4. DENEYSEL TEKNİKLER
4.1. Kimyasal Banyo Biriktirme (KBB) Yöntemi
A imagem do robô Waste Allocation Load Lifter - Earth Class, ou Wall-E, sozinho no planeta a realizar um esforço aparentemente inútil e que se repete de forma ininterrupta nos enseja a lembrança do mito de Sísifo como discutido por Camus (2010).
Wall-E metaforiza nossas jornadas de trabalho, por vezes inúteis ao manipular um devir de lixo descartável e não extraordinário no próximo ou no imediato do pós- consumo. E também metaforiza nosso destino enquanto humanidade legado a nós pelo tempo moderno do século XX. Somos, segundo o escritor franco-argelino, estes homens do absurdo acorrentados à tarefas insanas e infindáveis como recolher e compactar entulho em uma terra completamente desabitada.
Sísifo desafiou os deuses e, capturado, teve como pena imputada o subir com uma pedra até o topo de uma montanha para, ao deixar rolá-la livremente abaixo, ter que reconstituir este esforço de modo sem limite. Wall-E é este Sífifo de um tempo em que a hecatombe da produção, da tecnologia e do consumo desenfreados nos legou um cenário de uma Terra de impossibilidades à vida humana.
Encontrar uma planta, por mais diminuta que seja, será se deparar com um sinal sagrado de vida, talvez de religação com divindades, talvez de incitação a uma nova cosmogonia, ambas capazes de reabilitar a vida humana, animal e vegetal, enfim a vida plena no planeta.
Eva, a robô por quem Wall-E se apaixona (a sua Barbra Streisand, materialização imaginária do onirismo oriundo de sua fixação no musical Alô Dolly), terá este papel messiânico fundamental e precisará de todo o empenho do robô amado para ser a portadora da mensagem do novo Êxodo.
Mas enquanto isso não ocorre, somente Wall-E e uma barata parecem ter sobrevivido à desgraça travestida de benesse vendida (e comprada por todos) pela megacorporação da tecnologia e do varejo chamada Buy-n-Large.
Com a saída integral da população após a ruína do mundo, outra solução casada com a maximização da cultura de consumo fora ofertada e implementada (comercializada) pela tirana empresa: a construção de uma nave espacial para abrigar toda a população global, a ser satisfeita pelos produtos e pelas tecnologias da própria BnL.
Produtos que aplacam desejos universais
dos habitantes da nave chamada Axiom, espécie de Canaã ultra tecnológica e informacional, responsável por manter vivo enquanto espécie, por cerca de 8 séculos, o homo sapiens
demens. Quase um milênio após sua diáspora programada tecnocientificamente e comercialmente pela Buy-n-Large, este sapiens demens transmutou-se.
Este animal tornou-se mais obeso pois que sedentário, inercial e hipercalórico, viu esfacelada sua qualidade de bípede, descartou a sexualidade e criou o mito de uma Terra originária desconhecida e acessível somente por meio de imagens emanadas pelo cérebro informacional presente na nave.
E com todas estas mutações, tornou-se insensível. Seu repertório cultural está inteiramente digitalizado, sendo acessível por meio de telas, de gadgets, de utensílios eletrônicos e computacionais e por uma enxurrada de monitores e luminosos.
Cumpriu-se desta feita a profecia de Virilio (1999) que já proclamava, em tempos em que o planeta ainda era habitável (o hoje), os perigos da iminente informática. No plano pessoal, o prejuízo à nossa sensibilidade e subjetividade seria inevitável devido à mediação cada vez mais onipresente da tecnologia em direção a nossas experiências.
Assim, com a progressiva digitalização das informações audiovisuais, táteis e olfativas, indo de par com o declínio das sensações imediatas, a semelhança analógica do próximo, do comparável, cederia lugar à verossimilhança digital do longe, de todos os longes, poluindo assim, de forma definitiva, a ecologia do sensível (Virilio, 1999, p. 111).
No comando da Axiom está um cérebro eletrônico, autônomo supremo que a tudo governa, inclusive se rebelando quanto ao líder humano do grupo, o capitão da nave mãe. A sua natureza orwelliana faz de Auto um opressor. Nem mesmo o comandante consegue domá-lo. E esta entidade eletrônica algoz tenta barrar o hiperssalto e assim negar a recolonização do mundo. Tudo em prol da perpetuação da compra e venda sem fim patrocinado pela BnL, e que nos legou uma terra morta.
Homens, mulheres e robôs foram subjugados e catequisados a uma vida para o consumo (Bauman, 2008a). A multiplicação das ações de consumo e a conversão dos cidadãos em consumidores, inclusive com o intricado jogo de auto afirmação embutido no ato de consumir exige que os sujeitos sejam, também eles, vendáveis. Mais ainda, tais sujeitos vendáveis nunca devem se dar e nunca se dão por satisfeitos, encontrando a instância suprema do mercado sempre apta a satisfazê-los com mercadorias.
Paulatinamente, criam-se cada vez mais objetos e necessidades, mesmo que artificiais, para serem satisfeitas nas lojas, supermercados e sites de e-commerce. Amplifica-se o ato de comprar e também se cria o fenômeno da obsolescência permanente dos objetos, com seus descartes e substituições sendo ações de conforto ao egocentrismo e à exacerbação do desejo de exposição inerente a esta sociedade.
Consumimos muito, não somente de modo irresponsável, como também hedonista, levando, de acordo com o filme, a Terra ao desaparecimento total da espécie humana e fazendo o castigo de Sísifo recair sobre o último ser sensível a habitar o planeta: o coletador e compactador de entulho Wall-E.
O fruto de nosso descarte fez apodrecer o solo e dizimar de homens, mulheres, animais e plantas. Talvez neste quesito resida um dos grandes saberes apresentados nesta produção da Pixar. Aquele que nos força a pensar no ato de responsabilidade, e não de narcísica celebração, que é comprar em excesso e jogar os produtos no lixo.
Consumidores plenos não ficam melindrados por destinarem algo para o lixo; ils (et elles, bien sûr) ne regrettent rien. Como regra, aceitam a vida curta das coisas e sua morte predeterminada com equanimidade, muitas vezes com um prazer disfarçado, mas às vezes com a alegria incontida da comemoração de uma vitória. Os mais capazes e sagazes adeptos da arte consumista sabem que se livrar de coisas que ultrapassaram sua data de vencimento (leia- se: desfrutabilidade) é um evento a se regozijar. Para os mestres dessa arte, o valor de cada objeto e de todos eles está tanto em suas virtudes como em suas limitações. As falhas já conhecidas e aquelas a serem (inevitavelmente) reveladas graças a sua predeterminada e preordenada obsolescência (ou envelhecimento “moral”, para distinguir do envelhecimento físico, na terminologia de Karl Marx) prometem uma renovação e um rejuvenescimento iminentes, novas aventuras, novas sensações, novas alegrias. Numa sociedade de consumidores, a perfeição (se tal noção ainda se sustenta) só pode ser uma qualidade coletiva da massa, de uma multiplicidade de objetos de desejo; o prolongado ímpeto da perfeição agora requer menos o aperfeiçoamento das coisas do que sua rápida e profusa circulação. E assim, permitam-me repetir, uma sociedade de consumo só pode ser uma sociedade do excesso e da extravagância – e, portanto, da redundância e do desperdício pródigo (Bauman, 2008a, p. 112).
A sociedade global pagou muito caro por esta abundância e por esta extravagância. Mas graças a Wall-E e a Eva (como Adão e Eva no Gênesis) e ao que restou de consciência e sensibilidade humanas no capitão da Axiom, o hiperssalto foi possível e a reconquista do planeta tornou-se realidade.
Que não tenhamos o mesmo destino. Que aprendamos com estes saberes.
Carros 2
Uma intriga internacional que tem como pano de fundo a necessária utilização em escala global das chamadas energias limpas amarra o enredo de Carros 2. Um vilão, o mega empresário Miles Eixo de Roda, promove um campeonato de corridas para publicizar o uso do novo combustível renovável por ele desenvolvido, chamado de Allinol.
O maior amigo do astro das corridas Relâmpago McQueen, o caipira caminhão reboque Mate, velho, enferrujado e dentuço, entra ao vivo por telefone em um programa de televisão para desafiar o carro de corrida italiano Francesco Bernoulli.
Bernoulli desdenha do desempenho de Relâmpago no World Grand Prix promovido por Miles Eixo de Roda. O desafio é proposto e aceito na hora por McQueen, que segue rumo a Tóquio para a prova com Mate junto à equipe.
Mas antes uma ação de espionagem britânica está em curso. O agente inglês Finn McMissile descobre em alto mar um conjunto imenso de plataformas de petróleo, nas quais o temível Professor Zündapp faz experimentos, sob salvaguardas de um grupo de carros velhos, pobres e de modelos fora do ano, todos movidos à gasolina comum. McMissile é descoberto, consegue fugir ao modo James Bond 007, mas não desvenda o mistério.
Em Tóquio, está para ocorrer a primeira prova do World Grand Prix de Miles Eixo de Roda, com todos os carros movidos a Allinol, combustível ambientalmente sustentável, não derivado de petróleo. Relâmpago McQueen, ainda arrogante, envergonha-se com o comportamento espontâneo, atrapalhado e caipira de um Mate sem riqueza financeira
e sem modos refinados, que se deslumbra com o universo milionário e midiático das corridas de automóvel cometendo inúmeras gafes.
E será em Tóquio, na primeira corrida do World Grand Prix, que o agente inglês McMissile e sua assistente Holley buscarão pistas sobre os planos malignos do Professor Zündapp. Um espião norte-americano entregará uma pista valiosa à dupla. Porém, há um equívoco e ambos se deparam com o atrapalhado Mate, pensando ser ele o agente da CIA ou do FBI, ali infiltrado na prova de corridas disfarçado de membro da equipe de Relâmpago McQueen.
Mate em verdade é membro da equipe de McQueen. Mas confundido com um espião, passa a ser o portador da pista que é colada em sua lataria, mesmo sem ele próprio saber.
Holley passa instruções por fone de ouvido a Mate, que já enamorado dela se confunde e reproduz as falas no microfone conectado ao campeão Relâmpago. McQueen
ouve as instruções, toma as atitudes erradas e perde aprova. Raivoso discute com o Mate que, humilhado, tenta voltar para a sua Radiator Springs.
Todavia, no aeroporto Finn McMissile e Holley “resgatam” aquele que ambos acreditam ser o agente americano Mate, um pseudo expert em disfarces, brilhante ao emular um carro caipira do interior americano. E Mate, caminhão reboque velho e antiquado que é, é fluente em analisar os carros velhos e antiquados que acompanhavam Professor Zündapp. Análise essencial para que o mistério em torno de Zündapp fosse desvendado.
Nesta busca por elucidar a trama ordinária os agentes secretos McMissile, Holley, e também Mate, percorrem Paris, localidades na Itália e, por fim, Londres. Enquanto isso os carros de corrida que participam do World Gran Prix e são movidos a Allinol explodem sem explicação durante as provas.
O que ocorre é que estes corredores são vítimas de sabotagem pelos criminosos orientados por Zündapp. Nas primeiras cenas do filme, McMissile identifica um artefato similar a uma câmera, que é um emissor de raios capaz fazer o Allinol dos carros de corridas entrar em combustão e, assim, explodir.
No meio da confusão, Relâmpago McQueen vence uma disputa sobre Francesco Bernoulli, acirrando a competição entre ambos. Mas a mesmo tempo em que comemora a conquista, o campeão
sente falta do amigo caminhão reboque. Mate, involuntariamente, está envolvido na investigação sigilosa, estando prestes a protagonizar o seu desfecho.
Após a prova vencida por Relâmpago e que teve Bernoulli como segundo colocado, na qual todos os carros ou explodiram sabotados, ou se envolveram em acidentes, o uso do combustível limpo Allinol é por demais criticado devido a um possível risco de explosão próprio e desconhecido em seu uso.
Em meio à suposta decepção da utilização do Allinol no World Grand Prix, o magnata e promotor da prova Miles Eixo de Roda abandona a idéia do combustível
verde, fazendo anúncio público de sua posição. Mas McQueen afirma que confia no Allinol e que vai correr a próxima prova movido a esta fonte de energia. E esta prova é o grande prêmio de Londres.
Relâmpago entra na lista de morte da quadrilha de Zündapp. Mas a tentativa de matá-lo por meio da explosão do Allinol durante a corrida em Londres fracassa. A esta altura, os espiões – McMissile, Holley e o neófito Mate, foram presos pelo bando do gangster e amarrados às engrenagens do Big Ben. E como os criminosos sabem que um McQueen cheio de remorso irá ao encontro de Mate, a saída para eliminar Relâmpago foi acoplar uma bomba ao caminhão reboque que deverá explodir e matar o campeão.
Os espiões se libertam e prendem Zündapp. Mas ele não sabe desarmar a bomba, desarmável por comando de voz e que não reconhece o tom do Professor. Ora, quem é então o malfeitor e qual é o plano em curso? Quem descobre é Mate, que revela o verdadeiro vilão da história: o empresário Miles Eixo de Roda. E a meta dele seria desacreditar mundialmente as tecnologias limpas mediante o fracasso proposital do Allinol.
Dono das inúmeras plataformas de petróleo descobertas por McMissile no começo do filme, Miles quer ver o domínio absoluto do petróleo e da gasolina no mundo.
Mate ganha reconhecimento, vira Sir do Império Britânico, sela a amizade com McQueen e ganha a paixão de Holley. E o planeta poderá caminhar rumo à sustentabilidade.