2. KURAMSAL BİLGİLER ve KAYNAK TARAMALARI
2.1. Kefir
2.1.3. Kefir danesi ve kefirin mikrobiyolojik özellikleri
Ao passar em revista elementos que funcionam como balizadores dos processos de trabalho na educação a distância, é possível localizar normas de diferentes modalidades: organização institucional, divisão de funções, atos regulatórios, dentre outras, que constituem um patrimônio interposto nos contextos de trabalho. Outrossim, identifica-se que esse legado denota permanências, mas também impõe rupturas. Nessa perspectiva, é factível supor que, nas situações de trabalho em educação a distância, são mobilizados conhecimentos adquiridos em função do desempenho de atividades na educação tradicionalmente desenvolvida nas instituições de ensino, o que se poderia denominar saberes protocolares. Todavia, acréscimos podem ser efetivados a esses conhecimentos já disponíveis, uma vez que no curso da experiência, outros saberes serão constituídos.
Esse contexto de retrabalho de normas evidencia a pertinência da busca do diálogo com a ergologia, com o propósito de entender melhor as dramáticas envolvidas na governança do trabalho desenvolvido na modalidade a distância. Nessa aproximação, os seguintes questionamentos, logo de início, soam pertinentes:
- Tendo em vista o caráter recente da educação a distância, quando comparado à presencial, os saberes protocolares têm sido menos acionados?
- Esse contexto que se mostra mais suscetível à criação de regras tem oportunizado maior conforto aos trabalhadores?
- Quais os saberes mobilizados e que novas normalizações são feitas por esses trabalhadores?
Em conexão com essas interrogações, cumpre refletir, ainda, sobre a relação entre o sujeitos e os meios de trabalho demandados na modalidade a distância. Quanto aos meios, o uso das tecnologias na EAD exige a adoção de procedimentos acadêmicos diversos àqueles usualmente adotados na modalidade presencial, o que instiga a pensar acerca da interposição do corpo nas situações de trabalho. Nesse prisma, analisando o trabalho docente na educação à distância Mill, Santiago e Viana (2008) defendem que a maioria dos aspectos desagradáveis do trabalho na EAD concentra-se na sobrecarga de trabalho, evidenciando certa penalização do corpo, seja na perspectiva de excesso de atividades, quantidade de tempo pago para realizar tais atividades, elevado número de alunos ou tamanho das turmas, baixo valor hora- aula, seja em outros desdobramentos da sobrecarga de trabalho.
Além disso, problemas já vivenciados pelo professor na educação presencial, a exemplo de prolongar sua jornada de trabalho, efetivar atividades docentes fora do ambiente
escolar, poderiam obter maior expressão na modalidade a distância. Cabe ressaltar que o Ambiente Virtual de Aprendizagem, que integra diversos recursos tecnológicos e viabiliza a condução dos cursos ofertados na modalidade a distância, imprime lógica diferenciada no acompanhamento do trabalho.
Com efeito, no referido espaço virtual, a governabilidade do trabalho, em relação à quantidade de horas trabalhadas, requer olhar atento do professor, uma vez que os dispositivos que contabilizam o tempo de trabalho docente não arbitram sobre a distribuição da carga horária de trabalho adotada ao longo do dia/mês/semestre, ficando essa tarefa sob a responsabilidade do professor.
Ademais, se a liberdade na organização do tempo do trabalho na educação a distância, conforme aludido, não implica a eliminação de prazos, também não extingue o seu controle. O Ambiente Virtual permite outras vigilâncias em relação ao trabalho docente, visto que possibilita o registro dos materiais e atividades elaborados, bem como o atendimento que o professor promove em relação ao aluno, indicando, inclusive, as requisições que lhe foram feitas e, que, ocasionalmente, possam não ter sido atendidas.
Conforme afirma Saraiva (2010a, p. 42) “na EAD, professores e alunos ganharam a liberdade de escolher quando e onde desejam trabalhar, mas perderam a liberdade de estarem fora do alcance da escola”. Importa afirmar que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT - BRASIL, 2011) já reconhece a validade dos meios eletrônicos para acompanhamento do trabalho, ao dispor no Parágrafo único, do artigo VI, que “Os meios telemáticos e informatizados de comando, controle e supervisão se equiparam, para fins de subordinação jurídica, aos meios pessoais e diretos de comando, controle e supervisão do trabalho alheio”.
Assim sendo, é possível inferir que, ao imprimir mudanças na organização dos processos de trabalho, exigindo ações, com consequente mobilização e produção de saberes, a educação a distância acaba solicitando a mobilização do corpo, tanto na sua dimensão fisiológica, quanto em relação ao psíquico. Mesmo sendo passível de discussão, a qualidade das interações promovidas por ocasião da atuação na modalidade a distância, tendo em vista que as interfaces podem ser estabelecidas virtualmente, não é possível negar o uso da razão, dos desejos, das paixões e dos valores nesse processo.
Assim, presume-se um corpo que, ao vivenciar experiências, irá demandar as negociações características dos usos de si, com as dramáticas que lhe são inerentes. Com efeito, além da reorganização da vida pessoal, dada a situação de dificuldade em separar trabalho e lazer, que pode ser instaurada, compreende-se que os sujeitos precisam, conforme já mencionado, de se aterem à reorganização do ambiente de trabalho, tanto no que se refere à
dimensão física, quanto no que tange às relações profissionais. Por conseguinte, essa reconfiguração do contexto exige ressignificações, pois, afinal, mostra-se impraticável viver sem operar incessantemente a renormalização. Nesse processo, além de os saberes serem colocados em sinergia, os valores também são mobilizados. Quanto a esse aspecto, Schwartz (2011, p. 141) esclarece que:
Normalizar quando há um vazio de normas, renormatizar quando é preciso ajustar ou não respeitar determinada esfera de normas antecedentes supõe que os protagonistas das escolhas dialoguem, explícita ou implicitamente, com um universo de valores já estabelecidos.
Parafraseando essa leitura, pode-se afirmar que o agir pressupõe arbitragens as quais guardam relação com critérios definidos por um a um dos protagonistas. Sendo a atividade o ponto de gestão, abrigará também o confronto de valores, pois “nenhuma escolha é o produto do aleatório, ou então os homens são birutas” (SCHWARTZ, 2011, p. 141).
Tendo em vista essa condição de onipresença dos valores, que não apenas integra, mas funciona como propulsora das atividades, é importante desenvolver análise que possibilite acompanhar suas possíveis conexões com as experiências de trabalho presentes no contexto da educação a distância. Para esse propósito, é preciso retomar e desenvolver mais alguns pontos que remetem à organização do trabalho nessa modalidade de ensino, dados os seus possíveis efeitos sobre as situações de trabalho do professor. Segue-se, portanto, a exposição proposta.