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fracionada e armazenado in vitro à diferentes temperaturas e períodos de estocagem

Vários estudos na espécie suína têm sugerido que os espermatozóides oriundos da fração representativa do pico de espermatozóides (P1), são aqueles que melhor sobrevivem à manipulação, incluindo a criopreservação (Sellés et al., 2001; Peña et al., 2003; Peña et al., 2004a). Embora as razões para isto não estejam completamente esclarecidas, sugere-se que o plasma seminal de porções específicas do ejaculado exerça um efeito positivo sobre os espermatozóides (Peña et al., 2003).

Como citado no tópico anterior (2.3), existem diferenças na quantidade e no tipo de proteínas totais do plasma seminal nas diferentes frações do ejaculado nos suínos; portanto, as diferenças de capacidade fecundante dos espermatozóides das frações, estão relacionadas às suas diferenças quantos as proteínas do plasma seminal (Caballero et al., 2004).

Vale enfatizar, contudo, que embora Saravia (2008) mencione que os perfis das proteínas do plasma seminal tenham sido muito estudados (Caballero et al., 2004; Caballero et al., 2005; Caballero et al., 2006; García et al., 2006; Jonakova et al., 2007; Manaskova & Jonakova, 2008), outros componentes do plasma seminal

como o conteúdo de íons de extrema importância para a função espermática, especialmente o cálcio e o bicarbonato (Rodríguez-Martínez et al., 1990; Rodríguez-Martínez, 1991), deveriam receber maior atenção.

Não se sabe, até o presente, as razões pelas quais os espermatozóides presentes na fração P1 do ejaculado apresentam maior resistência para sobreviver aos processos de

diluição, estocagem, e

congelamento/descongelamento.

Entretanto, diferenças na composição do plasma seminal associado a eles tem sido implicadas como o fator responsável (Rodríguez-Martínez et al., 2008).

Segundo Saravia et al. (2010), três aspectos têm sido considerados nesse processo: 1- a menor quantidade de proteínas do plasma seminal de origem das glândulas acessórias; 2- a presença de proteínas do plasma epididimário; 3- o menor conteúdo de bicarbonato. Todos esses fatores sugerem que a P1 mantém alguns recursos peculiares da cauda do epidídimo (Saravia et al., não publicado, citado por Saravia et al., 2010).

Além da leve diferença qualitativa e grande diferença quantitativa encontrada na P1 do ejaculado, no que diz respeito às proteínas do plasma seminal em relação às outras frações do ejaculado (Rodríguez- Martínez et al., 2005), essa fração também apresenta menor concentração do íon bicarbonato (Saravia et al., 2010).

O bicarbonato tem um importante papel na função espermática, como a de desencadear a motilidade espermática nos espermatozóides oriundos do epidídimo (Okamura et al., 1985; Rodríguez-Martínez, 1991), através da ativação direta da adenil ciclase nos mesmos. Sob certas condições

in vitro (Gadella e Van Gestel, 2004), ou in vivo (Tienthai et al., 2004), o bicarbonato

também é a molécula que inicia o rearranjo lipídico na membrana plasmática dos

espermatozóides, considerado um dos eventos iniciais da capacitação espermática (Harrison et al., 1996; Gadella e Van Gestel, 2004; Tienthai et al., 2004).

De acordo com Rodríguez-Martínez et al. (1990), a concentração do íon bicarbonato difere entre as três frações do ejaculado, sendo de 14.5±2.1 na fração pré- espermática, de 17.3±2.4 na fração rica, aumentando na fração pós-espermática, para 33.7±0.4 mM/L. De maneira comparativa, pode-se concluir que a fração P1 (10-15 mL da fração rica) apresenta a menor concentração de bicarbonato (13.7±0.6 mM/L) dentro do ejaculado (Saravia et al., 2010).

A concentração de bicarbonato também varia ao longo da tuba uterina, de 0.0±1.2mM/L no segmento do reservatório espermático, até 33.1±1.5mM/L na ampola, onde ocorre a fertilização (Rodríguez- Martínez, 2007). Considerando-se que os espermatozóides oriundos da P1 são os principais colonizadores do reservatório espermático na fêmea (Rodríguez-Martínez et al., 2005), Saravia et al. (2010) sugerem que as baixas concentrações de bicarbonato presentes em pontos específicos dos reservatórios espermáticos masculino e feminino seriam parte da estratégia para preservar esses espermatozóides intactos, até o momento da cobertura/ejaculação ou ovulação (Rodríguez-Martínez, 2007).

Considerando-se que os primeiros espermatozóides liberados da cauda do epidídimo estão presentes na P1 do ejaculado, Saravia et al. (2008) consideram que a baixa concentração de bicarbonato dessa fração se deve à presença de um volume ainda remanescente do plasma epididimário e baixa quantidade de secreção das glândulas vesiculares. Contudo, a menor concentração de bicarbonato na P1 levou a uma melhor sobrevivência dos espermatozóides dessa

congelamento/descongelamento, quando comparada à do restante do ejaculado (Saravia et al., 2007).

Com respeito às diferenças de viabilidade espermática observada entre essas frações do ejaculado, vários estudos indicam que os espermatozóides presentes na porção I (primeiros 10 mL da fração rica) resistem melhor às manipulações, tais como estocagem à temperatura ambiente, ao

resfriamento ou ao

congelamento/descongelamento em relação aos espermatozóides presentes na porção II (Rodríguez-Martinez et al., 2005). Diferenças na viabilidade espermática (motilidade e integridade de membrana) e alterações semelhantes a capacitação foram estudadas nos espermatozóides da porção I e comparadas às observadas nos da porção II, imediatamente após a coleta, após a estocagem a 18 ou 5oC e após o congelamento/descongelamento. De acordo com os autores, a fração do ejaculado teve um efeito significativo na integridade da membrana (p<0,01), sendo mais alta nas células espermáticas da Fração 1. Além disso, ao se avaliar os padrões de motilidade, a freqüência de espermatozóides apresentando movimento circular foi maior nos da Fração 2 (p<0,02).

Tem sido observadas diferenças quanto à sobrevivência espermática em diferentes frações do ejaculado. A cinética dos espermatozóides foi determinada por meio de análise computadorizada – CASA, em ejaculados de varrões durante a criopreservação e após o descongelamento, quando se observou ser a sobrevivivência espermática da Fração 1 (primeiros 10 mL da fração rica) superior à da Fração 2 (restante do ejaculado). As avaliações foram feitas em quatro estágios específicos: S1= após a coleta, sendo os espermatozóides diluídos em BTS; S2= à 15oC, após resuspensão dos espermatozóides em lactose-gema de ovo,

S3= à 5oC, após resuspensão dos espermatozóides em lactose-gema de ovo, glicerol e Equex; S4= aos 30 minutos após o descongelamento. Segundo os autores, a proporção total de espermatozóides móveis foi sempre maior na Fração 1 do que na Fração 2. A motilidade espermática apresentou-se superior na Fração 1 em relação à Fração 2 em todos os estágios (Rodríguez-Martinez et al., 2005), confirmando relatos anteriores da natureza benéfica dessa porção particular do ejaculado, no que diz respeito à manutenção da motilidade em suínos.

2.4.2.2 Fertilidade do sêmen de varrões

Benzer Belgeler