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3.3. Veri Toplama Tekniği

3.3.1. Kişisel Bilgi Formu

Este trabalho não pretendeu apostar no que mais recente se tem descoberto sobre as marcas de canteiro em geral, o que só por si justificaria um tratamento autónomo sobre a matéria. Preferimos ficar por algumas conclusões particulares, a partir do que há muito está adquirido em termos gerais. Segundo Luciano Baptista Cordeiro de Sousa, um dos primeiros a estudar marcas de cantaria em Portugal:

«(...) a marca era utilizada, fosse para que fosse, antes da colocação definitiva da pedra em que fora inscrita, dada a variedade da sua posição, pois não podia garantir-se que as marcas denunciassem trabalho feito por empreitada e que os operários trabalhavam por jornal».79

Sabemos também que cada marca pertence a um mestre canteiro ou pedreiro, o qual tinha sob a sua responsabilidade vários operários. Na igreja de São Martinho, os silhares usaram-se exclusivamente para cunhais e pilastras. O embasamento da cabeceira, alterado da sua forma original, muito provavelmente por destruição durante o terramoto de 1755, é o único local onde se observa uma situação em que os silhares foram aplicados na construção de um pano de parede. Esta diferenciação construtiva entre a nave a a capela-mor é característica do Centro e Sul de Portugal, com excepção das catedrais e alguns conventos e mosteiros (Alcobaça e Batalha).

Embora não se tenha feito um estudo rigoroso da dimensão média dos silhares, é evidente uma diferença no formato das pilastras e cunhais da fachada e dos alçados laterais, respectivamente com as faces exteriores de forma mais quadrada e mais rectangular. Portanto, o estudo dos alçados, sob um ponto de vista metodológico que recorre a alguns princípios da disciplina da Arqueologia da Arquitectura, interessa sobretudo a nível da leitura das alvenarias. Este processo é possibilitado pelo facto das obras realizadas em 1989 terem retirado de todos os rebocos exteriores, permitindo a descoberta de elementos reveladores de aspectos da igreja precedente.

Como se disse anteriormente, a definição cronológica de unidades estruturais depende também do estudo das marcas de cantaria. São identificáveis em São Martinho 20 diferentes marcas de canteiro. O Quadro das marcas de cantaria (pág. 68) que

79 SOUSA, 1965, p.101

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elaborámos apresenta o tipo de marca por localização no edifício e quantidade, bem como as que são exclusivas de São Martinho e as que existem também no Paço da Vila. Por seu turno, dos tipos de marcas encontrados no Paço da Vila, há 13 comuns com São Martinho e 7 exclusivas da igreja, nomeadamente as marcas 3, 6, 7, 12, 14, 15 e 19. Relativamente à distribuição das marcas no edifício da igreja de São Martinho, encontrou-se a seguinte relação: abside: 5 marcas no total, de 3 tipos diferentes; fachada norte (lado do Evangelho): 7 marcas no total, de 5 tipos diferentes (assim distribuídas: cunhal chanfrado norte, sacristia: 6 marcas no total, de 4 tipos diferentes; cunhal norte, da Casa da Fábrica: uma marca; fachada: 36 marcas no total, de 14 tipos diferentes). Para ver a localização das marcas nas alas joaninas (D. João I) ou manuelinas (D. Manuel I) no Paço da Vila de Sintra, veja-se o Quadro das Marcas de Cantaria (pág. 68). Pela sua observação conclui-se que, ou houve marcas reaproveitadas e usadas nos dois reinados (datando assim ¼ das marcas da Igreja de São Martinho do período de D. João I e ¾ do período de D Manuel I), ou essas marcas são do período manuelino, estando nas alas joaninas devido a intervenções que assim as dispuseram.

Valerá mesmo a pena agora referir em particular a ocorrência de algumas delas. Relativamente à sua exclusividade, a marca 9 é a mais frequente, aparecendo 11 vezes e apenas exclusivamente na fachada, não tendo sido encontrada no Paço da Vila. É também na fachada que vamos encontrar outras marcas exclusivas, mas só uma vez: 14, 15 e 19. As marcas 3 e 5 são também únicas e exclusivas respectivamente

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da abside e do cunhal chanfrado norte. Temos assim que as marcas 3, 6, 7, 9, 19, 14 e 15 são exclusivas da Igreja de São Martinho, mas fazem sempre parte de estruturas onde se encontram marcas também existentes no Paço da Vila.

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Isto significa que houve mestres que trabalharam apenas para a Igreja de São Martinho, a menos que essas marcas existam também no Paço da Vila mas estejam ocultas. Por outro lado, tendo em conta a exclusividade dos mestres, é possível que tenha havido material reaproveitado noutras épocas e que surjam marcas de épocas diferentes na mesma estrutura. Além disso, sabemos que quando as argamassas pintadas que revestiam os silhares do interior do Paço foram removidas, nos fins do séc. XIX ou inícios do XX, as marcas acabaram por ser raspadas, tornando difícil leitura de umas e causando o desaparecimento de outras.

É de realçar, no entanto, que os grandes cunhais de São Martinho, que consideramos serem de arquitectura chã, têm fortes paralelos no Paço da Vila e são sobretudo evidentes na fachada oriental da ala manuelina, onde vencem um acentuadíssimo declive e assumem estrutura vertical escalonada. É de sublinhar também que o embasamento da Igreja de São Martinho é rigorosamente igual ao do Mosteiro dos Jerónimos (Fig.215), filiando-se, por isso, numa arquitectura de raiz manuelina que tem continuidade no Renascimento ao longo de todo o século XVI, na medida em que está presente na cabeceira do Mosteiro dos Jerónimos, já da década de 1560.

Poderá haver aí a mão de João de Castilho? Ou será um embasamento recorrente na época manuelina, já que existe também na Casa dos Bicos? Faria sentido a presença de um arquitecto régio, pois, como se verá adiante, a Igreja de São Martinho possuiu uma abóbada manuelina de alguma complexidade e um escudo com as armas reais portuguesas, assinalando o mecenato ou, pelo menos, a influência do rei D. Manuel, o que aumenta as possibilidades de permeabilidade da presença dos mesmos mestres e operários nas obras do Paço da Vila e na Igreja de São Martinho. Não esquecendo também, a este propósito, o portal manuelino hoje remontado como banco do adro. O arco temporal, no qual situamos a abside e a sua antiga abóbada de ogiva e a fachada, decorre entre o reinado manuelino (1495-1521) e 1560. Iremos posteriormente procurar reduzir este período.

Outras estruturas desta época existem e passam frequentemente despercebidas. Isto porque o seu despojamento e simplicidade lhes conferem um cunho atemporal, aparentemente, sem estética marcada, ainda que representem uma viragem no gosto e na concepção estrutural da arquitectura com silhares, em que estes se tornam generalizadamente mais perfeitos e já não apresentam marcas de canteiro.

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Exemplo disso são as torres das igrejas paroquiais de São João Baptista de Alcochete e do Lumiar, ambas curiosamente também escalonadas, aquela manuelina e com marcas de canteiro, e esta última já sem marcas, enquadrada de canto entre uma porta lateral manuelina e uma pia baptismal renascentista (1546), afirmando assim um momento de transição (Figs.239 e 241). Também a torre da igreja paroquial de Nossa Senhora da Assunção da Azambuja acusa embasamento e cunhais lisos despojados, iguais, sendo uma igreja de transição, com capela-mor manuelina e três naves renascentistas (Fig.240).

Mas São Martinho levanta um outro problema: se os seus silhares têm marcas manuelinas, eles foram certamente produzidos nessa época, embora, como acredito e procuro demonstrar mais adiante, tenham sido remontados pouco depois, talvez devido aos estragos do terramoto de 1531. Esse aspecto torna-se mais evidente até quando se observam as juntas entre os silhares, frequentemente fracturados. Não esquecendo que, Duarte d’Armas reproduziu a igreja com uma torre na fachada, porticada é certo, mas de base quadrada e não rectangular com a proporção 3 x 2, como tem hoje.

As alvenarias e os elementos de arquitectura nas alvenarias da