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2.6. Örgütsel Sinizm İle İlgili Faktörler

2.6.1. Kişisel faktörler

O universo semântico se estrutura em dois polos opostos: o indivíduo e a

sociedade. Dessa tensão em movimento se origina o léxico. (BIDERMAN, 2001, p. 139).

A partir dos anos 60, os trabalhos de Labov trouxeram a questão da relação íntima

entre a língua e a sociedade para a Linguística, tendo-se em conta parâmetros de variação

linguística como a geografia, a idade, a classe social dos falantes etc. Com os trabalhos da

Sociolinguística, variedades linguísticas pouco reconhecidas socialmente passaram a ser

tomadas como igualmente válidas e dignas de estudo.

Ao nível dos estudos do léxico, esta mudança teve consequências; a principal delas foi

a concepção clara de que o léxico já não pode ser encarado meramente como o depositório

das unidades lexicais e suas respectivas idiossincrasias, mas antes como uma componente da

gramática que, apesar das suas especificidades (tais como o fato de ser um sistema aberto e

em expansão), apresenta as suas regularidades próprias e uma forma de estruturação

específica, além de refletir a cultura dos falantes que dele fazem uso.

A Lexicologia poderia ser definida, então, como a disciplina científica que se ocupa do

estudo do léxico de uma língua e como o estudo dos mecanismos de produção e de

atualização dos itens lexicais, considerando-se a dimensão social na análise da significação.

Sua definição, sua legitimidade como ciência e sua área de abrangência foram bastante

questionadas entre os estudiosos, visto que o léxico, por ser um sistema aberto e em expansão,

é uma área difícil de receber uma abordagem sistêmica e ser formalizado em regras.

Para Biderman (1981), a Lexicologia estuda as palavras de uma língua em todos os

seus aspectos e tem uma ligação com a semântica. Costuma ser definida como “a ciência do

léxico duma língua” e estuda o relacionamento das palavras com os restantes subsistemas da

língua, incidindo, sobretudo, na análise da estrutura interna do léxico, nas suas relações e

inter-relações.

Dessa forma, é preciso entender o léxico também como o conjunto de lexias que cada

indivíduo retém na memória e que possibilita a transmissão de pensamentos, ideias, desejos,

emoções, a cada ato de fala. Biderman (1998, p. 81) considera que “a geração do léxico se

processou e se processa através de atos sucessivos de cognição da realidade e de

categorização da experiência, cristalizada em signos linguísticos – as palavras.”

Aliás, em torno do conceito de palavra existem definições adversas, terminologias e

tendências, quanto à sua concepção e uso. Biderman (1998, p. 73), diz que “a noção de

palavra varia conforme o nível de consciência do falante”.

Vilela (1979, p. 17) considera ser a palavra o elemento significativo que constitui o

sistema basilar da língua. Reconhece as várias acepções dadas, e considera o lexema como a

principal unidade do léxico e esclarece: “Se a palavra é difícil de definir, a intuição dos

falantes apercebe-se dela e assegura que ela existe”.

Segundo Coseriu (1977), o objeto de estudo dessa ciência é a estrutura do vocabulário

da língua, sua composição, variedade, origem, mudanças históricas e adaptação às condições

sociais da comunidade.

O linguista Coseriu (1980), através de seus estudos, substitui o vocábulo Lexicologia

por Lexemática. Para ele, a significação lexical – objeto da Lexemática – parte como

conteúdo das palavras lexicais e distingue-se de outros tipos de significado, tendo um valor de

existência presente nas frases.

Considerando Matoré (1953), lexicólogo francês, a Lexicologia é uma disciplina

sociológica que se utiliza das palavras como material linguístico; essa possui um caráter

interdisciplinar, em que o nível lexical é o menor de todos os níveis da língua, dada a

necessidade de recorrer sempre a elementos extralinguísticos no processo de explicação do

significado de determinadas lexias. Atualmente, com o estatuto da Lexicologia como

disciplina linguística, essa é uma concepção que merece ser, no mínimo, revista, por ser já

ultrapassada.

Lexicologia, hoje, é também vista como o estudo dos mecanismos de produção e de

atualização dos itens lexicais, o que não significa que se deva deixar de valorizar a dimensão

social na análise da significação; pelo contrário, dá-se pela a recuperação de pontos

relacionados ao contexto externo que influenciam a definição do significado.

A esse respeito, Biderman (1998, p. 11 e 12) afirma:

O léxico de uma língua constitui uma forma de registrar o conhecimento do universo. Ao dar nomes aos referentes, o homem os classifica simultaneamente. Assim, a nomeação da realidade pode ser considerada como a etapa primeira no

percurso científico do espírito humano de conhecimento do universo. Ao identificar semelhanças e, inversamente, discriminar os traços distintivos que individualizam esses referentes em entidades distintas, o homem foi estruturando o mundo que o cerca, rotulando essas entidades discriminadas. É esse processo de nomeação que gerou e gera o léxico das línguas naturais.

O estudo do léxico possui uma grande tradição. Já na Linguística Românica, entre os

séculos XIX e XX, assinala-se a produção de trabalhos em três áreas da Lexicologia,

evidenciando a relação entre léxico e cultura: i) a Semântica Evolutiva ou História das

Palavras; ii) o domínio conhecido como de “Palavras e Coisas”; iii) a Geografia Linguística.

Nas décadas de cinquenta e sessenta, com a Teoria da Informação, a Lexicologia

sofreu um grande impulso teórico, pois foram produzidos trabalhos e pesquisas relacionados a

estudos quantitativos e probabilísticos em torno do léxico. Surgia a preocupação de estudiosos

e pesquisadores quanto à definição do objetivo da Lexicologia.

Contemporaneamente, o tratamento dado ao léxico tem propostas, teórico-práticas,

provenientes das mais diversas correntes da Linguística, principalmente, do Estruturalismo.

O estudo lexicológico moderno parte da noção da palavra como unidade de

significação formada por elementos foneticamente articulados e inseparáveis, com

possibilidades de comutação em vários níveis.

Antunes (2007, p. 42) define o léxico da seguinte forma:

O léxico é um conjunto relativamente extenso de palavras, à disposição dos falantes, as quais constituem as unidades de base com que construímos o sentido de nossos enunciados. [...] É mais do que uma lista de palavras à disposição dos falantes. É mais do que um repertório de unidades. É um depositário dos recortes com que cada comunidade vê o mundo, as coisas que a cercam, o sentido de tudo.

Apesar da coerência da definição de Antunes (2007), o termo palavra não alcança

tudo o que cabe na conceituação de léxico. Biderman (2001, p. 169-171) pontua ainda que há

imprecisões inerentes tanto ao termo palavra quanto a vocábulo, e pontua que, por

entenderem que esses termos se prestam a imprecisões, os linguistas adotaram os termos

lexema, para designar a unidade léxica abstrata em língua e lexia, para a manifestação dessas

formas no discurso. A autora ainda contrasta os termos léxico (acervo dos lexemas de uma

língua) a vocabulário (conjunto de lexias registradas na obra de um autor, por exemplo)

(BIDERMAN, 2001).

Optamos pela nomenclatura vocabulário das rendeiras por entendermos o léxico como

todo o acervo vocabular de uma língua, em que se incluem todas as lexias: as existentes, as

que caíram em desuso e, inclusive, as que são passíveis de existir. Inserido no léxico da

língua, há, ainda o léxico mental, que é tanto o conjunto de unidades léxicas armazenadas na

memória de longo prazo, sempre presente quando participamos de um ato de fala, quanto o

conhecimento internalizado de padrões gerais de estruturação que permitem a interpretação ou

produção de novas unidades lexicais. Este subdivide-se em léxico real e virtual. Enquanto que

é no léxico real que se encontra o conjunto total de palavras da língua, o léxico virtual

abrange o conjunto de padrões que determinam as construções lexicais possíveis e sua

interpretação.

Em relação a essas possibilidades de novas construções lexicais, Ferraz (2006) ressalta

que a mudança, uma característica das línguas naturais, é mais evidente no léxico, uma vez

que o léxico é um fenômeno permanente e a inovação lexical é um recurso das línguas para

sua continuidade, é prova da vitalidade da língua. Como o léxico categoriza o conhecimento

humano na forma de palavras, Biderman (1998) lembra que o crescimento do léxico faz-se

numa progressão geométrica, devido à criação contínua de palavras novas, o que faz com que

a possibilidade de sua ampliação seja praticamente infinita.

O vocabulário, por sua vez, é o conjunto de lexias de que o falante faz uso para se

comunicar; ou seja é um recorte do léxico. A respeito dessa distinção entre léxico e

vocabulário, Almeida e Correa (2012 apud RAZKY et al, 2014, p. 210) acrescentam

Aquele é um conjunto virtual de todas as palavras da língua, incluindo as novas, as arcaicas, as atestadas e aquelas que são possíveis ao levarmos em consideração os processos de construção de palavras disponíveis, ou seja, palavras que poderão existir; enquanto este é um conjunto factual de todos os vocábulos atestados num determinado registro linguístico, constituindo-se em um conjunto fechado de todas as palavras que ocorrem de fato no discurso.

As unidades lexicais organizam-se em um vocabulário comum a toda a comunidade

linguística, compartilhado, de uso geral (parte mais extensa do léxico), e em vocabulários

especiais, de uso restrito, os quais não são compartilhados por toda a comunidade, pois são

gerados por grupos sociais, como as rendeiras do município de Raposa.

Considerando-se a estreita relação entre história da língua e história de um grupo

social, o léxico de uma língua simboliza, sobretudo, um patrimônio cultural, pois o universo

vocabular de um grupo sintetiza a maneira e a forma com que seus membros estruturaram o

mundo que os rodeia e designaram as diferentes esferas do conhecimento. Isto porque “o

universo conceitual de uma língua natural pode der descrito como um sistema de categorias

léxicas. As palavras geradas por tal sistema são chamadas rótulos, através dos quais o homem

Sobre essa interação do homem com seu meio, tendo como enfoque o léxico, Souza

(2008, p. 21) ressalta que:

Por meio do léxico, a língua revela características peculiares do local onde se vive como, também, das crenças e costumes de um grupo social. No ato de nomear, conservando ou criando palavras, ou mesmo no ato de se comunicar, é que se evidencia a importância do léxico, o seu papel como elemento revelador de aspectos socioculturais de uma comunidade.

Isquerdo e Krieger (2004, p. 11) dizem, a esse respeito:

Na história das diferentes civilizações a palavra sempre foi mensageira de valores pessoais e sociais que traduzem a visão de mundo do homem enquanto ser social; valendo-se dela o homem nomeia e caracteriza o mundo que o rodeia, exerce seu poder sobre o universo natural e antropocultural, registra e perpetua a cultura. Assim, o léxico como repertório de palavras das línguas naturais traduz o pensamento das diferentes sociedades no decurso da história, razão por que estudar o léxico implica também resgatar a cultura.

Como apontamos, percebem-se os diferentes recortes que se pode fazer num universo

lexical quando se propõe a estudar o léxico de uma língua e, ainda mais, quando se propõe a

relacioná-lo com a cultura.

Considerado o menos linguístico de todos os níveis da língua, devido à necessidade de

se recorrer a elementos extralinguísticos para sua análise, “o estudo do nome ou o estudo do

léxico congrega o linguístico e o não linguístico” (SEABRA, 2008, p. 7), por isso a

necessidade de aliar o estudo do léxico à cultura e à sociedade.

Num país de vasta diversidade cultural como o Brasil, são imperiosas pesquisas que

visam à descrição do vocabulário de uma comunidade, visto que por meio do repertório

lexical podemos recuperar os costumes, as tradições, as ideologias e as crenças de um grupo

social.