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Kayahan Karaytuğ 1 , Gökhan Polat 2 , Turgut Akgül 2 , Ali Asma 3 , Cengiz Şen 2 , Mehmet Aşık 2

Considerando que esta região sofre um acelerado processo de transformação da paisagem, sendo ocupada por colonos que visam o uso da terra, principalmente para a pecuária extensiva, ao menos 20% da área de cada propriedade irá se transformar em

76 áreas de pastagens. Embora seja obrigatório manter 80% de cada propriedade como reserva legal, não há uma garantia de que estas áreas irão manter sua integridade biológica. Embora alguns proprietários não permitam a atividade de caça em sua fazendas, em toda a região há uma forte atividade da caça sobre mamíferos terrestres (Trinca & Ferrari, 2006; Trinca & Ferrari, 2007). Mesmo quando não há a exploração madeireira nestas áreas de reserva, somente com a prática da caça pode ocorrer impactos severos sobre as espécies de mamíferos, levando a uma série de extinções locais (Redford, 1992; Bodmer et al., 1997) principalmente quando ocorre fragmentação da paisagem (Peres, 2001), sendo as espécies de maior porte as mais vulneráveis e perseguidas pelos caçadores (Peres, 2000; Trinca & Ferrari, 2007).

A riqueza total de 36 espécies de mamíferos (incluindo as observações ocasionais) demonstram um alto número para a Amazônia, embora outras regiões possuam maior riqueza, como no caso de 42 espécies para o Parque Nacional do Jaú (Iwanaga, 2004), 41 espécies para região do rio Urucum (Santos & Mendes-Oliveira, 2012), 27 espécies para região do rio Purus (Haugaasen & Peres, 2007).

Considerando apenas a amostragem exclusiva por armadilhas-fotográficas, a região sul da Amazônia apresenta alta riqueza de espécies de mamíferos terrestres em relação a outras localidades na Amazônia: 17 espécies no rio Urucum (Santos & Mendes-Oliveira, 2012), 21 a 27 espécies no sudeste do Peru (Tobler et al, 2008), 15 espécies na Floresta Nacional de Caxiuanã (Martins et al., 2007) e 15 espécies no rio Araguaia (Negroes et al, 2012).

O método e o tempo de esforço pode influências nas estimativas de riqueza de espécies (Santos & Mendes-Oliveira, 2012). Armadilhas-fotográficas tem maior eficiência de amostragem de espécies de mamíferos terrestres quanto maior for o tamanho corporal (Tobler et al, 2008). Entre as espécies arborícolas, o grupo dos Cebidae são os mais comumente registrados por este tipo de método, embora a taxa de registro seja baixa em relação aos demais terrestres (Tobler, 2008; Santos & Mendes- Oliveira, 2012).

A biomassa e abundância de mamíferos é maior nas áreas de floresta de terra- firme, sendo os ungulados o grupo que mais contribui para estas estatísticas. Além disso, mamíferos terrestres de regiões amazônicas, onde ocorrem variações sazonais e acentuadas mudanças na produtividade primária, tendem a percorrer grandes distâncias para busca de comida em épocas mais secas (Mendes Pontes, 2004). Este tipo de situação na região norte da Amazônia é bastante similar ao que acontece ao sul, onde há

77 períodos de estiagem, com baixa produtividade da floresta e os mamíferos mais representativos, em termos de abundância e de biomassa (Tayassuidae), se mivimentam mais, ficando ausentes por longos períodos de algumas áreas. Há especulações teóricas de alguns moradores locais (caçadores) que nas épocas de chuva os queixadas se dividem em grupos menores (20-60), quando há vasta distribuição de frutas pela floresta, e nas épocas mais secas esses grupos menores se juntam, formando grandes varas de porcos com centenas de indivíduos que se movimentam por grandes distancias.

Ocorreu uma mudança na curva padrão de distribuição das espécies, indicando que muitas espécies estavam ausentes na maior parte das amostras no inventário das áreas alteradas. Já na floresta essa ausência foi minimizada. Isto se deve, provavelmente, ao esforço amostral reduzido e a baixa abundância de espécies nas áreas alteradas.

As curvas de acumulação de espécies na floresta nativa não atingiram o total de espécies registradas quando analisadas por temporada como atingiram de forma agrupada. O desvio (rarefação) da curva de acumulação agrupada, começou a atingir uma estabilidade, entretanto, ainda seriam necessárias mais algumas temporadas para certificar essa estabilização. Outro fato interessante demonstrado pela curva agrupada foi que, dependendo do local escolhido para um inventário da mesma proporção temporal, seria necessário apenas dois locais para se registrar o mesmo número de espécies.

O estimador de riqueza Jack2 falhou na extrapolação de espécies na primeira temporada das áreas de floresta, predizendo um número de espécies inferior ao total amostrado, o que faz deste um estimador ruim (Palmer, 1990). Acredito que os estimadores Jack1 e Bootstrap foram os que calcularam a riqueza mais próxima da realidade, sendo que o Jack1 teve valores pouco superiores ao Bootstrap. Quando realizei as estimativas de riqueza para todas as temporadas agrupadas, todos os estimadores retornaram valores de riqueza igual ao número de espécies observadas para as áreas de floresta, sendo possível afirmar que quase todas as espécies de mamíferos terrestres foram registradas. Nas áreas alteradas as estimativas para as duas temporadas agrupadas foram de uma a duas espécies a mais que as observadas, e o baixo esforço pode ser responsável pela expectativa de ocorrência de mais espécies, visto que a curva de acumulação de espécies por local não se estabilizou.

Os resultados gráficos da beta-diversidade realizados de acordo com Koleff et

78 uma maior homogeneidade entre as espécies e os locais de amostra, enquanto que nas áreas alteradas as espécies foram registradas de forma mais restrita a cada ponto de coleta. Isso ocorreu porque nas áreas alteradas as espécies foram registrada em poucos, ou apenas um ponto de amostragem, enquanto que nas áreas de floresta a maioria das espécies foi registrada em praticamente todos os pontos de amostragem.

6. CONCLUSÃO

As estimativas de densidade para onça-pintada geradas neste estudo, utilizando o modelo convencional, podem não refletir a realidade devido ao pequeno espaço amostrado em relação ao potencial de movimentação e ao tamanho da área de vida dos indivíduos. Entretanto, serviu para estimar a abundância e avaliar a situação local da espécie. A baixa detectabilidade e a não recaptura dos indivíduos nas duas primeiras temporadas indicam uma instabilidade em relação à ocupação e a fixação de território mesmo em um local com condições adequadas. Isso sugere que a pressão de caça é, provavelmente, um dos principais fatores pela não recaptura dos indivíduos nas temporadas seguintes.

Como a população é dinâmica, a abundância e a densidade só devem ser comparadas no mesmo local ou entre locais diferentes após a realização de uma série de temporadas consecutivas com a finalidade de se conhecer o intervalo por onde oscila a densidade da população. Estudos a longo prazo possibilitam avaliar melhor a dinâmica populacional, obtendo valores mais realísticos de densidade além dos parâmetros demográficos fundamentais para o entendimento oscilação na população.

Estudos com apenas uma única temporada não contextualizam os dados obtidos dentro dos picos de valores da população ao longo do tempo. Diversos autores recomendaram uma sistematização no tamanho de área, espaçamento entre as câmeras, número câmeras, programa utilizado (Maffei et al., 2011b; Tobler & Powell, 2013) e o monitoramento com rádio-telemetria, concomitante com armadilhamento fotográfico (Soisalo & Cavalcanti, 2006).

Acredito que, para alcançar os parâmetros demográficos refinados, a pesquisa deve coletar dados por, no mínimo, cinco temporadas (anos) consecutivas, nos mesmos pontos amostrais e preferencialmente na mesma estação. O Desenho Robusto foi o tratamento mais adequado para estimar os parâmetros demográficos embora o SECR tenha sido mais adequado a este estudo devido a estrutura do grid de amostragem.

79 Ambos os métodos podem ser analisados nos mesmo estudo visto que cada um retorna informações diferentes e extremamente relevantes para estudos populacionais. Portanto, não recomendo utilizar as informações geradas em apenas uma temporada (população fechada) com um único estimador para inferir sobre a estrutura populacional, com a intenção de exploração ou de conservação de uma espécie.

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