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O lixo chega à usina acondicionado em sacos plásticos, passa por um fosso de recepção (tulha metálica dosadora) e é selecionado, na esteira de triagem, separando-se os seus constituintes. Os recicláveis – papel, papelão, vidro, metal e plástico – são colocados em recipientes separados provisoriamente, até que sejam enfardados por uma prensa hidráulica e encaminhados até o local de armazenamento, adjacente à esteira, onde permanecem até sua comercialização. Na usina em questão, apesar de ser dotada de esteira mecanizada para agilizar a catação, essa somente é acionada manualmente a cada vez que o volume de material afluente a ela é completamente segregado em seus componentes. A Figura 5.7, a seguir, mostra o galpão de triagem e armazenamento de recicláveis.

Figura 5.7 – Galpão de triagem e armazenamento de recicláveis na UTC de CXC A matéria orgânica triada vai para o pátio de compostagem, após ser triturada por triturador mecânico, com o objetivo de diminuir o tamanho das partículas para um diâmetro entre 10 e 50 mm, facilitando assim a degradação biológica, já que diminui a compactação, melhora a porosidade e aumenta a capacidade de aeração da pilha de compostagem. No pátio, são formadas leiras (montes de material em formato cônico) com o material que aí permanecem por aproximadamente 100 a 120 dias entre as fases de degradação ativa e de maturação até que se torne um material humificado.

A compostagem se divide em duas fases: na primeira, denominada de degradação ativa, que dura cerca de 70 dias, as leiras sofrem o reviramento constante no pátio de compostagem com o objetivo de controlar a aeração e a temperatura das mesmas. Estes parâmetros, aliados ao controle da umidade, garantem o sucesso da degradação biológica. Na segunda fase, denominada de maturação, as leiras permanecem em repouso e, ao final de cerca de 40 a 50 dias, o material dessas leiras já se transformou em composto, para ser utilizado na fertilização de jardins e plantas ornamentais, que não requerem grandes cuidados quanto ao controle de metais pesados remanescentes. A Figura 5.8, a seguir, dá uma visão geral do pátio de compostagem. Detalhe para a baia de vidro no canto superior direito, que foi construída devido à imposição de condicionante da LO que exigia a ampliação das baias de recicláveis.

Figura 5.8 – Pátio de compostagem da UTC de CXC

O material que não é aproveitado no processo, seja para a compostagem, seja para a reciclagem, é enviado ao aterro de rejeitos que, na usina em questão, trata-se de vala escavada no solo onde são aterrados os materiais imprestáveis ao reaproveitamento, sem que haja qualquer compactação dos mesmos. Cabe ressaltar que nenhuma proteção da cava é feita no sentido de impermeabilizar seu fundo e laterais contra uma possível formação de líquidos lixiviados. Trata-se então do que se considera um aterro controlado mal operado.

Atualmente, o aterro de rejeitos é dotado de uma tela metálica que cobre a cava enquanto ainda não foi coberta por terra, para evitar que animais como urubus e cães se alimentem de algum resto indesejado. O procedimento de cobertura com terra deve ser feito ao final de cada dia de operação, com o objetivo de evitar a atração do vetores. Os resíduos do Centro e do Posto de Saúde são aterrados em área adjacente ao aterro de rejeitos, cercada, para impedir o acesso de pessoas estranhas e até mesmo de animais. A Figura 5.9, a seguir, mostra os dois tipos de aterramento existentes na UTC.

Figura 5.9 – Vala de rejeitos da UTC de CXC, em primeiro plano e de RSS, ao fundo Percebe-se que a operação do aterro de rejeitos poderia ser otimizada se fosse executada a compactação dos resíduos, mesmo que fosse manualmente, com o intuito de aumentar a sua vida útil. Entretanto, esse procedimento não vem ocorrendo e estranha o fato de não se ter encontrado nenhum registro que trata do assunto nos relatórios de vistorias da FEAM.

Finalmente, cabe mencionar que o monitoramento do funcionamento da unidade é feito com o objetivo de verificar se estão sendo cumpridas as condições mínimas estabelecidas no projeto, assim como as recomendações feitas pelo órgão ambiental. Consultando os relatórios de vistorias ocorridas, constantes do Processo de LO, observou-se uma preocupação predominante com aspectos do processo de compostagem, com a higienização da área, com o uso de EPI’s pelos funcionários e com a cobertura diária dos rejeitos, não se notando conforme dito anteriormente, qualquer sugestão no sentido de corrigir a operação insatisfatória do aterro de rejeitos.

Quanto ao composto produzido, numa quantidade média de 2 t/mês, tem sua utilização em jardins e plantas ornamentais de áreas públicas da cidade, visto que as análises laboratoriais do mesmo, para verificação de presença de metais pesados, são raras devido ao custo, segundo o encarregado da usina. Toda a produção é consumida pela destinação citada, mas se

existe sobra que possa ser doada, a advertência sobre o uso em verduras e hortaliças é feita ao solicitante da doação. Esse procedimento atende perfeitamente às recomendações da FEAM. A Tabela 5.2, a seguir, similar à tabela que é enviada trimestralmente à FEAM, ilustra as quantidades operadas pela unidade de triagem e compostagem do município.

Tabela 5.2 – Quantidades operadas na UTC – (kg)

Meses 2004 Total lixo Recicláveis Matéria Orgânica Rejeitos aterro Papel/ Papelã o

Vidro Plástico Metal Outros

Agosto 17.010 100% 853 5,0% 1.188 7,0% 1.090 6,% 297 1,% 556 3,% 6.586 38,% 6.440 37,% Setembro 13.606 100% 833 6,% 438 3,% 1.094 8,% 227 1,% 614 4,% 5.440 40,% 4.960 36,% Outubro 14.664 100% 582 4,0% 2.253 15,4% 718 4,9% 141 1,0% 1.284 8,8% 4.880 33,3% 4.806 32,8% Total 45.280 2.268 3.879 2.902 665 2.454 16.906 16.206 Quando indagado sobre qual seria a composição do item identificado como “outros”, o encarregado da usina informou que nessa categoria de recicláveis estão incluídos materiais tais como o alumínio, o cobre e ferro velho de grandes dimensões em geral, então, na categoria dita como “metal” estariam somente as latas feitas de material ferroso.

Observa-se que um percentual em torno de 35% dos resíduos processados na usina vai irremediavelmente para o aterro de rejeitos, ou seja, mais que o dobro do que o balanço de massa feito pela UFV avaliou (17%) o que prova a necessidade de intervenção no sentido de melhorar a eficiência da triagem, já que a maioria dos rejeitos é composta de recicláveis de qualidade não recomendável para a reciclagem, devido à sua “contaminação” ainda na fonte, ou simplesmente porque passaram desapercebidos durante a “correria” da catação na esteira. Um fato merece menção em relação ao funcionamento da unidade ao longo desses 4 anos de operação. Por um período aproximado de 8 meses, a partir do início de 2002, a UTC do município estabeleceu parceria com a Prefeitura de Prados, passando a processar também o lixo daquele município. Apesar de contar com a ajuda de funcionários da Prefeitura de Prados, a operação da unidade não se mostrou satisfatória, nesse período citado, visto que a quantidade mensal operada passou de cerca de 15 t/mês a quase 50 toneladas, ocasionando um

envio anormal de rejeitos para o aterro, devido à dificuldade de se executar uma triagem eficiente.

A não conformidade de operação com as características do empreendimento licenciado inicialmente foi constatada pela FEAM que passou a exigir uma re-adequação do empreendimento, com o protocolo de novo pedido de licenciamento. Diante dessa solicitação, em setembro/2002, o chamado “apoio ao município de Prados” foi encerrado e a UTC voltou a operar dentro dos parâmetros da LO concedida.

Outra sugestão reincidente nos relatórios das vistorias de monitoramento executadas pela FEAM diz respeito à continuidade das campanhas para a coleta seletiva com ações de educação ambiental que, conforme será mencionado a seguir, acontecem esporadicamente na cidade, mas com presença obrigatória na “Semana do Meio Ambiente” (mês de junho), segundo informações.

Benzer Belgeler