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2. YÖNTEM

2.1. BİRİNCİ ÇALIŞMA

Antes de irem para a vivência nos assentamentos, os estudantes recebem instruções no sentido de buscar, inicialmente, enxergar a realidade do ponto de vista de sua atuação

profissional: a lavoura para os agrônomos, a pesca para os engenheiros de pesca. A partir dessa incursão inicial eles são motivados a fazer conexões mais amplas e verificar que os sujeitos que desenvolvem as atividades específicas de sua área de atuação estão inseridos em uma família e que as atividades produtivas são voltadas para a manutenção das famílias.

[...] não tem como partir para ver organização, produção, questão cultural do assentamento se não passar primeiro pela família. [...] não tem como fazer um estágio de vivência em um assentamento sem ter essa ideia das famílias que ali estão inseridas. (E3, Egressa do curso de Economia Doméstica. Entrevista concedida em 21/03/2011).

Nesse contato inicial entre estudantes e famílias assentadas, um aspecto relevante para uma boa convivência é a busca por uma integração com as famílias, respaldada por princípios éticos. Como aponta E6, os estudantes são orientados a procurar não ser invasivos e entrarem em conversas pessoais, além de buscar respeitar o tempo e a vida dos assentados. Até em relação a roupas e comportamento eles procuram ser cuidadosos:

A maioria das famílias do assentamento Nova Canaã em Quexaramubim é evangélico. Então a gente sempre procura respeitar, usar roupas adequadas também, para haver um respeito e eles entenderem que a gente tá lá fazendo um trabalho [sério]. (E6, egressa do curso de Engenheira de Alimentos. Entrevista concedida em 24/03/2011).

Apesar dos interesses dos estudantes no desenvolvimento da agricultura e da pecuária, é importante que eles estejam atentos para a concepção da família, a forma como ela se organiza, como se dá seu processo produtivo, buscando entender a visão da família em questão de organização para o trabalho agrícola e artesanal.

A participação dos estudantes na dinâmica das famílias assentadas, cuja realidade é muito diferente de suas vivências, causa um estranhamento inicial. Apesar disso, os estagiários do Programa Residência Agrária são encorajados a não se deixarem influenciar por preconceitos e julgamento. Ao contrário, que procurem enxergar a realidade em que vivem os assentados, reconhecendo os saberes, crenças e vivências das famílias.

Inicialmente, as famílias são vistas pelos estagiários como mão de obra que irá fazer o planejamento das atividades e desenvolver os trabalhos que asseguram a subsistência do grupo, além da venda dos excedentes da produção.

[...] a gente fala muito na questão da família enquanto mão de obra para desenvolver os trabalhos. Não aquela mão de obra que você vê a pessoa como

um objeto que vai gerar renda somente. Mas, é a família enquanto organização e planejamento das atividades que eles vão desenvolver para se manter sustentavelmente. E, de repente, até na questão de consegui produzir excedentes, vender e melhorar em questões financeiras. (E7, estudante de Agronomia, entrevista concedida em 22/03/2011).

Como unidade de produção, as famílias podem impactar positivamente ou negativamente o ambiente. Assim, é importante motivar seu potencial de desenvolvimento e reconhecer oportunidades que irão propiciar a melhoria da qualidade de vida de seus membros, como ressalta E2. Como unidade produtiva, além da renda das famílias proveniente do beneficio Bolsa Família concedida pelo governo federal, às famílias dedicam-se à produção agrícola, a pecuária e o pescado, com a venda dos excedentes da produção.

Acerca desse sistema produtivo, em um artigo sobre o assentamento Novo Horizonte, no município de Tururu no Ceará, Fernandes e Duarte (2009) mencionam que a participação da família na produção dos alimentos é bastante representativa. Os maridos e os filhos são encarregados dos cuidados com o cultivo nos roçados (milho, feijão, mandioca, arroz, batata doce, jerimum, maxixe e pepino), além da pesca em rio e açude. As esposas e filhas ficam responsáveis pelas tarefas domésticas, além do cultivo de frutos nos quintais (caju, goiaba, banana, coco, mamão, maracujá) e criação de animais para o uso exclusivo das famílias (galinhas, porcos, vaca e boi), mas que são comercializados em situações de emergências.

Após certa vivência no assentamento, os estagiários percebem que as famílias, além de constituírem uma unidade de produção nos moldes da agricultura familiar, elas também compõem um núcleo social. Pois, há uma interação entre seus membros e seu sistema produtivo, além da interação com as outras famílias e outros sistemas sociais e produtivos.

Então a gente tem que entender que ela não é só um sistema de produção, mas existe uma relação social. A família, por exemplo, recebe financiamentos, recebe cisternas, recebe vários insumos pra se montar uma produção, só que vai além. Porque existe aquela produção? Porque ela ocupou aquele espaço? Porque eles interagem mais em um determinado grupo do que em outro? Existe uma história e a gente considera isso. (E6, egressa do curso de Engenheira de Alimentos. Entrevista concedida em 24/03/2011).

Ao contrário de perspectiva que leva receitas prontas que não atendem à realidade e expectativas dos sujeitos dos assentamentos, como informa E3, os estudantes são motivados a conhecer a realidade antes da atuação profissional para perceber a família em todos os aspectos da produção.

Se eu for estudar, por exemplo, segurança alimentar eu tenho que ver a família nisso. Se eu vou estudar produção, eu vou dar o meu enfoque lá no final sobre a

produção do assentamento. No meu diagnóstico eu tenho que primeiro olhar a família, porque a família que é a unidade produtiva daquele espaço de produção. (E3, Egressa do curso de Economia Doméstica. Entrevista concedida em 21/03/2011).

Como unidade social, em função dos diferentes ciclos de vida, as famílias são compostas por crianças e adolescentes, jovens, mulheres e homens adultos, além dos idosos. Em função dessa diversidade dos membros familiares, cada um desses ciclos de vida exige um olhar diferenciado, pois possui suas especificidades e demandas, o que requer um olhar geracional.

Benzer Belgeler