1. KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ÇALIŞMALAR
1.2. KAYGI BOZUKLUKLARI
1.2.3. Kaygı Bozukluklarının Nedenleri
Atualmente, o PRA na UFC conta com vários parceiros (Banco do Nordeste Brasileiro – BNB, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP).
O PRA tem como base ações nas áreas de: Agricultura Familiar, Agroecologia, Pedagogia da Alternância e da metodologia Análise Diagnóstico de Sistemas Agrários – ADSA que serão abordadas posteriormente.
De acordo com Altafin (2003, p.15), o termo Agricultura Familiar tem sido utilizado como uma citação mais ampla e por isso acaba assumindo “diferentes sentidos e compreensões de acordo com o contexto e objetivo no qual é utilizado”. Desta forma, a autora define o termo como “um guarda chuva conceitual, que abriga grande número de situações,
23 Os recursos para financiamento vinham do MDA e repassados às Universidades via INCRA.
em contraposição à agricultura patronal”. Wanderley (2001), citado por Mello (2008), ressalta os aspectos contemporâneos atribuídos ao termo
A agricultura familiar não é uma categoria social recente, nem a ela corresponde uma categoria analítica nova na sociologia rural. No entanto, sua utilização, com o significado e abrangência que lhe tem sido atribuído nos últimos anos, no Brasil, assume ares de novidade e renovação (WANDERLEY, 2001 apud MELLO, 2008, p. 01).
O autor ainda ressalta que a gestão da produção feita pelos próprios agricultores resulta de uma interessante interação entre a gestão e trabalho, sendo um tema amplamente discutido, principalmente quando se trata de desenvolvimento sustentável, além de geração de emprego e renda. Esta modalidade de trabalho no campo surge como uma solução para os problemas apresentados pelo agronegócio, que ainda recebe a atenção principal do poder público. Entretanto, como destaca Bruziguessi (2010), existe “cerca de quatro milhões de pequenas propriedades rurais que empregam 80% da mão-de-obra do campo e produzem 60% dos alimentos consumidos pela população brasileira”, o que demonstra a força desta parcela na produção agrária brasileira, apesar de ainda ser desconhecida e desvalorizada por aqueles que deveriam ampliá-la e viabilizar seu desenvolvimento.
As principais características que diferem a agricultura familiar da agricultura patronal podem ser visualizadas no Quadro 03, abaixo especificado:
Quadro 03 – Características da Agricultura Familiar e Patronal.
Agricultura Patronal Agricultura Familiar
Completa separação entre gestão e trabalho Gestão e trabalho intimamente relacionados
Organização centralizada Direção do processo produtivo assegurada
diretamente pelos proprietários
Ênfase em práticas agrícolas padronizáveis Ênfase na durabilidade dos recursos naturais e na
qualidade de vida
Trabalho assalariado predominante Trabalho assalariado complementar
Tecnologias dirigidas à eliminação das decisões de terreno” e “ de momento”.
Decisões imediatas ligadas ao alto grau de imprevisibilidade dos processos produtivos Tecnologias voltadas principalmente à redução
das necessidades de mão-de-obra.
Tomada de decisão in locu, condicionada pelas especificidades do processo produtivo
Pesada dependência de insumos comprados Ênfase no uso de insumos internos.
Outro ponto a ser comentado é a importância da Agroecologia para o PRA, como evidencia Caporal et al. (2006):
A Agroecologia, é mais do que simplesmente tratar sobre o manejo ecologicamente responsável dos recursos naturais, constitui-se em um campo do conhecimento científico que, partindo de um enfoque holístico e de uma abordagem sistêmica, pretende contribuir para que as sociedades possam redirecionar o curso alterado da coevolução social e ecológica, nas suas múltiplas interrelações e mútua influência. (CAPORAL et al., 2006, p. 03). Apesar da relevância da agroecologia, verifica-se que o investimento no agronegócio por produtores capitalizados tem contribuído para caracterizar a agricultura brasileira, conforme Nolasco e Untar (2009, p.172), como uma prática “monocultural, mecanizada, química, oligogenética, excludente, poluidora, degradante e dependente”, gerando graves problemas por inviabilizar o emprego da Agroecologia pela maioria dos agricultores familiares, especialmente os camponeses que a defendem. Os mesmos autores lamentam que o incentivo à utilização deste tipo de produção predomine “praticamente, em todas as escolas de agronomia do país”.
Para minimizar problemas como esse, além de se apoiar na Agricultura Familiar e na Agroecologia, o PRA tem procurado estabelecer uma ligação entre a fonte produtora do conhecimento e a sua aplicação na Educação do Campo, tendo como princípios metodológicos a Pedagogia da Alternância e a Análise de diagnóstico de Sistemas Agrário (ADSA).
Segundo Bruziguessi (2010) estas metodologias têm por objetivo consolidar a relação mútua entre ensino e aprendizado, teoria e prática como elo permanente da formação profissional. A Pedagogia da Alternância tem sua característica principal a definição de dois momentos: Tempo Escola e Tempo Comunidade. No primeiro, busca- se criar um ambiente de estudo coletivo onde os jovens de assentamentos rurais de reforma agrária, estudantes universitários e técnicos agrícolas são incentivados a dialogar sobre a realidade dos assentamentos onde moram ou trabalham, sendo desenvolvidas dinâmicas de integração e atividades de formação. O Tempo Comunidade é realizado nos Assentamentos Rurais de Reforma Agrária e tem como objetivo colocar os estudantes em contato com a realidade rural, dando condições a estes de desenvolverem os trabalhos a partir da realidade estudada.
Considerando a utilização dessa metodologia, Silva (2003) define a Pedagogia da Alternância como um:
[...] princípio pedagógico [que] visa desenvolver na formação dos jovens agricultores situações que o mundo escolar se posiciona em interação com o mundo que o rodeia. Buscando articular universos considerados opostos, ou insuficientemente interpenetrados – o mundo da escola e o mundo da vida, a teoria e a prática, o abstrato e o concreto. (SILVA, 2003, p.11).
Segundo Bruziguessi (2010), a Pedagogia da Alternância tinha como público alvo os jovens do campo em período de escolarização, porém, para a Experiência Piloto da UFC, a metodologia foi adaptada para os estudantes de graduação na modalidade de Estágio de Vivência (EV), e recém-formados na modalidade de Especialização.
Aliada à Pedagogia da Alternância está a metodologia Análise Diagnóstico de Sistema Agrário - ADSA, cujo método:
Permite avaliar se os recursos estão sendo bem utilizados; se há aproveitamento do potencial de determinada área ou região; avaliar os custos de produção e os retornos; analisar o que pode interferir na produção agrícola; além disso, identificar as práticas utilizadas nos sistemas de produção; que motivos ou razões levam o produtor a optar por determinada prática ou tipo de cultivo e; se realmente essas práticas são adequadas. (DUFUMIER, 1996 apud PITOMBEIRA et al, 2010, p 02).
Pitombeira et al. (2010), ainda relata que, a ADSA começou a ser utilizada no Programa Residência Agrária da UFC, em 2007, juntamente com o projeto Juventude e Agroecologia abrindo novas veredas para o Desenvolvimento Rural Sustentável.
Figura 2 – Etapas de uma Análise de Diagnóstico dos Sistemas Agrários.
Fonte: Garcia Filho, 1999. p.13.
Garcia Filho (1999, p. 07) explica que a metodologia ADSA tem por “principal objetivo [...] contribuir para a elaboração de linhas estratégicas do desenvolvimento rural, isto é, para a definição de políticas públicas, de programas de ação e de projetos (de governo, de organizações de produtores, de ONG's, etc.).” Através de uma série de levantamentos (zoneamento agroecológico, realidade sócio-econômica, principais tipos de produtores,
sistemas de produção, itinerários técnico-agronômicos e identificação dos principais agentes envolvidos no desenvolvimento rural e suas relações). A ADSA busca responder diferentes questões no âmbito da gestão dos assentamentos, tanto naqueles já estabelecidos, quanto naqueles mais recentes, sempre com uma visão estratégica das ações a serem desenvolvidas.
O uso destes princípios e métodos pedagógicos tem como propósito a elaboração de um diagnóstico específico de cada assentamento rural envolvido. Assim é possível elaborar um planejamento que permita entender o contexto local sob o ponto de vista ambiental, econômico e social, além de identificar as potencialidades e os obstáculos do assentamento.