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No conjunto dos artigos que discutiremos a seguir, faz-se, reiteradamente, alusão a questões relativas à Reforma do século XVI, abrangendo-se outros movimentos e personagens históricos que a ela são relacionados pelos batistas em um longo período cronológico delimitado por balizas temporais que precedem mesmo o próprio o surgimento do protestantismo nas sociedades européias. No plano temático, o caminho da argumentação segue o viés da apologética à teologia protestante, encerrando um discurso em que o tema central e as suas variantes dão destaque às reivindicações religiosas

126 EDWARDS, Mark. V. Jr. Printing, Propagand and Martin Luther. Los Angeles: University of

circunscritas a um longo processo histórico, com as quais procuram fazer frente a certos dogmas e práticas do catolicismo contemporâneo.

No artigo integralmente reproduzido abaixo, o Jornal Batista publica uma biografia de Gutenberg, traduzida do jornal inglês The Independent, em comemoração ao quinto centenário de seu nascimento. Através da publicação desta matéria, procuram informar os seus leitores fornecendo-lhes dados sobre a sua vida pessoal, narrando particularidades técnicas do processo tipográfico inovador que desenvolveu, perscrutando meandros de sua trajetória no mercado da impressão de livros; e, principalmente, explicando o motivo pelo qual o inventor da imprensa é homenageado no meio protestante com grande deferência: o fato de sua invenção ter possibilitado a rápida e ampla difusão da Bíblia, que passou a ser impressa e traduzida para diversos idiomas, viabilizando a realização do precípuo chamado vocacional dos missionários evangélicos. Na narrativa é perceptível o mecanismo que foi repetidas vezes utilizado pelos batistas: as tentativas de incursão pelas veredas da história, neste caso particular, referendando a construção que cunhou a imagem de Gutenberg no imaginário popular alemão (e protestante, em geral), como uma espécie de patrono do protestantismo.

A Allemanha acaba de celebrar de modo muito apropriado o quinto centenario do anniversario natalicio de Johann Gutenberg, o inventor da arte de imprimir, um dos mais notaveis e distinctos de seus filhos. Na linda e antiga cidade de Rhim, Mayence, o torrão natal do inventor, teve lugar uma exposição do melhor e mais curioso que a arte de imprimir tem produzido nos ultimos quinhentos annos. Percorreu as ruas da cidade uma procissão historica reproduzindo os costumes do tempo de Gutenberg. Centenas de escolares e especialistas na arte typographica de toda a Europa vieram prestar homenagem á memoria do grande homem. Houve excurções festivas no rio historico, e á noite illuminação. – Uma celebração em tudo muito digna. Ninguem pode acusar os allemães de esquecerem se da memoria dos seus grandes homens [...]

[...] É á sociedade de Gutenberg & Fust que nós devemos as celebres Biblias de Gutenberg, das quaes haviam duas, a primeira (1453-1456) com 42 linhas por paginas, e a segunda com 36 linhas. Somente trinta e um exemplares da Biblia de 42 linhas sabe-se existirem hoje e da de 36

linhas somente nove exemplares mais ou menos completos. É provavel que a edição da Biblia de 42 linhas não fosse superior a cem exemplares. Pouco tempo depois da sua publicação em 1456, um exemplar da Biblia de 42 linhas foi vendido em Mayence por quarenta guldens de ouro, ou, mais ou menos 350$000 reis. E ha pouco tempo em Londres um exemplar perfeito foi elevado ao enorme preço de 9:500$000 reis. Nos dá prazer em pensar que esse ancião de Mayence reconheceu a necessidade de publicar a Biblia. Foi isso que induziu-o a seu trabalho, e nós nos sentimos gratos a elle pela grande parte que tomou em nos habilitar para esse trabalho agora, quinhentos annos depois de seu natalicio, a circular em quasi todas a linguas da terra milhões de exemplares do mais glorioso de todos os livros127 (JB, 20 mar. 1901, grifo nosso).

Nesta nota tão sucinta, distingue-se um outro recurso textual, por intermédio do qual remetem a Gutenberg indiretamente, relembrando quase despretensiosamente - e em “linguagem telegráfica” - informações sobre aquele que os batistas aclamam como o seu mais fecundo trabalho: a primeira impressão da Bíblia.

A Primeira Biblia – A primeira Biblia impressa foi nos anos de 1450- 1455. Constava de dois volumes, que reunidos tinham 1.282 pags. Dessa primitiva edição ainda existem alguns exemplares, o que prova que o trabalho era primoroso128.

Através da forma de estruturação e conteúdo argumentativo do texto são relevadas as participações de personagens históricos, de origem protestante, no desenvolvimento de diversas áreas do conhecimento humano. Cabe, neste âmbito, a observação de que o nome de Gutenberg é enaltecido como o primeiro em uma longa lista de proeminentes personalidades, cuja genialidade e pioneirismo teriam legado à história notáveis contribuições. É traçado, no artigo, um quadro das grandes realizações de protestantes ilustres, responsáveis pelo processamento de inovações revolucionárias em variados segmentos. O invento de Gutenberg ocupa a primeira posição – o lugar mais distinto – na relação que evoca algumas das mais admiráveis descobertas no campo científico. A

127 Johann Gutenberg (Do Independent). O Jornal Batista. Rio de Janeiro. 20 mar. 1901, p. 3. 128 A Primeira Bíblia. O Jornal Batista, Rio de Janeiro. 10 dez. 1901, Echos ad Campanha.

importância do advento da imprensa enquanto agente de transformação social, cultural e religiosa, aparece tacitamente vinculada ao protestantismo, na medida em que teria sido o principal suporte material no processo de propagação do ideário do movimento, ao multiplicar a audiência e o espaço de atuação dos missionários, no seu diligente trabalho de divulgação da Bíblia e dos preceitos evangélicos. Novamente, faz-se menção indireta à imprensa como o fulcro material que auxilia a mais nobre tarefa levada a cabo pelo protestantismo: fazer chegar aos diversos povos do mundo as Escrituras Sagradas em seus próprios idiomas.

Os Protestantes baseam a sua religião na Escriptura Sagrada, lei de Deus, a qual já traduziram em quatrocentas linguas, e se esforçam por fazel-a chegar ás mãos de toda a creatura de Deus. D´ahi vem a

emancipação da intelligencia e da alma, à liberdade dos escravos e a salvação das nações da tyrania do Papa e dos reis. Aos protestantes se deve hoje a liberdade religiosa e a forma republicana de governo. Mais de doze mil homens sahiram da Inglaterra, Estados Unidos e Alemanha e se acham localisados entre as nações, para ensinar ao povo a lei de Deus. Os protestantes tornaram geral e solida a instrucção, por tanto tempo encerrada nos muros dos conventos. Augmentaram milhares de vezes as riquezas materiaes do mundo, enchendo-o de uma prosperidade e felicidade jamais sonhadas. Têm em suas mãos a balança do destino das nações. Hoje o sentimento mais forte do mundo gravita sobre seus principios. Os primeiros estadistas, os primeiros sabios, os primeiros oradores do mundo se encontram hoje no meio d´elles.

Qual é a nação que póde comparar-se com as protestantes em cultura intellectual, moral e physica? Estão na vanguarda de tudo quanto é bom e util, em todos os ramos de actividade humana.

GUTEMBERG, protestante, foi inventor da imprensa, a qual mediante HOE, protestante faz trinta mil impressões por hora na machina rotativa129 (JB, 10 out. 1901, grifo nosso).

Neste artigo intitulado, a pauta continua sendo a imprensa – “essa filha de João

Gutemberg, uma das melhores invenções do século XV”; porém, surge um novo componente no discurso que é a diferenciação entre os fins a que este meio de comunicação eficaz poderia potencialmente vir a servir. O prelo é retratado como poderoso instrumento a serviço do progresso, da instrução e da edificação moral, quando não

manipulado em favor do avanço do processo de secularização. A propaganda do cientificismo nos jornais, caso levada às últimas conseqüências, poderia incorrer em uma vaga de ceticismo que acreditavam ser nociva à sociedade, cuja ordem se mantinha através do predomínio da justiça, do respeito social e da preservação dos bons costumes - princípios que os batistas entendem como indissociáveis da obediência às leis de Deus prescritas nas Escrituras. Reconheciam o trabalho da imprensa como um sustentáculo na promoção do bem estar social, desde que não negasse os valores inerentes ao Cristianismo e facultasse a disseminação dos ensinamentos bíblicos. A última frase do artigo é um mote emblemático: “Salve a imprensa, e viva o Evangelho”.

Neste seculo do Evangelho, dizer-se que o prélo é o melhor alimento da vida moral e social, é um ridículo; e que lutando pelo bem estar da sociedade, estabelece bons costumes, reprime o erro e engrandece a pátria! Esse preceptor incansável, não póde ser o conselheiro previdente, o juiz recto e o partido do progresso, quando declara que a sua religião é a sciencia em toda prenitude. O que é uma sociedade sem religião? É um edifício sem alicerces, que ao menor abalo se desmorona.

Essa filha de João Gutemberg é uma das melhores invenções do século XV, mas a chave social que póde estabelecer bons costumes no elemento da vida social só póde ser a pedra (Jesus) que os edificadores regeitaram.

O Jornal é bom conductor de propaganda por inhospitas paragens, embrenhando até aos recônditos das famílias, porém deve ser baseado em ensinos instructivos de edificação e respeito social. O melhor meio de plantar bons costumes está na obediência ao Supremo Legislador. Sua lei é perfeita e refrigera as almas que se acham desviadas. Seus preceitos são rectos, fieis e alegram o coração pelo mandamento puro que allumia os olhos cegos. La lumiere est (Jesus) venue au monde, et les hommes ont mieux aimé les tenibres que la lumiere. O temor do Senhor é mais desejável do que as sciencias, e por elle é admoestado o homem para boas obras. Os maiores engenhos devem confiar pouco nas suas luzes; só uma submissão poderia evitar o perigo do erro. Qui esuque boit de cette et auci aura encore soif. Salve a imprensa, e viva o Evangelho130 (JB, 12 set. 1902, grifo nosso).

Nos artigos veiculados nos dias 15 de dezembro de 1905 e 15 de janeiro de 1906 (os quais vêm ao público com o mesmo título “Por que Protestantes?”), os articulistas do Jornal

Batista fazem um tipo de preleção dirigida à sociedade brasileira, exteriorizando a sua preocupação em distar-se do equívoco de apelar, através do uso da palavra impressa, para um tipo de proselitismo desvinculado do compromisso de incutir em seus leitores a sede do conhecimento bíblico. Deveriam, portanto, prestar-lhes maiores esclarecimentos sobre os princípios religiosos que apregoavam, para que não se reincidisse no erro da religião majoritária de fomentar uma espécie de religiosidade “dogmática, superficial, automatizada”... Buscavam inspirar em seus interlocutores um forte sentimento de identificação religiosa, que deveria resultar do livre exame das proposições doutrinárias da denominação batista, em um processo de assimilação que deveria conter em si uma profunda reflexão teológica, muitas vezes realizada à luz do conhecimento histórico.

Os batistas fazem uma crítica ao sistema religioso local argüindo a filiação religiosa majoritária ao catolicismo vivenciada pela maioria absoluta da população brasileira, alegando não ser este posicionamento, na maioria das vezes, fruto de uma adesão voluntária e consciente, mas mera perpetuação de um tradicionalismo religioso autômato, enraizado irrefletidamente. Eles afirmavam que muitas pessoas desconheciam os fundamentos de suas crenças, não sendo capazes de justificar os motivos pelos quais depositavam a sua fé no credo que professavam, exemplificando que “havia especialmente

um grande numero de catholicos que não podiam dar outra razão melhor do que a de terem sido baptizados e chrismados pelos ministros de sua religião”.

O título dos dois artigos repete a indagação “Por que Protestantes?”, recurso lingüístico que lhes confere o teor conotativo de uma espécie de sondagem auto-reflexiva, ao mesmo tempo em que o texto se propõe objetivamente a elucidar questões cruciais ao entendimento de algumas diferenças categóricas entre o pensamento teológico católico e

protestante, tendo sido feita a observação de que muitos evangélicos não tinham clareza sobre os seus principais pontos de incongruência. O texto apresenta uma definição para o termo protestante caracterizada pela utilização da breve explicação de cunho histórico, associada ao emprego da semântica:

A palavra protestante significa alguém que protesta. No anno de 1529, doze annos depois do começo da Reforma na Allemanha, os principes evangélicos allemães fizeram um protesto formal contra aquele decreto da Dieta imperial, que os privava daqueles direitos de adorarem a Deus segundo as suas próprias consciências. Por causa desse protesto foram elles appellidados de protestantes, nome esse que ora é applicado a todas as egrejas christãs que advogam os princípios da Reforma allemã131 (JB,

15 dez. 1905).

Sucintamente, são levantados neste artigo alguns dados históricos como a convocação da assembléia imperial em 1529, na qual os príncipes germânicos católicos e Carlos V rescindiram a maior parte dos atos de tolerância religiosa que haviam sido concedidos aos seguidores de Lutero. Os batistas colocam-se em concordância com o protesto realizado na Dieta de Speyer em agosto de 1529, quando os príncipes luteranos declinaram esta decisão, situando a denominação como um dos integrantes de um amplo movimento religioso que antecedeu a sua própria formação institucional no século XVII, vinculando-se ao protestantismo enquanto grupo cristão defensor do direito à liberdade de consciência religiosa e co-participante de algumas das principais reivindicações, no âmbito teológico, requeridas pela da Reforma do século XVI.

Antes da abordagem do assunto elementar – a exposição dos dogmas do catolicismo contra os quais protestam – destacam as duas premissas que fazem convergir a fé católica e a protestante para um espaço de conciliação que transcende quaisquer limites impostos pelas divergências existentes entre os dois pensamentos religiosos: “a importante doutrina que

Jesus Christo é o Filho de Deus, e que elle morreu afim de expiar nossos pecados” . Através do jornal, os batistas fazem o reconhecimento público de que, a despeito das diferenças, entendem que o catolicismo tal qual o protestantismo prega os princípios fundamentais do Cristianismo, ensinando a seus fiéis muitas das verdades espirituais que estão reveladas nos Evangelhos (razão pela qual devem reconhecer “que os seus ensinos

não são todos errôneos”).

Não obstante à tênue iniciativa de aproximação, as matrizes temáticas dos artigos tratam comparativamente da falta de correlação de certas idéias religiosas ou mesmo da existência, em alguns casos, de uma relação de antítese entre alguns axiomas apregoados pela Igreja Católica e alguns dos conceitos fundamentais do protestantismo. É criticada a posição da Igreja Católica relativa à Bíblia, contestado o dogma da infalibilidade papal (o que inclui a recusa da tese do primado da igreja romana) e contraposta a doutrina da salvação pelas obras. A discussão tem como pano de fundo a rejeição do valor absoluto que o catolicismo imputa à tradição e ao poder decisório da sé romana, em detrimento da aceitação das Escrituras como máxima e exclusiva autoridade (postura que os batistas tomam como falta de desvelo para com a prática exegética, de onde acreditam advir as lacunas e contradições encontradas nas doutrinas que consideram equivocadas).

Protestamos, portanto, em primeiro logar, contra a posição da Egreja Catholica Romana acerca das Escripturas Sagradas. O concilio geral da Egreja, convocado em Trento, declarou:<<Toda a verdade salvadora não se acha nas Escripturas, mas em parte na tradição; e quem não receber a tradição da mesma forma que as Escripturas seja anathema>>. Assim ensinam, não somente que a

tradição humana é de auctoridade egual á Palavra de Deus, mas, tambem que serão condemnados todos os que com ella não concordarem. A Egreja Romana tem sempre se esforçado em evitar a leitura da Bíblia pelos seus adeptos, dando tal direito exclusivamente ao clero : e muitas vezes tem chegado a queimar a Palavra Santa afim de evitar que o povo acceite as verdades nella apresentadas. Cremos que os ensinos de que

as Escripturas não contém toda a verdade salvadora e de que as tradições têm auctoridade egual á das Escripturas, são a fonte de

toda a falsa doutrina e especialmente de todos os grandes erros que têm entrado na Egreja Catholica. Os males de taes ensinos são d’uma

forma mais extensa; e, por isso, estamos obrigados a fazer contra elles um protesto vigoroso132 (JB, 15 dez. 1905, grifo nosso).

Protestamos tambem contra a doutrina de Roma que somos justificados pela fé e pelas obras; porque Deus declara na Sua Santa Palavra que somos justificados somente pela fé, como se vê em Romanos 3:28 “Concluímos pois que o homem é justificado pela fé sem

as obras da lei”; tambem em Romanos 4:6 “Bemaventurado o homem a quem Deus imputa a justiça sem as obras” ; e em João 6:29. “A obra de Deus é esta, que creiaes n’Aquelle que enviou”. É verdade que as boas

obras são o resultado necessario da fé, e a parte necessaria á vida christã : e não há verdadeira fé que não produza boas obras ; mas uma vida de bôas obras de nada vale emquanto não formos perdoados e justificados por Deus.Tudo quanto Deus exige de nós para

nos perdoar e justificar é uma verdadeira fé. “Como está escrito; o justo viverá pela fé”. Romanos 1:17. Protestamos contra os ensinos que as

nossas obras são necessárias para nos justificarem perante Deus; porque cremos que em assim ensinarem, os catholicos negam que a obra de Christo seja sufficiente, bem como tiram d’Elle uma parte da gloria na nossa salvação. Cremos que os nossos melhores esforços

são de tal forma misturados com pensamentos maus que não temos merecimentos algum perante nosso Pae; e, portanto se a nossa justificação dependesse em parte das nossas obras, o mais fervoroso crente não poderia ter certeza de ser justificado nem ter uma base satisfactoria da sua paz 133 (JB, 15 jan. 1906, grifo nosso).

Com a apresentação dos artigos que selecionamos abaixo, intitulados respectivamente, Luthero – sua profissão de fé (de 21/10/1909), Luthero (de10/06/1901), Protestantismo de (10/12/1901), Protestantismo II (de 30/12/1906), Em que differem Catholicos e Protestantes (de 20/11/1904 e 30/01/1905), buscaremos estabelecer um diálogo entre as matérias veiculadas no periódico e o conteúdo da pesquisa historiográfica que realizamos sobre a Reforma na subseção anterior. Pretendemos focar o modo como alguns tópicos desenvolvidos no segundo capítulo deste trabalho surgem na redação do Jornal Batista, levando a efeito as discussões sobre a teologia luterana e a personagem histórica do reformador, na forma de argumentos que advogavam em favor de sua conduta moral,

132 DUNSTAN, A.L. Por que Protestante? As Escripturas Sagradas e a tradição. O Jornal Batista, Rio de

Janeiro, 15 dez. 1905, p. 2 (210).

133 DUSTAN, A.L. Por que Protestante? A Doutrina das Obras. O Jornal Batista, Rio de Janeiro, 15 jan.

engendrando uma defesa de suas ações aduzida da valorização da dinâmica de suas propostas religiosas

No dia vinte e um de outubro de 1909, os batistas publicaram a profissão de fé de Lutero, artigo em que transcrevem a declaração da proposição teológica que fundamentou a elucubração do credo protestante: a doutrina da justificação pela fé; e atentam, através da reprodução da fala de Lutero, para a necessidade da observância estrita das Escrituras como suprema instância reguladora do organismo eclesiástico e da vida religiosa, apesar das sanções do papado contrárias a este paradigma do movimento evangélico. Pode-se depreender do texto a crítica dos batistas à prédica católica de que as boas ações do homem poderiam contribuir para a remissão de seus pecados, conceituação teológica que prevê a cooperação entre fé e obras como valores espirituais equivalentes para a obtenção da salvação da alma. A sentença proferida por Lutero, no momento correspondente à eclosão da Reforma Protestante, quando reproduzida nas páginas do jornal, volta-se a trazer à audiência contemporânea informações de caráter histórico e ensinamentos teológicos que se destinam a suscitar novas reflexões e questionamentos sobre o corpo de crenças e práxis do catolicismo.

Como talvez nem todos a conheçam, damos aqui a celebre profissão de fé de Luthero: Eu, Martinho Luthero, um indigno pregador do

Evangelho de nosso Senhor Jesus Christo, assim professo e assim creio, que a doutrina que fé sem obras pode justificar um peccador perante Deus, nunca poderá ser aniquilada, nem por imperador nem pelo turco, nem pelo papa, com todos os seus cardeaes, bispos, sacerdotes, monges, freiras, reis, principes, poderes do mundo; não,

nem ainda por todos os demonios do inferno. Este artigo de fé ha de permanecer, quer elles queiram quer não. Este é o verdadeiro Evangelho, que Jesus Christo, e só Elle, nos remiu de nossos pecados. Esta é uma