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Kazakistan’ın Güvenlik Sorunları ve Politikaları

ORTA ASYA ÜLKELERİNİN GÜVENLİK SORUNLARI VE POLİTİKALARI

3.1. Bölgedeki Temel Sorunlar Bağlamında Orta Asya Ülkelerinin Güvenlik Politikaları

3.1.2. Kazakistan’ın Güvenlik Sorunları ve Politikaları

Tanto as perspectivas liberais quanto marxistas, por exemplo, enxergam o Estado como instituição de controle dos corpos e das populações. A era do bio- poder na perspectiva de Foucault, os corpos servem ao controle da produção capitalista, e dessa forma ajusta a população aos processos econômicos. A técnica de poder está presente em todos os níveis do corpo social, e os Estados, através dos seus aparelhos de controle, sustentam os interesses da produção capitalista. Insere-se nesse diapasão a hierarquização social, que representa as forças com as suas relações de dominação e resultados de hegemonia, ou seja, o Estado é uma representação de uma classe social, na qual cria as regras, controla e domina. Assim, os Estados garantem a manutenção das relações de produção, os rudimentos de anátomo e bio-poder.

No pensamento marxista, por sua vez, o Estado é uma organização da classe dominante, que mantém o seu domínio econômico e político, então quanto maior o seu poder, tanto mais perigosa é a sua alienação. Está ligado à questão das classes sociais e à luta, o que se liga ao problema da economia e da produção. (SCHAFF, 1967, p. 130).

Porém, no campo do significado de vida, morte e pessoa, a primeira metade do século XX teve uma máquina de matar pessoas e expropriar direitos, era o Estado através da estrutura política, econômica, militar e biológica, quem decidia quem era ou não pessoas. A destruição da vida humana aparece na modernidade como obra do próprio ser humano, tem-se um temor da morte e uma burocracia contemporânea. Um exemplo do poder do Estado no controle da vida e da morte foi o avanço dos estudos da genética pela lógica nazista, quando as experiências genéticas através da medicina e da biologia eram realizadas nos prisioneiros que se encontravam nos campos de concentração, e serviam para fazer os experimentos em massa sobre pessoas marcadas pelas questões ideológicas e raça, ou seja, o corpo era mera máquina e a vida não detinha nenhum valor.

No campo da cirurgia era clássico, e se considerava moralmente correto, ensaiar novas técnicas em doentes de hospital antes de estendê-las ao resto dos pacientes [...] predominava a ideia de que era lícito sacrificar um certo número de pessoas – principalmente se fosse receber a pena de morte – em benefício da ciência e da humanidade e, seguramente, se precedesse do seu consentimento (...) (MUJICA, 2010, p. 64)

Só a partir de meados do século XX, formalmente, a pessoa passa a ser um princípio e os direitos da pessoa passam a ter atenção transcendente ao poder do Estado. A vida revela o seu caráter político e o direito passa a se posicionar contra os massacres da história, e a vida torna-se uma condição elementar da pessoa. Um exemplo dessa intervenção do poder dos Estados é a Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948, que é considerada um marco e um avanço na proteção do direito à vida. Esta foi baseada no código de Núremberg de 1947, que trata dos princípios das experiências das ciências médicas nos humanos, ou seja, o corpo é o centro de um dos direitos que o Estado administra. Na perspectiva ocidental, a vida passa a ser convertida como o sagrado, e a morte torna-se um tabu. A existência de formas codificadas de salvaguarda.

(...) A vida aparece se dá em uma deontologia, um código, um campo de lei, que é onde se coloca em evidencia seus dispositivos políticos, diferente de uma vida natural-transcendente. Porém inclusive a vida biológica se traduz em temas políticos, em regras codificadas, em definições jurídicas que determinam seu início e seu fim. (MUJICA, 2010, p.66)

A partir disso, se insere uma questão essencial para compreendermos a questão do aborto e a criminalização da sua prática, tendo o Estado como instituição de controle da reprodução e dos corpos. E como foi dito anteriormente, o Código penal brasileiro criminaliza a prática do aborto, tendo exceção em algumas circunstâncias, porém, sabe-se que a criminalização da prática do aborto não evita a sua prática, o que leva um número alto de mulheres ao mercado da clandestinidade, vítimas do aborto ilegal e em sua maioria, inseguro.

Diante deste quadro, movimentos sociais e feministas se organizam historicamente desde a década de 1970, com o objetivo de denunciar o Estado brasileiro como um potencial violador dos direitos fundamentais das mulheres, mas principalmente, propor a transformação desta realidade. O cenário de disputa das controvérsias se dá no legislativo brasileiro, e é nesse aspecto que o referido trabalho traz a conjuntura política dos últimos 10 anos, que representa o período mais complexo do aumento de tentativas legislativas com o objetivo de ampliar as causas de criminalização do aborto.

A partir dos dados trazidos neste trabalho, podemos apontar que o preocupante não reside apenas no crescimento acelerado dos números, mas principalmente em seus conteúdos, pois, os últimos três períodos de legislaturas apresentam o maior número de intervenções que objetivam ampliar as formas de criminalização do aborto no Brasil. Entre elas, podemos apontar as seguintes propostas: inserir o aborto no rol dos crimes hediondos, proposta de criação de disque denúncias de aborto, CPI‟s tanto direcionadas contra clínicas obstétricas, bem como, contra Organizações não Governamentais, registro público de gravidez, revogação da lei que permite o aborto legal, revogação da decisão do Supremo Tribunal Federal para os casos de grave formação fetal e anencefalias, criação de bolsa auxílio para mulheres vítimas de estupro, criação do Estatuto do Nascituro etc.

Assim, estamos vivendo uma era de retrocesso no campo dos direitos sexuais e reprodutivos, pois um conjunto de células em desenvolvimento têm mais direitos e proteção do que a pessoa já nascida. Com a possível aprovação de alguns desses conteúdos de propostas legislativas, o Estado brasileiro poderá se tornar o principal violador dos direitos fundamentais das mulheres, pois irá tutelar a violência sexual e o estupro, e o agressor passará de pessoa do estuprador para de genitor.