Após a compilação dos dados obtidos por meio dos instrumentos anteriormente mencionados procedeu-se à triangulação das fontes de evidências, partindo-se para a caracterização individual de cada uma das empresas pesquisadas.
Para uma melhor visualização dos resultados apresenta-se, uma análise conjunta dos casos, conforme ilustrada no Quadro 4, visando permitir que as características observadas por meio das informações colhidas nos instrumentos da pesquisa, sejam expostas de forma comparativa, facilitando a análise em conjunto.
Quadro 4 – Análise “Cross-Case”
Empresa Energia Indústria Siderúrgica
Controle de Capital Estrangeiro (ESP) Nacional Privado Aberto (BRA) Mercado de Atuação Geração, transmissão e distribuição de energia elétrica Fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias Metalurgia Total de Colaboradores 3.000 500 40.000 Abrangência de
Atuação Nacional Internacional Internacional
Certificação de
qualidade ISO14001 e ISO14064
ISO9001, ISO14001 e ISO/TS16949 ISO9001, ISO9002, ISO14001, NBR7480, QS9000 e OSHAS18001 Tempo de utilização do
SPE De 5 a 7 anos De 8 a 10 anos Mais de 10 anos
Principal motivação para adotar o SPE (“lean”)
Redução de custos e
desperdícios Demanda do cliente
Redução de custos e desperdícios Áreas onde se identifica
a redução dos
desperdícios com o SPE
Processos produtivos / Gestão da Qualidade Processos produtivos / Logística e Suprimentos Processos produtivos / Logística e Suprimentos Ferramentas de SPE
mais utilizadas pela empresa
Kanban / Controle Visual Kanban / Pokayoke Célula de Produção / Pokayoke
Monitoramento dos resultados obtidos com o SPE
Sim Não Sim
Principal motivação para adotar o SGA (“green”) Legislação ambiental / Imagem da empresa Requisitos do cliente / Legislação ambiental Legislação ambiental / Imagem da empresa Identificação da complementariedade do “lean” e do “green”
Sim Não Sim
Critérios do SGA para a
seleção de fornecedores Sim Sim Sim
As práticas de “lean” e “green” são
consideradas no planejamento estratégico
Sim Não Sim
Fonte: Dados da pesquisa de campo – março/abril (2012).
No perfil das empresas pesquisadas identifica-se que as três são de grande porte, com base na classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2012), segundo a qual são assim consideradas as empresas que possuem a partir de 500 funcionários no seu quadro funcional. No tocante à abrangência de sua atuação duas são de âmbito nacional e internacional e a outra, apenas nacional.
A diversificação dos setores econômicos de atuação das empresas também foi uma característica evidenciada pela diversidade do perfil dos respondentes que em sua
maioria é do sexo masculino, jovens (em média 27 anos) e que trabalham na empresa há pelo menos seis anos.
Estes profissionais desempenham as funções de gerentes, engenheiros, analistas, e assistentes e em sua maioria possuem nível superior completo (50%), embora 25% tenham pós-graduação e 25% nível superior incompleto.
Os instrumentos normatizadores que direcionam a atuação das empresas pesquisadas, percebe-se no Quadro 4 que mesmo atuando em setores econômicos diferentes, as três empresas buscam desenvolver um sistema de qualidade bem estruturado, pois além da certificação ISO 14001 (requisito para a seleção na amostra da pesquisa) também possuem outras certificações de qualidade (ISO 14064, ISO 9001, ISO 9002), sugerindo, assim, que adotam o cumprimento das exigências mínimas destes setores na utilização destas políticas. Esse fato pode ser confirmado pelo assessor executivo da empresa “Siderúrgica”:
Existe um setor de SGA (Sistema de Gestão Ambiental) em cada unidade do grupo que dá apoio a todas as áreas do processo e neste setor são considerados estes princípios. Todo funcionário é treinado em SGA para atender às possíveis demandas.
Segundo o assessor de logística da “Siderúrgica”, o principal objetivo do seu sistema de gestão ambiental é “garantir todo o acompanhamento do processo, desde a utilização de matérias-primas, passando pela parte industrial e a de distribuição de produtos, até a correta destinação dos produtos gerados no processo”.
Reforçando os argumentos do respondente, a política do meio ambiente da empresa preza principalmente pela proteção e preservação da saúde e segurança de seus colaboradores, do meio ambiente e da qualidade dos produtos e serviços (web site da Siderúrgica, 2012).
De igual forma, no relatório anual de sustentabilidade (2010) da empresa “Energia” é possível identificar o direcionamento estratégico no tocante a três fatores principais: o ambiental (quanto à preservação ambiental e ao consumo consciente), o social (na qualidade de vida, desenvolvimento pessoal e profissional) e o econômico (o compromisso com a geração de valor e rentabilidade, baseada no crescimento sustentável),
bem como o alto nível de investimento anual realizado em projetos sociais e de gestão ambiental, conforme demonstra a Tabela 1:
Tabela 1 – Indicadores de desempenho (R$ mil)
2010 2009
Receita operacional líquida 6.702.540 6.151.279
Investimento em meio ambiente 86.254 43.568
Investimento social 253.808 142.962
Fonte: Adaptado do relatório anual de sustentabilidade da empresa Ënergia” (2010).
Esta preocupação ambiental pode ser evidenciada pela busca da empresa “Energia” em despertar a consciência ambiental em seus colaboradores e parceiros, conforme destacado em seu relatório anual de sustentabilidade (2010, p. 172):
Mensagens sobre o consumo consciente de energia elétrica, de água e de combustíveis são divulgadas em campanhas de comunicação interna e estimulam a mudança de comportamento na rotina: redução de viagens, racionalização do uso dos elevadores, desligamento de computadores no caso de períodos extensos de ausência, entre outras medidas.
Já na política ambiental da “Indústria”, o foco maior está prevenção da poluição, na redução dos impactos ambientais decorrentes do processo de fabricação, a busca pelo bem- estar da comunidade dos colaboradores, a otimização dos recursos naturais e o atendimento às leis e outros requisitos aplicáveis aos seus aspectos ambientais (web site da “Indústria”, 2012).
Outra característica que precisa ser levada em consideração para a análise comparativa é que as três empresas já utilizam o Sistema de Produção Enxuta (SPE) há mais de cinco anos e concordam que o processo produtivo é a área na qual mais é identificada na redução dos desperdícios, seguido pela área de logística e suprimentos, e depois, pela da gestão da qualidade.
Conforme demonstrado no Quadro 4, a redução dos custos e desperdícos é o principal motivo para a implementação do Sistema de Produção Enxuta pelas empresas “Energia” e “Siderúrgica”, as quais também se utilizam de indicadores de desempenho e mapeamento dos processos para realizar a aferição do desempenho destes sistemas.
Por outro lado, mesmo identificando a demanda do cliente como principal motivação para a adoção do SPE, a empresa “Indústria” utiliza-se das ferramentas deste sistema (Kanban e Pokayoke) como forma de melhorar a operação de suas atividades internas, como ressalta o gerente de produção dessa empresa.”:
Utilizamos ferramentas de produção enxuta (logistica reversa, kanban e pokayoke) para a redução dos desperdícios no processo produtivo, a minimização dos custos e com isso diminuimos as emissões atmosféricas e atendemos aos requisitos da norma e da legislação ambiental.
De igual forma, a empresa “Energia” se utiliza de indicadores de desempenho para mensurar a redução de emissões atmosféricas, por meio de um monitoramento por amostragem, conforme apresentado pelo seu relatório anual de sustentabilidade (2010, p. 172): “Em seu plano de monitoramento ambiental, a empresa define a sistemática de controle e os indicadores de desempenho, com o objetivo de assegurar o atendimento às condicionantes do licenciamento e às exigências legais.”
O atendimento às pressões impostas pela legislação ambiental e aos requisitos do cliente, bem como a necessidade de melhoria da imagem da empresa são os fatores motivacionais que levaram as três empresas a adotar o SGA, ficando caracterizado que todas adotam critérios ambientais para a seleção de seus fornecedores, o que evidencia um alinhamento aos princípios do Green Supply Chain, como forma de garantir a minimização dos impactos ambientais na cadeia de suprimentos.
Esses achados correspondem aos argumentos defendidos por Nascimento, Lemos e Mello (2008) referenciados no capítulo 3 (item 3.6) relativo à cadeia de suprimentos sustentáveis.
Quanto à relação com os fornecedores, a empresa Energia busca selecionar esse segmento priorizando aqueles que estejam alinhados aos seus objetivos socioambientais, concentrando ainda suas compras de materiais em fornecedores locais, tendo assim possibilidade de desenvolver e acompanhar de maneira mais efetiva o atendimento destes parceiros, e assim obter uma diferenciação de preço e qualidade em seus produtos.
Conforme descrito em seu relatório anual de sustentabilidade (2010, p. 110): “A empresa procura estender os impactos postivos destinados a seu público interno, como os
cuidados envolvendo ergonomia, treinamento, capacitação e ambiente saudável de trabalho, para toda a sua cadeia de negócio.”
Na empresa “Indústria” os objetivos de qualidade o desenvolvimento de novos processos tem buscado a melhoria contínua, a inovação e o desenvolvimento de novas tecnologias, como máquinas e sistemas de gestão, e a utilização de vários pontos de inspeção na cadeia produtiva (armazenamento, fornos, moldagem, jateamento, usinagem e expedição), como forma de reduzir o índice de falhas no processo, a incidência de peças defeituosas e o desperdício de materiais com a incidência de retrabalhos (web site da “Indústria”, 2012).
Ainda na empresa “Indústria”, verificou-se que sua política de qualidade consiste basicamente em três pontos principais, os quais funcionam como norteadores para suas atividades permitindo-lhes, assim, atender aos requisitos de seus clientes coforme segue:
a) fornecimento de produtos de segurança e serviços que garantam a satisfação do cliente e a integridade do usuário, ao menor preço possível;
b) desenvolvimento de seus colaboradores, por meio de um processo contínuo de conscientização, valorização e treinamento; e
c) aprimoramento do sistema de gestão integrado através do processo de melhoria contínua. (web site da Indústria, 2012).
Estes pontos ratificam a necessidade de a empresa “Indústria” capacitar sua rede de fornecedores a fim de garantir um melhor nível de serviço ao seu cliente final, associando o treinamento e o desenvolvimento de fornecedores como pontos de importância na política de qualidade da empresa.
Reforçando essa ideia, o analista de logística da “Indústria” ressalta:
Devemos incentivar os fornecedores para que se certifiquem na ISO 9001, ou pelo menos, que desenvolvam um sistema de gestão da qualidade internamente, para que ela possa nos atender de acordo com o nível de qualidade que atendemos aos nossos clientes. Realizamos também alguns eventos com os maiores forncedores da empresa, com o intuito de disseminar a nossa política da qualidade (e ambiental) e assim, melhorar o atendimento da operação.
No tocante à contribuição das práticas de produção enxuta para a redução dos impactos ambientais ocasionados pelo processo produtivo, a maioria dos respondentes
investigados nas três empresas (cerca de 75%) identifica uma contribuição positiva dessas práticas, conforme demonstrado no (Gráfico 1). Tambem consideram que os princípios da gestão ambiental são aplicados nas atividades desenvolvidas pelo sistema de produção enxuta (cerca de 60%).
Conforme defende o analista administrativo da empresa “Energia”: “Com a aplicação de tecnologias de produção enxuta, automaticamente se reduz todos os índices dos impactos ambientais, ou seja, se torna mais barata e eficiente a gestão ambiental.”
Já o analista de logística da empresa “Indústria” explica que esta contribuição em seu processo produtivo da seguinte forma:
Através da redução dos desperdícios gerados pelo processo produtivo e do controle das emissões atmosféricas realizados pela fábrica e pelos fornecedores (transporte rodoviário). Também ocorre na utilização da logística reversa pelo reaproveitamento das sobras de produção.
Gráfico 1 – Contribuição das práticas de Lean para a redução dos impactos ambientais
Fonte: Dados da pesquisa de campo – março/abril (2012).
A logística reversa é reconhecida por todas as empresas como uma ferramenta da produção enxuta que contribui consideravelmente para a redução dos impactos ambientais e a redução dos custos operacionais. Esses achados sugerem que a logística reversa também contribui para o lean e o green.
Nas empresas “Indústria” e “Siderúrgica”, esta atividade está ligada diretamente ao processo produtivo e à operação de suprimento de materiais junto aos fornecedores, enquanto que na empresa “Energia”, a logística reversa é aplicada na manutenção dos equipamentos da produção, na distribuição de energia aos clientes e na promoção de projetos socio-ambientais para a reciclagem e reutilização de materiais junto à comunidade.
A empresa “Siderúrgica” desenvolve em sua operação, um conjunto de “boas práticas” que visam a atender aos requisitos ambientais, sejam estes definidos pela legislação ou ainda, por seu sistema de gestão ambiental (web site da “Siderúrgica”, 2012):
a) a ampliação e a manutenão de áreas verdes com espécies nativas, além da manutenção da reserva legal e da preservação permanente, contribuindo assim com a preservação da biodiversidade;
b) o tratamento proativo das fontes de impacto ambiental de efluentes, e o investimento continuo em tecnologias para a redução das emissões atmosféricas. Utilizando modernos sistemas de despoeiramento do ar e reaproveitamento de quase toda a água consumida pelo processo produtivo;
c) a busca por alternativas de reaproveitamento de co-produtos (resíduos) gerados durante o processo de produção do aço. Além disso, desenvolve estudos junto a instituições de pesquisa e universidades, para ampliar a reutilização destes materiais;
d) a reciclagem de materiais ferrosos em grande escala, contribuindo assim, para a preservação do meio ambiente e a diminuição do descarte de resíduos sólidos;
e) a redução de energia necessária para a produção do aço, com a utilização de sucata ferrosa, e consequentemente, a redução das emissões de gás carbonico (CO2).
Segundo o assessor executivo da “Siderúrgica”, a reciclagem é um processo importante para a gestão de resíduos da empresa, razão pela qual existe um controle rigoroso quanto a sua realização como explica na sequência:
Quase 80% dos resíduos gerados pela empresa são re-aproveitados, seja no nosso processo produtivo, na pavimentação de estradas, na fabricação de baterias, na produção de cimento ou cerâmica. Os materiais que ainda assim não possam ser re- aproveitados, são encaminhados para centrais de armazenamento certificadas por órgãos ambientais nacionais, e seguem rigorosamente a legislação ambiental quanto à disposição e ao descarte deste resíduo.
Outro achado importante identificado pela maioria dos respondentes (aproximadamente 75%) foi que as três empresas utilizam-se de padrões e critérios (ISO 14001 e OHSAS 18001) de sustentabilidade ambiental na seleção de seus fornecedores, como forma de garantir uma redução dos impactos ambientais de toda a sua cadeia de suprimentos (green supply chain management).
Da mesma forma realizam controles de emissões atmosféricas, eliminação correta de resíduos e redução dos desperdícios no ambiente interno das organizações e junto aos seus fornecedores.
De acordo com o assessor de logística da empresa “Siderúrgica”: “Dependendo do tipo de fornecedor são exigidos requisitos legais. Por exemplo: para veículos terceirizados é verificado a fumaça negra. Comprovantes de destinações de resíduos. Certificado de aprovação ambiental local, IBAMA.”
Ao se verificar as práticas de lean e green são consideradas no planejamento estratégico das empresas constatou-se que duas, a “Energia” e a “Siderúrgica” consideram os resultados obtidos com a aplicação da produção enxuta e do sistema de gestão ambiental dentro de seu planejamento estratégico anual. Também definem metas e indicadores para a aferição destes resultados bem como avaliam a contribuição destas ferramentas para a melhoria da produtividade organizacional.
Essas ações são desenvolvidas segundo os respondentes, como forma de obter uma diferenciação competitiva junto ao mercado em que atuam, acreditando que estão ainda demonstrando o compromisso com a redução dos impactos ambientais, como explica a assistente administrativa da “Siderúrgica”:
Cada gestor é responsável pelos impactos ambientais gerados na sua área de atuação específica, e ainda existem reuniões mensais para avaliar os indicadores de desempenho da empresa e a proposição de ações de melhoria. Estes gestores, também realizam reuniões anuais para definir os objetivos estratégicos da empresa, e
nestas reuniões são definidas as metas de curto e médio prazo e ainda as caracteristicas e ações a serem desenvolvidas pelo SGA.
Em uma visão abrangente da amostra estudada, os respondentes da empresa “Indústria” afirmaram que percebem a complementaridade dos conceitos de “lean” e “green” e os benefícios ocasionados pela redução dos desperdícios. Entretanto, ainda não se utilizam destes resultados na definição do seu planejamento estratégico. Entendem que o fator direcionador de suas estratégias organizacionais seja a identificação e o atendimento dos requisitos definidos pelos clientes.
Indentificou-se também que este não é o fator mais importante para a implamentação do SGA nas empresas que compõem o estudo, atuando assim em dissonância com o modelo de proatividade ambiental proposto no capítulo 2, ítem 2.7 desta dissertação. Esta visão se destaca pelas pressões exercidas pelos stakeholders como fontes motivadoras da implantação de práticas socioambientais pelas empresas fica mais evidente nestes resultados.
A maioria dos respondentes concorda que a implantação do sistema de produção enxuta contribui para a redução dos desperdícios, e a minimização dos custos e dos impactos ambientais ocasionados pelo processo produtivo, bem como utilizam as principais ferramentas (kanban, pokayoke, células de produção e controle visual) desse modelo em suas operações como foma de garantir melhores resultados operacionais e uma diferenciação no mercado.
Mesmo na “Indústria”, que nos questionários informou que não identifica a aplicabilidade do lean em seu processo produtivo, constatou-se que se utiliza desta filosofia para o controle dos processos e redução dos desperdícios.
Este fato sugere que o conceito de produção enxuta ainda não está bem incorporado entre os respondentes da “Indústria”, pois apesar de não identificarem sua aplicabilidade, utilizam-se das principais ferramentas defendidas pelo modelo.
A pesquisa bibliográfica referenciada nesta dissertação (APÊNDICE B) indica que apesar de existir um número crescente de publicações sobre a temática da produção enxuta, seu volume ainda não é representativo em relação ao número total dos artigos publicados nos principais eventos e periódicos nacionais de administração. Mas, em
contrapartida, trata-se de um tema ainda novo e que vem gradativamente despertando o interesse do mundo acadêmico e empresarial.
Ainda sobre as empresas pesquisadas, estas reconhecem que a implantação do seu sistema de gestão ambiental foi motivada principalmente pelos requisitos da legislação ambiental vigente, os requisitos dos clientes (ISO 14001) e a melhoria da imagem organizacional, diferentemente do que se imaginava no início do estudo, que essas motivações viriam da definição estratégica em minimizar os impactos no ambiente causados por suas operações de produção.
Quanto às estratégias de gestão ambiental desenvolvidas pelas empresas, não foram encontradas evidências nas operações das empresas, práticas de consumo verde e P+L, caracterizando assim uma maior incidência de estratégias ambientais de “fim de tubo” (como apresentadas no capítulo 2, ítem 2.5) para o gerenciamento dos sistemas de gestão ambiental da amostra pesquisada.
Por outro lado, os achados evidenciaram a adoção da logística reversa e do green supply chain nas atividades realizadas por estas empresas, como práticas importantes para a manutenção do SGA e a elevação dos resultados ambientais.
Essa evidência é demonstrada por meio da realização de uma série de programas socioambientais, identificados nas empresas “Energia” e “Siderúrgica” visando a redução do desperdício de água e energia; à capacitação e desenvolvimento profissional de jovens e crianças (principalmente quanto à educação ambiental); à reciclagem e coleta seletiva além da preservação do meio ambiente.
De acordo com o seu relatório de demonstrações individuais da controladoria e consolidadas (2011, p. 15), a “Siderúrgica” também se utiliza de uma reserva financeira (provisão para passivos ambientais) destinada à realização de projetos socioambientais e estudos sobre o desenvolvimento de novas técnicas para a melhor utilização dos resíduos gerados pelo processo produtivo (co-produtos) como demonstrado na sequência:
A administração da companhia realiza periodicamente levantamentos com o objetivo de identificar áreas potencialmente impactantes e registram, como base na melhor estimativa de custo, os valores estimados para a investigação, tratamento e limpeza
das localidades potencialmente impactadas que montam a R$ 68.419,00 em 31/12/2011... A Companhia e suas controladas entendem estar de acordo com todas as normas ambientais nos países que conduzem as operações.
Na empresa “Indústria” foram identificados apenas projetos ambientais de reciclagem e coleta seletiva, além de projetos sociais com o foco no desenvolvimento profissional de seus colaboradores, a exemplo da capacitação de funcionários no ensino médio, o apoio financeiro a atividades desportivas e a participação nos lucros anuais da empresa.
Também a empresa “Siderúrgica” desenvolve projetos de educação ambiental junto a escolas de nível fundamental e médio, e investe na capacitação de seus colaboradores, contribuindo assim para a disseminação e a criação da consciência sócio-ambiental da comunidade em seu entorno, atuando ainda, na capacitação para jovens de escolas públicas e além de oferecer suporte financeiro a projetos com o foco no empreeendedorismo sustentável.
Conforme está destacado no relatório de demonstrações individuais da controladoria e consolidadas (2011, p. 2) a empresa:
Respeita, valoriza e investe em seus mais de 45 mil colaboradores. Estimula a superação de desafios, o empreendedorismo e a autonomia, oferecendo oportunidades de desenvolvimento em um ambiente de trabalho onde as pessoas se sintam cada vez mais comprometidas e realizadas. Ademais, a segurança das pessoas é um valor para a “Siderúrgica”. Por isso, a companhia possui um eficaz sistema de segurança total, que envolve investimentos contínuos em tecnologias, equipamentos e sistemas globais de gestão nessa área. No exercíco de 2011, esses investimentos chegaram a R$ 71 milhões, valor 45% superior a 2010.
Pelos resultados analisados nos questionários aplicados e, nos relatórios gerenciais