Para Contandriopoulos et al (1994), toda questão de pesquisa define um certo número de construções teóricas que o pesquisador quer relacionar. Uma variável é uma das características de interesse para um determinado estudo que possui diferentes valores para sujeitos e objetos distintos.
Este trabalho pode ser caracterizado como estudo comparativo, que terá por unidade de análise os modelos de gestão aplicada a cada hospital e, como variáveis, os indicadores abaixo descritos no período de 2000 a 2001, pois nesse interstício os hospitais administrados por Organizações Sociais em Saúde, que iniciaram a operação em 1999, já se encontravam ativos.
A variável dependente é a Eficiência da Gestão. Por sua vez, os indicadores analisados são considerados variáveis independentes.
Na estratégia de pesquisa, optou-se por coletar duas ou mais variáveis independentes relacionadas aos insumos e à produção hospitalar. Como o estudo
envolveu mais de uma forma de gestão, podería-se encontrar diferentes formas de controle interno e de prestação de contas.
Essas variáveis independentes foram elencadas em quatro grandes grupos: dados de capacidade instalada, dados de produção, dados de recursos humanos e dados financeiros.
Dados de capacidade instalada Área Construída:
Indica o espaço físico disponível na unidade. Número de leitos:
Indica o número de leitos disponíveis na unidade. Número de Salas Cirúrgicas:
Indica o número de salas disponível para a realização de procedimentos cirúrgicos.
Número de Cirurgias:
Indica o número de procedimentos cirúrgicos realizados no período estudado.
Número de Ambulatórios:
Indica o número de salas disponíveis para realização de consultas ambulatoriais.
Dados de produção
Número de Consultas Ambulatoriais:
Indica a quantidade de consultas realizadas no período estudado. Número de saídas:
Indica o valor absoluto de pacientes internados que tiveram alta e os óbitos ocorridos na Unidade Hospitalar, no período estudado. Percentual de ocupação:
Mostra a taxa de ocupação do hospital, ou seja, qual o percentual de leitos ocupados do total disponível durante determinado período.
Tempo Médio de Permanência:
É o tempo médio que o paciente passa internado no hospital em dias.
Taxa de Infeção Hospitalar:
É a taxa de infeções que acometem pacientes até 72 horas depois da alta e medida por 1000 pacientes.
Número total de exames de Apoio ao Diagnóstico e à Terapêutica por leito:
É o indicador criado para medir a produção dos serviços de apoio ao diagnósticos e à terapêutica.
Dados de recursos humanos Renovação de Talentos:
Baseado no indicador tradicional de Pessoal: Turn Over. Absenteísmo:
É o cômputo percentual das faltas e licenças médicas realizado mensalmente pelo hospital.
Horas de Treinamento por funcionário
É um indicador também bem aceito pelos profissionais de Recursos Humanos como evidência da importância que os colaboradores bem capacitados têm para a organização.
Número de Funcionários por Leito:
Demonstra a relação entre o número total de funcionários da organização (incluindo-se os terceirizados) e o número de leitos ativos.
Dados financeiros
É o valor alocado para a unidade hospitalar em seu orçamento ou contrato de gestão (pelo governo e adicionando-se as parcelas da fundação, quando for o caso) dividido pelo número de leitos ativos. Despesa por Internação:
É o valor realizado, gasto, pelo hospital dividido pelo número total de saídas.
Volume de Investimento em Equipamentos Permanentes:
É o percentual do orçamento alocado para investimento em ativo fixo ou imobilizado.
Com base nos dados levantados para as variáveis descritas anteriormente, passou-se à elaboração de três novos indicadores: o número de atendimentos totais por funcionário, as despesas totais por leito e as despesas com pessoal por leito. As fórmulas de cálculo para esses indicadores são apresentadas a seguir.
O indicador atendimentos totais foi composto da mesma forma que nos estudos de Zucchi (1998) e Marinho (2001a):
Fórmula (8.0) i i i i i nfunc ns ncons nurg ATT = + + Onde:
ATTi é o número de atendimentos totais por funcionário do hospital i;
n urgi é o número de atendimentos em regime de urgência e emergência do hospital i;
n consi é o número de consultas médicas do hospital i;
n sI é o número de saídas do hospital i; e
n funci é o número total de funcionários do hospital i.
O segundo indicador que criamos é chamado de despesas por leito, este comporta uma variação denominada despesas com pessoal por leito. As fórmulas são descritas a seguir:
Fórmula (9.0) Fórmula (9.1) i n i nl realizadas despesas L DT/ = 1 i m i nl pessoal com Despesas L DP/ = 1 Onde:
DT/Li é o montante das despesas totais por leito do hospital i;
DP/LI é o montante das despesas com pessoal menos os encargos sociais obrigatórios
por leito do hospital i;
i n
totais despesas
1
é a somatória das despesas do hospital i;
i m
pessoal despesas
1
é o montante das despesas com pessoal menos os encargos sociais obrigatórios do hospital i; e
nlI é o número de leitos do hospital i.
Tendo por base o levantamento desses indicadores de Produção, de Recursos Humanos e Financeiros, a representação formal e simplificada do estudo pode ser assim definida:
ET20 = DCI + DP + DRH + DF
Onde,
ET = Eficiência Técnica;
DCI = Dados de Capacidade Instalada; DP = Dados de Produção;
DRH = Dados de Recursos Humanos ; e DF = Dados financeiros.
Para Contandriopoulos et al (1994), quando as técnicas utilizadas para análise de dados são aceitas como válidas pela comunidade científica, o pesquisador pode se contentar em descrevê-las brevemente. Caso as técnicas utilizadas não sejam de amplo conhecimento, o pesquisador deverá descrevê-las mais extensamente.
Com objetivo de garantir confidencialidade às informações dos hospitais participantes, estes foram categorizados de acordo com o modelo de gestão.
Após essa fase, a análise apresentada nas seções seguintes pode ser dividida em duas etapas.
Na primeira etapa de análise, os dados de cada hospital serão comparados com os parâmetros sugeridos pela literatura pertinente e classificados entre si. Na segunda, avaliados através da utilização da Análise Envoltória de Dados (DEA), com objetivo de gerar uma fronteira convexa de eficiência, possibilitando a comparação entre as observações e a criação de uma classificação que permita aferir a Eficiência Técnica.
O diferencial entre as análises descritas acima advém de que a primeira etapa de análise será realizada por grupos de variáveis, e que, na segunda, serão agregadas todas as dimensões representadas pelos indicadores coletados, avaliando o hospital no todo.
As recentes pesquisas sobre DEA têm apresentado diferentes critérios na determinação do número exato de insumos e produtos a serem utilizados na análise em função do número de observações – em nosso estudo, os hospitais.
20' 6 6 6 # 6
+ 1+ ! ! 5 6 2 # 6 6 - 6 #
A determinação do número ideal de variáveis descrita por Fitzsimmons e Fitzsimmons (2000) leva em conta que o modelo de DEA utilizado tenciona maximizar os produtos e não minimizar insumos. Com este objetivo, utilizamos no modelo uma variável de produto a mais que a de insumo, em busca de uma maior especificação sobre quais produtos podem ser otimizados. Esse número foi obtido com o uso da seguinte formulação:
Fórmula (10.0) V ≥I+O
Onde:
V é o número de hospitais utilizados no modelo de DEA, originário do plano amostral definido para este estudo;
I é o número de variáveis de insumos; e
O representa o número de variáveis de produto.
Anderson e Jenkins (no prelo) desenvolveram uma metodologia que exclui insumos e/ou produtos do modelo, de acordo com seu grau de associação, em termos da variância. De maneira sintética, trata-se da utilização de estatísticas multivariadas, com as quais são elaboradas matrizes de covariância parcial (BUSSAB e MORETTIN, 2002; TOBAR e YALOUR, 2001).
A última etapa do estudo consistirá na utilização de testes não-paramétricos para as hipóteses em estudo.