. 90.

75 BERTRAN, Paulo. Idem, Ibidem.

76 MARX, Murillo. Cidade no Brasil: Terra de quem? São Paulo: EDUSP/ Nobel, 1991, p. 34.

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A partir dessa década, bem como ao longo de quase todo o século78, várias outras concessões

e confirmações de terras são efetivadas, refletindo ainda mais a dispersão dos homens, não só pelos diferentes caminhos de Goiás, como também ao redor dos núcleos populacionais do Sul e do Nor- te, como aqueles da região do Paraná, onde existiram fazendas de largas extensões, cujos donos as tinham adquirido de antigos sesmeiros.

Não só para entender a formação de fazendas e grandes latifúndios o estudo da forma de partição da terra é fundamental. Segundo Murillo Marx79, esse processo pode também ser a chave para

o conhecimento das formações urbanas brasileiras, como as dos diversos arraiais goianos que se espalharam pelas áreas mineratórias da Capitania, originando quatro núcleos importantes: Vila Boa e Traíras, os principais, secundados por Meia Ponte e Crixás80. Nesses locais próximos aos rios, a

terra foi concedida em pequenas áreas denominadas datas auríferas, com regime jurídico análogo ao das sesmarias, ou seja, os concessionários que as obtinham correriam o risco de perdê-las, caso não atendessem às exigências de, em determinado prazo, ocupar e beneficiar as terras.

De acordo com Salles81, três foram os Regimentos da colônia que visaram disciplinar as ativi-

dades de mineração: o de 15 de agosto de 1603; o de 8 de agosto de 1618, que mantém a essência do anterior ampliando-o em alguns aspectos; e o de 1702, no qual aparecem algumas questões não disciplinadas pela Carta Régia de 1603. No geral, esses documentos se estruturam de igual confor- midade, com alterações que ora ampliam o regimento pelo detalhamento de alguns dos seus antigos artigos, ora acrescentavam inovações. Uma dessas inovações encontra-se na Carta de 1702, com a obrigatoriedade do exercício da atividade agrícola paralelamente ao da mineração, e a indicação para a distribuição de datas de maiores áreas aos mineiros que possuíam doze escravos: teriam eles duas braças e meia por cativo (4,84 m²).

De acordo com o documento, a distribuição seria efetivada após a retirada das duas primeiras datas inteiras (medindo 30 braças em quadra) do descobridor da jazida e de mais outras duas que se destinavam à Coroa e ao guarda-mor. Em Goiás, as Ordens Régias relativas às minas são provavel-

78Os dados arrolados a seguir foram obtidos a partir da pesquisa de: SILVA, Edma José. Sesmarias: Capitania de Goiás. Dissertação de mestrado.

Goiânia: UFG, 1996. De 1743 a 1750, foram registradas as seguintes sesmarias para as regiões de Vila Boa (1743), Santa Luzia (1743), paragem chamada Morrinhos, Arraias (1744), Natividade, Vila Boa, Palma (1745), S. José de Tocantins, Santa Luzia e Vila Boa (1745). Em 1747, três léguas de terras são passadas ao filho de Bartolomeu Bueno da Silva. “Nestas concessões, o filho do Anhanguera declara que as terras serviam para cultivo e que os concessionários se comprometiam a construir caminhos públicos e particulares, ponte, fontes, pastos, pedreiras (...)”. Em 1748, as concessões, em sua maioria, foram no Caminho dos Goyazes e as demais, no distrito de Santa Cruz. Em 1750, trinta e nove documen- tos de posse da terra foram pesquisados por Silva79. Neles encontram-se pedidos de sesmarias para Vila Boa, Meia Ponte, S. José do Tocantins,

Crixás, Pilar, S. Félix, Flores, Natividade, Caminho de Goiás e termo de Papoam (Pilar). No ano de 1751 ocorreram concessões e requerimen- tos em Meia Ponte, Vila Boa, Pilar, Crixás, Arraias e Natividade. Os anos de 1752 e 1753, contaram com requerimentos e concessões para os seguintes locais: Vila Boa, Pilar, São Félix, Natividade, Palma, São José do Tocantins, Meia Ponte, Santo Antônio dos Morrinhos e Amaro Leite. Em 1754 e 1755, os requerimentos e concessões são para Vila Boa, Natividade, São Félix, Pilar, Meia Ponte, São José do Tocantins e Traíras. Em 1736, a pesquisa aponta apenas uma concessão em Meia Ponte e mostra ainda que de 1726 até 1754 não houve sesmarias confirmadas. Nos anos de 1756 a 1759, foram feitos requerimentos para concessões de terras em Santa Cruz, Arraias, São Félix, Pilar, Meia Ponte, Santa Luzia, Vila Boa, Natividade, Palma, São José do Tocantins, no distrito de Terras Novas e Pilar. Entre 1760/ 1770 houve requerimentos e concessões para as seguintes localidades: São Félix, distrito de Vila Boa, Meia Ponte, Santa Luzia, Pilar, Terras Novas, Santa Cruz, Arraias, São Felix, Palma, Vila Boa, Pilar, São José do Tocantins, Traíras e Natividade, distrito de Tabatinga, Santa Luzia, São José do Tocantins, Crixás, distrito dos arraiais do Couros e Santa Cruz.

79 MARX, Murillo. Cidade no Brasil: terra de quem? São Paulo: EDUSP/ Nobel, 1991, p. 31-41.

80 SALLES, Gilka V. Ferreira. Economia e escravidão na Capitania de Goiás. Goiânia: CEGRAF/UFG, 1992, p. 69. 81 SALLES, Gilka V. Ferreira. Op. Cit., p. 129-138.

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mente originárias do Regimento que levou o Cappitan Bartolomeu Bueno da Sylva, cabo da tropa que veio ao sertão descobrir minas de ouro e pedras preciosas82, providenciado em São Paulo, em 30 de junho de 1722.

Sobre o chão destinado à Coroa, esse documento diz que “em todos os descobrimentos, que se fizera deve o Guarda-Mor, ou qualquer pessoa q. ‘repartir as terras, escolher a data de El Rey Meu Senhor na melhor parte, q.’ houver, e por lhe hua Cruz por diviza, e dar-me parte para mandar lavrar, ou por em praça para se arrematar a quem ella der, na forma q.’ o d.° Sr. tem ordenado83. De acordo com Martins84, as datas da Coroa não eram

Benzer Belgeler