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O modelo SED-SBA contribuiu para obtenção de uma simulação mais descritiva em relação ao sistema real. Neste modelo foi possível alterar de forma dinâmica o mix de produção e a capacidade de algumas estações de trabalho, como ocorre na realidade em dias em que ocorrem “puxadas na produção”.

Os resultados obtidos com o modelo híbrido também são possíveis de serem obtidos em modelo SED. Para isto, a dinâmica mais complexa obtida no modelo SED-SBA poderia ser reduzida, realizando as análises do sistema em diferentes cenários de simulação no projeto experimental. Ou ainda, buscar representar esta dinâmica em um modelo SED, utilizando-se recursos avançados de programação. Ambas alternativas exigem maiores recursos no projeto de simulação.

5.5.1 Contribuições do processo de modelagem e simulação

A SBA contribuiu para facilitar a modelagem de agentes externos. O papel dos agentes externos (Gerente Industrial, Líder de Peças Plásticas e Processista) foi de representar como os atores sociais (pessoas reais da empresa) decidem questões operacionais de gestão do processo. Do ponto de vista computacional, estes agentes serviram como intermediadores para

programação das interações que representam tais decisões nos objetos reais existentes no modelo SED.

As simulações destas interações podem causar pouco ou nenhum impacto visível no ambiente. As maiores contribuições foram para atualizar variáveis e parâmetros a nível global do sistema. Este tipo de modelagem é comum de ser realizada pelo paradigma da SED, porém acredita-se que o uso da SBA facilita a modelagem pela possibilidade de decompor as funcionalidades requeridas para os agentes com uso dos diagramas da UML. Além disso, o código obtido é encapsulado em cada agente, proporcionando maior flexibilidade para modificações e reúso.

Por outro lado, a simulação dos operadores como agentes foi o maior obstáculo para o modelo SBA. Estas entidades já possuem uma lógica de funcionamento (estado interno) conforme o software SED utilizado. O objetivo inicial era programá-los para serem totalmente autônomos, independentes da lógica de prioridades do processista. Devido as dificuldades operacionais para programação destes agentes operadores, o controle sobre suas ações permaneceu com o agente processista, que troca as prioridades dos postos de trabalho, “forçando” os operadores a alterarem os postos de trabalho. Este mecanismo de funcionamento do modelo de simulação é a maior contribuição da simulação baseada em agentes, que incorpora uma lógica de funcionamento diferente ao software SED.

A abordagem proposta para modelagem dos Agentes Operadores é baseada em uma lógica dinâmica, que interage com as condições do ambiente simulado. Comparando-se esta abordagem com os modelos de representação de performance humana discutidos na Seção 2.3.6, a modelagem utilizada contribui para redução dos elevados esforços de coleta de dados necessários para aplicar as propostas de Baines et al. (2004) e Baines e Benedettini (2007). Além disso, também contribuiu para reduzir a arbitrariedade do uso de curvas de aprendizagem conforme a proposta de Wang, Sowden e Mileham (2013).

Por fim, a modelagem possui característica descritiva do sistema produtivo, visando inserir aspectos diferentes da abordagem tradicional de uso distribuições de probabilidade. A realização de um estudo estatístico detalhado para modelar os tempos de processamento na linha de embalagem poderia melhorar a representação da variabilidade nas estações da linha em que os operadores extras não trabalharam. No entanto, nas estações em que estes operadores atuaram, ocorre duplicação dos postos, por tempo determinado, e em momentos aleatórios durante a aceleração da linha. Se estes dados de tempo fossem considerados como sendo elementos da amostra de uma mesma estação de trabalho, poderiam ser considerados outliers e eliminados da modelagem dos tempos. As curvas de distribuição de

probabilidade são úteis para inserir a variabilidade natural que existe no processo produtivo. Porém, elas não são suficientes para modelar aspectos organizacionais, como a coordenação do trabalho, que ocorre na linha de embalagem acelerada.

Mesmo com as dificuldades encontradas para programação do modelo, a proposta de utilizar um software SED como base para uma modelagem de agentes por UML, apresenta um avanço nas práticas encontradas na literatura. Conforme os resultados da RBS, a maioria dos pesquisadores construíram o modelo SED-SBA ou somente SBA na íntegra via código em linguagem JAVA. Do ponto de vista de projeto dos agentes, o encapsulamento permite reaproveitamento do código e facilidade na alteração dos parâmetros utilizados pelos agentes para tomar decisões.

5.5.2 Dificuldades e limitações do processo de modelagem e simulação SED-SBA

Conforme descrito anteriormente, a principal dificuldade para construção do modelo SED-SBA foi na programação dos agentes operadores que são entidades que já possuem comportamento programado pela SED. Esta dificuldade já era esperada uma vez que foi utilizado um software que não é específico para este tipo de aplicação. Porém, a decisão de utilizar um software SED é justificada pela necessidade de desenvolver conhecimentos que, além de contribuírem conceitualmente para a área de conhecimento da simulação, seja voltado para a prática na Engenharia de Produção.

As regras simplificadas construídas para os operadores no problema da “puxada na produção” diminuem as possibilidades de análise do problema, mas não invalidam abordagem utilizada para modelagem dos agentes, pela possibilidade de inserir aspectos qualitativos na modelagem, que são mais difíceis pela simulação SED.

Os limites para utilização de um modelo SED-SBA estão na transformação dos comportamentos desejáveis/observados no sistema real em regras racionais para a programação. Quando as regras não são possíveis de serem programadas como expressões booleanas e existe muitas condições para modelagem do comportamento, é necessário utilizar estruturas de checagem extensas que dificultam a programação. Nestes casos, geralmente a opção adotada é a simplificação das regras, tornando o comportamento menos aderente a realidade.

Além disso, o uso da animação em softwares SED é um recurso utilizado para tornar a construção do modelo em mais alto nível de abstração para facilitar o entendimento do usuário. No entanto, ela reduz a flexibilidade de possibilidades de programação. Por exemplo,

a inserção de mais estações de trabalho nas linhas pressupõe a existência de uma máquina alocada para aquela posição em que o operador pode atuar ou não. O software não permite instanciar (criar) determinados objetos durante a execução do modelo. Esta limitação implica em criar todos os objetos possíveis de serem utilizados na simulação antes da execução do modelo, tornando-o carregado e com dificuldades para processamento.

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