4.1. Türkiye’de Kentleşme Nedenleri
4.1.1. Kentleşmede İç Etmenler…
Após a busca bibliográfica, foi possível perceber que os estudos e pesquisas, aos quais tivemos acesso até o momento, que trabalham sobre os apontamentos e reflexões referentes às gerações, escritos por Mannheim, se encontram, principalmente, nas áreas da Sociologia e Psicologia. Há também trabalhos que tratam sobre o tema gerações, mas não se referenciam, especificamente, em Mannheim, como aqueles que discutem questões relacionadas à velhice e a gerontologia, ou mesmo aqueles que trabalham com gerações, mas não trabalham com Mannheim.
As pesquisas que discutem geração, tendo como base o trabalho de Mannheim, apresentam-se como aprofundamentos teóricos sobre o que por ele foi apresentado7
; ou seja, escolhem-se momentos, fragmentos e conceitos de suas obras e realizam-se reflexões sobre os mesmos. Há também trabalhos onde pesquisas de campo são interpretadas com suas teorias. Neste sentido, a busca bibliográfica resultou numa seleção de estudos que nos auxiliaram a compreensão do referencial teórico desta pesquisa, aos quais trazemos aqui algumas considerações.
Karl Mannheim foi um sociólogo que nasceu na Hungria, em 1893, filho de mãe judia-alemã e pai judeu-húngaro. Mannheim iniciou seus estudos de filosofia e sociologia em Budapeste, participando de grupo de estudos coordenado por Georg Lukács, que era filiado ao partido comunista. Embora Mannheim não participasse do regime, foi obrigado a deixar o país após a queda deste, indo inicialmente para Viena e Freiburg até chegar a Heidelberg, cidade em que viveu na década de 20, onde foi aluno do sociólogo Alfred Weber, irmão de Max Weber. Estudou também em Berlim e Paris.
Em um trabalho publicado em 2005, Weller diz que os estudos de Mannheim podem ser divididos em três fases, que não estão apenas relacionadas aos distintos contextos geográficos ou países em que o autor viveu, mas que apresentam produções diferentes. Na Hungria, Mannheim dedicou-se principalmente a temas literários e filosóficos. O período em que viveu na Alemanha (1920 a 1933) corresponde à fase sociológico-filosófica, abrangendo trabalhos conhecidos como: O problema das gerações (1928) e, Ideologia e Utopia (1929), assim como outros trabalhos que Mannheim nunca publicou e que só chegaram ao conhecimento do público nos anos de 1980. É nesse período que Mannheim leciona a cadeira de Sociologia na Universidade de Frankfurt, mas com a ascensão do nazismo, Mannheim deixou a Alemanha para tornar-se professor da London School of Economics, falecendo em 1947.
Quando esteve na Grã-Bretanha, Mannheim se dedicou à análises político- pedagógicas relativas a temas emergentes naquela época, fruto de seu trabalho na área de Educação e, de suas reflexões sobre a guerra e os desafios futuros. Grande parte dos trabalhos relativos a esse período foi publicada postumamente. Portanto, as leituras e críticas dos textos de Mannheim precisam contemplar as distintas fases e contextos da produção do autor,
observando-se o período em que determinado trabalho foi escrito e não apenas a data de sua publicação ou tradução.
Karl Mannheim pode ser diretamente associado à Sociologia do Conhecimento, sendo ele a definir sua natureza e alcance, trazendo uma novidade a esse ramo da sociologia, com o cenário intelectual da época. Para Júnior (2002), a ambição de Mannheim ao propor uma sociologia do conhecimento seria superar os dilemas e distinções entre uma sociologia do conhecimento e a teoria da ideologia, uma vez que ambas preocupavam-se com a correlação entre a determinação do pensamento e o contexto social onde esse se desenvolve.
De fato, as proposições de Mannheim conseguiram fazer frente à fundamentação analítica que permeava o fazer científico naquele momento. No entanto, um dos maiores feitos de Mannheim foi o fato de ter colocado em relevo aspectos referentes à gênese do conhecimento aos quais a Epistemologia Analítica não tinha condições de apresentar solução satisfatória. De qualquer forma, Júnior (2002) diz que houve nos anos 60 ‘uma retomada da Sociologia do Conhecimento e das questões epistemológicas, quase que do mesmo ponto em que Mannheim as deixara em Ideologia e Utopia (1929)’. É a partir dessa retomada, que pode ter começado as teses levantadas por Kuhn no que se refere à determinação social do conhecimento, que:
diferentes correntes teóricas, oriundas de estudos sociais do conhecimento, da cultura e da ciência, possibilitaram o surgimento de uma orientação teórica mais ambiciosa denominada, mais amplamente, de estudos sociais da ciência e, mais especificamente, no âmbito da Sociologia, de Sociologia do Conhecimento
Científico. Foram vários os estudos sociais da ciência, sob esta nova designação, que passaram a abarcar não apenas as preocupações epistemológicas da Sociologia do Conhecimento mannheimiana, como também a possibilidade de ter como objeto legítimo de seu conhecimento o conhecimento científico (JÚNIOR, 2002, p. 136).
Assim, a Sociologia do Conhecimento Científico passou a estudar, considerando aquilo que Mannheim tentou chamar a atenção quando inicialmente propôs uma sociologia do conhecimento: ‘por um lado, aspectos estruturais que compreendem as mútuas influências entre fatores sociais e cognitivos, no âmbito das organizações científicas e, por outro lado, questões estritamente atinentes à gênese e à validação do conhecimento científico’ (JÚNIOR, 2002, p. 136).
Dessa forma, existem pelo menos três razões que justificam a retomada ou releitura do pensamento de Mannheim, segundo Bohnsack (1999, citado por WELLER, 2005): (a) associar o conhecimento e o pensamento ao contexto local, que Mannheim chamaria de conhecimento conjuntivo; (b) suas reflexões metodológicas e interpretações
sociológicas que deram origem a um método de análise, documentário de interpretação; e (c) sua contribuição na definição de conceitos como geração, meio social, estilo e hábitos. Para esta pesquisa, vamos nos deter apenas em seus conceitos e definições envolvendo o tema das gerações.
Assim, trabalharemos principalmente com a obra ‘O problema das gerações’. Esclareço que existem duas versões para o português deste texto, uma traduzida da língua inglesa e outra versão feita em Portugal. Contudo, ambas apresentam problemas de adaptação e distorções de alguns conceitos apresentados por Mannheim na versão original, além de terem sido bastante reduzidas com relação à versão alemã. Dessa forma, nesta pesquisa utilizamos como base de estudo a versão espanhola8
de ‘O problema das gerações’ escrito por Mannheim em 19289
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