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Atomik Kuvvet Mikroskobu Analizi

4. MATERYAL VE METOT

4.6 Atomik Kuvvet Mikroskobu Analizi

Nos últimos séculos do período colonial, as atividades agropecuárias fizeram parte de um conjunto de fatores fundamentais para os processos de fixação de população em territórios desejados por Portugal. Em casos iguais a Goiás, essas atividades chegaram um pouco antes das explorações auríferas, formando os primeiros assentamentos rurais do território. Constituíam-se, portanto, em consideráveis elemen- tos de expansão da Capitania goiana, além de ser os importantes indica- dores das ações econômicas que aí se desenvolviam110.

Não só nessa Capitania, mas em toda a extensão da colônia ao longo dos séculos XVI ao XVIII, agricultura e pecuária se desenvolveram simultaneamente à conquista do território, ajudando a garantir terras para a metrópole. Uma primeira e clara evidência da importância da agropecuária na extensão e ocupação das terras coloniais pode ser notada, mais precisa- mente, com a conquista da Paraíba (1584 -1587) e do Rio Grande do Norte. No século XVI, os colonos dessas capitanias, marcadas pela defesa de territórios e de interesses políticos, como a expulsão dos franceses, ma- nifestaram um forte interesse em adquirir sesmarias para a formação de lavoura canavieira e criação de gado, mostrando a existência de um avanço paralelo aos primeiros movimentos de interiorização da colônia e às moti- vações para a efetiva fixação da população111.

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112 De acordo com Wehling, as fazendas de gado eram mais vantajosas que as de plantio de açúcar, porque estas últimas requeriam maior

quantidade de mão-de-obra e maiores investimentos. Além disso, a conjuntura internacional favorável à obtenção de bons preços de venda de gado. WEHLING, Arno; WEHLING, Maria José C. de. Op. Cit., p. 118.

113 WEHLING, Arno; WEHLING, Maria José C. de. Idem, Ibidem.

114 BERTRAN, Paulo. História da terra e do homem no Brasil Central. Eco-História do Planalto Central: do indígena ao colonizador. Brasília: Verano,

200, p. 60.

115 BERTRAN, Paulo. Op. Cit., p.60. 116 BERTRAN, Paulo. Idem, Ibidem. 117 BERTRAN, Paulo. Idem, Ibidem.

Um outro exemplo pode ser observado no período de expansão da Paraíba e do Rio Grande do Norte, quando se conquistou Sergipe e onde se desenvolveram também atividades agropastoris semelhantes às ocorridas nas demais capitanias. Mas, com Sergipe, fechou-se o quadro das modes- tas expansões do Seiscentos.

Após esse primeiro momento, a colônia passou então para uma outra expansão territorial que se estendeu do Rio Grande do Norte até São Vicente. Nessa nova região, estabeleceu-se uma população que se dedicou à extração do pau-brasil e à agricultura de subsistência, o plantio de milho, mandioca, trigo, arroz e hortaliças. Para a exportação, o açúcar e a pecuária. Esta última desempenhou, mais uma vez, importante papel na penetração territorial de outras regiões, com o estabelecimento de fazendas de gado na região do Recôncavo Baiano, no Rio Paraguaçu e, novamente, em Sergipe.

No século XVII, as fazendas de gado112 representaram, portanto, os primeiros fatores de interiorização

e ocupação territorial da colônia, constituindo-se no maior atrativo econômico para a fixação de populações. O açúcar, o pau-brasil, o tabaco e a agricultura de subsistência limitaram-se mais às regiões litorâneas.

De acordo com Wehling113, os principais núcleos de criação e, sobretudo, de difusão de

gado para outras regiões foram Pernambuco e Bahia. Em Pernambuco, as fazendas de gado se expandiram para Itamaracá, Paraíba e Rio Grande, territórios denominados “sertões de fora”. No sudoeste da Bahia, cuja expansão ficou conhecida por alcançar o “sertão de dentro”, formaram-se várias fazendas de gado que atingiram o norte de Minas Gerais, toda a extensão do Rio São Francisco até a altura do Gurguéia e do Canindé, afluentes do Rio Parnaíba. Destacavam-se nessas áreas os latifundiários Guedes de Brito e Garcia D’Avila Pereira, sendo que este último tentou, no ano de 1705 e com uma expedição de 400 homens armados, a conquista do sertão goiano, região de onde foram expulsos pelos índios Akroá114.

O avanço da pecuária rumo a Goiás, a partir da Bahia, pode ser observado também por um requerimento, de 1627, feito pelos moradores do sertão das Terras Novas (minas do norte de Goiás, situadas entre os rios Palma e Paranatinga e povoadas por Manuel da Costa) ao governador D. Luís de Mascarenhas. Segundo essa fonte, as primeiras entradas de gado nessa região se deu quando os “os moradores do sertão do Rio Grande [afluente da margem esquerda do São Francisco] intentaram conquistar os gentios mencionado [acoroassu], mas não conseguiu expulsá-los nem levá-los à paz e só puderam povoar uma fazenda de nome Sobrado [...]”115. Os fazendeiros foram obrigados a abandonar as Terras Novas em 1708, mas

deixaram seu gado “nesse sertão que conquistaram. [...]116, recomeçando “o seu comércio com as Minas de

Tocantins e Goiás, os sertões do Rio S. Francisco, Paranaguá e Piauí e as cidades da Bahia, Pernambuco e Maranhão”117.

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Afirma ainda esse requerimento que os fazendeiros retornaram à região de Goiás em 1730, con- quistando os Akroá-Açu a partir do Arraial de Palma. Daí, onde enfrentaram vários conflitos com os índios, partiram pelo Rio das Palmas para um sítio denominado Salgado, onde montaram um acampa- mento. Em 1734, exploraram os sertões até o Rio Paranatinga, no baixo curso do Paranã, e lá permane- ceram por algum tempo, povoando o lugar. Em 1735, os fazendeiros prosseguiram com sua conquista para o sul do Tocantins, onde descobriram as minas de São Félix. Continuando o percurso em direção ao norte da região, eles alcançaram o Arraial de São Luís, povoando-o com fazendas de gado, e assim ultrapassaram a Serra Geral, numa investida sobre o Rio da Palma, em pleno Vale do Tocantins.

Além das boiadas que chegavam das regiões do São Francisco, outras alcançaram Goiás vin- das das capitanias de Pernambuco e do Piauí. De lá seguiam para as Terras Novas, de onde se espalhavam para o seu vizinho, o descoberto de Arraias, e para outras campanhas, pois o gado era, [...] o sustento comum de brancos e negros, pela carestia da farinha e milho, pois este vale a cinco e seis oitavas, e aquela a dez, doze, e agora a quatorze e quinze, e só com a novidade presente se espera abate de preço, mas nunca pode ser causa de consideração porque a gente é muita e os frutos poucos e esses se vão de muito longe com grande trabalho, despesa e risco e perda de cavalos em que se conduzem, por cujo motivo me parece muito preciso conservar os ditos moradores das Terras Novas com suas fazendas de gados, que são um grande socorro para o dito descoberto [...] 118.

Socorro não só para um determinado descoberto, mas para todos os demais que também dependiam diretamente da pecuária para as suas sobrevivências.

Complementando esse quadro da exploração do território goiano por meio da pecuária, têm- se os currais que saíam de São Paulo e Minas Gerais pelo caminho de Jundiaí, seguindo a rota dos rios Atibaia, Jaguari-Açu, Mogi, Sapucaí, Pardo, Granai, das Velhas, Paranaíba, Veríssimo e Aruribá até o Arraial de Meia Ponte.

Com efeito, cabe destacar que em Goiás, antes da cata do ouro, expandiram-se fazendas que começaram a ocupar terras de pastagens naturais, boas para a criação de gado, tanto pelos sertões do Tocantins quanto pelos do Rio São Francisco, com movimentos que convergiram sobre as chapadas do Planalto Central. Eram paulistas e mineiros na parte sul do território e maranhenses, piauienses e baianos no norte e no leste. Já a agricultura, apesar de ter-se iniciado com essa expansão, terá seu maior impulso a partir da mineração. Por volta de 1756, havia “uma média de 500 rosseiros no território” 119, plantados ao redor dos arraiais, funcionando como núcleos

complementares de abastecimento e ajudando, com a pecuária e os caminhos, a garantir a ocupa- ção das inóspitas terras da Capitania de Goiás.

118 Carta do governador de São Paulo, D. Luiz de Mascarenhas ao Rei D. João V, de 1741. In: PALACIN, Luís; GARCIA, Leônidas Franco;

AMADO, Janaína. História de Goiás em documentos. Goiânia: UFG, 1995, p. 37-38.

CAPÍTULO IV

Benzer Belgeler