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4. BULGULAR

4.1 Birinci Alt Probleme Ait Bulgular

4.1.1 Kavramsal Anlama Testi Birinci Soru

O surgiment o das comunidades virt uais est á at relado a uma ef ervescência social vindo a "cont aminar" t odas as esf eras da cult ura cont emporânea. Est amos a viver uma espécie de "reencant ament o do mundo", no qual os ideais da modernidade est ão a dar lugar a valores alt ernat ivos, de cont ornos ainda imprecisos, mas cuj a disseminação não se pode negar. A f é inabalável na razão, a crença na idéia de progresso e o olhar volt ado para o f ut uro j á não são os grandes ref erent es da época at ual. Progressivament e, aquilo que era considerado f rívolo pelo proj et o moderno, vai cont aminando t odos os domínios da vida social. Na pós- modernidade, a ênf ase recai agora no imaginário, na cult ura do sent iment o, na sensibilidade e na solidariedade, na religiosidade (reliance) e no ideal comunit ário.

Segundo Michel Maf f esoli (1988), essa t ransmut ação de valores corresponde a um moviment o cíclico, onde aquilo que se acredit ava superado ret orna com f orça t ot al. No ent ant o, ele chama a at enção para o f at o de que os element os da modernidade não são "ult rapassados", no sent ido dialét ico do t ermo, ou "acabados" como se cost uma dizer. Eles cont inuam a represent ar um papel na vida social, mas, impercept ivelment e, vão adquirindo out ros cont ornos.

Nest e sent ido, podemos dizer que, na pós-modernidade, exist e uma convivência ent re os element os arcaicos e o desenvolviment o t ecnológico. Comunidades como os "zippies" (uma versão cyber dos hippies da década de 60), por exemplo, mist uram esot erismo e novas t ecnologias. Surge daí uma nova expressão da Cibercult ura, o t ecno-paganismo, colaborando para por f im à cisão moderna exist ent e ent re a cult ura e a t ecnologia e à dicot omia ent re o sagrado e o prof ano. Para os t ecno-pagões, o Ciberespaço est á embut ido numa aura mágica, pot encializador das dimensões lúdicas, erót icas, hedonist as e espirit uais. Ent rar nest e mundo imat erial é como um rit ual, onde a t ranscendência da mat éria e a busca da espirit ualidade são met as a serem at ingidas.

A Cibercult ura é f rut o dest e encont ro ent re a t ecnologia de pont a e o vit alismo social que t oma corpo nest e início de século. Mais do que as inovações t écnicas f oi o surgiment o dest as novas f ormas de sociabilidade, f undadas nas relações quot idianas e no lúdico, que deu origem a est a cult ura do virt ual. Assim, a ef ervescência das comunidades elet rônicas deve-se muit o mais à "pulsão de est ar j unt o", ao prazer da comunicação, do que ao desenvolviment o da t ecnologia.

A quest ão do espaço em que as relações são vividas t ambém passa a ser f undament al nas discussões que envolvem as comunidades virt uais. O monit or do comput ador passa a ser um t ipo de t errit ório de ação. É aqui que as idéias se mat erializam enquant o signos, que os valores ét icos e est ét icos passam a ser compart ilhados por t odos os membros. At ravés do monit or desenvolvemos t odo um rit ual de passagem para o espaço virt ual. A sociabilidade t orna-se present e no monit or do comput ador. É nest e pequeno espaço que a vida ganha corpo, que o out ro se f az present e. Ao mesmo t empo, dividimos um espaço que não é de ninguém. Uma espécie de t errit ório simbólico compart ilhado por t odos os ut ilizadores. O monit or possibilit a desenvolver um rit ual de passagem para est e t errit ório. Um rit ual que se caract eriza pela repet it ividade: o ut ilizador liga o comput ador, conect a-se, acede ao sist ema e passa a int eragir com out ras pessoas. Est a idéia de repet ição, ao cont rário de promover um est ado de monot onia, colabora no sent ido de reaf irmar o sent iment o que um dado grupo t em de si mesmo.

3. 1 SOCIABILIDADE

Tudo começou com os primeiros BBSs (Bullet in Board Syst em) no f inal dos anos 60. O BBS é uma mini-rede que of erece serviços, t ais como consult a a bancos de dados, t ransf erências de arquivos e, claro, t roca de mensagens via correio elet rônico ou em "t empo real". Quando surgiram, não t inham out ros obj et ivos senão servir de bases de consult a e acesso a inf ormações de domínio público. Ent ret ant o, f oram logo incorporados na vida quot idiana e t ornaram-se um meio at ravés do qual a sociabilidade se desenvolveu (O Minit el f rancês é exemplar nest e sent ido. Foi criado nos anos 70 para servir aos f ranceses como um banco de dados e hoj e reúne canais de conversação, grupos t emát icos, cybersex, et c).

O video-t ext o além de int eragir em t empo real, o sist ema possibilit a t rocar mensagens com vários ut ilizadores ao mesmo t empo. No ent ant o, ao cont rário dos Chat s e out ros canais de conversação, onde o que se escreve é vist o por t odos os out ros part icipant es, no videot ext o as mensagens seguem para cada ut ilizador em part icular. Est a possibilidade de se relacionar com várias pessoas ao mesmo t empo (como numa f est a, onde se circula de grupo em grupo) sem sair de casa t raz

consigo uma ampliação das f ormas de relações sociais. É a possibilidade de uma comunicação mult i-direcional que permit e que os indivíduos possam est ar ligados colet ivament e.

O cont ext o onde ocorre est a sociabilização passa a ser uma int erf ace de comput ador onde os pseudônimos dos ut ilizadores que est ão conect ados num det erminado moment o aparecem no monit or em f orma de list a. Bast a escolher um número associado ao pseudônimo da pessoa com quem se quer conversar e a conexão é est abelecida. A t roca de inf ormações, no ent ant o, só é possível se houver uma af inidade ou int eresse comum ent re as pessoas que est ão conect adas. Caso alguém se sint a "invadido" no seu espaço, pode aut omat icament e não permit ir que est a pessoa aceda mais a sua int erf ace. Para ist o, bast a não responder à primeira ou a qualquer int ervenção que sej a do seu desagrado. Diant e da f alt a de respost a a qualquer pergunt a, t orna-se impossível aceder a sua int erf ace. As conversas com assunt os indesej áveis são f acilment e descart adas.

Para que est e espaço de sociabilidade ganhe vida é necessário que as part es envolvidas no processo de comunicação se t ornem "cúmplices". A priori, est a "cumplicidade" manif est a-se na maneira com que os ut ilizadores se apresent am. Em cada pseudônimo exist e uma dica sobre o que est á por t rás daquele nome. Quando opt amos por conversar com alguém que at ende por “ cineast a” ou ent ão, por “ bisex” , podemos deduzir, sem no ent ant o t er cert eza, quais as mot ivações e os int eresses de cada um. Est a não é uma regra geral, mas aparece como um f ort e indício da f ormação de microgrupos. Assim, redes de amizades são const it uídas ent re os ut ilizadores que t êm af inidades ent re si e que f reqüent am periodicament e o espaço.

Nest a perspect iva a sociabilidade nas comunidades virt uais ganha novos cont ornos. Segundo alguns sociólogos o conceit o de sociabilidade t em como alvo não as relações f ormais, mas as relações espont âneas que marcam nosso dia-a-dia, que cruzam, ref orçam, invert em as relações est abelecidas. Conf orme Parsons (1969, p.20):

Como o sist ema social é const it uído pela int eração de indivíduos humanos, cada membro é at or (que t em obj et ivos, idéias, at it udes, et c. ) e obj et ivo de orient ação, t ant o para si mesmo como para out ros at ores. Port ant o, o sist ema de int eração é um aspect o analít ico que pode ser abst raído dos processos t ot ais de ação de seus part icipant es. Ao mesmo t empo, esses “ indivíduos” são t ambém organismos, personalidades e part icipant es de sist emas cult urais.

É nest e espaço de sociabilidade que dif erent es pessoas impulsionadas por int eresses diversos se f undem numa mesma unidade onde est es int eresses se realizam. O que une est as pessoas é a busca de uma relação descompromet ida, ef êmera e que preserve um carát er lúdico diant e da variedade de t emas e assunt os abordados.

Poder-se-ia argument ar que as list as de discussão não f ormam uma comunidade porque não há um sent iment o de pert ença no grupo e muit o menos uma ident idade comum ent re os seus membros. Est a visão, no ent ant o, est á ancorada na compreensão de comunidade como um l ócus específ ico, dent ro da sociedade, onde as relações seriam aut ênt icas e verdadeiras, em cont raposição ao domínio das relações abst rat as e vazias da cidade cosmopolit a. Est a noção de comunidade (clássica) é oriunda da modernidade e t em algumas caract eríst icas específ icas como o sent iment o de pert ença, a permanência (em oposição à ef emeridade), a t errit orialidade, a crença nas relações genuínas e aut ênt icas, o ideal do proj et o comum e a exist ência de uma f orma própria de comunicação ent re seus membros (como as rádios e t vs comunit árias, o j ornal de bairro, et c). Dada est a caract erização, est e t ipo de comunidade t enderia a est abilizar-se e inst it ucionalizar-se, consolidando-se numa organização com uma hierarquia def inida, delegação de responsabilidades, papéis inst it uídos ent re os membros e uma represent ação polít ica.

É necessário ent ender que o conceit o de comunidade sof reu algumas t ransf ormações na passagem da modernidade para a pós-modernidade. Por isso, precisamos modif icar as maneiras de se avaliar os reagrupament os sociais. O conceit o de comunidade emocional de Max Weber (1989) pode explicar a f ormação desses grupos que explodem na cont emporaneidade. As caract eríst icas dessa comunidade emocional são o aspect o ef êmero, a "composição cambiant e", a ausência de uma organização, a inscrição local (ent enda-se local aqui como um espaço de proximidade, sej a ele real ou virt ual) e a est rut ura quot idiana.

Se t omarmos como exemplo as diversas t ribos urbanas que habit am uma cidade - os punks, os surf ist as ou os rappers - veremos que são micro-grupos que não t êm out ro obj et ivo que não o de est ar j unt o. São membros que se agregam de acordo com suas af inidades, que não t êm um proj et o f ut uro a não ser o de se encont rarem de novo. É claro que nessas f ormas de sociabilidade t ípicas da pós-

modernidade, o sent iment o de pert ença est á present e, independent ement e do f at o dessa comunidade se organizar esporadicament e, de f orma inst ável e ef êmera. O mesmo comport ament o pode ser at ribuído a essas t ribos elet rônicas que muit as vezes saem do ciberespaço e se encont ram In Real Li f e, nos bares, nos clubes ou em f est as. As pessoas, de f at o, sent em-se int egradas no grupo.

As prát icas comunicat ivas ligadas às novas t ecnologias de comunicação deram uma nova dinâmica ao ressurgiment o dos ideais comunit ários. Hoj e, as comunidades virt uais t êm um papel f undament al na int egração da sociedade de massa, resgat ando uma sociabilidade perdida em f unção do pouco t empo disponível para as pessoas f reqüent arem os espaços de sociabilidade t radicionais. As pessoas resgat am nest as comunidades virt uais sent iment os que se haviam perdido diant e dest a complexidade social na qual est ão absorvidas.

Pode-se dizer que est amos a presenciar o "desencaixe dos sist emas sociais". Est a noção f oi criada pelo sociólogo Ant hony Giddens para se ref erir a um processo social moderno. Por "desencaixe", Giddens (1991) ref ere-se ao "deslocament o das relações sociais de cont ext os locais de int eração e da sua reest rut uração at ravés de ext ensões indef inidas de t empo-espaço" (GIDDENS, 1991, p.29). Element o f undament al da f ormação de uma comunidade, o sent iment o de pert ença, "desencaixa-se" da localização e ref orça a idéia de que as pessoas podem t er t odo o t ipo de experiência comunit ária, independent ement e de est arem a viver próximas umas das out ras. O que não implica na subst it uição de um t ipo de relação (de proximidade), por out ro (à dist ância), mas possibilit a a co-exist ência de ambas as f ormas, sendo o sent ido de ligação comum às duas.