Conforme demonstram estudos realizados por Baeninger (2002), nos anos 1970 o fluxo metrópole-interior intensificou-se atrelado à interiorização do crescimento industrial, e a Região Metropolitana de Campinas apresentou os maiores ganhos de população no Estado, chegando a 85.018 pessoas, ultrapassando Santos (51.042) e Sorocaba (41.613).
Taxa de Crescimento (%a.a.) MUNICÍPIOS
1970-1980 1980-1991 1991-2000
CAMPINAS 5,86 2,24 1,50 SANTA BÁRBARA D'OESTE 9,47 5,99 1,77 AMERICANA 6,29 2,13 1,92 COSMÓPOLIS 6,74 4,24 2,13 VALINHOS 4,75 3,02 2,25 NOVA ODESSA 10,14 4,10 2,37 PEDREIRA 3,57 2,47 2,59 SANTO ANTÔNIO DE POSSE 3,38 2,54 2,65 JAGUARIÚNA 3,89 3,98 2,66 HOLAMBRA - - 2,77 ITATIBA 3,91 3,63 3,11 PAULÍNIA 6,84 5,32 3,80 VINHEDO 5,78 4,08 3,85 SUMARÉ 16,01 2,88 3,92 ENGENHEIRO COELHO - - 4,07 INDAIATUBA 6,30 5,46 4,27 MONTE MOR 5,82 5,61 4,30 ARTUR NOGUEIRA 4,59 1,90 6,01 HORTOLÂNDIA - - 6,80 Total RMC 6,49 3,51 2,54 Total Estado de São Paulo 3,49 2,13 1,78
Tabela 4.1 Taxas de crescimento dos municípios da Região Metropolitana de
Campinas (1970-2000) em comparação com o total do Estado de São Paulo, em ordem crescente de importância numérica (1991-2000)
Fonte: IBGE,2000
Sumaré, município onde se instalaram diversas indústrias multinacionais, como a 3M e a Honda, apresentou taxa de crescimento de 16%, entre 1970 e 1980. Este crescimento foi fruto de um intenso processo migratório interestadual e intrametropolitano. De fato, a ocupação urbana na RMC vem se caracterizando, desde a década de 70, como um processo evidente de ocupação periférica. Se, até 1970, mais da metade da população metropolitana concentrava-se na sede, Campinas, em 2000, o entorno já comportava 60% da população regional (RMC). A periferia
< Capítulo 04: A região Metropolitana de Campinas > < Capítulo 04: A região Metropolitana de Campinas >
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condominiais diversificadas, isto é, o surgimento de espaços cada vez mais fechados, sejam eles no âmbito do comércio e serviços (shoppings centers), indústrias e escritórios e da residência (loteamentos e condomínios fechados);
- novas formas de organização do mercado imobiliário, com projetos cada vez maiores, de usos múltiplos e mais distantes dos centros urbanos.
Caldeira (2000) analisa o processo como uma reconfiguração da segregação espacial. Com a possibilidade da dispersão, aumentam as distâncias geográficas entre ricos e pobres, o que contribui para a invisibilidade dos pobres.
Na Região Metropolitana de Campinas observa-se o estabelecimento das indústrias ao longo dos eixos rodoviários principais, e os loteamentos fechados buscam espaços distantes dos centros urbanos, cinco a dez quilômetros de distância, em áreas próximas da natureza e da zona rural. Os usos de comércio e serviços acompanham a residência e a indústria, deslocando-se também para os eixos rodoviários, situados em grandes edificações fechadas e fortificadas (com guaritas e controle de acesso), de modo a atender o maior número de consumidores, oriundos de toda a região. O desafio para os equipamentos de comércio é criar novas centralidades, o que exige que concentrem usos diversos e possuam grandes áreas para estacionamento. Destacam- se como importantes eixos de dispersão as rodovias Dom Pedro I (anel viário de Campinas), Anhangüera, Campinas/ Mogi e Santos Dumont.
Até os anos 1990 a dispersão residencial se dava apenas para as classes de baixa renda, enquanto, a partir desta data, passa a ser notada também nas moradias das classes média e alta. A dispersão dos pobres ocorreu no quadrante sudoeste da RMC, enquanto a classe média ocupou preferencialmente os distritos de Sousas, Joaquim Egídio e Barão Geraldo. Esses distritos urbanos são oriundos do período cafeeiro (séculos XVIII e XIX), e mantêm em sua estrutura fundiária importantes fazendas, atualmente improdutivas e com boa acessibilidade.
O distrito de Barão Geraldo teve seu crescimento impulsionado pela implantação da UNICAMP, nos anos 1960, enquanto Sousas e Joaquim Egídio, localizados no vetor de alta renda, passa a ser local privilegiado para loteamentos de média e alta renda, fechados a partir de 1996.
4.1.1. A dispersão residencial
Conforme demonstram estudos realizados por Baeninger (2002), nos anos 1970 o fluxo metrópole-interior intensificou-se atrelado à interiorização do crescimento industrial, e a Região Metropolitana de Campinas apresentou os maiores ganhos de população no Estado, chegando a 85.018 pessoas, ultrapassando Santos (51.042) e Sorocaba (41.613).
Taxa de Crescimento (%a.a.) MUNICÍPIOS
1970-1980 1980-1991 1991-2000
CAMPINAS 5,86 2,24 1,50 SANTA BÁRBARA D'OESTE 9,47 5,99 1,77 AMERICANA 6,29 2,13 1,92 COSMÓPOLIS 6,74 4,24 2,13 VALINHOS 4,75 3,02 2,25 NOVA ODESSA 10,14 4,10 2,37 PEDREIRA 3,57 2,47 2,59 SANTO ANTÔNIO DE POSSE 3,38 2,54 2,65 JAGUARIÚNA 3,89 3,98 2,66 HOLAMBRA - - 2,77 ITATIBA 3,91 3,63 3,11 PAULÍNIA 6,84 5,32 3,80 VINHEDO 5,78 4,08 3,85 SUMARÉ 16,01 2,88 3,92 ENGENHEIRO COELHO - - 4,07 INDAIATUBA 6,30 5,46 4,27 MONTE MOR 5,82 5,61 4,30 ARTUR NOGUEIRA 4,59 1,90 6,01 HORTOLÂNDIA - - 6,80 Total RMC 6,49 3,51 2,54 Total Estado de São Paulo 3,49 2,13 1,78
Tabela 4.1 Taxas de crescimento dos municípios da Região Metropolitana de
Campinas (1970-2000) em comparação com o total do Estado de São Paulo, em ordem crescente de importância numérica (1991-2000)
Fonte: IBGE,2000
Sumaré, município onde se instalaram diversas indústrias multinacionais, como a 3M e a Honda, apresentou taxa de crescimento de 16%, entre 1970 e 1980. Este crescimento foi fruto de um intenso processo migratório interestadual e intrametropolitano. De fato, a ocupação urbana na RMC vem se caracterizando, desde a década de 70, como um processo evidente de ocupação periférica. Se, até 1970, mais da metade da população metropolitana concentrava-se na sede, Campinas, em 2000, o entorno já comportava 60% da população regional (RMC). A periferia
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metropolitana assumiu o papel de abrigar os grandes investimentos econômicos e também a população migrante, notadamente no eixo da Via Anhangüera. Configura-se já nesta época o processo de periferização metropolitana. A ocupação periférica desse período é predominantemente constituída por conjuntos habitacionais e assentamentos precários, como favelas e loteamentos clandestinos.
ANOS CENSITÁRIOS POPULAÇÃO TOTAL PARTICIPAÇÃO RELATIVA (%) TAXAS DE CRESCIMENTO SEDE ENTORNO NA SEDE SEDE ENTORNO 1970 375.864 304.962 55,20 5,86 7,22 1980 664.559 612.196 52,05 2,22 4,73 1991 846.434 1.081.311 45,39 1,52 3,34 2000 969.396 1.368.752 41,46
Tabela 4.2 População total segundo a sede e seu entorno, 1997-2000
Fonte: IBGE Censo Demográfico (1997-2000) apud Baeninger (2002).
Os dados da migração intrametropolitana demonstram que os fluxos migratórios oriundos da sede corresponderam a 84% do total da migração, mobilizando 86.076 pessoas entre 1970 e 1980, e 107.269, entre 1980 e 1991. Isto mostra o grande processo de redistribuição interna da população
metropolitana.
O processo de expulsão de população do Município de Campinas para os municípios limítrofes, ou próximos, já havia sido constatado na década de 70: Campinas foi responsável por mais de 50% dos migrantes intra-regionais domiciliados nos principais municípios da área metropolitana. O volume emigratório, desencadeado a partir do município de Campinas, passou de 36.825 migrantes, no período 1970- 1980, para 46.559, entre 1981-1991. Este fenômeno parece indicar que o Município de Campinas serviu de etapa intermediária entre a procedência e a direção final dos migrantes que chegaram à Região de Campinas. (Baeninger,
2002)(grifo nosso).
A redistribuição da população no território metropolitano intensificou os deslocamentos pendulares, que, já no ano de 1980, atingiu 57.277 pessoas, o equivalente a 5% da população economicamente ativa da RMC. Esses deslocamentos são decorrentes da dependência entre os municípios da região, e fruto da interação do
mercado de trabalho, e, principalmente, devido à procura por terrenos mais baratos para a classe trabalhadora morar.
O mercado de trabalho superou os limites municipais atingindo escala regional. Como conseqüência, houve a dispersão dos bairros residenciais, e, a partir da descentralização da indústria e da residência, dispersaram-se também os usos de comércio, serviços, escritórios e lazer.
A Via Anhangüera foi forte indutor da localização industrial já nos anos 1950. Foi o vetor pioneiro do desenvolvimento econômico da região, tornando-se também a “cordilheira da pobreza”, separando, a leste, ricos com alto nível de escolaridade, e, a oeste, pobres e migrantes.
O Estado, através da COHAB Campinas (principal promotora de habitação social na região), também contribuiu para o aumento da segregação social na região, concentrando grande parte de seus empreendimentos no quadrante sudoeste do município de Campinas. Na década de 1970, a COHAB empreendeu 1.736 unidades
Gleba Cabrino C.H. Padre Anchieta C.H. Boa Vista C.H. Perseu L. Barros C.H. Vila Rica C.H. Campos Sales C.H. Orozimbo Maia C.H. Costa e Silva C.H. Vila 31 de Março C.H. Miguel V. Cury C.H. Padre Manoel de Nóbrega C.H. Castelo Branco
Favelas Ocupações
Loteamentos da COHAB Campinas perímetro urbano C.H. Parque da Floresta C.H. Parque Itajaí Vila Esperança Gleba Mirian Residencial São Luís Residencial São José DICs Residencial Vida Nova
Fig.4.1 Localização dos Conjuntos Habitacionais produzidos pela COHAB Campinas
e favelas no município de Campinas
< Capítulo 04: A região Metropolitana de Campinas > < Capítulo 04: A região Metropolitana de Campinas >
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metropolitana assumiu o papel de abrigar os grandes investimentos econômicos e também a população migrante, notadamente no eixo da Via Anhangüera. Configura-se já nesta época o processo de periferização metropolitana. A ocupação periférica desse período é predominantemente constituída por conjuntos habitacionais e assentamentos precários, como favelas e loteamentos clandestinos.
ANOS CENSITÁRIOS POPULAÇÃO TOTAL PARTICIPAÇÃO RELATIVA (%) TAXAS DE CRESCIMENTO SEDE ENTORNO NA SEDE SEDE ENTORNO 1970 375.864 304.962 55,20 5,86 7,22 1980 664.559 612.196 52,05 2,22 4,73 1991 846.434 1.081.311 45,39 1,52 3,34
Tabela 4.2 População total segundo a sede e seu entorno, 1997-2000
Fonte: IBGE Censo Demográfico (1997-2000) apud Baeninger (2002).
Os dados da migração intrametropolitana demonstram que os fluxos migratórios oriundos da sede corresponderam a 84% do total da migração, mobilizando 86.076 pessoas entre 1970 e 1980, e 107.269, entre 1980 e 1991. Isto mostra o grande processo de redistribuição interna da população
metropolitana.
O processo de expulsão de população do Município de Campinas para os municípios limítrofes, ou próximos, já havia sido constatado na década de 70: Campinas foi responsável por mais de 50% dos migrantes intra-regionais domiciliados nos principais municípios da área metropolitana. O volume emigratório, desencadeado a partir do município de Campinas, passou de 36.825 migrantes, no período 1970- 1980, para 46.559, entre 1981-1991. Este fenômeno parece indicar que o Município de Campinas serviu de etapa intermediária entre a procedência e a direção final dos migrantes que chegaram à Região de Campinas. (Baeninger,
2002)(grifo nosso).
A redistribuição da população no território metropolitano intensificou os deslocamentos pendulares, que, já no ano de 1980, atingiu 57.277 pessoas, o equivalente a 5% da população economicamente ativa da RMC. Esses deslocamentos são decorrentes da dependência entre os municípios da região, e fruto da interação do
mercado de trabalho, e, principalmente, devido à procura por terrenos mais baratos para a classe trabalhadora morar.
O mercado de trabalho superou os limites municipais atingindo escala regional. Como conseqüência, houve a dispersão dos bairros residenciais, e, a partir da descentralização da indústria e da residência, dispersaram-se também os usos de comércio, serviços, escritórios e lazer.
A Via Anhangüera foi forte indutor da localização industrial já nos anos 1950. Foi o vetor pioneiro do desenvolvimento econômico da região, tornando-se também a “cordilheira da pobreza”, separando, a leste, ricos com alto nível de escolaridade, e, a oeste, pobres e migrantes.
O Estado, através da COHAB Campinas (principal promotora de habitação social na região), também contribuiu para o aumento da segregação social na região, concentrando grande parte de seus empreendimentos no quadrante sudoeste do município de Campinas. Na década de 1970, a COHAB empreendeu 1.736 unidades
Fig.4.1 Localização dos Conjuntos Habitacionais produzidos pela COHAB Campinas
e favelas no município de Campinas