2. İŞLEME PARAMETRELERİ
2.1. Temel İmalat İşlemleri
2.2.13. Değiştirilebilir Kesici Uç Seçme İşlemleri
“A sexualidade, mantida em segredo, mas discursada sob várias formas, se apresentou como um dos instrumentos mais utilizado nas relações de poder – um
dispositivo a serviço do poder.”
(Foucault, 2005).
Trato, neste capítulo, da questão do poder e sua relação com a sexualidade. Como sustentação principal é apresentada a teorização de Foucault15 que sempre se interrogou sobre as formas de poder e a sua relação com o saber a partir dos problemas da loucura, da sexualidade e do sistema prisional.
2.1 – Discutindo o conceito de poder
Foucault, em “Microfísica do poder” (2002), conceitua o poder como algo enigmático, ao mesmo tempo visível e invisível, presente e oculto, investido em toda parte. O poder não é algo que se possa dividir entre aqueles que o possuem e o detêm exclusivamente e aqueles que não o possuem e lhe são submetidos. No entanto, todos os indivíduos estão sempre em posição de exercer e de sofrer a sua ação. O poder é algo que circula, que só funciona em cadeia. Portanto, ele não existe como algo localizado em determinado lugar. Nos regimes totalitários como o fascismo e o nazismo, pode-se pensar que as massas desejaram que alguns exercessem o poder sobre elas. Dessa forma, elas próprias desejavam o poder havendo, então, uma relação entre o desejo, o poder e o interesse. Para Foucault, o poder é um feixe de relações mais ou menos organizado, mais ou menos em pirâmide, mais ou menos coordenado, sendo as suas relações desiguais. O que faz com que ele se mantenha e seja aceito é porque ele não só pesa como uma força que diz não, mas, sim, que ele permeia, induz ao prazer,
forma saber, produz coisas e discurso. O poder, em seu exercício, passa por canais muito sutis e é ambíguo porque cada um de nós, no fundo, é possuidor de um certo poder. Em qualquer sociedade existe relações múltiplas de poder que atravessam, caracterizam e constituem o corpo social. Estas relações de poder não podem se dissociar, se estabelecer e nem funcionar sem uma produção, uma acumulação, uma articulação e um funcionamento do discurso.
Em “Vigiar e Punir” (2002), Foucault, analisando as mudanças na problematização entre delinqüência e castigo, através das práticas penais e das instituições penitenciárias no final do século XVIII e início do século XIX, considera:
que poder e saber estão diretamente implicados; que não há relação de poder sem constituição correlata de um campo de saber, nem saber que não suponha e não constitua ao mesmo tempo relações de poder. Não é a atividade do sujeito de conhecimento que produziria um saber, útil ou arredio ao poder, mas o poder – saber, os processos e as lutas que atravessam e que o constituem, que determinam as formas e os campos possíveis do conhecimento. (FOUCAULT, 2002a, p.27).
O autor observa que nas relações humanas o poder está sempre presente, seja na família ou nas relações amorosas, dentre outras. Sendo assim, os grandes poderes, como o Estado e as instituições têm como base estas pequenas relações de poder, sem as quais aqueles não se sustentariam. Contudo, só é possível haver relações de poder quando os sujeitos são livres, mesmo quando estas relações são completamente desequilibradas. “Um
poder só pode se exercer sobre o outro à medida que ainda reste a este último a possibilidade
de se matar, de pular pela janela ou de matar o outro.” (FOUCAULT, 2004, p.277). Um
homem pode ser submetido à força que se exerce sobre ele em determinada situação, mas não, necessariamente, ao poder. As relações de poder são relações de força nas quais onde há possibilidades de resistências e cuja dominação de um lado nunca é total. Sendo assim, nas relações de poder está sempre presente a resistência, caso contrário não se configuraria como tal. Em alguns casos a dominação é de tal forma acentuada e as relações são tão assimétricas
que a liberdade é extremamente limitada. No entanto, o poder não é um sistema de dominação que controla tudo e que não deixa nenhum espaço para a liberdade.
O poder não é uma substância. Tampouco é um misterioso atributo do qual se precisaria escavar as origens. O poder não é senão um tipo particular de relações entre os indivíduos. E essas relações são específicas: dito de outro modo, elas nada têm a ver com a troca, a produção e a comunicação, mesmo se elas lhe são associadas. O traço distintivo do poder é que alguns homens podem mais ou menos determinar inteiramente a conduta de outros homens – mas nunca de maneira exaustiva ou coercitiva. (FOUCAULT, 2003b, p.384).
León Rozitchner16 discute em seu livro “Freud e o problema do poder” (1989), resultado de seis conferências proferidas na Universidade do México em 1981, o tema do poder em uma articulação entre psicanálise e marxismo. Discorre sobre a importância de se compreender as fontes subjetivas que estão por trás do poder objetivo, assim como compreender qual é o lugar individual que o poder coletivo ocupa. “Freud afirma que a fortaleza com a qual o poder nos contém não está fora senão sitiando-nos a partir de nós mesmos, instalada no domínio chamado ´interior`, organizando com seu aparato de
dominação nosso próprio ´aparato psíquico`.” (ROZITCHNER, 1989, p.14). A história se
faz presente articulando e organizando este aparato psíquico. Há uma relação entre o individual e o coletivo no problema do poder. O “aparato psíquico” não é senão o extremo da projeção e interiorização da estrutura social do subjetivo. O poder se implantou na subjetividade para converter-nos em indivíduos adequados às formas dominantes, regionais ou centralizadas do Estado.
Fazendo uma retrospectiva histórica, o autor se reporta a Pinel, refletindo que, com toda a sua contribuição positiva, os loucos foram libertos dos hospícios para serem aprisionados através de uma adequação à dominação e poder vigentes na chamada vida social normal. Freud, na sua teoria, mostra que sob esta dominação externa subsiste uma dominação
no campo subjetivo. A estrutura subjetiva seria uma organização racional do corpo pulsional pelo império da forma social. Salienta que em nossa subjetividade perpassam significações, sentimentos, pensamentos, relações, impulso, muitas vezes, inconscientes, mas atualizados nas relações objetivas. Já no complexo de Édipo o poder se faz presente através do pai que interdita a relação dual entre mãe e filho. Na dissolução do complexo, não prosseguindo mais o enfrentamento com o pai, a rebeldia é “esmagada”, levando a criança a renunciar ao amor da mãe e a identificar-se com o genitor – a imposição da lei paterna. A culpa, decorrente do desejo versus proibição torna-se uma força que, aliada ao poder externo, transforma-se também em um poder a favor da dominação. Dessa forma, assim como a religião, o Estado, a escola, a família e a economia, também o Édipo (apesar de espontâneo, e não imposto) carrega em si um poder que contribui para a dominação do indivíduo. O indivíduo mata o pai simbolicamente, mas isto o marca e regula toda a sua vida. “O poder está onipresente em todas as relações que estabeleço com a estrutura social, as organizações e as leis repressivas que o sistema organizou para que toda satisfação perseguida o seja dentro da manutenção de
seus limites.” (ROZITCHNER, 1989, p.45).
2.2 – A sexualidade a serviço do poder
Trabalhando a questão do poder na sua relação com a sexualidade, Foucault (2004) a enfatiza como um dispositivo a serviço do poder. Define o termo dispositivo como sendo estratégias de relações de força sustentando tipos de saber e sendo sustentadas por eles. Assim, o dispositivo seria um conjunto heterogêneo que engloba discursos, instituições, organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas. Em suma, o dito e o não dito são os elementos do dispositivo que se estabelece como uma rede entre eles.
Para Foucault (2004) o poder não se restringe ao Estado, ao Governo e apenas à interdição. As relações de poder perpassam entre os indivíduos, em família, em uma consulta médica, em instituições como hospital, quartel, universidade, dentre outros. Isto tem uma implicação no psiquismo dos indivíduos, levando em conta a sexualidade, a experiência de cada um e o inconsciente.
No fundo a sexualidade é aparentemente a coisa mais proibida que se pode imaginar; passamos o tempo proibindo as crianças de se masturbarem, os adolescentes de fazer amor antes do casamento, os adultos de fazer amor desta ou daquela maneira, com tal ou tal pessoa. O mundo da sexualidade é um mundo altamente sobrecarregado de interdições. (FOUCAULT, 2004, p.75).
No entanto, para além das interdições, Foucault declara, a sexualidade é discursada e apresenta-se como um elemento constitutivo da identidade do homem ocidental. É no sexo que se devem procurar as verdades mais secretas e profundas do indivíduo: o que o determina, a estrutura de suas fantasias, as raízes do seu eu, a maneira do indivíduo se relacionar com a realidade. Portanto, o sexo esconde os segredos do indivíduo – o que há de mais verdadeiro em si – a sua real identidade. Em “Estratégia, Poder-Saber” (2003) afirma que o sexo “representa 90% das preocupações das pessoas durante a maior parte das horas de vigília. É
o impulso mais forte que se conhece no homem; sob diferentes aspectos, mais forte que o da
fome, da sede e do sono.” (FOUCAULT, 2003b, p.311).
Investigando a “História da Sexualidade”, uma compilação de três obras, Foucault no volume 2 “O uso dos prazeres” (2003), assim como no volume anterior, não privilegia a questão da repressão, a proibição e a lei. “O uso dos prazeres” é dedicado à maneira pela qual
a atividade sexual foi problematizada pelos filósofos e pelos médicos, na cultura clássica, no século IV a.C. Busca compreender de que maneira o homem ocidental, durante séculos, fora levado a se reconhecer como sujeito do desejo.
de casamento monogâmico com objetivo de procriação; condenando relações homossexuais e valorizando a abstinência sexual, fidelidade conjugal, dentre outros. A moral, na Antiguidade, era uma moral pensada, escrita e ensinada por homens e endereçada a homens, e estes, livres. Portanto, as regras morais não são para ambos os sexos, mas, sim, uma elaboração da conduta masculina enfatizando o direito do uso de seu poder, sua autoridade e sua liberdade e, não, com o objetivo de impor proibições ou restrições. Conseqüentemente, as relações extraconjugais não só eram admitidas, mas até mesmo valorizadas. Quanto às mulheres, a moral sexual não se dirigia às mesmas, cabendo-lhes o papel de objeto ou, quando muito, de parceiras, subjugadas ao pai, marido ou um tutor. “Por moral entende-se um conjunto de valores e regras de ação propostas aos indivíduos e aos grupos por intermédio de aparelhos
prescritivos diversos, como podem ser a família, as instituições educativas, as Igrejas, etc.”
(FOUCAULT, 2003a, p.26). Estas regras, por sua vez, eram transmitidas de maneiras diversas, com aspectos difusos em que se corrigem, se contradizem e se anulam em determinados pontos. Este conjunto prescritivo é chamado de “código moral”.
Não obstante, continua Foucault (2003), o fato de que os gregos na Antiguidade tinham muito mais liberdade sexual e admitiam muito mais certas práticas sexuais do que os cristãos é fato, também, que dentre aqueles existia pensadores, médicos, filósofos e moralistas que avaliavam que as leis prescritas não eram suficientes para regular a atividade sexual dos indivíduos. A maneira do indivíduo sentir prazer era um problema moral. A atividade sexual, contudo, é considerada natural e indispensável, tendo em vista que é por meio dela que os seres humanos se reproduzem e, assim, escapam à extinção. Apesar desta naturalidade, a atividade sexual é campo de preocupação moral e de leis que a regule. Ao contrário da moral cristã, que dita normas de modo geral para os indivíduos, na Antiguidade as regras da conduta sexual variavam conforme a idade, o sexo, as condições dos indivíduos.
A moral cristã pode ter, em geral, regras iguais para ambos os sexos, mas percebe-se, nitidamente, distinções nos papéis a serem desempenhados pelo homem e pela mulher. Consequentemente espera-se comportamentos distintos, principalmente em relação à sexualidade. Em alguns textos do Novo Testamento, precisamente, nas cartas do Apóstolo Paulo aos cristãos do século I nas cidades de Éfeso e Corinto, as orientações são claras em relação aos gêneros. O sexo era (e é até hoje) concebido só dentro do casamento. A distinção se apresenta no tocante à valorização da virgindade feminina; e à obediência das esposas aos seus maridos.
O vínculo matrimonial na Idade Antiga, na análise de Foucault, era caracterizado pela sua assimetria de origem: o homem decide por ele próprio enquanto que a família da mulher (o pai) decide por ela. Há um acordo com vistas à descendência, mas antes de se tornar uma boa mãe é preciso tornar-se uma boa dona de casa. Ao marido compete governar a mulher, a esta compete obedecer.
Aqui, também, os textos do Novo Testamento orientam do mesmo modo. Na carta de Apóstolo Paulo aos cristãos na cidade de Éfeso é dito:
As mulheres sejam submissas a seus próprios maridos, como ao Senhor; porque o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo salvador do corpo. Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas a seus maridos. (Ef 5, 22-23).
Em relação à homossexualidade, Foucault informa que a imagem desqualificada do homossexual, como um ser masculino com características femininas, já era presente na história antiga como, por exemplo, na literatura greco-romana e em algumas descrições do século IV. Mesmo não havendo, explicitamente, uma condenação a respeito das relações homossexuais, e estas serem livres na Antiguidade, a visão negativa, desprezo e repugnância de tais práticas mostram-se evidentes. O homossexualismo, no entanto, ao mesmo tempo em que era tolerado pelos gregos, que não concebiam as relações hétero e homo como duas
escolhas excludentes, paradoxalmente provocava neles uma inquietação. A relação sexual, entretanto, foi sempre pensada como a união dos genitais e, neste sentido, percebida como uma relação do mesmo tipo entre superior e inferior; aquele que domina e aquele que é dominado; o que submete e o que é submetido; o que vence e o que é vencido. Portanto, há uma valorização para aquele que é considerado “ativo”, que tem o papel de dominar, de penetrar e, assim, exercer sua superioridade. Dessa forma, nas relações heterossexuais há uma valorização do homem e uma desvalorização da mulher, o que está dizendo, como já discutido anteriormente, de relações de poder.
Em “O cuidado de si”, último volume da série “História da Sexualidade”, Foucault (1999) continua discutindo os mesmos temas abordados no volume 2 (“O Uso dos Prazeres”), todavia, agora, estudados nos dois primeiros séculos da nossa era. A obra é marcada por toda uma reflexão moral sobre a atividade sexual e seus prazeres. A sexualidade está no campo da saúde e os médicos recomendam a abstenção das práticas sexuais, assim como há recomendação da virgindade ao uso dos prazeres. As relações extraconjugais são condenadas e a fidelidade prescrita para ambos os cônjuges.
Tanto na civilização Grega quanto na Romana, discute Foucault em um primeiro momento, o casamento era um ato privado, sem a interferência dos poderes públicos, no qual a mulher passava da tutela do pai para a tutela do seu cônjuge. Sendo assim, o casamento constituía-se em um contrato, um negócio realizado entre dois homens: o pai da noiva e o seu futuro esposo. Não havia uma implicação jurídica. Progressivamente vai havendo uma evolução, passando o casamento para a esfera pública. Através de um líder religioso ou de um funcionário público, o casamento era sancionado. Na sociedade pagã nem todos casavam e os que o faziam tinham como um dos objetivos principais transmitir o patrimônio aos seus descendentes e não a outros membros da família. Nas classes mais pobres o casamento parece que ia para além dos motivos econômicos. Com o passar do tempo o casamento foi tornando-
se uma união mais livremente consentida entre os dois parceiros, e o aspecto financeiro, assim como a autoridade do pai da noiva, já não tinham tanto peso. As obrigações dos cônjuges, também se tornam, com o passar dos anos, mais definidas: ao homem não era permitido por lei ter relações extraconjugais e por outro lado, deveria manter sua esposa. A esta cabia, principalmente, a obediência irrestrita ao marido e não desonrá-lo. Conseqüentemente, ela só saía de casa com sua permissão. Ambos os cônjuges tinham obrigações e estas diziam respeito à relação de um para com o outro, o que por um lado implicava em um certo respeito. Se a mulher tem de obedecer ao marido este, por sua vez, tem o dever de mantê-la, não maltratá-la e não arrumar uma concubina.
Nos dois primeiros séculos da nossa era o casamento foi considerado algo natural pela contribuição à procriação e, conseqüentemente, à perpetuação da espécie humana. No entanto, o casamento passou a ter uma abrangência para além destes objetivos. Havia um vínculo de companheirismo, um desejo de união onde o casal optava por construir uma vida em conjunto. O prazer, subordinado, anteriormente, ao dever passou a ser considerado, contudo, o mais sublime sentimento e o casamento a relação mais fundamental e estreita do que qualquer outra entre os seres humanos. Era uma aspiração para muitos que não o viam apenas como um dever, mas como uma opção de viver ao lado do parceiro e construir, junto com ele, um lar. Mais do que um dever o casamento passa a ser um vínculo que une duas pessoas de sexos diferentes – uma relação dual e heterossexual cujo fim principal, no entanto, era a necessidade de se ter uma descendência legítima.
O casamento também se constituía como o único lugar legítimo e exclusivo para o prazer sexual. Fora dele, qualquer busca ou expressão da sexualidade era considerada vergonhosa. No entanto, o adultério, apesar de ser juridicamente condenado e moralmente reprovado, só o era pelo fato da mulher em questão ser casada e, dessa forma, ser atribuído um dano aos direitos de seu marido. Deve-se considerar, por outro lado, que muitas reflexões
filosóficas entendiam a fidelidade como uma exigência a ser cumprida por ambos os cônjuges e que o adultério causava dano às pessoas envolvidas diretamente com ele; à vizinhança; à cidade; aos outros seres humanos. Nestas concepções se considerava uma certa simetria em relação aos direitos para o homem e para a mulher, ainda que perante a lei (e de fato) o marido tivesse muito mais direito do que a esposa. Havia recomendações e princípios a respeito da vida conjugal. Em tese a fidelidade deveria ser recíproca. O marido não deveria ter relações extraconjugais, pois em meio aos efeitos deste ato um deles seria o sofrimento infligido à esposa e, conseqüentemente, sua reação furiosa. Não valia a pena! Mas, às mulheres, a recomendação era a de que tivessem tolerância (que fechassem os olhos) caso constatassem a infidelidade do marido.
Sendo o casamento o único lugar lícito para os prazeres do sexo a relação conjugal deveria ser diferente daquela entre os amantes. Ao homem, no casamento, é preciso conduzir- se como marido e não como amante. Dessa forma, a orientação era a de não proporcionar um prazer intenso à esposa, pois corria o risco desta, mais tarde, fazer mal uso de “tais lições”. Portanto, não se podia ter relações com a mesma mulher, ao mesmo tempo, como esposa e como amante. Entretanto, não havia uma demarcação clara do que era ou não permitido nas relações conjugais, mas sim, alguns conselhos: que a esposa cultivasse o pudor e não expusesse seu corpo; que não tomasse a iniciativa em relação ao seu marido, mas aceitasse a dele; que os cônjuges não dormissem em quartos separados por ocasião de alguma briga ou discórdia entre eles. O prazer era legitimado no casamento, com restrições ao comportamento dos cônjuges. O desejo, e a sua expressão, principalmente no caso das mulheres, eram colocados em plano inferior, em detrimento de princípios, regras, recomendações e conselhos. O que importava era que o casamento cumprisse a sua função atingindo seus dois objetivos principais: uma descendência legítima; e uma união estável entre os cônjuges. Que cada um desempenhasse o seu papel!
O prazer era controlado; restrito em determinadas circunstâncias como, por exemplo, durante o período de gravidez. Também a idade do indivíduo, para o início das atividades sexuais, não poderia ser muito cedo, mas também não poderia ser muito tarde, com a justificativa de ser prejudicial à saúde. No caso de um adolescente do sexo masculino a prescrição era de muitos exercícios físicos para que ele se cansasse e, dessa forma, reprimisse seus desejos. Quanto às meninas era concebível que a prática das relações sexuais, assim