2. KURAMSAL TEMELLER ve KAYNAK ARAŞTIRMASI
2.1. Yakıt Pillerinin Tanıtımı
3.1.5 Katot Akış Modeli
Há 53 anos (em 1962), foi fundada no Peru a primeira Comissão Nacional de Cultura (por meio do Decreto nº48/62), porém data de 1941 a Lei nº 9359, que incumbia o Ministério da Educação de criar e desenvolver a Direção de Educação e Extensão Cultural. Foi por meio desse Ministério que se criaram as bases para uma educação voltada às artes e às humanidades em geral. É histórica a importância dada pelo Estado para as áreas de patrimônio histórico e folclore peruanos, com destaque também para as ações de incentivo à leitura e à música.
Las artes y las expresiones literárias tienen en la Comisión un papel preponderante. Ahí figuraban la Asociación Nacional de Escritores y Artistas, el Patronato de las Artes, la Asociación de Artistas Aficionados, las asociaciones culturales Entre Nous y Indula, el Comité Interamericano de Folclor, la Sociedad Geográfica de Lima, el Instituto Riva Aguero, el Patronato Nacional de Arquiología, el Consejo Nacional de la Música y otras instituciones o asociaciones de carácter artístico e histórico [...] Sin embargo, poco a poco, se van agregando otros organismos, como por ejemplo, el Canal 7 de TV, la Escuela de Bellas Artes, la Orquestra Sinfónica Nacional. (ROZAS; URBANO, 2008, p.265)37
No Peru, a primeira Lei de Fomento do campo da cultura data de 1965 (Lei nº 15.621/65). Essa lei criou o “Conselho Superior de Fomento da Cultura” e os “Departamentos do Peru”
37 As artes e as expressões literárias têm um papel preponderante na Comissão. Aí figuravam a Associação
Nacional de Escritores e Artistas, o Patronato das Artes, a Associação de Artistas Amadores, as associações culturais Entre Nous e Insula, o Comitê Interamericano de Folclore, a Sociedade Geográfica de Lima, o Instituto Riva Aguero, o Patronato Nacional de Arqueologia, o Conselho Nacional da Música e outras instituições ou associações de caráter artístico e histórico [...]. Sem dúvida, pouco a pouco se vão agregando outros organismos, como por exemplo o Canal 7 de TV, a Escola de Belas Artes, a Orquestra Sinfônica Nacional (ROZAS; URBANO, 2008, p.265, tradução da autora).
que passaram a contar, cada um, com uma Casa de Cultura. A proposta era a de reorganização e descentralização do setor cultural. Essas Casas de Cultura passaram, a partir de 1965, a contar com um apoio financeiro do Estado para a difusão cultural regionalizada: “es decir las Casas de la Cultura, a difundir las expresiones regionales de la cultura peruana y a integrarlas en una visión global del hombre” (ROZAS; URBANO, 2008, p.267).38
Porém, no decorrer da história política peruana, foi durante o governo militar de Juan Velasco Alvarado (1968-1975) que se instituiu, por meio do Decreto Lei nº 18.799/71, o Instituto Nacional de Cultura, e que se revogou a Lei de Fomento de 1965, fechando as Casas de Cultura que tinham sido estabelecidas por essa lei para atuação em âmbito regional. Esse decreto também deu maior independência ao Ministério da Educação diante da gestão da cultura e, com uma forte marca nacionalista, iniciou-se um período de maior comprometimento com as camadas mais populares. Foi nesse período que se reconheceu o “quechua” como língua nacional (língua de povos indígenas sulamericanos que estão estabelecidos onde hoje temos a região do Peru).
A volta da democracia foi marcada também pelo surgimento e forte presença do grupo Sendero Luminoso39, que promoveu uma onda de muita violência nos anos que se seguiram.
No campo da cultura, o Instituto Nacional de Cultura continuou a responder ao Ministério da Educação e a novidade da abertura democrática se viu na criação do Conselho Nacional de Cultura, que contou com uma maior participação civil junto às decisões do Estado. Criou-se o Decreto Supremo nº 30/82, que definiu as atividades do Instituto e do Conselho, que se apresentaram como sendo nada além de uma continuidade das políticas culturais pensadas em 1971, durante o governo militar.
38 Quer dizer as Casas de Cultura passaram a difundir as expressões regionais da cultura peruana e a integrá-
las a uma visão global do homem” (ROZAS; URBANO, 2008, p.267, tradução da autora).
39 Sendero Luminoso é o nome de um grupo de guerrilha que surgiu no Peru na década de 60. Em português,
“sendero luminoso” significa “caminho iluminado”. Criado por Abimael Guzmán (antigo professor de filosofia na Universidade de Ayacucho), o grupo tem inspiração maoísta e se auto intitula “Partido Comunista do Peru Sendero Luminoso”. O Sendero Luminoso é considerado, ao lado das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), um dos grupos de guerrilha melhor organizado da América do Sul.
Há um olhar cuidadoso para a área de patrimônio histórico e arqueológico, compreendida como uma das principais linhas de ação do campo da cultura, em razão do vasto patrimônio presente nas diversas regiões peruanas. Houve uma ação especial para apoio a museus, com a criação da “Direção de Museus”, ligada ao Instituto Nacional de Cultura. Houve ainda a criação de outras duas direções: a de “Formação em Arte” e a de “Biblioteca e Informação Cultural”.
Em 1984, com a publicação do Decreto Supremo 17/84, iniciou-se um processo de descentralização com a criação dos conselhos regionais, que assumiram a direção das políticas locais, porém o fortalecimento das ações dos grupos guerrilheiros Sendero Luminoso e Tupac Amaru40 minaram o projeto de empoderamento regional.
Com a mudança de governo e a entrada de Fujimori (1990), iniciou-se um processo de reorganização das instituições do Estado. O Instituto Nacional de Cultura continuou sendo o principal pilar das ações de políticas culturais, porém perdeu parte da força e da autonomia durante esse governo.
El control de las atividades guerrilleras desatadas por Sendero Luminoso y el Movimiento Revolucionario Tupac Amaru por parte del Estado abrio un nuevo capítulo, no en el sentido de abertura y democratización de la cultura, sino en la desarticulación de los órganos existentes desde la década de los años 1960. Porque lo que parecia ser uma excelente oportunidade para redefinir una política cultural de largo alcance acabó por reducirse a aspectos de organización burocrática y a preocupaciones de la reforma del Estado. No se desmantelaron completamente las instituiciones creadas décadas atrás y el Instituto Nacional de Cultura permaneció como la columna vertebral de todo lo que se relacionaba con las atividades culturales y artísticas. Asimismo no se le retiró completamente la capacidad de promocionar las políticas culturales del Estado. Pero, los documentos oficiales emanados del poder político disminuyeron la capacidad de acción de los entes estatales hasta entonces encargados de definir la política cultural. Y el contenido de esas políticas
40 Tupac Amaru foi um lider indígena do povo inca da época da conquista espanhola. Seu nome foi referência
para a criação do grupo guerrilheiro “Tupac Amaru” em meados da década de 70, no Peru. Grupo de organização político-militar, o Tupac Amaru possui ideologia marxista e surgiu quando Leonidas Rodríguez Figueroa fundou o PSR (Partido Socialista Revolucionário). Depois de várias divergências e criações de inúmeros grupos e partidos de ideologia marxista, em 1982 a Frente Revolucionária de Ação Socialista adota um novo nome: “Movimento Revolucionário Tupac Amaru”. Movimento que permaneceu na clandestinidade e desenvolveu, por décadas, ações coordenadas em nome de um ideal socialista.
dejaron de tener impacto que se esperaba por la sencillla razón de que el Estado no estaba interesado en cambiar la situación desastrosa heredada después de diez años de lucha antiterrorista. No era una prioridad para el (ROZAS; URBANO, 2008, p.273).41
O governo Fujimori é considerado, para a cultura, uma das piores administrações públicas: “Son diez años que se pueden caracterizar por la inercia de las instituciones” (ROZAS; URBANO, 2008, p.273)42 e por isso houve enorme expectativa diante do governo de
Alejandro Toledo, que assumiu o poder após Fujimori. É desse período a publicação do documento intitulado “Lineamientos y programas de política cultural del Peru / 2003- 2006”. A partir de uma leitura histórica da sociedade peruana, o texto propõe uma série de reflexões sobre a área cultural, apresentando propostas de ações práticas, porém desenvolvidas em um contexto de escasso orçamento.
Con recursos escasos, los programas y proyectos por más interessantes que sean no se plasman en prácticas reales y se estrellan contra la inercia del tempo y el desmedro burocrático (ROZAS; URBANO, 2008, p.274).43
Foi durante o governo de Alejandro Toledo que se ventilou a possibilidade da criação do Ministério da Cultura. Em vários momentos, o assunto voltou à pauta, porém não houve força política que o levasse a concretização. Houve também um interesse especial ao incentivo à publicação e à leitura de livros, com projetos de isenção de impostos para se
41 O controle das atividades guerrilheiras desencadeadas pelo Sendero Luminoso e o Movimento
Revolucionario Tupac Amaru por parte do Estado abriu um novo capítulo, não no sentido de abertura e democratização da cultura, mas na desarticulação dos órgãos existentes desde a década dos anos 1960. Porque o que parecia ser uma excelente oportunidade para redefinir uma política cultural de amplo alcance acabou por reduzir-se a aspectos de organização burocrática e a preocupações da reforma do Estado. Não se desmantelaram completamente as instituições criadas décadas atrás e o Instituto Nacional de Cultura permaneceu como a coluna vertebral de tudo o que se relacionava com as atividades culturais e artísticas. Mesmo assim não se retirou completamente a capacidade de promover as políticas culturais do Estado. Porém, os documentos oficiais emanados do poder político diminuíram a capacidade de ação dos entes estatais, até então encarregados de definir a política cultural. E os conteúdos dessas políticas deixaram de ter o impacto que se esperava pela simples razão de que o Estado não estava interessado em mudar a situação desastrosa herdada depois de dez anos de luta antiterrorista. Não era uma prioridade em si (ROZAS; URBANO, 2008, p.273, tradução da autora).
42 São dez anos que se pode caracterizar por uma inércia das instituições (ROZAS; URBANO, 2008, p.273,
tradução da autora).
43 Com recursos escassos, os programas e projetos, por mais interessantes que sejam não se concretizam em
práticas reais e se quebram contra a inércia do tempo e do horror burocrático (ROZAS; URBANO, 2008, p.274, tradução da autora).
criar um mercado editorial no Peru.
Já o campo das artes cênicas conta até hoje com forte apoio de instituições privadas como o Instituto Goethe, a Aliança Francesa, o Centro Cultural da Espanha, o Centro Cultural Peruano-Norteamericano, a Associação Peruana-Britânica, o Centro Cultura Peruano Japonês, o Instituto Italiano de Cultura e outras entidades de representação internacional, que usam o apoio às expressões cênicas (como teatro e dança) para ações de comunicação e marketing. Não há uma política pública orientada para o Mecenato, como ocorre no Brasil, porém há uma lógica similar na relação de entidades privadas com a cultura, o que faz com que suas ações se concentrem principalmente em Lima, em razão da visibilidade proporcionada por ações produzidas na capital do país, onde se concentram também os órgãos de comunicação.
Las atividades culturales que en ellos se realizan hacen parte de las estratégias de marketing y de promoción cultural de dichas instituciones. En geral, la oferta cultural de las instituciones privadas que hacen parte de estos dos grupos es diversa pero bastante concentrada em la capital del país. Las artes escénicas integran también las actividades de los centros culturales de las municipalidades. Cabe resaltar que los espetáculos realizados en estos espacios sirven, en la mayor parte de los casos, para estimular y difundir las expresiones artísticas locales. Finalmente notamos la presencia de instituciones culturales organizadas a partir de iniciativas particulares, individuales o grupales. [...] Todos los espetáculos culturales pueden ser exonerados del pago del impuestos y tributos. Para tal efecto, ellos deben estar calificados, por el Instituto Nacional de Cultura (Resolución Directoral Nacional 341 INC, 1999), como espectáculos públicos culturales no deportivos (ROZAS; URBANO, 2008, p.280-281).44
É preciso destacar a importância do campo das publicações de livros sobre os direitos
44 As atividades culturais que neles se realizam fazem parte das estratégias de marketing e da promoção
cultural das mencionadas instituições. Em geral, a oferta cultural das instituições privadas que fazem parte destes grupos é diversa, porém bastante concentrada na capital do país. As artes cênicas integram também as atividades dos centros culturais das municipalidades – ou será dos municípios? Cabe ressaltar que os espetáculos realizados nesses espaços servem, na maior parte dos casos, para estimular e difundir as expressões artísticas locais. Finalmente notamos a presença de instituições culturais organizadas a partir de iniciativas particulares, individuais e grupais. [...] Todos os espetáculos culturais podem ser isentos do pagamento de impostos e tributos. Para esse efeito, devem estar qualificados pelo Instituto Nacional de Cultura (Resolução Direção Nacional 341 INC, 1999), como espetáculos públicos culturais não desportivos (ROZAS; URBANO, 2008, p.280-281, tradução da autora).
culturais no Peru. O Instituto Nacional de Cultura del Perú, o Fondo Editorial e a Universidade San Martin de Porres são responsáveis pela publicação de duas compilações sobre as leis que regulam o direito cultural no mundo. São elas “Itinerários culturales y patrimônio mundial” de Alberto Martorell Carreño (2010) e “Documentos fundamentales para el patrimonio cultural: textos internacionales para su recuperación, repatriación, conservación, protección y difusión” (2007).