4.2.3.1 Elaboração dos questionários
Um questionário é um instrumento de investigação que visa recolher informações baseando-se, geralmente, na inquisição de um grupo representativo da população em estudo. Para tal, coloca-se uma série de questões que abrangem um tema de interesse para os investigadores, gerando dados necessários para se atingirem os objetivos de um projeto, não havendo interação direta entre estes e os inquiridos (AMARO et al., 2005 e SALVARANI et
al., 2013).
Para Silva (2002), o questionário é a forma mais direta de obtenção de informações sobre atitudes e comportamentos, conjugando para esse efeito, questões abertas (permite ao entrevistado uma liberdade maior de expressão) e fechadas (oferecem alternativas prévias de respostas) através da exploração de técnicas de ordenação, que permite a utilização simultânea e complementar.
Este instrumento é o mais frequentemente utilizado na investigação social, uma vez que permite a obtenção de conjuntos de dados individuais para que possam ser interpretados e generalizados (MARIN, 2008), como também, pela facilidade com que se interroga um elevado número de pessoas, num espaço de tempo relativamente curto (MUÑOZ, 2003).
O estudo da percepção ambiental é um bom exemplo da utilização desse instrumento, sobretudo, quando se aplicam às praias e requerem a investigação das complexas características humanas e sociais que não são visíveis (SILVA, 2002). Esta técnica foi utilizada nos trabalhos sobre percepção ambiental, realizados por Dias Filho et al. (2011), Santana Neto et al. (2011), Bitencourt & Rocha (2014) e Seixas et al. (2014), entre outros.
Palma (2005) indica que o questionário deve ser semiestruturado, adaptado a realidade local. Portanto, foi necessário planejamento anterior, com base na conceituação do problema da pesquisa e do plano da pesquisa. Com base nestes termos, o questionário foi elaborado por meio de informações obtidas a partir de entrevistas realizadas com os usuários das praias de interesse, pesquisas realizadas anteriormente nas áreas de estudo, e questões adaptadas de trabalhos de mesma natureza, como por exemplo, Silva (2002) e Priskin (2003).
Para o levantamento dos dados referentes à percepção ambiental dos diferentes atores das praias de interesse, utilizaram-se inquéritos com questões relevantes, tais como: perfil demográfico, formas de uso da praia, percepção sobre a qualidade dos bens e serviços
da praia e, percepção sobre a erosão costeira e as intervenções para conter este fenômeno. Com a análise destes dados, foi possível avaliar o nível de conscientização ambiental destes atores.
Fez-se também um pré-teste do questionário em maio de 2010 na praia do Icaraí/CE e em junho de 2012 na praia de Ponta Negra/RN, assim como, sempre que o instrumento de coleta de dados sofria alguma alteração para acompanhar as etapas do estudo. Dessa maneira, foi possível identificar e corrigir falhas do instrumento, melhorar seu entendimento, e avaliar a duração da entrevista e aceitação do instrumento. Durante o pré- teste, teve-se a oportunidade de avaliar a dificuldade e nível de compreensão dos respondentes às informações providas.
4.2.3.2 Questionário
Como este estudo teve o propósito de analisar a percepção ambiental da erosão costeira em fases distintas (antes, durante e depois da implantação de obras de controle a erosão costeira) em duas áreas diferenciadas (Praia do Icaraí/CE e Praia de Ponta Negra/RN), foi preciso a formulação de questionários de acordo com a problemática observada no momento.
O primeiro questionário (Apêndice A) teve o objetivo de coletar informações sobre a percepção da erosão costeira, suas causas e consequências e expectativas para planos de controle ao fenômeno. O segundo (Apêndice B), já referente à fase de implantação das obras de contenção nas praias do Icaraí (Bagwall) e Ponta Negra (Enrocamento aderente), que além de continuar a abordar a percepção sobre erosão costeira, causas e consequências, também era composto por questões sobre as respectivas obras e a modificação socioambiental observada nas praias em função destas intervenções costeiras.
De uma forma geral, os inquéritos foram compostos por questões distribuídas em três partes, como apresentado a seguir:
PARTE A – Informações sobre o Entrevistado:
Esta parte visa coletar as informações dos respondentes, tais como: local da residência, que tipo de visitante se enquadra, quais atividades pratica na praia, a hora que
chegou a praia e quanto tempo pretende permanecer a cada visita, além do tempo que frequenta a praia e a frequência semanal com que vai àquele ambiente.
Com estas informações é possível identificar a dinâmica social das referidas praias, de acordo com a origem e o tipo de frequentador e por qual propósito este ambiente é utilizado, assim como, o tempo e a frequência em que estas praias são visitadas, buscando entender o conhecimento com as questões ambientais da área, através da familiaridade dos seus utilizadores com relação às transformações ocorridas ao longo dos anos e os impactos destas transformações em suas experiências de praia.
PARTE B – Percepção da Paisagem:
Esta parte visa avaliar a percepção que o inquirido tem da praia, aferir a opinião sobre a qualidade dos bens e serviços da praia, identificar as potencialidades e problemáticas e capturar as expectativas de mudanças para um futuro próximo para as áreas de estudo.
Nesta sessão estão disponibilizadas questões referentes à erosão costeira e as obras de intervenção, do tipo escala de Likert, com cinco diferentes níveis de escolha (1-Sem importância; 2-Pouco importante; 3-Nem muito nem pouco importante; 4-Importante e 5- Muito importante), correspondente ao Grau de Importância, (1-Muito ruim; 2-Ruim; 3- Razoável; 4-Bom e 5-Muito bom), correspondendo ao Grau de Satisfação e (1-Sem gravidade; 2-Gravidade leve; 3-Gravidade regular; 4-Grave e 5-Muito grave), correspondente ao grau de impacto da erosão costeira nas praias em questão.
E, por fim, afirmativas com as opções (1-Discorda fortemente; 2-Discorda; 3-Nem concorda, nem discorda; 4-Concorda; e, 5-Concorda fortemente) sobre erosão costeira e suas intervenções. Para avaliar, possíveis causas e potenciais problemas causados por este fenômeno, assim como, as modificações sofridas nos locais devido às obras de controle a erosão costeira. Com isso, obter o máximo de informações sobre a percepção dos usuários acerca desses temas.
PARTE C – Demografia:
De acordo com Alves (2006), a importância da análise de dados demográficos numa investigação socioambiental, consiste no fato da população ser definida como o número de pessoas que habita um determinado território ou região, tornando-se um elemento político
essencial que caracteriza o ambiente. Dessa maneira, torna-se possível o planejamento econômico, social, cultural ou político de um determinado ambiente, em função da compreensão dos diversos aspectos do tipo de população que dele faz uso.
Portanto, esta parte visa coletar as informações demográficas e socioeconômicas dos respondentes, tais como: idade, sexo, estado civil, número de filhos, renda mensal familiar e grau de escolaridade do entrevistado. Com isso, identificar o perfil do tipo de frequentador que faz uso dos ambientes de interesse desse estudo.