2. İŞLEME PARAMETRELERİ
2.5. CNC Tezgâhları Takım ve İş Parçası Bağlama Gereçleri
2.5.1. CNC Tezgâhlarda İş Parçası Bağlama Gereçleri
A reunião com a equipe da tarde contou com a participação de nove pessoas: três psicólogos, uma assistente social, dois técnicos de enfermagem, dois agentes administrativos e a gestora do CAPS.
Diferente do que ocorreu pela manhã, as pessoas que participaram da reunião no turno da tarde não haviam sido informadas de minha presença nem da razão de minha participação no encontro.
Ao chegar no horário marcado, vi que conhecia a maioria das pessoas e que, para elas, eu era o “professor” que aparecia por lá vez ou outra, já que o estágio que supervisionava acontecia pela manhã. Também havia técnicos e assistentes que eu desconhecia. Eram funcionários que ingressaram na equipe durante os dois anos que estive ausente do CAPS em função do doutorado.
A reunião começou com um atraso de quase 40 minutos e muitos técnicos que estavam na instituição, por motivos diversos, não participaram do encontro, apesar de não existir atendimento aos usuários neste dia que é dedicado à reunião de equipe.
A gestora apresentou-me à equipe, circunscreveu a razão de minha participação no encontro e acrescentou que ela havia participado da reunião pela manhã e acompanhado a profusão de questões que emergiram a partir de minha proposta. Por essa razão, ela protelou a pauta da reunião da tarde, tornando o tema da religiosidade no contexto CAPS o único assunto para aquele encontro, tendo minha proposta de pesquisa como agente disparador da discussão.
Observei que a equipe foi pega de surpresa. Apresentei-me ao grupo, falei do objetivo da pesquisa e de minha intenção de estar ali, do mesmo modo como procedi com a equipe da manhã. À medida que eu transcorria sobre o tema e o método da pesquisa, aos poucos, alguns participantes retiraram-se do encontro, dentre eles a gestora. Ficaram para a discussão apenas três psicólogos, um técnico de enfermagem e um agente administrativo, ou seja, pouco mais da metade das pessoas que estavam no início da reunião. Era notório que o tema e o encaminhamento proposto não interessavam a todos.
Ao concluir minha fala, passei a palavra às pessoas presentes para que elas se pronunciassem sobre o que haviam ouvido.
Tomás, que é psicólogo nos dois turnos na instituição, falou brevemente da importância do tema para o aprimoramento do serviço e para a reflexão da equipe acerca da assistência ao usuário. Ressaltou a dificuldade de tratar do assunto com os colegas da tarde que, segundo seu ponto de vista, eram resistentes
e esquivavam-se dessa discussão. Ilustrou seu argumento referindo-se ao esvaziamento da reunião como reflexo dessa resistência.
Após a fala de Tomás, perguntei aos demais presentes se eles presenciavam manifestações ou questões de cunho religioso nos grupos dos quais participavam no CAPS.
O psicólogo André disse que não é comum o surgimento de questões religiosas nos grupos terapêuticos e acredita que, quando acontece, isso se deve à postura que o terapeuta assume, dando a entender que o terapeuta pode ser mais ou menos permissivo com essas questões, o que pode facilitar a sua eclosão. Ressaltou que nos grupos que coordena nunca se deparou com esse tipo de “problema”, já que o CAPS não é o lugar adequado para lidar com essas questões.
A psicóloga Judith reforçou a posição de André e acrescentou que mesmo considerando que há pessoas religiosas ou espiritualizadas no CAPS, é dever do técnico manter a distinção entre cuidado em saúde e cuidado religioso.
As duas falas foram curtas e objetivas. Via-se que buscavam responder minha indagação e nada mais. Não havia interesse em prosseguir ou problematizar o tema.
Percebi que estava em outro solo, diferente do vivenciado com a equipe da manhã. O grupo da tarde mostrou-se asséptico à dimensão espiritual e religiosa no serviço. Deste modo, não houve embate, discussão, polêmica, incômodo. Parecia que apenas eu estava interessado no assunto.
Assumi, portanto, uma postura diferenciada em relação à reunião da manhã. Passei a fazer perguntas a fim de estimulá-los a falar sobre suas experiências e pontos de vista. Indaguei sobre algo que eu próprio sabia da ocorrência no espaço institucional: E as manifestações religiosas no CAPS? É comum presenciá-las em outras ações que não sejam os grupos de vocês, como as assembleias e outros eventos coletivos?
O Psicólogo André afirmou que manifestações como as falas de conteúdo religioso, por exemplo, são raras ou praticamente inexistentes no CAPS. Judith acrescentou que, segundo seu ponto de vista, “a clínica em saúde mental deve ser totalmente distinta do envolvimento com a religiosidade dos usuários” (JUDITH).
Tomás, que apenas observava, parecia não acreditar no que estava vendo e ouvindo. Respirou fundo, levantou-se e saiu da sala, dando a entender que voltaria em seguida. O que não aconteceu.
Neste ponto do encontro, a reunião limitava-se as minhas perguntas e as respostas do casal de psicólogos, já que o agente administrativo e a técnica de enfermagem não se pronunciaram em nenhum momento.
Perguntei a Judith qual o seu ponto de vista acerca das manifestações religiosas que ocorriam em outro CAPS da cidade, como a procissão do Círio de Nazaré da qual participam técnicos e usuários. Sua resposta prosseguiu acentuando a oposição à possibilidade de uma abordagem que permita a manifestação religiosa ou o manejo de questões de cunho religioso no contexto do tratamento em saúde mental. Disse acreditar que manifestações como as que ocorrem em torno Círio são inadequadas e que o espaço institucional e o setting terapêutico não devem ser lugar onde se lida com essas questões. Ao concluir, reafirmou que deve haver uma separação total entre as questões clínicas e religiosas envolvidas no tratamento do sofrimento psíquico, tanto por parte dos técnicos quanto dos usuários.
Ao perceber que os pontos de vista repetidamente convergiam para a negação das dimensões espiritual e religiosa dos usuários e técnicos no CAPS, procurei sensibilizá-los a refletir sobre o tema. Para isso, tomei a iniciativa de compartilhar minha trajetória pessoal nesse campo e as indagações que me levaram à escolha do tema, à maneira como havia feito na reunião pela manhã por solicitação da equipe.
Ao concluir, percebi que minha tentativa não havia surtido efeito, já que não houve qualquer desdobramento de minha fala. Os olhares e movimentos de assentimento com as cabeças pareciam indicar que concordavam comigo sobre a importância do tema, mas, de certa forma, não fazia sentido para eles, já que no contexto institucional, eventos envolvendo religiosidade não aconteciam ou aconteciam com raridade.
Finalizando a reunião, convidei-os a colaborar com a pesquisa participando de uma entrevista que poderia ser agendada de acordo com as disponibilidades de horário de cada um, contudo, não houve manifestação por parte
dos presentes. Assim, mesmo os que ficaram até o final da reunião não demonstraram interesse no assunto.
Ao concluir, procurei individualmente os técnicos que não estiveram na reunião ou que participaram apenas de seu início e estendi-lhes o convite. Desses, apenas uma, a assistente social Sayuri, que deixou a reunião logo no início, aceitou participar. Sua entrevista foi a única da equipe da tarde a fazer parte deste trabalho.
CAPÍTULO 6
SÍNTESE DAS ENTREVISTAS