B. YASAL YÜKÜMLÜLÜKLER
1. KİMLİK TESPİTİ
Os eventos naturais adversos e os fatores indicadores da vulnerabilidade, antes de serem elementos participantes do risco, são fenômenos espaciais, portanto apresentam localização, distribuição e dimensões geográficas e, consequentemente, são passíveis de representação espacial. Ademais, por meio do mapeamento é possível a compreensão dos inter-relacionados destes no espaço, criando, assim, mecanismos para a identificação das áreas com maior ou menor risco de desastres.
O mapeamento dos riscos de desastres naturais constitui a ferramenta básica para a gestão eficientes destes fenômenos, uma vez que subsidia o processo de tomada de decisão, ao apontar espacialmente quais os municípios encontram-se mais vulneráveis às manifestações adversas do meio natural. As informações produzidas são fatores indicadores dos locais prioritários para a aplicação de investimentos e políticas que visem a prevenção e a preparação aos eventos naturais esperados.
A implantação de medidas de prevenção está associada à identificação das áreas potenciais para a ocorrência de desastres, em função da hierarquização dos cenários de risco. Marcelino, Nunes e Kobiyama (2006) afirmam que:
Um dos instrumentos de análise de risco mais eficientes é o mapeamento de áreas de risco. A partir deste mapa é possível elaborar medidas preventivas, planificar as situações de emergência e estabelecer ações conjuntas entre a comunidade e o poder público, com o intuito de promover a defesa permanente contra os desastres naturais. As medidas preventivas estão associadas à identificação das áreas com maior potencial de serem afetadas, onde são hierarquizados os cenários de risco e a proposição de medidas corretivas (MARCELINO; NUNES; KOBIYAMA, 2006, p. 73).
A partir do cruzamento entre o Índice Municipal de Vulnerabilidade Social (IMVS) e a frequência de Portarias de reconhecimento de desastre obteve-se o Índice Municipal de Risco de Desastres Naturais (IRDEN), o qual indica a amplitude do risco dos desastres naturais associados à dinâmica climática entre os municípios do estado do Ceará. A figura 76 apresenta o Mapa de Risco de Desastres Naturais do Estado do Ceará, a partir dos resultados obtidos no IRDEN.
A distribuição dos municípios entre as classes de risco revela que há certa homogeneidade, de modo que 26,63% possuem risco médio, 26,63% baixo, 22,28% alto e 19,02% muito baixo. A exceção é a classe muito alto, com apenas 5,43% dos municípios (Tabela 25).
Como observado, 10 municípios se encontram em situação de risco muito alto, situados, principalmente, nas macrorregiões dos Sertões Central, dos Inhamus e no Litoral Leste-Jaguaribe, espaços mais suscetíveis aos eventos naturais intensos, destacando-se as secas e estiagens.
Tabela 25 – Distribuição da intensidade de risco entre as macrorregiões
Macrorregiões Total de
Municípios Muito Baixo Baixo Médio Alto Muito Alto
Baturité 13 8 2 2 1 0 Cariri 25 1 6 11 6 1 Sertão Centro-Sul 15 0 6 5 4 0 Litoral Leste-Jaguaribe 22 0 5 8 7 2 Litoral Oeste 27 7 8 6 6 0 RMF 15 9 3 2 1 0 Sertão Central 20 0 2 5 9 4
Sertão dos Inhamus 18 0 4 8 4 2
Sobral-Ibiapaba 29 10 13 2 3 1
Fonte: autor.
Em termos de quantidade de pessoas em situação de risco muito alto há entre estes 10 municípios 249.176 residentes, correspondendo a 2,95% da população estadual. Tauá, na região dos Inhamus, possui a maior quantidade de pessoas nesta situação. Já a região do Sertão Central possui a maior quantidade de indivíduos em risco muito alto, abrangendo 146.463 habitantes.
Como indicado, os sertões secos cearenses apresentam maior risco, principalmente devido a frequente ocorrência de crises motivadas pelas secas/estiagens que, como exposto, decorrem das condições de suscetibilidade do meio natural às adversidades climáticas associadas ao estado de degradação social de parcela da população residente no estado.
Conforme os resultados do IRDEN, o município de Tauá apresenta o maior risco de desastres naturais, principalmente os promovidos pela escassez hídrica agravada pelas condições de vulnerabilidade social, sobretudo, em função da reduzida renda da população e do próprio município, além da baixa cobertura do esgotamento sanitário, diminuta presença de estabelecimentos e profissionais de saúde e pelo considerável número de habitantes entre as classes analisadas. É esperado que quando ocorram eventos naturais intensos, especialmente as secas, este município seja logo afetado pelos seus efeitos negativos, repercutindo diretamente sobre o bem-estar da população. Vale destacar que este é o principal
município da referida região, portanto apresenta maior capacidade de captar recursos técnicos e financeiros para superar os efeitos das crises instaladas.
Acrescenta-se que nos municípios sertanejos, além do quadro socioambiental acima exposto, o estado de degradação dos sistemas ambientais, em função dos históricos usos realizados, pautados sobre uma superexploração dos recursos naturais e reduzido tempo de recuperação dos mesmos, agrava as condições de exposição e resistência dos habitantes destes ambientes.
Esta situação de risco aos eventos naturais é vivenciada, com intensidades que variam entre “médio” a “muito alto”, em todos os municípios dos sertões secos cearenses.
Em contrapartida, as regiões de Sobral-Ibiapaba, RMF e Baturité apresentam a maior quantidade de municípios com situação de risco muito baixo.
Pacatuba, município da RMF, apresenta o menor risco de desastres naturais associados ao clima, tendo em vista que este nunca decretou SE ou ECP para os eventos aqui analisados, além de apresentar uma das melhores condições de vulnerabilidade social. Na mesma situação também estão Fortaleza, Maracanaú, Itaitinga, Guaiuba, Eusébio e Horizonte.
Nestes municípios há grossas camadas da população vivendo em risco, neste caso devido a maior probabilidade de crises decorrentes de inundações nas bacias urbanas. Entretanto, este resultado decorre da escala adotada, a qual privilegiou a análise comparativa entre os municípios que compõe o estado, de modo que mesmo o município com menor intensidade de risco, poderá estar sob condições negativas significativas, mas apenas menores em relação aos demais.
Tais diferenciações socioespaciais apenas poderão ser visualizadas através da análise de unidades espaciais menores, como bairros ou setores censitários, e mesmo assim com certo nível de generalismo, visto que no contexto da urbanização dos países em desenvolvimento há a mesclagem no espaço das condições de amenidades e riscos, de modo que convivem lado a lado os indivíduos com as melhores e as piores condições de vulnerabilidade.
Vale ressaltar que estes municípios, grosso modo, apresentam melhores condições para superar e resistir às adversidades, tanto em funções das condições de vulnerabilidade dos residentes, bem como devido a maior capacidade operacional, técnica e financeira dos agentes públicos atuantes na região metropolitana.