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CNC Tezgâhları Sabit ve Gezer Sıfır Noktaları

1. PARÇA SIFIRLAMASI

1.2. CNC Tezgâhları Sabit ve Gezer Sıfır Noktaları

O processo de análise que procedi baseou-se primordialmente nos registros de campo obtidos pela observação participante e nas entrevistas que – inicialmente gravadas em áudio e posteriormente transcritas – foram tratadas como

discurso revelador de sentidos. Também utilizei nesse processo os dados oriundos de minha própria vivência na instituição e na participação da festividade do Círio de Nazaré.

Para Ricoeur (2009, p, 74), o discurso pode ser entendido como evento e como significação. Desta forma, o que pretendemos compreender não é o evento, “na medida em que é fugidio, mas sua significação que permanece”.

Ao revisitar minhas memórias diante do início do processo analítico tentei rememorar o primeiro momento da pesquisa em que o fenômeno que procurava estudar saltou aos meus olhos e me demandou intimamente.

Recordei que esse momento foi a reunião com a equipe técnica da manhã. Lembrei, também, que por coincidência, uma técnica que havia faltado àquele encontro e que tinha interesse no tema, havia pedido a um colega para que filmasse a reunião, o que de fato aconteceu com a permissão dos presentes e de forma não planejada.

Assim, decidi iniciar o processo de análise do material empírico a partir deste encontro, por algumas razões: a espontaneidade e disponibilidade dos presentes em falar de suas vivências, a produtividade e multiplicidade de informações referentes a vários aspectos do fenômeno investigado, a objetividade e a postura dos presentes diante do embate ideológico e religioso.

Nos termos de Ricoeur (2009), o vídeo com o áudio permitem valorizar o ato ilocucionário dos discursos, que está ligado àquilo que fazemos ao dizer, sendo apresentado pelos conteúdos não verbais que acompanham a fala do indivíduo, fazendo-se identificar pela mímica, pelos gestos, pausas, entonações etc., designando aquilo que o falante expressa através da linguagem corporal e simbólica.

A análise seguiu as seguintes etapas:

a) Imersão no áudio e transcrição das entrevistas;

b) Imersão no texto por meio de tantas leituras quantas necessárias para a captação do sentido global;

c) Seleção das entrevistas que melhor expressavam a experiência escolhida como objeto de estudo do trabalho;

d) Elaboração de sínteses das reuniões;

e) Elaboração de sínteses de cada entrevista selecionada. Nelas, a fim de resguardar o compromisso ético da não identificação dos colaboradores, atribuí pseudônimos a cada um dos participantes, inclusive aos usuários citados nas narrativas pelos colaboradores.

f) Realização de novas leituras atentas ao surgimento de temas relevantes para a compreensão do fenômeno estudado;

g) Discussão dos temas relevantes em diálogo com autores da fenomenologia, fenomenologia da religião e saúde mental, assim como, com a minha própria vivência no contexto institucional e no Círio de Nazaré.

Apresento os dados da pesquisa em duas partes.

Na primeira, apresento a síntese das reuniões e das entrevistas selecionadas, intercaladas com trechos textuais das transcrições e dos dados oriundos da observação e da interação com os sujeitos e com o locus de pesquisa. Deste modo, na tentativa de captar o que estava sendo expresso no relato, procuro dialogicamente dar visibilidade à experiência que busco compreender, por meio de sínteses que não são constituídas apenas de relatos descritivos, mas da conjuntura interativa aditada por diversos significados.

Na segunda, reflito sobre os temas que se fizeram presentes nos discursos dos colaboradores em um movimento de aproximação e distanciamento, a partir da conjugação analítica das entrevistas que foram aglutinadas em torno de quatro unidades: a) religiosidades, vivências e ecos clínicos; b) as demandas religiosas dos usuários e as atitudes dos técnicos; c) estratégias religiosas relacionadas à prática profissional; e d) o lugar da religiosidade no serviço clínico.

Por fim, destaca-se que a versão final do terceiro capítulo, que trata da operacionalização do serviço, foi submetida à leitura e crítica de alguns membros da equipe técnica do CAPS a fim de garantir que a dinâmica institucional e o fluxo do serviço tenham sido coerentemente apreendidos, visto que a instituição não dispõe de um documento ou registro dessa estruturação.

CAPÍTULO 5

SÍNTESE DAS REUNIÕES DE EQUIPE

O primeiro contato formal com a instituição e com os possíveis informantes da pesquisa se deu por meio de reuniões, nas quais anunciei ao conjunto de trabalhadores do CAPS, o propósito e os caminhos pelos quais a pesquisa transcorreria no espaço institucional para, então, convidá-los a participar dela.

Vale ressaltar que minha relação pregressa com a instituição, da qual fui supervisor de um estágio em Saúde Mental para alunos da graduação em Terapia Ocupacional da UEPA, no período de 2008 à 2011, tornou meu trânsito no espaço institucional mais fluido, assim como facilitou meu contato com as equipes, pois eu não era considerado um estranho.

No CAPS, minha função de supervisor de estágio também me permitiu acompanhar inúmeras ações desenvolvidas pela instituição, que se estendiam para além do cunho terapêutico, como assembleias, reuniões de equipe e eventos diversos. Dentre eles, destaco uma roda de discussão sobre religião e religiosidade, ocorrida em 2011 no próprio CAPS, que exerceu importante papel nos primeiros delineamentos do objeto e objetivos desta pesquisa.

Destaco, ainda, que apesar de minha presença como docente na instituição ao longo de quatro anos ter se dado somente no turno na manhã, eu era conhecido por quase todos os técnicos do CAPS, já que participava ativamente das ações coletivas, inclusive as de planejamento operacional do serviço. Portanto, era visto por muitos, como um colega e, nesse contexto, sentia-me como um membro da equipe. Todavia, durante o afastamento de minhas atividades em Belém, por dois anos, em função do doutorado, algumas mudanças substanciais ocorreram na instituição. Dentre elas, a mudança de gestão e o reordenamento das atividades, além da entrada e saída de alguns profissionais. Diante desta realidade, meu conhecimento acerca da instituição e seu funcionamento requeriam atualização.

Nesse intento, participei de duas reuniões de equipe no CAPS Renascer que aconteceram no dia 9 de agosto de 2013, sendo das 9:00h - 12:00h com a equipe da manhã e das 15:00h - 17:00h com a equipe da tarde.

Essas reuniões fazem parte das atividades rotineiras da instituição e ocorrem todas as sextas-feiras pela manhã e a tarde, contemplando os dois turnos de trabalho. Esses encontros constituem-se como fórum de debates e servem a inúmeros propósitos como discussão de casos clínicos, capacitação e educação continuada e compartilhamento de questões e temas que emergem como prioritários no trabalho cotidiano relativos à prática dos atendimentos na instituição.

Nas reuniões que se sucederam com a minha participação como pesquisador, a informação que eu tinha a dar era a primeira da pauta e seus desdobramentos acabaram por criar espaços de discussão sobre o tema da religiosidade, bem como sobre sua relação com o campo da saúde mental, especialmente no que se refere à ocorrência de demandas religiosas no serviço a partir dos pontos de vista dos profissionais.

Minha presença como pesquisador, o anúncio do tema e da questão de pesquisa mostraram-se desencadeadores de questões pessoais e coletivas latentes que, consequentemente, transformaram esses dois encontros em um espaço povoado de discussões, embates e posicionamentos que indicavam requerer um espaço de eclosão.

As discussões, sobre o tema da pesquisa que ocorreram nos encontros com as duas equipes, originaram-se espontaneamente no transcorrer das interlocuções. Não intentei fomentar encaminhamento às questões apresentadas, fiquei somente na condição de alguém que representava, em certa medida, a (re)aproximação de um (des)conhecido que necessitava dizer a que veio.

Em linhas gerais, a dinâmica das reuniões ocorreu da seguinte forma: a diretora da instituição, após apresentar-me às equipes e enfatizar que a pesquisa havia cumprido os trâmites necessários para sua realização, assumiu o papel de participante, estendeu-me a palavra para a apresentação da pesquisa e permitiu que o transcurso dos encontros seguisse ao sabor das discussões.

Durante a breve apresentação que fiz do projeto de pesquisa, foi possível perceber o movimento de aceitação por uns e rejeição por outros em relação ao que

eu dizia, indicando-me horizontes que ultrapassavam o meu planejamento e o planejamento institucional para o encontro. Diante desta constatação, procurei ajustar a minúcia da observação e passei a registrar o que acontecia em cada uma das reuniões.

Após minha participação, que se limitou a tratar dos objetivos e método da pesquisa, os participantes manifestaram-se espontaneamente em relação ao tema e à trajetória da investigação proposta. Cada participante, no seu tempo, colocou, interveio ou manifestou sua opinião a respeito do que estava em discussão. Os encontros transformaram-se em fóruns de debates que abarcaram não apenas elementos relacionados à pesquisa, mas também as experiências e pontos de vista, individuais e coletivos, acerca da religiosidade no contexto do CAPS.

No transcorrer das reuniões, à medida que as questões surgiam, algumas vezes intervi com o intuito de intermediar o diálogo e evitar o confronto direto de ideias políticas e religiosas que eram ardorosamente defendidas e anunciavam a necessidade de um manejo que permitisse a fluidez dos pensamentos e dos pontos de vista de forma democrática.

Não obstante, as posturas, intensidades, interesses e modos das equipes da manhã e da tarde se reportarem ao tema não se mostraram afins. Nesse sentido, as diferentes atitudes por parte dos profissionais dos dois turnos diante do tema e da minha participação nas reuniões deram-me a sensação de estar participando de dois contextos institucionais distintos.

Em função disto, apresento a síntese das reuniões separadamente, dialogando com elas conforme as apresento. Essa escolha não visa dicotomizar o cenário dos posicionamentos das equipes diante da temática em questão, mas valorizar a manifestação das particularidades e dos modos com que cada grupo de profissionais percebe e se coloca diante da religiosidade no serviço.

Benzer Belgeler