3.5. Titanyum Alaşımlarının Talaşlı İşlenebilirliği
3.5.2. Kesici Takım Aşınma Mekanizmaları
DESENVOLVIMENTO HUMANO NO CONTEXTO DE CIDADES INTELIGENTES
O modelo conceitual apresenta a relação entre variáveis que emergiram da revisão de literatura em duas dimensões principais, cidades inteligentes e desenvolvimento humano. A primeira parte do modelo apresenta a relação entrada-processo-saída da implementação de iniciativas de cidades inteligentes. A segunda parte do modelo ilustra os resultados de desenvolvimento humano que têm como entrada as saídas da primeira etapa. A Figura 5 apresenta o modelo conceitual da pesquisa.
Figura 5. Modelo Conceitual da pesquisa
Fonte: O autor (2016).
Legenda: As relações principais são caracterizadas pelas varáveis que apresentam traço contínuo. As variáveis secundárias que formam as principais são representadas por traço pontilhado. As variáveis tracejadas ilustram conceitos que não fazem parte do escopo da pesquisa, mas que complementam o modelo conceitual.
O advento da internet trouxe maior visibilidade às organizações públicas por meio da difusão de suas implementações de TIC em nível mundial (HEEKS, 2005). O uso das TIC no Governo está intrinsecamente relacionado ao contexto social e também tem um impacto sobre ele, que é complexo nos países em desenvolvimento, sendo caracterizado
como o entrelaçamento dos atores, agências, sociedade civil e demais correspondentes estrangeiros e globais (NJIHIA; MERALI, 2013). Uma iniciativa de cidade inteligente consiste em uma inovação no setor público baseada em tecnologia. A primeira etapa na cadeia de valor de ICT4D é a avaliação (Readiness) que analisa os pré-requisitos sistêmicos de uma iniciativa, incluindo a avaliação da estratégia que transforma os precursores em insumos (HEEKS; MOLLA, 2009). A fim de alcançar melhores resultados a partir de uma iniciativa de cidade inteligente busca-se identificar a contribuição das mesmas para o desenvolvimento humano, que trata fundamentalmente do aumento das oportunidades das pessoas de terem a vida que elas desejam. Ou seja, no caso da administração pública, envolve o entendimento das necessidades e expectativas dos cidadãos e comunidades sobre a vida que eles valorizam. Percebe-se assim, que o processo de desenvolvimento humano deve criar um ambiente para as pessoas, individual e coletivamente, desenvolverem todo o seu potencial e ter uma chance razoável de levar vidas produtivas e criativas que elas valorizam (HDRO Outreach, 2015).
Um dos principais desafios nos governos locais é a capacidade de resposta do governo, ou responsividade, definida como a extensão em que o governo responde às questões levantadas pelos cidadãos (AGRAWAL, KETTINGER; ZHANG, 2014). As necessidades dos cidadãos variam de acordo com o seu desenvolvimento social e econômico, pressionando os governos em diferentes situações e serviços. Tais exigências devem ser controladas pelos governos para melhorar continuamente os seus serviços, a fim de satisfazer todos os tipos de necessidades dos cidadãos (HUANG, 2007).
Considerando o desenvolvimento em termos de capacidades, é possível avaliar o impacto das TIC além de índices superficiais de acesso e uso ou de seus benefícios econômicos (ZHENG, 2009; MADON, 2005). A avaliação do impacto no desenvolvimento de projetos de governo eletrônico, nesta pesquisa definidos como iniciativas de cidades inteligentes, depende de diversos fatores relacionados principalmente com o grau em que as necessidades e prioridades dos indivíduos foram atingidas, trazendo resultados sociais (MADON, 2005). Assim, para o alcance de uma boa governança de cidade inteligente as iniciativas devem buscar produzir decisões eficazes, com o uso de informações para otimizar a tomada de decisão, e fornecer os incentivos que produzem os resultados desejados, dado que todos os indivíduos agem em seu próprio interesse (OSELLA, FERRO; PAUTASSO, 2016). Tem-se, então, a Proposição 1 da pesquisa:
Proposição 1. As estratégias para implementação de iniciativas de cidades inteligentes devem refletir as necessidades e expectativas dos cidadãos e comunidades.
A segunda etapa na cadeia de valor de ICT4D consiste da implementação de iniciativas que transformam as entradas em um conjunto de resultados tangíveis, podendo- se avaliar a presença e a disponibilidade dessas entregas (HEEKS; MOLLA, 2009). Conforme sugerido por Chourabi e outros (2012), a implementação de iniciativas de cidades inteligentes é influenciada e sofre influência de fatores internos que são relacionados a aspectos no âmbito das tecnologias, da gestão e das políticas. Nesse sentido definiu-se no modelo conceitual desta pesquisa que a implementação de iniciativas de cidades inteligentes é representada por fatores tecnológicos (interoperabilidade, informação e qualidade dos dados, habilidades técnicas, etc.), fatores organizacionais (financiamento, alinhamento dos objetivos, recursos humanos, etc.) e fatores políticos e institucionais (relacionamentos interorganizacionais, remoção de barreiras legais e regulatórias, integração política, institucionalização, etc.) (CHOURABI et al, 2012;. NAM; PARDO, 2011; GIL-GARCIA; PARDO, 2005). Assim, a implementação de iniciativas de cidades inteligentes (aqui determinadas pela combinação de um conjunto de processos de negócio e recursos de tecnologia) terá como resultados a melhoria na prestação e entrega de informações e serviços públicos à sociedade, conforme sugerem Awoleye, Ojuloge e Ilori (2014), que poderão ser convertidos em recursos como meios para alcançar uma efetivação.
É importante ressaltar, que os resultados de iniciativas de governo eletrônico normalmente apresentam-se de duas formas. Uma está relacionada com o aumento do acesso e entrega de informações e serviços de governo ao público ou outras agências governamentais, e a outra na melhoria das operações do governo que podem incluir a eficácia, a eficiência, a qualidade do serviço, ou a transformação na forma como o governo e agentes atuam (U.S. CONGRESS, 2002). As duas estão altamente relacionadas, considerando que a melhoria das operações de governo pode resultar na melhoria da entrega de informações e serviços ao cidadão, estando essa melhoria interna relacionada também à qualidade de vida dos agentes que executam as atividades.
Nesse sentido, considerando a mudança nos aspectos organizacionais em iniciativas de cidades inteligentes, que buscam o aumento da eficiência e eficácia da gestão pública, além de aspectos que promovem uma governança mais inteligente, buscando uma maior colaboração entre as partes interessadas (CHOURABI et al., 2012), existe uma tendência à melhoria na prestação e entrega de informações e serviços como
resultado das iniciativas. Essa melhoria é representada tanto pela governança de cidades inteligentes, definida pelo aumento da eficiência, eficácia e transparência na gestão e na prestação de serviços públicos, e pela criação de um ambiente de colaboração com outras organizações e com o público (MAHESHWARI; JANSSEN, 2014; NAM; PARDO, 2014), quanto na ampliação da promoção de oportunidades para os cidadãos na forma de serviços públicos, participação e comunicação (AWOLEYE, OJULOGE; ILORI, 2014). Assim, tem-se a Proposição 2 da pesquisa.
Proposição 2. A implementação de iniciativas de cidades inteligentes tem como resultado uma melhoria na prestação e entrega de informações e serviços de governo (governança de cidades inteligentes).
Conforme sugerido por Awoleye, Ojuloge e Ilori (2014), a ampliação da promoção de oportunidades para os cidadãos, como resultado de iniciativas de cidades inteligentes, ocorre de várias formas. Tais oportunidades incluem a extensão do acesso aos serviços públicos e possibilidades de participação e comunicação sem limitações temporais ou geográficas (AWOLEYE, OJULOGE; ILORI, 2014). A partir da disponibilização de informações e serviços relevantes aos cidadãos e em tempo real, aumentam as chances de o governo fornecer os serviços apropriados para populações específicas. Assim, tem-se que os resultados de iniciativas de cidades inteligentes (definidos pelas saídas na cadeia de valor) fornecem os subsídios necessários, ou as entradas, para a extensão das capacidades no âmbito do desenvolvimento humano.
Tendo como base a abordagem das capacidades para analisar a contribuição das iniciativas de cidades inteligentes no desenvolvimento humano, o modelo conceitual proposto passa a abordar a primeira etapa dos resultados de desenvolvimento a serem analisados. No âmbito da cadeia de valor de ICT4D, a primeira etapa para o desenvolvimento está relacionada com a captação, que define a extensão com que as entregas podem ser utilizadas como recursos pela população. Em termos de desenvolvimento humano, esta etapa é caracterizada por Robeyns (2005) como bens e serviços que são acessados pelo cidadão e servem como entrada na criação ou extensão das capacidades, podendo ser considerados meios para alcançar uma efetivação. Assim, tem-se a Proposição 3.
Proposição 3. A melhoria na prestação e entrega de informações e serviços de governo resulta em recursos como meios para o alcance de efetivações pela população.
A remoção de barreiras está diretamente relacionada com a liberdade para alcançar uma efetivação e com o conjunto de oportunidades das pessoas para fazer uma escolha, ou seja, as suas capacidades (SEN, 1987). As capacidades são apresentadas por Stewart (2013) como requisitos para o desenvolvimento rápido e bem-sucedido e podem ser trabalhadas em nove dimensões: bem-estar físico, bem-estar material, desenvolvimento mental, trabalho, segurança, relações sociais, bem-estar espiritual, empoderamento, e liberdade política e respeito por outras espécies. As dimensões sintetizam conceitos oriundos de diferentes fontes de estudo das capacidades como bens primários, valores humanos básicos, necessidades básicas e intermediárias, capacidades humanas centrais, dimensões de bem-estar e qualidade de vida. Para fins de análise, adotam-se os fundamentos de Sen (1999) de que para avaliar o progresso, verifica-se se houve aumento das liberdades das pessoas, ou seja, das capacidades. Assim, apresenta-se a Proposição 4.
Proposição 4. Os recursos resultantes da melhoria na prestação e entrega de informações e serviços de governo auxiliam no alargamento das capacidades como requisito para o desenvolvimento humano.
A última etapa da análise dos resultados do desenvolvimento humano no modelo conceitual é a realização do desenvolvimento. Porém, a eficácia do mesmo depende da livre condição de agente das pessoas, que depende de oportunidades econômicas, liberdades políticas, poderes sociais e condições habilitadoras (SEN, 1999). Assim, uma efetivação é algo conquistado pelo indivíduo e está relacionado às condições de vida. Considerando os objetivos da pesquisa que foca na contribuição do governo para o desenvolvimento humano, percebe-se que o papel do mesmo está no aumento das possibilidades de melhoria das capacidades, pois a conversão das mesmas em efetivações depende das escolhas dos cidadãos. Porém, alguns aspectos podem ser analisados como possíveis efetivações alcançadas pela população, especialmente considerando melhorias diretas no desenvolvimento humano, ou seja, aspectos fundamentais e cruciais promovidos por iniciativas de cidades inteligentes e na criação de condições para o desenvolvimento humano, com aspectos contextuais.
Apesar de não espelhar a tendência proposta na abordagem de Sen por se tratar de um conjunto de capitais limitado e com metas de desenvolvimento predeterminadas (KLEINE, 2010), o modelo de subsistências sustentáveis apresenta como resultados de subsistência o aumento da renda, o aumento do bem-estar, a redução de vulnerabilidades, a melhoria da segurança alimentar e o uso mais sustentável da base de recursos naturais (DFID, 1999). Apesar de sugeridos no modelo, esses resultados genéricos de subsistência não são necessariamente aplicáveis a qualquer situação, podendo ser gerenciados (DFID, 1999), e servem para exemplificar possíveis efetivações. Tem-se assim a proposição 5.
Proposição 5. O aumento das capacidades possibilita o alcance de efetivações em termos de a) aspectos fundamentais do desenvolvimento humano, ou na b) criação de condições para o desenvolvimento humano, sendo a efetivação proveniente da escolha do indivíduo.
A liberdade de escolha para realizar uma efetivação faz parte do conjunto de capacidades do indivíduo, que inclui as capacidades básicas como um subconjunto de todos os recursos que se referem à liberdade de fazer algumas coisas básicas que são necessárias para a sobrevivência, além de capacidades necessárias para alcançar aquilo que se valoriza (NUSSBAUM, 2011; ROBEYNS, 2005). Nesse sentido, o desenvolvimento humano vai resultar da escolha do indivíduo (baseada no seu conjunto de capacidades, incluindo a liberdade de alcançar uma efetivação) e dos resultados secundários (efetivações) que vão depender da forma como o indivíduo vive e do que é valorizado por ele, podendo as TIC auxiliar no alcance desses resultados (KLEINE, 2010). Para que as TIC possam auxiliar as pessoas a atingir suas efetivações, as iniciativas de cidades inteligentes devem garantir que as normas e ideais inscritas nas mesmas refletem as escolhas dos indivíduos (KLEINE, 2011).
Porém, considerando que o desenvolvimento humano consiste em proporcionar às pessoas oportunidades, não insistindo que eles façam uso das mesmas (HDRO Outreach, 2015) e que a liberdade de escolha é um fator central na abordagem, o foco desta pesquisa está no aumento das condições para o desenvolvimento e na melhoria intrínseca no desenvolvimento e não nas escolhas individuais da população. Assim, adota-se a percepção de que cada governo deve determinar quais as capacidades que pretende promover, pois não existe um método único para identificar as liberdades que as pessoas têm razão para escolher e valorizar (abordagem das capacidades de Nussbaum em ALKIRE, 2009).